Sabemos que a elaboração de um orçamento para a produção de um material audiovisual é necessário um briefing detalhado para levantar custos que envolvem a pré-produção, produção e pós produção. E que dentro de uma matemática existente no universo da obviedade, a localização, ou localizações solicitadas para gravações geram custos de logística envolvendo número de diárias com a equipe, locação de van, combustível, pedágios, alimentação e hospedagem. Valores que não vão para o bolso do produtor. São custos detalhados e repassados para o cliente.
Apesar de parecer lógico, não se pode negligenciar a ignorância ou falta de bom senso de algumas pessoas.
Segue então, mais um momento vivido anos atrás que hoje recordei e resolvi compartilhar:
Quando sou indicado e recebo um contato de um novo cliente solicitando orçamento para uma produção, faço algumas perguntas que irão balisar a proposta criativa quando percebo estar falando com alguém virgem no quesito produção audiovisual.
Em meu questionário descobri que o contato telefônico gostaria de fazer seu primeiro vídeo institucional e que gostaria de ver captadas imagens de suas quatro unidades fabris espalhadas em pontos distantes dentro do Estado de São Paulo.
Perguntei se havia uma estimativa de valor que estava disposto a investir neste trabalho. Ele disse que não, mas que gostaria que eu orçasse o que tinha de melhor, afinal este material seria o cartão de visitas da sua empresa. OK!
Após horas de dedicação levantando custos de logística e demais valores de produção cheguei em um número X.
Formalizei por email e minutos depois recebo um telefonema?
Você está louco? X Mil reais? Impossível! Eu tenho 3 mil e quinhentos reais pra investir!
Respirei fundo e educadamente respondi:
Você lembra que a primeira pergunta que fiz à você foi se teria algum valor estimado para investir neste audiovisual e que você me respondeu que não, mas gostaria que eu orçasse o que tem de melhor porque seria seu cartão de visitas? Se você parar para pensar, vai perceber que somente os custos de logística com uma equipe de filmagem viajando por uma semana percorrendo pontos distantes no Estado de São Paulo corresponde a quatro vezes o valor sonhado por você! Se tivesse me dito que pretendia investir este valor, de cara teria dito que não eramos os profissionais que estava procurando, sem tomar o seu tempo e sem perder o meu.
RESPOSTA DO CIDADÃO: O que eu posso fazer com 3 mil e quinhentos reais?
Talvez a alta disponibilidade de informações tem levado as pessoas a negligenciar sua capacidade cerebral deixando de lado um bem muito valioso chamado criatividade.
Nada se cria. Tudo se copia dentro do universo digital das referencias, ou seria da preguiça mental?
Isso nos leva ao desenvolvimento de pessoas subdesenvolvidas? Talvez.
Um público que não lê, assistem vídeos de até um minuto…Pessoas facilmente influenciáveis por tudo que veem ou ouvem sem checar a procedência e veracidade dos fatos. Dedicam seu tempo a selfies ou a divulgar seu prato de comida. Passam boa parte do tempo hipnotizadas pelas redes sociais!
Instantaneidade. Tudo na velocidade de um clique?
Foi baseado neste comportamento que pessoas de caráter duvidoso, porém inteligentes, criaram as famosas Fake News, popularmente conhecidas como mentiras, para manipular os preguiçosos de plantão e usa-los como marionetes de interesses escusos.
Seguindo a mesma linha de análise comportamental, alguém, em algum lugar do planeta, talvez o DEUS DA MODA, dita regras dizendo o que você deverá vestir alegando que a tendência para a próxima estação será usar determinada estampa com determinado corte, e a maioria das pessoas, aceita sem questionar se lhe cai bem ou é confortável para o seu biótipo.
Ninguém questiona de onde vem esta tendência ?
O resultado é similar a uma manada de zebras ou a um saco de salsichas. Tudo igual.
As pessoas ignoram sua própria identidade e personalidade. Digamos que a intelectualidade da coruja foi substituída pela língua do papagaio.
Isso pode ser visto na comunicação padrão adotada pelo mercado corporativo diferenciada por uma logomarca, pois o conteúdo é idêntico: Missão, visão e valores, na década passada, e agora atualizada em Propósito e Ações Sustentáveis.
É claro que com a destruição do meio ambiente as empresas precisam se posicionar de forma consciente seguindo o politicamente correto, mas para onde foi a originalidade? Algo que diferencia você dos demais!
Neste mesmo vagão chegaram os coachs que doutrinaram milhões de pessoas com sua linguagem de lavagem cerebral fazendo você acreditar que pode sair voando se pagar pelo segredo que ele irá compartilhar, permitindo que você fique milionário no dia seguinte e seja mais um Deus no Olimpo. Deus IDIOS, que em grego quer dizer IDIOTA.
Milionário ninguém fica além deles, mas você aprende palavrinhas como procrastinar, resignificar, repaginar, narrativa, jornada…
Talvez esta seja a razão do brutal investimento em inteligência artificial, porque a inteligência natural sucumbiu para um mundo que já é artificial.
PARE. PENSE. MUDE, e por favor não termine suas frases com GRATIDÃO.
Atualmente no mercado corporativo, muito se fala em turnover, que nada mais é do que o fluxo de entrada e saída de funcionários dentro de uma empresa.
Este giro de colaboradores muitas vezes está associado a objetivos pessoais onde os profissionais procuram trabalhar em empresas que proporcionem um ambiente de trabalho baseado não somente em aumento de produtividade, lucro e afins, mas que tenham uma visão mais ampla da sociedade e do meio ambiente como um todo e que proporcionem a evolução profissional e pessoal também, afinal de contas todos queremos estar bem, nos sentir bem ao lado das pessoas que convivemos.
Um pensamento utópico, mas realista.
O que eu sinto, é que algumas empresas perdem bons colaboradores por má gestão de pessoas.
Trabalho com comunicação e pra mim tudo está ligado a uma análise comportamental relacionada as constantes transformações que a vida nos apresenta.
Pessoas são diferentes. Diferentes modos de pensar, de agir e de interpretar as coisas dentro do seu grau de conhecimento e vivências. Saber respeitar nossos limites e ter a sensibilidade para gerar novos caminhos, criar oportunidades que ajudem ou proporcionem a evolução individual, reconhecer as virtudes que existem nas outras pessoas, certamente terá como reflexo direto o crescimento da empresa, porque TODOS ganham com isso.
Porém, alguns gestores com alto grau de miopia, agem com imposição de suas ideias, transformando seus funcionários em autômatos que seguem uma programação pré-determinada pelo chefe, limando a capacidade criativa de uma pessoa que poderia ter o poder de transformação se estivesse motivada, inspirada ao invés de amordaçada.
Com essa trava emocional, o gestor cego pela sua vaidade ou prepotência, vai ouvir de um colaborador muito promissor as frases clichês da despedida: Estou me desligando da empresa porque quero encarar novos desafios, alçar novos voos, alcançar novos patamares, blá blá blá…o que na legenda isso se traduz em “não quero trabalhar em uma empresa, ou com um gestor que me trata como se eu fosse um apertador de botões e não dá atenção para minhas iniciativas de melhoria, ou seja, que não me respeita como profissional e como pessoa.
Existe uma expressão conhecida como “Engenheiro de obra pronta”, usada quando outra pessoa se apropria de uma ideia que não lhe pertence, mas conduz o processo como se fosse o criador de um projeto que não foi gerado por ele. Isso é comum em empresas com profissionais centralizadores incapazes de delegar atribuições por falta de confiança na capacidade de seus funcionários e descrente de que uma boa ideia não poderia ter vindo de alguém que está em um cargo abaixo do dele.
Na minha modesta opinião de observador, já que nunca fui registrado com carteira assinada, para reduzir o tal do “turnover”, ouça ao invés de escutar, enxergue ao invés de ver, sinta ao invés de racionalizar e saiba que boas ideias estão disponíveis no universo para quem acessa-las primeiro.
Liderar não é mandar. Relacionamentos duradouros são construídos com base na valorização de virtudes e não de defeitos.
Nasci em São Paulo no bairro da Água Rasa localizado entre o Tatuapé do Corinthians e a Moóca do Juventus, mas como raríssimas pessoas sabiam sua localização, eu e meus amigos, pra não ficar explicando demais, ou pior, dizer que era no início da avenida Sapopemba (nome feio da pemba), que afastava a freguesia, então dizíamos que morávamos no Alto da Moóca, pronto.
Ainda molequinho, me lembro do tico-tico e da lambretinha a pedal, da toalha nas costas que faziam a mim e ao meu irmão acreditar sermos super-heróis e caminhávamos sobre o muro como gatos até sermos resgatados pela orelha por nossa delicada mãezinha. Eu e meu irmão devíamos gostar do Zorro (olha a memória falhando) pois ganhamos de presente de nossos pais um kit com Chapéu, máscara e espada. As espadas eram de borracha flexível estilo cassetete e não tardou sua utilidade para deixarmos as marcas do ZORRO nos vizinhos metidos a besta que moravam em frente nossa casa, deixando alguns vergões na lembrança daqueles três irmãos que, até aquele dia, nos enchiam os pacová.
Porém a sova que levamos na sequencia de nossa santa mãe foi pior.
Por falar em sova, minha mãe possuía chinelos, tamancos ou qualquer coisa que estivesse calçando com a capacidade teleguiada por sua fúria que permitia a seus calçados fazerem curvas e nos atingir com a precisão de um franco atirador. Tenho isso gravado na memória e por anos em galos que saltavam da minha testa.
Me lembro também da primeira bicicleta, uma bandeirantes, pneu maciço e sem freio que destruí junto com algumas partes do meu corpinho cabeçudo no portão de aço da garagem de um vizinho que ficava na curva da ladeira ao lado da nossa casa.
Minha cabeça era algo notável, não pela inteligência, mas pela sua leve dimensão. Ao tentar chamar a atenção do meu pai, entrava na frente da TV, abria os braços e dizia:
Agora ninguém vê mais!
E de bate pronto o sacana do meu pai respondia para deleite de meu irmão:
Nem precisa abrir os bracinhos !
Assim como fez com meu irmão, minha mãe me acompanhou até a porta do colégio de freiras “Nossa Senhora de Lourdes” e durante o trajeto dizia para que eu memorizasse o caminho caso precisasse ir sozinho. Íamos sós. Eu e meu irmão. Seis e sete anos de idade respectivamente caminhávamos algumas boas quadras. Outros tempos.
Primeiro dia de aula, lembro do chorinho na entrada do colégio me sentindo abandonado pela minha mãe e pelo meu irmão que já corria na direção dos amiguinhos de classe, mas no dia seguinte, estava eu também correndo pra galera.
Minha primeira professora se chamava irmã Leocádia – com este nome tinha que ser freira, que Deus me perdoe – não sei o que ela aprendeu em seu ensino religioso, mas ela transformava a sala de aula em um calvário. Caminhava como uma general entre as carteiras empunhando uma régua de madeira de 40 centímetros pronta para ser usada contra o primeiro engraçadinho.
Usávamos uma mala acartonada para levar o material escolar e um dia retornando pra casa debaixo de chuva, advinha, vi partir em retirada pela enxurrada, caderno, livro e estojo pelo fundo da malinha rasgado pela umidade.
Tomamos outro pau. Em casa era sim. Na dúvida de quem foi o responsável pela merda, apanhava os dois. Era phuds!
Nossos pais trabalhavam e à tarde ficávamos sós, eu e meu irmão, 11 meses mais velho, com a única tarefa de fazer o dever de casa.
Um dia, após finalizar nossos afazeres escolares, enquanto eu brincava com bolinhas de gude no chão, meu irmão arremessava pequenas bolinhas de “papel amassado” na direção do lustre em forma de globo que ficava na sala. Ingenuamente, acho eu, pensei que o som do impacto de uma bolinha de gude seria maior que o das bolinhas de papel. Competição entre irmãos. Bastou um único tiro certeiro para moer o globo.
Lembro de minha mãe adentrar a casa poucos minutos depois deste extraordinário e imbecil feito dizendo:
Cadê meus anjinhos!
E menos de um segundo depois, ao ver os cacos de vidro no chão…
Puta Que Pareoooooooooooooooooooooo !
Conhecendo a fera, já aguardávamos nossa algoz dentro do banheiro com a porta fechada a chave. Eu e meu irmão havíamos combinado de só abrir a porta quando a leoa se acalmasse, porém o traíra abriu a porta e saiu gritando:
Foi o Mi! Foi o Mi*!
(*Mi era meu apelido de infância porque este infeliz não conseguia – evidentemente pronunciar o meu nome, tipicamente brasileiro, Wladimir.)
Recordando que a lei da casa era “na dúvida apanha os dois”, a porta mal se abriu e ele já tomou o primeiro Box e saiu dançando bolero pelo corredor. Eu estava encolhido feito um tatu bola protegendo a cabecinha avantajada ao lado do vaso sanitário, mas ao levantar o olhar vi um cinto entrar antes de minha mãe no recinto – cinto no recinto, sinto muito – que se transformaria em um octógono de MMA onde eu seria nocauteado no primeiro round e como prêmio de consolação ganharia o apelido de zebra pelos coleguinhas demoníacos, discípulos da irmã Leocádia, parente de Lúcifer.
Lembro de brincar muito no recreio (nome dado ao intervalo no colégio) ao ponto de esquecer de ir ao banheiro. Entrava na sala de aula e pedia para Santa Irmã Leocádia:
Posso ir no banheiro?
Com olhar de lobo a freirinha de 1,5 metro de pura cortesia respondia:
O recreio serve para isso também. Agora, se estiver apertado, faz nas calças.
Não levei a ordem ao pé da letra, porém o perigo real e imediato me fez sacar o “junior” e descarregar a urina direcionando o jato para frente. O desespero era tamanho que não me atentei a Nizinho, a coleguinha sentada na carteira à minha frente com a infeliz mania de manter seus pezinhos e perninhas com meias brancas ¾ do uniforme recolhidos para trás, ou seja, praticamente em baixo da minha carteira.
Naquela época a escola era uma extensão de casa
Mil e uma utilidades
Não preciso contar o resto. Vou deixar para sua imaginação, mas o resultado foi, após o grito da “miguinha, conhecer de perto, bem de perto, pertíssimo, a régua de madeira Leocadiana e o caminho percorrido com minha orelha suspensa até a diretoria.
Mais um cacete maternal.
Lembro também de meu irmão ficar com uma pusta febre porque minha mãe não comprou um aviãozinho de plástico verde com as asas vermelhas ( e ele não torcia para a Portuguesa de Desportos, era corintiano e virou palmeirense, vai entender) que ele viu em uma vitrine a caminho da escola. A febre só cedeu quando nossa tia Zélia apareceu com o danado lá em casa e deu de presente pra ele.
Tivemos Forte Apache, Autorama Interlagos… meu irmão rasgou o saco em um prego espetado em um cabo de vassoura que ele acreditava ser o cavalo do zorro…pensando bem este zorro só trouxe desgraça pra nossa infância!
Não quero ter razão em um planeta onde até o engano se engana.
Portanto abro aqui uma discussão que nos permita fazer uma reflexão e juntos tentarmos chegar a uma conclusão.
Tenho uma opinião formada a respeito e vou descrever a minha teoria.
Se quatro linhas escritas até aqui já cansaram seu dilacerado e quase inexistente cérebro preguiçoso, saiba que você é a razão deste estudo.
Tudo o que escrevo é baseado em uma análise comportamental feita por mim, dentro do meu ponto de vista limitado quando comparado a psicanalistas e ao CHAT GPT(rs), mas acredito que qualquer ser humano sensível, consciente, com uma certa experiência de vida e com a sanidade mental em dia terá condições de entender o que estou enxergando neste momento tão nebuloso do planeta, onde até o Orkut está ressuscitando!
ORKUT REBORN? Deus pai nos proteja!
Pensem comigo:
O cérebro é um musculo que como qualquer outro, quanto mais trabalhado, mais exercitado, mais se desenvolve. Mas este computador natural que carregamos sobre o pescoço e que comanda todas as nossas articulações, quando estimulado pela busca do conhecimento, nos conecta a criatividade, que está associada a autenticidade, a originalidade que encanta os olhos e nos faz sorrir.
Dentro deste processo que segue uma lógica natural, as agências de publicidade quando recebiam um cliente com o desejo de lançar um produto no mercado, mandavam de bate-pronto a seguinte pergunta:
“QUEM É O SEU PÚBLICO”?
Baseado na resposta, dava-se início a uma pesquisa relacionada ao comportamento específico dessas pessoas para posteriormente lançar ao departamento de criação, onde inúmeras ideias seriam colocadas à mesa e seriam transformadas em uma campanha certeira. Profissionais estes que recebiam altos salários, porque a ideia é o bem mais precioso do planeta!
Concorda? Eu estou certo disso.
O mundo das ideias está disponível para todos e você não precisa ser pós-graduado em nada para acessá-las, saiba disso. E antes que pense em vociferar algo sobre Inteligência Artificial, saliento que ela só existe graças a ideias resgatas por seres humanos brilhantes com seus cérebros frequentadores das academias do saber.
Então vamos agora a uma análise do comportamento atual:
As redes sociais são atualmente o principal meio de comunicação. Basta levantar a cabeça…isso mesmo, tire os olhos do seu celular e veja ao redor!
Celulares grudados nas mãos das pessoas como se fosse um novo membro! Seguindo a teoria de Charles Darwin sobre a evolução das espécies, em alguns anos nossas mãos terão formato de suporte para celular ou nasceremos com um grudado em nosso corpo.
Baseado nessa observação, onde atualmente as pessoas dedicam boa parte do tempo bisbilhotando o que os outros fazem, surgiu uma palavrinha que particularmente tenho asco: Referência!
A tal da referência nada mais é do que uma boa ideia tirada de uma das caixinhas disponíveis a todos, mas que apenas uma minoria acessa e que ao gerar impacto, uma maioria sente um desejo doentio de adaptar ou copiar para seus objetivos, sejam pessoais ou profissionais! São os engenheiros de obras prontas que copiam a ideia alheia e se apropriam sem o menor pudor, dispensando o valor da originalidade e da autenticidade.
Está aí a diferença entre um influenciador e um influenciável. Um é criador e o outro plagista*, ou seria plagINSTA!
*Plagista é a pessoa que comete plágio, ou seja, que copia ou imita o trabalho intelectual de outra pessoa (como textos, músicas, imagens, vídeos, ideias, etc.) sem dar o devido crédito ao autor original, apresentando esse conteúdo como se fosse seu.
Para que fique claro pra quem passa o dia na caça de reels e stories de perfis que lhe interessam, ou não, e tudo o que lhe encanta gera uma vontade quase doentia de reproduzir no formato COPIA E COLA, mesmo que nada tenha a ver com o perfil do seu produto, você é o influenciável gerador de coraçõezinhos nas redes dos outros que ao invés de trabalhar com a autenticidade do seu produto, colocando o cérebro para funcionar, pensando (função cerebral) em reproduzir o que ele tem de melhor, algo associado a verdade e com isso lhe dará credibilidade, vejo muitos personagens se transformando em palhaços (no sentido pejorativo e não nos grandes artistas que são) simplesmente para agradar o tal do algoritmo em busca de engajamento e novos seguidores e com um futuro promissor nas prateleiras da mediocridade.
Mas quem você está engajando dentro do seu real interesse? Aliás, qual é o seu objetivo com isso? Seguir uma trend**? Que seria a mesma coisa que gado de manada que vai para onde todos vão.
**“trend” é uma abreviação da palavra em inglês “trend”, que significa tendência. Uma trend é qualquer conteúdo, formato ou comportamento que ganha popularidade rapidamente e é replicado por muitas pessoas.
Então, voltando para a pergunta citada no início da linha de raciocínio, QUEM É O SEU PÚBLICO? – Ter 6 milhões de seguidores no tiktok não significa que irá conseguir vender, por exemplo, 6 milhões de livros ou te eleger para Presidente da República! Da República das bananas, talvez, pois este público não lê.
Vou dar outro exemplo baseado no gado de manada COPIA E COLA.
Repare na atual linguagem, principalmente dentro do universo corporativo. Escrevem e se comunicam como androides exorcizados pelos coachs dos infernos. Mesmas palavrinhas da moda, avatares deles mesmos.
Desafio você a ler qualquer artigo no Linkedin e não encontrar um único texto que não tenha as seguintes palavras do dicionário do capeta:
Jornada, legado, alinhar, agregar valor, ressignificar, repaginar, procrastinar, narrativa, propósito, missão, visão, valores, resiliência, desafios, aprendizado, conteúdo, inteligência emocional, gestão, desdobramentos, demanda, colaboradores, empatia, conectar, gatilho emocional, disruptivo, aleatório, inspirar, experiência, profissionais altamente qualificados, quebra de paradigmas, referência, devolutiva, feedback, ruptura, consolidar, pilares, parceria, acolhedora, correria, resolutiva, pujante, efetivo, assertivo e pra acabar com meu dia concluem com GRATIDÃO!
Sem falar das gírias “zapeanas” como: galera, bora, beleza, tamo junto, top, é nóis, fechou etc.
Sinto que o mundo está chato. As pessoas estão robotizadas no jeito de falar, de vestir, de se comunicar. Na moda seguem tendências criadas sabe lá Deus por quem, decidindo o que você deverá vestir para fazer parte da tribo. Não uso LOOKS. Eu visto jeans, camiseta e tênis seguindo o estilista chamado “conforto”.
Criam rótulos pra tudo. Nomenclaturas criadas para DEZENAS de gêneros ao invés de simplesmente falar de SERES HUMANOS. Siglas pra todos os lados como se todos fossemos obrigados a saber que raios significam.
PENSEM:
FAKE NEWS surgem porque, seguindo uma análise de comportamento, existem pessoas facilmente influenciáveis que reproduzem notícias sem checar se a informação procede. Ações como estas nascem de cérebros em pleno execício de suas atividades que usam em benefício próprio, independente de fazer o mal consciente. Pessoas que deitam e rolam em cima dos sedentários mentais seguidores de “trends” ao invés de serem criadores.
Autorretrato, infelizmente mais conhecido como SELF, na frente de um espelho, dentro do meu ponto de vista, talvez cansado pelo vazio, revela um momento problemático de autoafirmação entre jovens e tardia para alguns adultos que lutam contra a dignidade da maturidade.
Para encerrar o tema relacionado a predominância de uma civilização influenciável, propositalmente usei palavras em inglês para mostrar o momento em que vivemos de desvalorização da nossa própria língua. Sinto que devemos combater este estrangeirismo contagiante que destrói a nossa cultura, as nossas origens. Palavras como a citada acima, Fake News, Self, Feed Back, Sale, Off, Shopping Center, Cash Back e centenas de outras que habitam na boca das pessoas que sequer falam o idioma.
Luto contra este sintoma, mas não nego que automaticamente uso.
Minha conclusão: Devemos trabalhar melhor nossas virtudes, nossos valores individuais para reencontrar o nosso eu perdido no meio de tanta futilidade criada pelo mundo digital.
Busque sua autenticidade sendo simplesmente você. Estude, pesquise e trabalhe em cima do útil ou interessante fazendo aquilo que gosta.
Quem trabalha com comunicação costuma analisar as mudanças de comportamento para criar caminhos de conexão com as pessoas e poder, de certa forma, proporcionar algo que seja útil ou interessante.
Mas tenho sentido um desconforto monstruoso que me leva a pensamentos suicidas, como enforcamento na própria cueca.
Prestem atenção:
O mundo fitness, agora fiéis seguidores de nutricionistas e influenciadores digitais deste universo, mudaram os nomes dos alimentos: Ovo zóião e bife agora são proteínas, macarrão virou carbo (abreviação preguiçosa de carboidrato), salada é fibra e o almoço em família se parece com uma aula de química e biologia.
Vinho e café são outros produtos que fizeram brotar sommeliers, enólogos e baristas, que agora arrotam palavrinhas na mesa do boteco como terroir, taninos, grau de acidez, torra apropriada, dupla poda, palavras que tiram minha vontade de beber porque sinto que meu paladar é limitado.
Certa vez, a trabalho, participei de uma degustação de vinhos e acompanhava com atenção o discurso do mestre dizendo sobre notas de mamão papaia, um gostinho final de bala soft, um suave aroma de canela…e eu fazendo cara de conteúdo sem entender nada, enquanto os demais degustadores balançavam as cabeças concordando com as palavras hipnóticas do especialista que comandava o espetáculo. Ao término da última dose, colei discretamente no ouvido do sommelier e disse:
Das 10 vezes em que balancei a cabeça concordando com seu direcionamento de olfato e sabor, 11 eu menti. No máximo detectei acidez.
Ele riu do meu sincericídio.
Já o mercado corporativo dos FariaLimers Linkdiners, adotaram um vocabulário coach mother fucker robotizado de escrever e palestrar capaz de fazer Paulo Freire reencarnar na pele de um serial killer. Para comprovar, desafio você a ler alguns artigos no linkedin e se atentar a palavrinhas como: Jornada, desafios, resignificar, repaginar, agregar valor, aleatório, procrastinar, os já ultrapassados, mas ainda em uso em sites desatualizados, Missão, visão e valores, e nos mais recentes…propósito!
Poderia aqui escrever uma página inteira com essa verborragia irritante colada no céu da boca da tchurma do CTRL-C / CTRL-V, que não dão valor para o SER ORIGINAL. O legal é surfar na onda das palavrinhas da moda pra ser visto como cool moderninho e antenado!
Não é galera*? (odeio esta palavra) *navio de guerra impulsionado a remos, setor onde ficavam escravos acorrentados e obrigados a remar.
Outro fato irritante é esta necessidade de rotular tudo. Se não bastasse a criação de trocentos gêneros, onde na minha opinião ou você é Hetero ou você é homo, (e ninguém tem nada com isso) alguém resolver criar definições baseadas em particularíssimas formas de desejo??? É o fim do mundo. FROID explica? Duvido, mas que os consultórios de psicanalistas e terapeutas estão bombando é fato.
Novas doenças estão surgindo e o número de farmácias só aumenta, o que deixa evidente que as pessoas estão mais doentes.
O aumento do número de petshops espalhados pelo Brasil deixa claro que a opção SER PAI E MÃE foram renegadas ao ponto de malucos alugando buffet e convidando amigos pra comemorar o niver do cachorrinho cantando parabéns a você LULU, no idioma auauês!
E a cada ciclo surgem as novas gerações ROTULADAS que vão do Baby Boomer ao Beta! O que eles tem em comum? Escravos do celular.
Para mim não importa se você é LGBT…(não me lembro do resto das letras) ou faz parte da geração X, Y, Z, Alfa ou qualquer outra nomenclatura que a insanidade ainda irá criar, saiba que, independente da sua opção sexual, religião, etnia ou classe social, TODOS somos classificados pelo criador como seres humanos.
PONTO FINAL.
Vamos dar valor para o humano. Olhar para o lado e perceber que existem pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades e precisam de ajuda.
Esta é a única atitude capaz de transformar o mundo em um lugar melhor para viver.
Saia da caixinha da superficialidade, da perfumaria, da frente do espelho cego, da miopia robótica digital. Ser humano não nasce com chip, pelo menos até este momento.
De saco bem cheio da estupidez, em desabafo Wladimir Candini
Recentemente senti um desconforto quando precisei comprar uma resistência de um chuveiro elétrico e me deparei com um valor que correspondia a ¼ de um chuveiro novo.
Inconformado, comecei a refletir sobre o comportamento das empresas que estrategicamente fabricam seus produtos com peças essenciais projetadas para ter pouca durabilidade, aumentar o consumo e gerar alta lucratividade na venda de seus componentes.
Não é preciso exercitar seu cérebro para saber que uma resistência fabricada em plástico injetado com 3 molas vendida em média a 45 reais a unidade possui uma margem de lucro astronômica.
Hoje você compra uma impressora por menos de 800 reais, mas quando precisar substituir os cartuchos de tinta, toma uma bordoada de 225 reais no meio dos rins. Uma bordoada contínua.
O mercado automobilístico também atua forte neste compromisso. Os carros mal saem de fábrica e pouco tempo depois as lâmpadas começam a queimar.
Assistindo ao documentário A CONSPIRAÇÃO CONSUMISTA (indico), o filme revela, entre outros temas, em meados dos anos 1920, a criação de um cartel que reunia os grandes fabricantes de lâmpadas do planeta (chamado de PHOEBUS) decidindo diminuir o tempo de vida de seus produtos para aumentar o consumo e consequentemente seus lucros.
A sacanagem…ops, a estratégia comercial, é generalizada em diversos outros produtos eletrodomésticos e eletrônicos fabricados para não serem consertados e sim, substituídos.
Produtos que duravam uma vida, hoje tem data de validade programada.
O documentário aborda as sacanagens…ops…estratégias de consumo e a criação de dispositivos mentais que induzem o consumidor a comprar, comprar e comprar sem precisar, gerando um volume de desperdício visível em toneladas de lixo tóxico espalhadas pelo planeta, indicado como forte responsável pelo crescimento de doenças letais, como câncer, por exemplo.
Aborda também a mentira sobre as embalagens recicláveis (que não são recicláveis) – estampadas em rótulos com iconografias camufladas – e responsáveis pela degradação do meio ambiente e alterações climáticas, muitas vezes despejadas nos oceanos e virando alimentação de peixes que chegam as nossas mesas. Peixe sabor plásticobiodesagradável.
A indústria da moda, antes com duas etapas de lançamento, primavera-verão e outono-inverno, agora nos traz a FAST FASHION, um modelo de negócio que se concentra na produção de peças de vestuário em grandes quantidades e o mais rápido possível, em resposta às tendências atuais…aliás criam tendências baseadas sabe lá Deus como, e uma manada imbecilóide segue comprando camisas verdes com bolinhas vermelhas sem o bom senso para descobrir que o transformam em adereço de natal prontos para o próximo desfile de carnaval.
Quem ainda não assistiu, assista A CONSPIRAÇÃO CONSUMISTA, disponível da NETFLIX. Vale a pena a reflexão. Não fique frustrado em se ver no filme, só mude seu comportamento.
Recentemente perguntei para o copilot (I.A. da Microsoft) quem era EU? Acreditando que um histórico profissional referente aos meus trabalhos realizados em algumas décadas de serviços prestados seriam revelados de forma grandiosa, mas….o que recebi foram informações de um EU inexistente, me posicionando como um investidor de sucesso ao invés de um simples comunicador.
Você pode pensar:
Ah! Talvez porque seu nome seja homônimo e muito popular!
Não é o caso, acredite. Meus pais capricharam na mistura de um nome russo com sobrenome italiano. Sou peça rara no cartório.
Analisando que as informações da I.A. são baseadas em dados disponibilizados na rede, não consegui entender naquele momento onde ela encontrou tamanha inverdade. Algo perigoso se pensarmos no comportamento atual dos “imbecilóides” de plantão que acreditam em tudo o que recebem via internet.
Em defesa da I.A. tenho a seguinte teoria:
Nossos índices de educação, de forma geral, são ruins porque os investimentos no setor público são pífios pela falta de interesse político. As redes sociais permitem que a ignorância e a falta de conhecimento exponha seus achismos dando voz a estupidez. Se discorda deste ponto de vista, me explique a proliferação de notícias falsas plantadas em grupos de mensagens que são encaminhadas com frequência e, a maioria manipulável, não tem a responsabilidade de checar se a informação que ela está divulgando é verdadeira, e o pior, se alguém será prejudicado! Na cabecinha de prego destes imbecis o importante é encaminhar como se fosse um “furo de reportagem exclusivíssimo” que projetará seu nome no Hall da fama.
A I.A. é baseada em dados coletados na rede e não tem discernimento para saber se as informações são verdadeiras ou bobagens plantadas por um jumento. Pelo menos é o que me parece até este momento.
Outro fato é que a facilidade em criar conteúdos rápidos via smartphones gerou uma geração preguiçosa no exercício da leitura, e consequentemente é visível encontrar jovens que não conseguem criar uma linha de raciocínio clara pontuada em uma simples mensagem de texto, assassinando a pontuação e a gramática devido ao vocabulário limitado ao MANO, TIPO, TÁ LIGADO, DA HORA, TOP…e assim vai ladeira abaixo na direção do túmulo da ignorância.
Como consequência, a I.A. precisa receber um pedido com a maior riqueza de detalhes para nos entregar um resultado mais preciso, algo que somente alguém de rico vocabulário é capaz de faze-lo.
Se você chegou até este parágrafo sem desistir da leitura é porque faz parte de um pequeno grupo que ainda saboreia as palavras em exercício do bom funcionamento cerebral.
Seu cabelo pode ter a cor que quiser, mas o cérebro não pode ser marrom.
O saudoso Ariano Suassuna se pronunciava contra o estrangeirismo já há muito tempo e atualmente é possível perceber um crescimento no número de palavras e expressões em inglês aplicadas pelo “marketing”, começando por ela mesma.
Como se já não bastasse a enxurrada de abreviações criadas para se comunicar via plataformas de mensagens de texto, agora a tchurma do “english” resolveu usar as abreviações criadas em terras de tio Sam.
Tempos atrás recebi uma mensagem de um publicitário que me solicitava um orçamento escrevendo que precisa receber “ASAP”. Na época desconhecia “what a fuck” aquilo significava e sem entender questionei: Você quer que eu envie o orçamento pelo WHASTAPP??, crendo que o corretor de texto do celular do cidadão havia se manifestado por vontade própria, como de costume.
A resposta: “As soon as possible”. O mais breve possível.
Como tinha intimidade com meu interlocutor o mandei para aquele lugar muito conhecido pelos brasileiros, mas em português: Vá para a PQP!
Somos brasileiros, estamos no Brasil, temos nossa própria língua, mas aceitamos o estrangeirismo dito por Suassuna, como se isso demonstrasse poder, nível de conhecimento, de inteligência, ou sabe lá o que!
O que fica claro pra mim é a valorização de algo que não nos pertence e o fortalecimento da antiga expressão Síndrome de vira-lata.
Chegando no final do ano, além de palavras e expressões, vemos nossas próprias escolas incorporando a cultura do HALLOWEEN enquanto as crianças desconhecem o SACI e o CURUPIRA!
As lojas anunciam a BLACK FRIDAY e placas de FOR SALE ou 70% OFF estampam o interior das vitrines do SHOPPING CENTER!
Agora você consegue se imaginar caminhando pelas ruas de Nova York, ou se preferir, NEW YORK, e ver nas vitrines americanas anúncios em português escrito: VENDE-SE, 70% DE DESCONTO, SUPER PROMOÇÃO!!!!
Não. Jamais! Nem em Miami! Pergunte-se: Porque? E sinta o tamanho da nossa auto-colocação na prateleira da mediocridade.
O que leva um ser humano (me desculpem os humanos de verdade) a se desconectar dos relacionamentos pessoais e mergulhar no mundo digital em busca de um enxoval de futilidades disponíveis nas redes sociais e também perder o equilíbrio racional que controla o discernimento do instinto de urgência e emergência que o leva abrir imediatamente o aplicativo de mensagens para visualizar algo que poderia esperar você acabar de se alimentar, de conversar com seus amigos, estacionar seu carro ou sua moto e diversas outras situações, porque se for urgente, um ser humano normal, liga pra você imediatamente.
Se o texto acima é complexo demais para o seu entendimento, segue uma tradução popular:
O que você tem na cabeça além de merda?
Já vi gente tropeçando em calçada, batendo cabeça em poste, trombando com pessoas sobre a faixa de segurança, sendo atropelada, atropelando, caindo de moto, batendo carro, perdendo filho pequeno em shopping…., mas o “mardito” do celular, esse ele não perde e surta se acabar a bateria!
Dia desses uma pessoa me ligou e ao invés de falar comigo disse:
Visualize a mensagem que te mandei!
Ou então:
Nossa! Você não viu no insta o que ela postou?
Não.
Ah! Não acredito! Tá lá! Você não segue ela?
Não.
Além de me olhar como se eu fosse o esquisitão!
Um celular sobre a mesa de jantar dá a leitura que ele é mais importante do que seus amigos que estão ao redor. Basta um piscar na tela e sua mão corre para o desbloqueio mesmo que seu amigo esteja contando algo importante que ele quis compartilhar com você.
Empresas e escolas adotam regras de uso na tentativa de evitar essa compulsividade que levam usuários das redes passarem horas desapercebidas assistindo vídeos que nada acrescentam de valor na vida das pessoas, mas geram prejuízos profissionais e pessoais monstruosos.
O resultado das escolas que adotaram esse procedimento de limitar o uso do celular durante o período de aulas foi um aprendizado acima da média do país.
Reconheço a excelente ferramenta de comunicação que temos em mãos, mas é uma ferramenta e não um órgão do nosso corpo.
A inteligência artificial chega ao mesmo tempo que o ser humano artificial.
De que lado você está? Do lado de fora ou do lado de dentro atrás da tela?
Raras são as empresas que investem em marketing de atendimento, como Apple e Adobe, por exemplo. Para isso funcionar bem e associar valor a sua marca é preciso investir em pessoas e qualifica-las para proporcionar um excelente atendimento.
Mas é aí que está o problema: INVESTIR EM PESSOAS em tempo de automação e atendimento robotizado (e mal feito programado por um ser humaninho que não curte seres humanos).
Me corrijam se eu estiver errado, por favor.
Como 99,99999% da população brasileira, já passei por inúmeros perrengues no quesito “mal atendimento”. As empresas não percebem, ou negligenciam (o que é pior) que o abestado despreparado (leitor de manual) quando atende o telefone, ele é o representante da empresa em questão. Fala em nome da marca, ou XEJA, queima na largada, ou melhor, incendia e compromete o que alguém, ou um grupo, demorou décadas para construir, mas que não deixam de serem responsáveis por sua detonação com tamanho descuidado, o que na minha opinião, é óbvio.
Agora o meu atual perrengue:
Com o surgimento das plataformas que nos permitem lançar produtos na tentativa de vendermos nossas especialidades, compartilhar nosso conhecimento profissional e colocar uns trocados no bolso, resolvi, como dizem os experts da rede, criar um produto pra ser vendido em escala online.
Chic demais!
Isso envolve muito trabalho, tempo, dinheiro, pesquisas, etc e tals, e você chega na HOTMART, uma plataforma que vende à você, possuir todas as facilidades necessárias para lançar seu produto e ficar milionário com sua explosão de vendas, sucesso absoluto entre afiliados (PAUSA ENORME, RESPIRA FUNDO, E AGORA SEGUE COM A LEITURA)…isso se você conseguir descobrir o caminho de navegabilidade apresentado pelos labirintos e calabouços jamais violados por um ser comum. Uma situação que obriga você a entrar em contato com um suporte que demora no mínimo 24 horas para lhe responder um e-mail (única forma de contato, o chat lhe oferece um “tente novamente” a cada clique).
Tentar editar sua página de vendas é impossível. Ao clicar em EDITAR PÁGINA, abre uma coluna com diversos templates (usei um desses anteriormente) e na coluna ao lado, o esboço do início da minha edição e que agora sonhava finalizar….Maaaassss, é impossível achar o caminho para dar sequencia, já que o único botão disponível é PUBLICAR! O que leva a qualquer ser humano com suas atividades mentais em dia, entender que se apertar este botão você irá publicar um rascunhão sem sentido e dar um tiro no pé na credibilidade da sua reputação.
Até este momento, nos últimos 10 dias (isso mesmo, você leu corretamente) troquei 14 e-mails com diversos “atendentes” que não me atendem, não falam meu idioma, respondem o que não foi perguntado, e olha que trabalho com comunicação e tenho uma certa facilidade de me expressar, aliás este é o tema do meu curso: FALE BEM – wladimircandini.com.br . Dá-lhe jabá!
O que me deixa perplexo é saber se tratar de uma gigante que insiste em caminhar com calçados infantis de numeração 33, o que leva a sugerir uma mudança de nome: HOTMORT.
Recentemente quando ouvi falar em “threads do momento” fiquei com vontade de me enforcar na cueca.
Vi candidatos a prefeitura de grandes cidades virando homem aranha, fazendo cosplay de Mario Bross, abrindo guarda-chuva pra evitar banho de balde, adaptando o meme da menina (atual senhora) com seu “que show da Xuxa é esse?” e outras merdalhas de destruir a credibilidade, ou pior, a reputação de alguém que sonhamos em ter como gestor de nossa cidade.
Como acreditar que um candidato que se submete a essas “modinhas infantiloides” vai trabalhar seriamente pra melhorar a qualidade de vida de toda uma população? Pelo menos é assim que acredito pensarem os grandes e inteligentes empresários que fomentam a economia e geram empregos Brasil a fora.
O marketing perdeu a mão e o juízo, e os candidatos, a cabeça pela submissão.
Existe uma diferença entre engajar imbecis e eleitores. Campanha política não é entretenimento. Candidato precisa de votos e não de audiência ruim de público sem interesse na política. Mas pra conquistar votos precisa apresentar um Plano de Governo associado a sua capacidade de execução. Simples assim.
Ao invés de perder tempo com fantasias digitais, filtros e memes em busca de seguidores robotizados e em estado letargico da realidade, lembre-se que quem copia as “threads do momento” são os influenciáveis, e quem divulga sua capacidade intelectual e criativa em busca de soluções para uma cidade são os influenciadores.
Se confundir essa simples linha de raciocínio, considere-se derrotado…se já não foi.
Há aproximados 20 anos atrás, tive a oportunidade de produzir boa parte do conteúdo audiovisual para o público interno de uma grande empresa de cosméticos e me lembro de um termo criado pelo marketing na época, batizado de MELHOR IDADE, para se referir aos 60+.
Como eu tinha 40, achei bacana, mas hoje ao fazer parte do time, sinto a existência de controvérsias quanto ao termo “fofo” criado certamente por um grupo jovem que desconhece os desafios da tal MELHOR IDADE.
Então vou relatar algumas transformações:
Ao acordar deve-se rolar para o lado para evitar travar a coluna;
Nos aquecemos pra escovar os dentes e nos alongamos enquanto fazemos o café;
A visão fica turva e a distância da leitura ideal ultrapassa metros e bula de remédio vira piada de mal gosto;
A memória se transforma em vaga lembrança, onde o nome das pessoas são substituídos por apelidos carinhosos, obrigando você a chamar alguém que não simpatiza de “amigo”, porque não lembra o nome do infeliz;
Olhar pra atrás repentinamente pode fazer com que ande de costas por uma semana;
Fazer xixi é um exercício frequente, pois a bexiga encolhe transformando os antigos e saudosos jatos em conta gotas e o levando praticamente a passar boa parte do dia e as vezes da noite, da madrugada, no banheiro;
O grau de tolerância praticamente desaparece, o que nos leva a deixar imbecis falando sozinhos;
Cabelos caem deixando a cabeça deserta, porém as costas se transformam em pomares;
rugas surgem;
manchas de sol nos deixam com cara de mortadela:
a pele do pescoço fica idêntica a de uma galinha e o resto do corpo similar a textura de uma casca de laranja;
varizes surgem nas pernas como um verdadeiro mapa hidrográfico;
os pelos do nariz se transformam em pés de salsinha e cebolinha;
a orelha se assemelha a um kiwi;
e assim vai…, faz parte do envelhecer e procuro me manter saudável para que consiga viver os anos que ainda me restam de forma independente.
Baseado nesta pequena sinopse, porque tem muito mais, acreditem…questiono:
MELHOR IDADE…pra quem?
Só se for para os planos de saúde que aumentam as mensalidades na mesma proporção que a sua destruição física amplia;
para as farmácias que desistiram de criar a fila preferencial para não congestionar o quarteirão;
para os médicos geriatras que prescrevem vitaminas que desconhecíamos a existência até então;
para os fabricantes de corrimãos, bengalas e acessórios em geral;
para os fisiatras, massagistas e fisioterapeutas;
para as academias de pilates e demais gestores da longevidade!
Alguns tentam disfarçar a idade procurando procedimentos estéticos.
Estica daqui, puxa dali, bochechas de Botox ressuscitam a imagem do personagem fofão, bocas em forma de donuts que dão a impressão da pessoa ter beijado um frigideira fervendo, mas a data de nascimento original é impossível alterar, a não ser que a vaidade transforme este ser também em um falsário.
Até que ponto atingirá a capacidade de tentativas do ser humano para sucumbir aquilo que naturalmente faz parte do fenômeno chamado vida, cujo tempo de validade pode variar dependendo de como cuidou da sua carcaça da mobilidade.
Portanto Jovens, que em sua maioria tem preguiça de ler textos longos, caso você faça parte desta minoria leitora e chegou até aqui, esteja certo de uma coisa:
A MELHOR IDADE vai chegar pra você também, mas enquanto isso, curta a SUA IDADE E TODAS AS FASES DE TRANSIÇÃO, porque apesar de tudo isso, vale a pena viver com toda a intensidade que nossos corpos permitirem. Então, cuide-se e aceite o tempo com dignidade.