Briefing, em definição, corresponde a um conjunto de informações para o desenvolvimento de um trabalho que será executado por diversos profissionais envolvidos no processo. 
Este é um termo muito usado no mercado publicitário e associado ao desenvolvimento criativo de uma campanha, seja impressa, digital ou audiovisual.
Para os leigos, seria como especificar ao Chefe de cozinha exatamente o que espera do prato solicitado: carne ao ponto, pouco condimentada, crocante, sem açúcar, pouco gelo, etc e tals. Informações fundamentais para que o resultado fique satisfatório.
Mas vamos a realidade: Saber pedir está ligado a Saber o que quer, mas atualmente nos deparamos com profissionais que não sabem o que querem e, portanto não sabem o que pedir. Batizamos este perfil de Engenheiros de obras Prontas, que são aqueles que se apropriam de uma ideia não desenvolvida por eles, mas que iniciam a palpitaria logo após a apresentação do primeiro escopo criado via mediunidade.
Como funciona isso? Vou explicar usando como referência o audiovisual, que é a área em que atuo: o cliente te chama para uma reunião, mas não sabe o que quer. Não faz a menor ideia porque desconhece totalmente o processo de produção e passa distante da criação*. Isso nos obriga a mergulhar na empresa contratante para entender o que ela faz, qual é o momento vivido, o que ela quer comunicar, para quem quer comunicar, para quando e qual o formato da apresentação (onde será exibido). Essas seriam as informações básicas para se compor um briefing.

Munidos dessas informações iniciamos uma proposta criativa e apresentamos um pré-roteiro, um escopo da NOSSA ideia. É aí que começa o problema. É como se o cliente caísse de paraquedas na Disney e resolvesse se divertir em todos os brinquedos ao mesmo tempo. O cara vira roteirista, ator, diretor, fotógrafo. Ele age como se fosse Steven Spielberg. Vira cineasta e esquece do propósito. Começa a dar palpites em tudo o que foi apresentado e acaba caindo na armadilha do “eu gosto mais de” e se esquece de que o material e a linguagem proposta não foi desenvolvida para o gosto dele, e sim para o cliente dele, para o público dele, para quem o material foi pensado!
É triste ouvir o cliente dizer: “Eu não gosto da trilha. Prefiro sertaneja”, sendo que o vídeo é para uma plateia Rock’n Roll, por exemplo. Isso nos obriga a abrir um parênteses e dizer com toda delicadeza do mundo para não melind
rar o cliente: Mas meu amigo, este material não foi feito pra você e sim para um público totalmente diferente de você! Isso não nos pertence! (como diz sabiamente meu amigo Micka da Ideia House). Na maioria das vezes funciona. Em algumas assumimos o “isso não nos pertence” só para nós, e entregamos o que o cliente pede mesmo consciente de que o resultado não será atingido. É como temperar carne com açúcar.
Assim sendo, deixamos isso claro e formalizado para nos isentar desta responsabilidade. Algumas vezes, após nossa formalização, com palavras do tipo “nossa sugestão”, “nossa experiência”, “nosso parecer”… faz com que o ego seja colocado de lado e o cliente volte atrás respeitando a proposta.

Criação é outro tópico que foge um pouco da compreensão de alguns “João sem braço”, manja? O antigo “Migué” ?
*Certa vez participei da elaboração de uma proposta criativa para o desenvolvimento de um vídeo para uma marca nacional de cosméticos e fiquei pasmo com o que aconteceu? Após enviarmos nossa ideia anexada a um orçamento de produção, a urgência com que foi solicitada a proposta desapareceu no departamento em questão e nada da resposta de aprovação dentro do período pré-determinado. Mas o pior do desrespeito viria 3 meses depois. Nossa proposta criativa nos foi reenviada como briefing em uma concorrência com mais 5 produtoras para fazer orçamento!!! Como se a ideia não tivesse valor algum! Questionados sobre isso, quando alegamos que o custo da ideia fazia parte do nosso orçamento e que se fosse usada para uma concorrência deveriam nos pagar por isso, ouvimos um “como assim”? Num tô entendennnndo!!
Existem valores que deveriam virar matéria nas universidades. ÉTICA por exemplo.
Ao perceber que uma simples ideia foi capaz de resolver um grande problema, depois de criada e apresentada como solução, é muito fácil alegar o óbvio, porém no conflito este óbvio é invisível e cabe as pessoas criativas e inteligentes transforma-lo em palpável.
Briefings não caem do céu. São informações importantíssimas que deverão estar presentes no contexto em forma de solução de algum problema, conflito ou pura e simples comunicação que ganha maior ou menor representatividade de acordo com o formato e linguagem que será apresentada. Tudo muito pensado e trabalhado por uma equipe formada por diversos profissionais, portanto merece respeito.

Se você não sabe pedir, a chance de pedir o prato errado e ter que pagar caro por ele será de sua responsabilidade. Ou XEJA, faça sua lição de casa antes de contatar o profissional que irá criar e executar a ferramenta de soluções e lembre-se: Retrabalho custa mais caro.