Criação desalinhada com o cliente = Retrabalho

Parece papo de velho, mas depois de tanto tempo bailando com criativos de agências, diretores de marketing e RH e manda chuvas de grandes empresas, quando não existe alinhamento entre eles, a única certeza é: PROBLEMA .

A experiência me ensinou que ao sentar à mesa de reuniões para receber o “briefing”, duas perguntas devem ser feitas:

 1) Vocês me permitem gravar o áudio de nossa reunião para que eu não perca nada do que for dito aqui?

 2) Os responsáveis pela campanha e pela aprovação deste material estão todos presentes?

 

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Porém, mesmo após receber dois SIMs, quase sempre tem enrosco. Ou o criador não consultou se sua proposta criativa estava de acordo com o desejo do seu cliente ou após a finalização surgirá das profundezas de uma tumba “tão tão distante” um superpoderoso que dirá: Não é nada disso!

 

A produção audiovisual é uma super ferramenta de comunicação que afeta de forma plena todo ser humano, pois trabalha com as 3 características associadas a neurolinguística : visual, auditiva e sinestésica! Traz imagem, som e emoção.

Falhas-de-comunicacao Porém, tudo deve ser pensado. Qual o objetivo deste material? O que, e para quem iremos comunicar? Com estas questões iniciais esclarecidas, pensamos na ação, no formato e na melhor forma de realiza-la, mas estas respostas DEVEM estar alinhadas entre TODOS os profissionais envolvidos! O que parece lógico na teoria, na prática não é.

Certa vez fui convidado para produzir um vídeo que apresentasse a empresa para os recém contratados. Como trabalho sempre me colocando na posição de expectador, procuro criar algo agradável, pois defendo que para a comunicação ser efetiva devemos apresentar algo informal, que aproxima as pessoas. Ao contrário do formal, que distancia. Repare nos telejornais ou programas de esportes e entretenimentos. Você se sente em uma sala de estar como se os apresentadores fossem seus amigos!

Bom, a ideia apresentada consistia em uma proposta lúdica onde um avô em uma sala com uma bela biblioteca, contava a história de sua passagem pela empresa para seu netinho e o quanto os valores daquela companhia foram responsáveis pela sua formação. Isso mesclado com imagens institucionais. Uma proposta para apresentar os valores da empresa para àqueles que chegavam para trabalhar na companhia. A ideia foi aprovada, o roteiro foi criado e na apresentação aplaudido (acreditem) pela diretoria até a vice-presidência. Todos presentes na apresentação.

hqdefaultDois dias depois, já em pré-produção, recebo um telefonema de um dos integrantes daquela mesa, um dos fãs da nossa ideia, dizendo que o presidente (que não estava presente em nenhuma das reuniões de desenvolvimento) não queria que os Valores da empresa fossem ditos por um ator e que deveriam estar na boca de seus diretores.

 

Ou XEJA, o cara queria uma câmera na frente de um executivo sentado atrás de sua mesa, lendo um teleprompter com um daqueles textos capazes de fazer um rinoceronte dormir. Em um primeiro momento entrei em colapso, mas depois de respirar fundo dei meu parecer sem relembrar a pergunta de numero 2 que fiz na primeira reunião para não constranger meu interlocutor, mas sabia que ele lia meu pensamento. (rs)

Primeiro dei uma consultoria gratuita. Disse que para este tipo de formato ele não precisaria investir tanto dinheiro na produção e me predispus a indicar um cinegrafista para captar e um editor para finalizar o vídeo dentro do formato desejado pelo senhor presidente. Naquele momento nosso trabalho virou luxo e iria para o lixo.

Em um segundo momento questionei para quem enviaria a nota fiscal referente a criação do roteiro, cuja ideia fora aprovada com louvor, lembram? O pedido foi feito e foi entregue. Cabia à ele destinar o que fazer com o produto criado sobre medida para ele e rejeitado pelo divino, mas que a encomenda fora entregue, isso era fato.

Imagino também que ele lembrara da pergunta 1, pois sequer arriscou um “veja bem”. Se o fizesse alegando um mal entendido – isso ocorre quando o cara não quer assumir o erro – isso me obrigaria a enviar o áudio gravado de toda reunião de briefing e gerar um constrangimento ainda maior.

chefe-x-funcionario1Não existem culpados, mas existem egos que superam e muito o desejo da maioria pelo poder do cargo. O resultado não poderia ser diferente: o parecer contrário do presidente não foi confrontado por nenhum dos membros da equipe e o vídeo obteve resultado ZERO de comunicação efetiva, pois soava como obrigatoriedade, quase como uma imposição em fazer com que assista na integra um programa político com pessoas sem a expressividade necessária de comunicação, sem emoção.

Esse foi apenas um dos exemplos vividos, mas existem outros com ideias boas, mas desalinhadas com o desejo de quem manda.

Quem paga por isso? Geralmente ninguém quer pagar e jogam a culpa para o acaso.

Quem Manda E o Chefe [1]. Sbt

 

AS PALAVRAS E AS GÍRIAS DO MOMENTO

Quando alguém aplica uma palavra diferente que chama a atenção e a torna repetitiva e consequentemente insuportável.

Verborragia Quantas vezes nestes últimos anos ouvimos as pessoas usando palavras “não usuais” de forma maçante e acreditem, fora do contexto por não saberem o exato significado da moçoila?

Atualmente a palavra da ponta da língua é EMPODERAMENTO feminino, mas outras mais simples ainda encabeçam os parágrafos institucionais como QUALIDADE, EXCELÊNCIA, PROFICIENTE, PRO-ATIVO, EFETIVAMENTE, TECNICIDADE, PROFISSIONAIS ALTAMENTE QUALIFICADOS, AGREGAR VALOR, APRENDIZADO, DEMANDA, ETC e TALS…sem esquecer das tais VISÃO, MISSÃO e VALORES e as siglas CEO, COO, SEO, afff!

downloadNa linguagem do cotidiano as gírias substituem a ausência de vocabulário substituindo-as por palavras completamente fora do seu significado. 90% dos jovens usam  a palavra “TIPO” repetidamente na mesma frase! Tipo: Hoje tipo, eu acordei com o pijama tipo furado e tipo só percebi tipo quando fui ao banheiro.

Pra piorar acrescentam “Véi” – velho – e MANO, que acredito provir de uma tradução chula do inglês Brother que na abreviação chulamente americanizada surgiu o Bro. Aqui nada se cria, tudo se copia, mesmo que seja Shit.

Aí a frase fica assim: Véi ! Hoje tipo acordei com o pijama furado mano e tipo só percebi véi, tipo quando fui no banheiro mano!

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Imaginem um gringo que tenta aprender português e ouve uma frase como essa! Certamente pensará se tratar de um grupo de aborígenes ou de algum dialeto.

A vontade que tenho quando presencio cena similar, está associada às antigas máquinas de fliperama que quando ao sinal de TILT, dávamos uma safanão na danada na tentativa de recuperação da ficha perdida, ou XEJA, dar um tapa na orelha “tipo” presta atenção, pra ver se as ideias voltam ao lugar.Girias

Palavras também são mudadas pelo marketing para dar requinte e sofisticação ou para criar CONCEITO (mais uma). Cor da pele agora é NUDE, Terno virou COSTUME ( ouvi dizer que costume é quando não se usa colete – uma resposta fashion pra não perder o costume), estar na moda é ser Fashion e ter Style.

Poderia esquentar minha memória e buscar uma série de palavras que perambulam pelas bocas dos repetidores, mas prefiro pedir para quem quiser postar aqui em comentários, quais as palavrinhas do momento que mais enchem os pacová de vocês de tanto ouvirem.

Aliás, comentário (comments), curtir (like) e share (compartilhar) também fazem parte da verborragia universal, ou seria VerBURROgia?