A ARTE DE PEIDAR

A flatulência é algo que certamente gera desconforto  quando não se é proprietário do feito, mas um pusta conforto àquele a quem de fato pertence, ou seja peidar faz bem!

O Ato em si gera controvérsias na cultura mundial. Tenho um primo que é médico há algumas décadas e logo após sua formatura, viajou para a Alemanha para fazer uma especialização em medicina esportiva. No intervalo de uma aula, caminhando pelas ruas de Munique com um colega Alemão, sentiu que o cara havia exagerado no Chucrute, e típico de um brasileiro disparou uma piada a queima roupa, ou a queima cueca:

  • Acho que vai precisar fazer uma cirurgia de reconstrução do reto! (risos)

Porém, ao invés de uma boa risada entre colegas de curso, recebeu uma dura:

  • Você como médico sabe muito bem o quanto faz mal reter gases e me admira este tipo de comentário vindo de você! Acho que no Brasil as pessoas não soltam gases.

Entre o choque de culturas, meu primo Dotô rebateu:

  • Soltamos gases sim, mas não em público. No Brasil é falta de respeito. Além do mais você está sendo delicado porque o que você fez foi picar seu rabo e jogar na minha cara! (gargalhou e largou Dr. Chucrute no meio da rua acompanhado agora somente por sua saudável nuvem tóxica).

É claro que sabemos que apesar de ser considerado uma falta de respeito peidar próximo as pessoas, como este tipo de gás não é visível, só “sensível”, a maioria das pessoas fazem exatamente o que Dr. Chucrute fez: Liberam o argônio e que  se dane o nariz alheio.

Certa vez, estava eu e dois amigos atores no hall de um prédio de um edifício comercial aguardando o elevador (aqueles com capacidade para 22 pessoas) quando se aproximou uma mulher com um bebê no colo. Um destes meu amigos liberou uma daquelas bufas silenciosas – que se tivesse nome, pelo som foneticamente falando poderia se chamar “Rodolfoooooooo” – capazes de destruir o olfato de qualquer ser vivo – no exato momento em que a porta do elevador se abria e, todos entramos. Claro que o acompanhante invisível veio junto e absorveu toda oxigenação antes que a porta do elevador se fechasse. Foram os 20 segundos mais longos da minha vida. A expressão  no rosto das pessoas que ali estavam era de desespero. Como no teatro, entramos em cena e ficamos de frente para a plateia e de costas para mãe e seu rebento que dormia entre seios. Eu, cúmplice daquela tentativa de atentado terrorista, não sabia se gargalhava ou se chorava, mas não consegui segurar a “lagriminha ” que escorria por um dos meus olhos. Quando finalizava minha oração mental para que o elevador chegasse ao térreo e nos libertasse daquela situação constrangedora, o autor do feito e proprietário da massa gasosa anti-ambiental, colocou sua técnica dramática em ação e, com a maior cara de pau da galáxia, olhou para as pessoas e sussurrou:

  • Será que esta senhora não percebeu que o filho dela está todo cagado?

Naquele momento desviei minha mente para os templos budistas na tentativa de sacar meu espírito daquele elevador que não chegava nunca, mas no físico eu já estava em prantos nadando em lágrimas que atraíram todos os olhares ali presentes com a cara de quem, se tivessem legendas, estaria escrito: FOI ELE.

Este tipo de comportamento é mais típico das pessoas do sexo masculino que acham divertidíssimo destruir o círculo formado para uma conversa entre amigos ou protagonizar uma saída triunfal de um vagão de metrô e ainda descaradamente parar do lado de fora sobre a linha de segurança amarela para se deleitar observando a expressão de destruição em massa daqueles que ficaram com os sinais de sua digestão.

É claro que as mulheres também peidam e as vezes tão ou mais fedido que uma hiena digerindo a carniça do seu desjejum, mas geralmente elas “costumam” ser reservadas e sem o espírito de porco da maioria dos homens, que me perdoem os suínos. Gostam, como elas definem, soltar seus “punzinhos” sentadas no vaso sanitário, por exemplo. Mas o que elas desconhecem é que este receptório de excrementos humanos, pelo seu design, funciona como um reverberador capaz de potencializar o ruído e transforma-lo na nota “Dó” de uma tuba ao ponto de convocar com urgência a defesa civil. Portanto meninas, a partir de agora levem uma manta de som ao banheiro.

Baseado neste tipo de comportamento, talvez os alemães estejam certos: Assumam seus gases e sejam felizes sem cólicas.

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