ENGENHEIRO DE OBRA PRONTA

Atualmente no mercado corporativo, muito se fala em turnover, que nada mais é do que o fluxo de entrada e saída de funcionários dentro de uma empresa.

Este giro de colaboradores muitas vezes está associado a objetivos pessoais onde os profissionais procuram trabalhar em empresas que proporcionem um ambiente de trabalho baseado não somente em aumento de produtividade, lucro e afins, mas que tenham uma visão mais ampla da sociedade e do meio ambiente como um todo e que proporcionem a evolução profissional e pessoal também, afinal de contas todos queremos estar bem, nos sentir bem ao lado das pessoas que convivemos.

Um pensamento utópico, mas realista.

O que eu sinto, é que algumas empresas perdem bons colaboradores por má gestão de pessoas.

Trabalho com comunicação e pra mim tudo está ligado a uma análise comportamental relacionada as constantes transformações que a vida nos apresenta.

Pessoas são diferentes. Diferentes modos de pensar, de agir e de interpretar as coisas dentro do seu grau de conhecimento e vivências. Saber respeitar nossos limites e ter a sensibilidade para gerar novos caminhos, criar oportunidades que ajudem ou proporcionem a evolução individual,  reconhecer as virtudes que existem nas outras pessoas, certamente terá como reflexo direto o crescimento da empresa, porque TODOS ganham com isso.

Porém, alguns gestores com alto grau de miopia, agem com imposição de suas ideias, transformando seus funcionários em autômatos que seguem uma programação pré-determinada pelo chefe, limando a capacidade criativa de uma pessoa que poderia ter o poder de transformação se estivesse motivada, inspirada ao invés de amordaçada.

Com essa trava emocional, o gestor cego pela sua vaidade ou prepotência, vai ouvir de um colaborador muito promissor as frases clichês da despedida: Estou me desligando da empresa porque quero encarar novos desafios, alçar novos voos, alcançar novos patamares, blá blá blá…o que na legenda isso se traduz em “não quero trabalhar em uma empresa, ou com um gestor que me trata como se eu fosse um apertador de botões e não dá atenção para minhas iniciativas de melhoria, ou seja, que não me respeita como profissional e como pessoa.

Existe uma expressão conhecida como “Engenheiro de obra pronta”, usada quando outra pessoa se apropria de uma ideia que não lhe pertence, mas conduz o processo como se fosse o criador de um projeto que não foi gerado por ele. Isso é comum em empresas com profissionais centralizadores incapazes de delegar atribuições por falta de confiança na capacidade de seus funcionários e descrente de que uma boa ideia não poderia ter vindo de alguém que está em um cargo abaixo do dele.

Na minha modesta opinião de observador, já que nunca fui registrado com carteira assinada, para reduzir o tal do “turnover”, ouça ao invés de escutar, enxergue ao invés de ver, sinta ao invés de racionalizar e saiba que boas ideias estão disponíveis no universo para quem acessa-las primeiro.

Liderar não é mandar. Relacionamentos duradouros são construídos com base na valorização de virtudes e não de defeitos.

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