Para que rotular tudo?
Para que facilitar se podemos complicar?
Essa é a sensação que tenho quando analiso a forma de comunicação adotada atualmente.
Tudo deve ser rotulado, como se o ser humano tivesse uma variedade de modelos que os diferenciasse em categorias.
Sinto que existe uma postura robotizada para criar nomes que identifiquem atitudes que os permitam classificar o ser humano para facilitar sua coleta de dados. Será?
Gênero, cor, geração, classe social, nível acadêmico e, o principal deles, comportamento.
O comportamento das pessoas está sempre associado ao momento em que vivemos.
Por exemplo:
Nesta nova era surgiu a necessidade premente de ter um personal trainer e um nutricionista a tira colo. O alimento mudou de nome: O macarrão virou carboidrato e ainda abreviam para carbo (soa mais chic), a carne virou proteína, vegetais e folhas, devem ser orgânicos, o pão não pode ter glúten, o leite deve ser sem lactose. Claro que existem os intolerantes, mas mesmo os que não são, agora descobriram que a alimentação deve ser balanceada e fitness. Ah! Mas isso porque agora temos mais informação através dos meios de comunicação digital! Como se não existissem médicos. Mas para que médicos se existem os influenciadores, não é?
Alguns buscam se cuidar pela manutenção da saúde, mas outros pra sair bem na self e fazer fotinhas instagramáveis na academia ou do prato que está comendo. Uma necessidade de auto divulgação talvez acreditando que isso é postura para ser mais um influencer, coach ou mentor. Pai do céu, que doença é essa que levam as pessoas a se auto fotografarem à frente do espelho do banheiro fazendo biquinho e um pezinho à frente com o calcanhar suspenso?
Falando de nomes, e complementando o parágrafo acima, gostaria de sugerir a mudança do nome do Instagran para Estragan. Creio que não preciso explicar meus sentimentos.
Minha geração que até pouco tempo não tinha rótulo, mas agora é old school, popularmente conhecido como velho, mesmo gozando de ótima saúde e estado físico e mental melhor que muitos tomadores de coca-cola light com nutela, sentávamos à mesa e comíamos o que nossos pais ofereciam sem reclamar. Quando ainda era adolescente, levantava a tampa da panela de feijão pra dar aquela cheirada e automaticamente meu saudoso pai dizia: quero ver fazer isso no exército. Mimimi igual a zero.
Hoje acompanho a geração de someliers da vida. Dão palpite sobre tudo! Entendem de vinhos, de cervejas, apreciadores da gastronomia internacional, com hashis especiais guardados em uma caixinha na bolsa para ser aberto com glamour, canudinhos de papel e copos térmicos ecologicamente responsáveis. Relógios que medem os batimentos cardíacos, quantos passos você dá por dia, sua pressão arterial, etc e tal, mas esquecem de olhar. Caminham com seus super fones de ouvidos chamando Steve Jobs de Deus da maça mordida. Ele como Adão e os tecnológicos como EVAs.
Sobre aqueles que andam com óculos de realidade virtual em lugares públicos, não quero comentar. É demais pra mim.
Conversando com amigos que trabalham no mercado corporativo, dizem que mesmo em início de uma vida profissional, fase registro ZERO, em sua primeira entrevista de emprego ao ser perguntado sobre o nível salarial, exigem o patamar da diretoria.
Como diriam Los Hermanos: qué pasa?
Então, geração Millenials, boomers, alpha, beta, gama, X, Y, Z ou qualquer outra bobagem que inventem e aceitem como regrinha sem questionar, o conselho do tio, que fosse bom não dava e sim venderia, sejam originais, encontrem quem você é, respeitem suas origens e aprendam a ouvir mais para se livrar da síndrome do país das maravilhas que tem levado muitos jovens ao desespero emocional por não conseguirem fazer parte de uma tribo fictícia que nem oca possui.