O saudoso Ariano Suassuna se pronunciava contra o estrangeirismo já há muito tempo e atualmente é possível perceber um crescimento no número de palavras e expressões em inglês aplicadas pelo “marketing”, começando por ela mesma.
Como se já não bastasse a enxurrada de abreviações criadas para se comunicar via plataformas de mensagens de texto, agora a tchurma do “english” resolveu usar as abreviações criadas em terras de tio Sam.
Tempos atrás recebi uma mensagem de um publicitário que me solicitava um orçamento escrevendo que precisa receber “ASAP”. Na época desconhecia “what a fuck” aquilo significava e sem entender questionei: Você quer que eu envie o orçamento pelo WHASTAPP??, crendo que o corretor de texto do celular do cidadão havia se manifestado por vontade própria, como de costume.
A resposta: “As soon as possible”. O mais breve possível.
Como tinha intimidade com meu interlocutor o mandei para aquele lugar muito conhecido pelos brasileiros, mas em português: Vá para a PQP!
Somos brasileiros, estamos no Brasil, temos nossa própria língua, mas aceitamos o estrangeirismo dito por Suassuna, como se isso demonstrasse poder, nível de conhecimento, de inteligência, ou sabe lá o que!
O que fica claro pra mim é a valorização de algo que não nos pertence e o fortalecimento da antiga expressão Síndrome de vira-lata.
Chegando no final do ano, além de palavras e expressões, vemos nossas próprias escolas incorporando a cultura do HALLOWEEN enquanto as crianças desconhecem o SACI e o CURUPIRA!
As lojas anunciam a BLACK FRIDAY e placas de FOR SALE ou 70% OFF estampam o interior das vitrines do SHOPPING CENTER!
Agora você consegue se imaginar caminhando pelas ruas de Nova York, ou se preferir, NEW YORK, e ver nas vitrines americanas anúncios em português escrito: VENDE-SE, 70% DE DESCONTO, SUPER PROMOÇÃO!!!!
Não. Jamais! Nem em Miami! Pergunte-se: Porque? E sinta o tamanho da nossa auto-colocação na prateleira da mediocridade.