Quem trabalha com comunicação costuma analisar as mudanças de comportamento para criar caminhos de conexão com as pessoas e poder, de certa forma, proporcionar algo que seja útil ou interessante.
Mas tenho sentido um desconforto monstruoso que me leva a pensamentos suicidas, como enforcamento na própria cueca.
Prestem atenção:
O mundo fitness, agora fiéis seguidores de nutricionistas e influenciadores digitais deste universo, mudaram os nomes dos alimentos: Ovo zóião e bife agora são proteínas, macarrão virou carbo (abreviação preguiçosa de carboidrato), salada é fibra e o almoço em família se parece com uma aula de química e biologia.
Vinho e café são outros produtos que fizeram brotar sommeliers, enólogos e baristas, que agora arrotam palavrinhas na mesa do boteco como terroir, taninos, grau de acidez, torra apropriada, dupla poda, palavras que tiram minha vontade de beber porque sinto que meu paladar é limitado.
Certa vez, a trabalho, participei de uma degustação de vinhos e acompanhava com atenção o discurso do mestre dizendo sobre notas de mamão papaia, um gostinho final de bala soft, um suave aroma de canela…e eu fazendo cara de conteúdo sem entender nada, enquanto os demais degustadores balançavam as cabeças concordando com as palavras hipnóticas do especialista que comandava o espetáculo. Ao término da última dose, colei discretamente no ouvido do sommelier e disse:
Das 10 vezes em que balancei a cabeça concordando com seu direcionamento de olfato e sabor, 11 eu menti. No máximo detectei acidez.
Ele riu do meu sincericídio.
Já o mercado corporativo dos FariaLimers Linkdiners, adotaram um vocabulário coach mother fucker robotizado de escrever e palestrar capaz de fazer Paulo Freire reencarnar na pele de um serial killer. Para comprovar, desafio você a ler alguns artigos no linkedin e se atentar a palavrinhas como: Jornada, desafios, resignificar, repaginar, agregar valor, aleatório, procrastinar, os já ultrapassados, mas ainda em uso em sites desatualizados, Missão, visão e valores, e nos mais recentes…propósito!
Poderia aqui escrever uma página inteira com essa verborragia irritante colada no céu da boca da tchurma do CTRL-C / CTRL-V, que não dão valor para o SER ORIGINAL. O legal é surfar na onda das palavrinhas da moda pra ser visto como cool moderninho e antenado!
Não é galera*? (odeio esta palavra) *navio de guerra impulsionado a remos, setor onde ficavam escravos acorrentados e obrigados a remar.
Outro fato irritante é esta necessidade de rotular tudo. Se não bastasse a criação de trocentos gêneros, onde na minha opinião ou você é Hetero ou você é homo, (e ninguém tem nada com isso) alguém resolver criar definições baseadas em particularíssimas formas de desejo??? É o fim do mundo. FROID explica? Duvido, mas que os consultórios de psicanalistas e terapeutas estão bombando é fato.
Novas doenças estão surgindo e o número de farmácias só aumenta, o que deixa evidente que as pessoas estão mais doentes.
O aumento do número de petshops espalhados pelo Brasil deixa claro que a opção SER PAI E MÃE foram renegadas ao ponto de malucos alugando buffet e convidando amigos pra comemorar o niver do cachorrinho cantando parabéns a você LULU, no idioma auauês!
E a cada ciclo surgem as novas gerações ROTULADAS que vão do Baby Boomer ao Beta! O que eles tem em comum? Escravos do celular.
Para mim não importa se você é LGBT…(não me lembro do resto das letras) ou faz parte da geração X, Y, Z, Alfa ou qualquer outra nomenclatura que a insanidade ainda irá criar, saiba que, independente da sua opção sexual, religião, etnia ou classe social, TODOS somos classificados pelo criador como seres humanos.
PONTO FINAL.
Vamos dar valor para o humano. Olhar para o lado e perceber que existem pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades e precisam de ajuda.
Esta é a única atitude capaz de transformar o mundo em um lugar melhor para viver.
Saia da caixinha da superficialidade, da perfumaria, da frente do espelho cego, da miopia robótica digital. Ser humano não nasce com chip, pelo menos até este momento.
De saco bem cheio da estupidez, em desabafo Wladimir Candini
Recentemente perguntei para o copilot (I.A. da Microsoft) quem era EU? Acreditando que um histórico profissional referente aos meus trabalhos realizados em algumas décadas de serviços prestados seriam revelados de forma grandiosa, mas….o que recebi foram informações de um EU inexistente, me posicionando como um investidor de sucesso ao invés de um simples comunicador.
Você pode pensar:
Ah! Talvez porque seu nome seja homônimo e muito popular!
Não é o caso, acredite. Meus pais capricharam na mistura de um nome russo com sobrenome italiano. Sou peça rara no cartório.
Analisando que as informações da I.A. são baseadas em dados disponibilizados na rede, não consegui entender naquele momento onde ela encontrou tamanha inverdade. Algo perigoso se pensarmos no comportamento atual dos “imbecilóides” de plantão que acreditam em tudo o que recebem via internet.
Em defesa da I.A. tenho a seguinte teoria:
Nossos índices de educação, de forma geral, são ruins porque os investimentos no setor público são pífios pela falta de interesse político. As redes sociais permitem que a ignorância e a falta de conhecimento exponha seus achismos dando voz a estupidez. Se discorda deste ponto de vista, me explique a proliferação de notícias falsas plantadas em grupos de mensagens que são encaminhadas com frequência e, a maioria manipulável, não tem a responsabilidade de checar se a informação que ela está divulgando é verdadeira, e o pior, se alguém será prejudicado! Na cabecinha de prego destes imbecis o importante é encaminhar como se fosse um “furo de reportagem exclusivíssimo” que projetará seu nome no Hall da fama.
A I.A. é baseada em dados coletados na rede e não tem discernimento para saber se as informações são verdadeiras ou bobagens plantadas por um jumento. Pelo menos é o que me parece até este momento.
Outro fato é que a facilidade em criar conteúdos rápidos via smartphones gerou uma geração preguiçosa no exercício da leitura, e consequentemente é visível encontrar jovens que não conseguem criar uma linha de raciocínio clara pontuada em uma simples mensagem de texto, assassinando a pontuação e a gramática devido ao vocabulário limitado ao MANO, TIPO, TÁ LIGADO, DA HORA, TOP…e assim vai ladeira abaixo na direção do túmulo da ignorância.
Como consequência, a I.A. precisa receber um pedido com a maior riqueza de detalhes para nos entregar um resultado mais preciso, algo que somente alguém de rico vocabulário é capaz de faze-lo.
Se você chegou até este parágrafo sem desistir da leitura é porque faz parte de um pequeno grupo que ainda saboreia as palavras em exercício do bom funcionamento cerebral.
Seu cabelo pode ter a cor que quiser, mas o cérebro não pode ser marrom.
O saudoso Ariano Suassuna se pronunciava contra o estrangeirismo já há muito tempo e atualmente é possível perceber um crescimento no número de palavras e expressões em inglês aplicadas pelo “marketing”, começando por ela mesma.
Como se já não bastasse a enxurrada de abreviações criadas para se comunicar via plataformas de mensagens de texto, agora a tchurma do “english” resolveu usar as abreviações criadas em terras de tio Sam.
Tempos atrás recebi uma mensagem de um publicitário que me solicitava um orçamento escrevendo que precisa receber “ASAP”. Na época desconhecia “what a fuck” aquilo significava e sem entender questionei: Você quer que eu envie o orçamento pelo WHASTAPP??, crendo que o corretor de texto do celular do cidadão havia se manifestado por vontade própria, como de costume.
A resposta: “As soon as possible”. O mais breve possível.
Como tinha intimidade com meu interlocutor o mandei para aquele lugar muito conhecido pelos brasileiros, mas em português: Vá para a PQP!
Somos brasileiros, estamos no Brasil, temos nossa própria língua, mas aceitamos o estrangeirismo dito por Suassuna, como se isso demonstrasse poder, nível de conhecimento, de inteligência, ou sabe lá o que!
O que fica claro pra mim é a valorização de algo que não nos pertence e o fortalecimento da antiga expressão Síndrome de vira-lata.
Chegando no final do ano, além de palavras e expressões, vemos nossas próprias escolas incorporando a cultura do HALLOWEEN enquanto as crianças desconhecem o SACI e o CURUPIRA!
As lojas anunciam a BLACK FRIDAY e placas de FOR SALE ou 70% OFF estampam o interior das vitrines do SHOPPING CENTER!
Agora você consegue se imaginar caminhando pelas ruas de Nova York, ou se preferir, NEW YORK, e ver nas vitrines americanas anúncios em português escrito: VENDE-SE, 70% DE DESCONTO, SUPER PROMOÇÃO!!!!
Não. Jamais! Nem em Miami! Pergunte-se: Porque? E sinta o tamanho da nossa auto-colocação na prateleira da mediocridade.
Raras são as empresas que investem em marketing de atendimento, como Apple e Adobe, por exemplo. Para isso funcionar bem e associar valor a sua marca é preciso investir em pessoas e qualifica-las para proporcionar um excelente atendimento.
Mas é aí que está o problema: INVESTIR EM PESSOAS em tempo de automação e atendimento robotizado (e mal feito programado por um ser humaninho que não curte seres humanos).
Me corrijam se eu estiver errado, por favor.
Como 99,99999% da população brasileira, já passei por inúmeros perrengues no quesito “mal atendimento”. As empresas não percebem, ou negligenciam (o que é pior) que o abestado despreparado (leitor de manual) quando atende o telefone, ele é o representante da empresa em questão. Fala em nome da marca, ou XEJA, queima na largada, ou melhor, incendia e compromete o que alguém, ou um grupo, demorou décadas para construir, mas que não deixam de serem responsáveis por sua detonação com tamanho descuidado, o que na minha opinião, é óbvio.
Agora o meu atual perrengue:
Com o surgimento das plataformas que nos permitem lançar produtos na tentativa de vendermos nossas especialidades, compartilhar nosso conhecimento profissional e colocar uns trocados no bolso, resolvi, como dizem os experts da rede, criar um produto pra ser vendido em escala online.
Chic demais!
Isso envolve muito trabalho, tempo, dinheiro, pesquisas, etc e tals, e você chega na HOTMART, uma plataforma que vende à você, possuir todas as facilidades necessárias para lançar seu produto e ficar milionário com sua explosão de vendas, sucesso absoluto entre afiliados (PAUSA ENORME, RESPIRA FUNDO, E AGORA SEGUE COM A LEITURA)…isso se você conseguir descobrir o caminho de navegabilidade apresentado pelos labirintos e calabouços jamais violados por um ser comum. Uma situação que obriga você a entrar em contato com um suporte que demora no mínimo 24 horas para lhe responder um e-mail (única forma de contato, o chat lhe oferece um “tente novamente” a cada clique).
Tentar editar sua página de vendas é impossível. Ao clicar em EDITAR PÁGINA, abre uma coluna com diversos templates (usei um desses anteriormente) e na coluna ao lado, o esboço do início da minha edição e que agora sonhava finalizar….Maaaassss, é impossível achar o caminho para dar sequencia, já que o único botão disponível é PUBLICAR! O que leva a qualquer ser humano com suas atividades mentais em dia, entender que se apertar este botão você irá publicar um rascunhão sem sentido e dar um tiro no pé na credibilidade da sua reputação.
Até este momento, nos últimos 10 dias (isso mesmo, você leu corretamente) troquei 14 e-mails com diversos “atendentes” que não me atendem, não falam meu idioma, respondem o que não foi perguntado, e olha que trabalho com comunicação e tenho uma certa facilidade de me expressar, aliás este é o tema do meu curso: FALE BEM – wladimircandini.com.br . Dá-lhe jabá!
O que me deixa perplexo é saber se tratar de uma gigante que insiste em caminhar com calçados infantis de numeração 33, o que leva a sugerir uma mudança de nome: HOTMORT.
Nasci em São Paulo no bairro da Água Rasa localizado entre o Tatuapé do Corinthians e a Moóca do Juventus, mas como raríssimas pessoas sabiam sua localização, eu e meus amigos, pra não ficar explicando demais, ou pior, dizer que era no início da avenida Sapopemba (nome feio da pemba), que afastava a freguesia, então dizíamos que morávamos no Alto da Moóca, pronto.
Ainda molequinho, me lembro do tico-tico e da lambretinha a pedal, da toalha nas costas que faziam a mim e ao meu irmão acreditar sermos super-heróis e caminhávamos sobre o muro como gatos até sermos resgatados pela orelha por nossa delicada mãezinha. Eu e meu irmão devíamos gostar do Zorro (olha a memória falhando) pois ganhamos de presente de nossos pais um kit com Chapéu, máscara e espada. As espadas eram de borracha flexível estilo cassetete e não tardou sua utilidade para deixarmos as marcas do ZORRO nos vizinhos metidos a besta que moravam em frente nossa casa, deixando alguns vergões na lembrança daqueles três irmãos que, até aquele dia, nos enchiam os pacová.
Porém a sova que levamos na sequencia de nossa santa mãe foi pior.
Por falar em sova, minha mãe possuía chinelos, tamancos ou qualquer coisa que estivesse calçando com a capacidade teleguiada por sua fúria que permitia a seus calçados fazerem curvas e nos atingir com a precisão de um franco atirador. Tenho isso gravado na memória e por anos em galos que saltavam da minha testa.
Me lembro também da primeira bicicleta, uma bandeirantes, pneu maciço e sem freio que destruí junto com algumas partes do meu corpinho cabeçudo no portão de aço da garagem de um vizinho que ficava na curva da ladeira ao lado da nossa casa.
Minha cabeça era algo notável, não pela inteligência, mas pela sua leve dimensão. Ao tentar chamar a atenção do meu pai, entrava na frente da TV, abria os braços e dizia:
Agora ninguém vê mais!
E de bate pronto o sacana do meu pai respondia para deleite de meu irmão:
Nem precisa abrir os bracinhos !
Assim como fez com meu irmão, minha mãe me acompanhou até a porta do colégio de freiras “Nossa Senhora de Lourdes” e durante o trajeto dizia para que eu memorizasse o caminho caso precisasse ir sozinho. Íamos sós. Eu e meu irmão. Seis e sete anos de idade respectivamente caminhávamos algumas boas quadras. Outros tempos.
Primeiro dia de aula, lembro do chorinho na entrada do colégio me sentindo abandonado pela minha mãe e pelo meu irmão que já corria na direção dos amiguinhos de classe, mas no dia seguinte, estava eu também correndo pra galera.
Minha primeira professora se chamava irmã Leocádia – com este nome tinha que ser freira, que Deus me perdoe – não sei o que ela aprendeu em seu ensino religioso, mas ela transformava a sala de aula em um calvário. Caminhava como uma general entre as carteiras empunhando uma régua de madeira de 40 centímetros pronta para ser usada contra o primeiro engraçadinho.
Usávamos uma mala acartonada para levar o material escolar e um dia retornando pra casa debaixo de chuva, advinha, vi partir em retirada pela enxurrada, caderno, livro e estojo pelo fundo da malinha rasgado pela umidade.
Tomamos outro pau. Em casa era sim. Na dúvida de quem foi o responsável pela merda, apanhava os dois. Era phuds!
Nossos pais trabalhavam e à tarde ficávamos sós, eu e meu irmão, 11 meses mais velho, com a única tarefa de fazer o dever de casa.
Um dia, após finalizar nossos afazeres escolares, enquanto eu brincava com bolinhas de gude no chão, meu irmão arremessava pequenas bolinhas de “papel amassado” na direção do lustre em forma de globo que ficava na sala. Ingenuamente, acho eu, pensei que o som do impacto de uma bolinha de gude seria maior que o das bolinhas de papel. Competição entre irmãos. Bastou um único tiro certeiro para moer o globo.
Lembro de minha mãe adentrar a casa poucos minutos depois deste extraordinário e imbecil feito dizendo:
Cadê meus anjinhos!
E menos de um segundo depois, ao ver os cacos de vidro no chão…
Puta Que Pareoooooooooooooooooooooo !
Conhecendo a fera, já aguardávamos nossa algoz dentro do banheiro com a porta fechada a chave. Eu e meu irmão havíamos combinado de só abrir a porta quando a leoa se acalmasse, porém o traíra abriu a porta e saiu gritando:
Foi o Mi! Foi o Mi*!
(*Mi era meu apelido de infância porque este infeliz não conseguia – evidentemente pronunciar o meu nome, tipicamente brasileiro, Wladimir.)
Recordando que a lei da casa era “na dúvida apanha os dois”, a porta mal se abriu e ele já tomou o primeiro Box e saiu dançando bolero pelo corredor. Eu estava encolhido feito um tatu bola protegendo a cabecinha avantajada ao lado do vaso sanitário, mas ao levantar o olhar vi um cinto entrar antes de minha mãe no recinto – cinto no recinto, sinto muito – que se transformaria em um octógono de MMA onde eu seria nocauteado no primeiro round e como prêmio de consolação ganharia o apelido de zebra pelos coleguinhas demoníacos, discípulos da irmã Leocádia, parente de Lúcifer.
Lembro de brincar muito no recreio (nome dado ao intervalo no colégio) ao ponto de esquecer de ir ao banheiro. Entrava na sala de aula e pedia para Santa Irmã Leocádia:
Posso ir no banheiro?
Com olhar de lobo a freirinha de 1,5 metro de pura cortesia respondia:
O recreio serve para isso também. Agora, se estiver apertado, faz nas calças.
Não levei a ordem ao pé da letra, porém o perigo real e imediato me fez sacar o “junior” e descarregar a urina direcionando o jato para frente. O desespero era tamanho que não me atentei a Nizinho, a coleguinha sentada na carteira à minha frente com a infeliz mania de manter seus pezinhos e perninhas com meias brancas ¾ do uniforme recolhidos para trás, ou seja, praticamente em baixo da minha carteira.
Naquela época a escola era uma extensão de casa
Mil e uma utilidades
Não preciso contar o resto. Vou deixar para sua imaginação, mas o resultado foi, após o grito da “miguinha, conhecer de perto, bem de perto, pertíssimo, a régua de madeira Leocadiana e o caminho percorrido com minha orelha suspensa até a diretoria.
Mais um cacete maternal.
Lembro também de meu irmão ficar com uma pusta febre porque minha mãe não comprou um aviãozinho de plástico verde com as asas vermelhas ( e ele não torcia para a Portuguesa de Desportos, era corintiano e virou palmeirense, vai entender) que ele viu em uma vitrine a caminho da escola. A febre só cedeu quando nossa tia Zélia apareceu com o danado lá em casa e deu de presente pra ele.
Tivemos Forte Apache, Autorama Interlagos… meu irmão rasgou o saco em um prego espetado em um cabo de vassoura que ele acreditava ser o cavalo do zorro…pensando bem este zorro só trouxe desgraça pra nossa infância!
Gosto de gente! Principalmente de gente educada e gentil. Que respeita e valoriza o outro. E foi com este perfil de ser humano que escolhi viver, conviver e ter ao meu lado, mas as vezes a vida nos prega algumas peças para fortalecer nosso propósito…pelo menos tento acreditar nisso!
Profissionalmente me considero um contador de histórias, mas gosto de criar uma narrativa baseada em pessoas cuja presença faz bem a quem está ao seu lado, ensina e acrescenta algo de positivo que nos motiva a seguir em frente nesta vida que muitas vezes se assemelha a uma montanha russa.
Tenho como princípio trabalhar em cima das virtudes das pessoas, porque é fato que, se os defeitos se sobressaem, o resultado é o fim de um relacionamento, seja ele pessoal ou profissional.
A palavra é contemporizar.
Seria utópico da minha parte achar que vivemos no País das Maravilhas, mas que seria legal, seria. Um planeta cujos habitantes nascessem abastecidos com bom senso suficiente para admirar as diferenças, valorizar mais as virtudes do que os defeitos e assim aprendermos uns com os outros e evoluir. Creio ser este o único objetivo de termos desembarcados neste planetão chamado terra.
Bom, depois de adquirir um pouco de conhecimento pessoal observando o comportamento dos diferentes e difíceis seres humanos, onde construo minhas ações profissionais, devo confessar que tenho muita dificuldade em lidar com àqueles que se auto intitulam “perfeccionistas”.
Digo isso porque àquele que se considera perfeccionista é incapaz de distinguir seus achismos que flutuam entre a realidade que envolve o relacionamento com outras pessoas e seus diferentes tipos de conhecimento.
O autointitulado “perfeccionista” alimenta um ego que o impossibilita enxergar as qualidades das pessoas que o cercam e cujas contribuições enriquecem, aquecem e geram uma energia do bem, pois envolve reconhecimento que dá valor a nossa existência, principalmente neste momento difícil que o mundo está vivendo com tantas incertezas.
Ainda está para nascer alguém genial o suficiente para adquirir tamanha habilidade para dominar todos os assuntos que permeiam nossas vidas e é por isso que existe a necessidade de relacionamentos que, somadas as expertises individuais resultam em algo satisfatório e geralmente fantástico porque nos permite enxergar a participação de cada envolvido no processo.
O tal perfeccionista se alimenta do ego que tira o óleo das engrenagens que fazem a máquina da vida gerar mais rápido e fluída: a felicidade!
A impossibilidade de ver valor em seus apoiadores, colaboradores ou familiares, será responsável pela insatisfação que certamente resultará em conflitos que influenciarão no péssimo andamento das ações sonhadas pelo “perfeccionista” que se irritará com a não realização de suas propostas ou sonhos pelo simples fato de não reconhecer que, principalmente ELE, não é e nunca será perfeito.
Faz parte também do perfil “perfeccionista” jogar a culpa do péssimo resultado nas costas daqueles que ele jamais deu ouvidos.
O maior defeito do perfeccionista é não ouvir, não ver e não sentir que existem mentes, vidas, corações vibrantes extremamente melhores que ele e que foram colocados em seu caminho exatamente para acrescentar algo que ele não possui.
Costumam interromper um diálogo para transforma-lo em um monólogo. Menospreza a opinião alheia por considerar que a sua é mais importante. São inseguros, não confiam em ninguém, nem neles mesmos.
Não preciso dizer que este texto é um desabafo pela insatisfação de ter trabalhado com um auto intitulado “perfeccionista” que adora palpitar em cima do que não fora criado ou pensado por ele. Chamo de Engenheiro de Obra Pronta aqueles que se apropriam da ideia do outro e as exibe com a propriedade de um gênio incapaz de sentir o tamanho da sua mediocridade.
Citando a definição encontrada em meusucesso.com no artigo: ser perfeccionista é uma qualidade ou um defeito? … No fundo, segundo estudiosos, um comportamento perfeccionista geralmente está ligado a uma baixa autoestima e à falta de confiança. Tentar atingir o nível da perfeição aflige inúmeras pessoas, principalmente quando a administração de negócios está em jogo.
SER PERFECCIONISTA É BEM DIFERENTE DE SER PERFEITO
Muita gente não sabe, mas iniciei meus trabalhos no universo da comunicação algumas décadas atrás trabalhando como ator.
Apesar desta carreira ter me conduzido até onde estou hoje, não é ela que atualmente paga minhas contas.
Como um polvo faminto, abri meus tentáculos e agarrei parceiros com experiências distintas em diversas áreas da comunicação e juntos criamos a OCTOWORKS, que vai muito bem obrigado. Sabemos que para se ganhar dinheiro como ator, ou em qualquer setor ligado a cultura e arte, é preciso fazer sucesso com o público e, para isso, você necessariamente precisa estar na mídia para ganhar visibilidade e consequentemente cair nas graças da galera.
Como sempre fui mais operário do que artista, onde me sentia esquisitão nos exercícios propostos nas aulas de teatro, como imaginar ser um feto na barriga da mãe ou uma árvore e outros bichos estranhos que tentaram embutir nesta carcaça que vos escreve, pensar em ter um nome artístico era insano pra mim, além do fato que iria chatear a família. Achava uma bobagem, pois sinto que primeiro o público se apaixona pelo personagem, depois pelo ator e só aí que resolve pesquisar o nome do cabra, portanto considerei que a mistura entre um nome russo – Wladimir – e um sobrenome italiano – Candini – eram mais do que suficientes pra fazer estrago na mente das pessoas. O mercado me abraçou pelo sobrenome e lá fui eu, Candini is my name.
Dinheiro de verdade ganhei fazendo publicidade e trabalhando no mercado corporativo, em eventos, vídeos institucionais, treinamentos e lançamento de produtos, mas baseado no resultado do meu trabalho no setor de entretenimento, deveria ter adotado o pseudônimo de “Modesto”.
Wladimir Modesto, Modesto Candini, não pela sonoridade ou pela numerologia, mas pelas participações que fiz durante anos alimentadas pela esperança de me ofertarem algo um pouquinho melhor em que eu pudesse interpretar um personagem que não fosse eu mesmo com figurinos diferentes, algo recorrente nos folhetins da Tv brasileira.
Passei pelo teatro, fiz novelas, séries de Tv, longa metragem e recentemente estreei uma série na Netflix.
O que elas tem em comum? “Modestas” participações. Daí a inspiração para o nome artístico. Uma participação “modesta”, mas quando você sente que o personagem tem representatividade e o texto lhe é convidativo para provocar algumas nuances na fala que caracterizem seu personagem, acaba nos levando a aceitar o “papel”, mas no meu caso a maioria tiveram um resultado final frustrante e vou descrever porque:
Fiz “Laços de Família” na Globo, uma participação “modesta” com o personagem Martins, mas ouvi nos bastidores que o meu nome fora ventilado para fazer a serie “Presença de Anita” logo após o término da novela. Me descreveram o personagem e parecia ser uma oportunidade interessante. Um personagem do começo ao fim. Ventilou tanto que a proposta se perdeu no espaço.
Após esta novela fui convidado pelo SBT para fazer a “Pícara Sonhadora”. Jesus é pai! Com este nome fui para reunião com 2 pés atrás, o terço na mão e minha agente a tiracolo. Sim, tive até agente. Ao conversar com o diretor de elenco sobre meu personagem, me pareceu interessante até falar sobre a grana. Ruim demais. Levantei e fui embora.
Anos depois recebi outro convite da Globo para fazer uma única cena na novela 7 PECADOS onde contracenaria com a fabulosa Elisabeth Savala. Humor puro e rasgado em uma cena de aproximadamente 3 minutos. Acreditem que 3 minutos é um bom tempo em cena. O texto de Walcyr Carrasco era muito bom e a cena divertidíssima.
Trabalhando com 2 câmeras fizemos a cena de primeira. Me lembro orgulhoso de Savala levantar-se à minha frente e me aplaudir de pé e, logo na sequencia, o diretor Jorge Fernando se aproximou e disse: Parabéns! Wladimir Candini, certo? Não vou me esquecer de você!
Até que para mim o resultado ficou bem bom. A cena ficou bem divertida, mas o Jorginho esqueceu.
Um diretor que não esqueceu de mim e parece que gostou do meu trabalho em cena foi o Zé Alvarenga. Me chamou para fazer um psicanalista na série de humor “Minha nada Mole Vida” e pouco tempo depois a serie policial – FORÇA TAREFA onde interpretei o “delegado safado Mauro Cesar”, morto com um tiro na cabeça no final da primeira temporada. De mim ele não esqueceu, mas ao longo da narrativa teve um pifão, porque logo depois, na segunda temporada, reencarnei como o Deputado Maurício. Vai entender.
A Globo só me ligava pra renovar o registro de atores aqui em SP (onde geralmente você contracena com um tripé cujo contraponto tem um desenho SMILE desenhado em uma sulfite presa com fita crepe na altura do seu rosto) ou para fazer participações. Percebi que neste namoro a emissora só queria passear comigo de mãos dadas pelo parque, porque me levar para o motel que é bom, não ia rolar.
Relacionamento é tudo e como não tenho um sobrenome de apoio que se faça presente nos bastidores, iniciei uma sequencia de “nãos” até que me esquecessem. Pelo menos por enquanto.
Pensei: Vou fazer cinema.
Surgiu o primeiro convite: interpretar André Lara Resende no longa “Real, o Plano por trás da história”. O personagem era “modesto” mas forte no contexto histórico. Mas cá entre nós, para um ator isso não representa nada. A gente precisa é aparecer na tela para ser lembrado, mas refleti que estaria contracenando com atores consagrados e sob a batuta do excelente diretor Rodrigo Bittencourt. Mas novamente a decepção foi ver na tela que em minha principal cena o editor/montador, me deixou na maior parte do tempo em OFF (para quem não sabe OFF quer dizer só a voz).
Depois de um tempo recebi um convite vindo da querida Paula Chiaverini – responsável pelo casting do filme REAL – para interpretar um personagem forte (segundo ela) em uma nova serie da Globo. Pela primeira vez após 30 anos trabalhando como ator ouvi a palavra protagonista, palavra que não faz parte do meu dicionário. Porém não rolou. Estava em andamento um processo em que havia sido convidado para dirigir um programa de TV com foco em educação em negociação para ir ao ar aos domingos no horário nobre pela rede Bandeirantes e, mesmo estando por trás das Câmeras, meu nome foi descartado pela política interna da Globo. Compreensível. O programa por alguma razão desconhecida desintegrou no meio do caminho e fiquei sem nenhum dos dois.
Foi quando recebi o convite para fazer um self tape (teste por celular) e enviar para a Boutique Filmes para uma nova serie da Netflix chamada “Onisciente” onde eu faria o advogado Henrique, um dos poderosos donos da empresa que leva o mesmo nome da serie. Pensei: Opa! Agora vai! Fui aprovado, mas quando recebi os roteiros percebi que novamente minha participação seria “modesta”. Não foi.
A serie estreou recentemente e resolvi me auto-prestigiar assistindo ao primeiro capítulo onde se concentra minha cena mais longa, mas ao assistir me frustrei novamente ao ver que 70% da minha fala ficou em OFF bem ao fundo (BG), quase um zzzzzzzzzzz sobreposta pelos pensamentos da personagem principal. É claro que dentro da narrativa faz total sentido, mas para quem gostaria de ver o próprio personagem em cena, foi brochante.
Resolvido: não quero mais brincar disso. Ou me oferecem um personagem de verdade que fará parte da narrativa ou vou pro Big Brother me aliar ao PIONG e atear fogo no cenário (rs). Para selar minha decisão, dia desses recebi o convite para interpretar o governador Geraldo Alckmim. Será que é agora? Uma serie política? Não, a história do Silvio Santos. Respirei fundo e busquei na memória a relação de ambos e lembrei da intervenção do governador no sequestro da filha do todo poderoso do SBT, ou seja, mais uma “modesta” participação. Agradeci e mandei educadamente um NÃO em caixa alta.
Com este histórico de “modestas” participações cheguei a conclusão que mesmo recebendo elogios pelo meu trabalho como ator, onde cheguei a ser aplaudido em cena aberta por diversas vezes no teatro, com rasgação de seda de alguns diretores consagrados, agências de atores me colocando no pedestal, produtores de elenco me tratando como estrela, aquelas escondidas atrás das constelações, percebi que o pessoal da edição gosta mais da minha voz do que da minha presença na tela, a propósito, ganhei muito mais dinheiro como locutor do que como ator. Menos mal. (Rs)
Me senti um peido no escuro, onde você ouve mas não sabe quem foi o autor da obra.
Durante anos trabalhei prestando serviços para algumas produtoras, oras como diretor, oras como roteirista, como locutor, como ator* ou assumindo múltiplas tarefas para tentar garantir um cache melhor. É assim que atualmente nos mantemos no setor de produção audiovisual, onde o desenvolvimento crescente de novas tecnologias, transformou pré adolescentes em cineastas. Pelo menos é o que pensa e nisso se apegam alguns diretores de empresas no momento de análise do orçamento enviado para produção de um video.
Você apresenta seu REEL com alguns trabalhos de altíssima complexidade de produção e o cara diz: Meu filho fez algo parecido com isso…
Este ano, no meio do tsunami econômico que jogou 13 milhões de pessoas na busca por recolocação profissional (nome bacana para suavizar a palavra desempregado), passei a duras custas e contra minha vontade por um ano sabático. Trabalhando todos os sábados (rs)…domingos e feriados também! Mas não se iludam os desempregados dizendo “sorte sua”, pois não foi trabalho remunerado. Foram 12 meses de estudos e pesquisas para me adaptar as novas mídias e respectivos interesses do mercado digital.
Cheguei a conclusão que produção por si só perdeu valor, a não ser que esteja amarrada a uma ótima ideia que trará solução apresentando um conteúdo de qualidade. Baseado nesta afirmativa, desenvolvi um nicho de produção e agenciamento de influenciadores buscando ofertar mídias que pudessem alcançar bons resultados para marcas. Me associei a gente boa, gente talentosa e com estofo para gerar o tal do conteúdo de qualidade que pudesse atrair o interesse em diversos segmentos e para públicos diversos.
Pronto! Pensei comigo. Agora estou armado e apto para entrar no campo de batalha novamente.
Nada dissooo!
Quando você passa de freelancer à empresário, com CEP e tudo, novas incógnitas surgem!
Por exemplo:
Antigamente (palavra usada pelo povo vintage como eu) a prospecção era feita por telefone e ao falar diretamente com o responsável (sem trocentos filtros), conseguíamos – pelo tom da voz ou pelo andamento da conversa – sentir interesse e agendar imediatamente a data para apresentação detalhada de nosso negócio ou projeto. Agora, telefone virou invasivo. As pessoas preferem e-mails, mensagens de texto, e com isso inflacionam os custos dos pacotes de dados. Por mim, tudo bem contanto que o outro lado se lembre que não temos bola cristal e muito menos capacidade mediúnica, portanto uma resposta deste e-mail me parece evidente! Claro, que após alguns bons anos de experiência, quando esta resposta é praticamente monossilábica, do tipo – RECEBIDO – sabemos que deste mato não sairá coelho, quanto mais dinheiro.
Atual principal expertise do profissional de prospect: Ser Médium
Outra forma de prospecção pode ser feita através das mídias sociais profissionais, como o Linkedin ou pelas fanpage das empresas no Facebook. O que não entendo é, porque alguns profissionais lhe aceitam em suas network e ignoram sua tentativa de contato? Será que elas acreditam que fiz contato porque gostei da fotinho do avatar ou tenho admiração pelo cargo que atualmente ela exerce e serei um bonequinho para dar likes em seus posts como forma de aproximação? Para que aceitar a minha inclusão na sua rede de relacionamento? Talvez para aumentar o tamanho de sua Network que na prática irá usar quando estiver desempregado…ops…em busca recolocação profissional?
Dias atrás conversando com um amigo publicitário sobre a falta de ética de alguns profissionais, chegamos a conclusão que prospectar novos clientes competindo com os “Brothers” é quase impossível. Ele comentou sobre uma concorrência aberta após a troca de comando de uma empresa que atendia com muito sucesso há anos.
O novo todo poderoso, mesmo confrontado por sua equipe satisfeita, que lhe apresentara os resultados excepcionais da atual agência, insistiu que a concorrência iria acontecer.
O procedimento dava indícios de brasileridade com carta marcada, mas mesmo assim a agência cumpriu seu papel e se empenhou ao extremo para vencer o braço de ferro.
No dia marcado para concorrência das campanhas, durante a apresentação da agência em questão, que entusiasmava os presentes pelo brilhantismo da proposta, o Big Boss – fortalecendo as suspeitas – não se dava ao luxo de tirar os olhos de seu celular para sequer olhar de soslaio para pelo menos um dos slides. Discrição e respeito ZERO ! Ao final da apresentação, elogios quase unânime pela proposta apresentada, DEUS isolado, continuava brincando com seu smartphone e ignorava o furor a sua volta. Porém, um frase dita estratégicamente ao final do speach, fez com que levantasse os olhos na direção do proscênio, arregalasse os olhos e expressasse facialmente um “FUDEU” que quase o derrubou da cadeira: Custo zero! Fariam tudo de GRAÇA!
Aplausos! Gritaria! Euforia generalizada na sala!
BINGO! Adivinhem o que aconteceu? Eles perderam a concorrência do mesmo jeito.
Brother é brother. Esquema é esquema. Sacanagem é sacanagem. O resto é resto.
*Apesar de ter realizado meu último trabalho como ator em uma modesta participação no longa REAL – A História por trás do Plano (2017) – atuar virou prazer e não mais ofício, pois não existe no mundo profissão mais desequilibrada, cujos protagonistas não conseguem separar a busca pelos aplausos da relação comercial com valorização do trabalho lúdico, o que os transforma em eternos figurantes.
Após um ano batizado de “ressaca”, o mercado em alguns setores parecem dar sinais de melhoras. Parecem! Um pequeno respiro, mas o suficiente para ganhar oxigênio e tentar superar um 2018 que traz na bagagem uma copa do mundo e eleições.
A disputa nos gramados e os déspotas tentando se manterem no poder. Entre uma arena e outra, a copa do mundo de futebol geralmente é usada e lambuzada neste Brasil varonil para maquiar a sequência de falcatruas políticas lançadas nos momentos de euforia. Nosso país aparece novamente como forte candidato ao título. Preocupante, pois isso significa que enche de esperanças a corja de malfeitores preparados para abrirem a caixinha de maldades no momento do êxtase de um gol marcado. A cada gol, a cada grito de esperança doído na garganta de cada brasileiro honesto, abre espaço para um oportunista nos levar a carteira, atualmente recheada de débitos.
Este é o retrato do político brasileiro. Dos caras que na teoria deveriam trabalhar pelo povo e para o povo, mas ignoram a regra moral, e na prática surrupiam a palavra “povo” do dicionário do então candidato, no exato momento em que assentam as nádegas de suas bundegas na cadeira de comandante eleito.
Esta é a situação de um país de cultura limitada, presa ao umbigo de cada indivíduo. O meu, após a retirada de uma hérnia umbilical, mal aparece.
Trilhões são arrecadados em impostos e não é suficiente para pagar as contas do país cujo custo da máquina pública está ancorado em cabides de empregos amarrados a acordões políticos. Agora nossos larápios de plantão querem privatizar empresas estratégicas para controle do país, como energia por exemplo, ao invés de acabarem com mordomias de dar nojo as baratas.
Imaginem nossa energia nas mãos dos chineses ou dos americanos que manipulam nosso país como marionete. Ou você realmente acredita que nossos principais players (petróleo, construção civil e agronegócio) foram explodidos a toa? Claro que chegou a hora de limpar o beco e acabar com os ratos, mas o caos generalizado foi financiado pelo American Way of life para beneficiar os interesses econômicos do Tio Sam. Uma teoria da conspiração baseada em análise de situação, feita por “moi”. (mim em francês – pra ficar mais chic).
Nosso Papai Noel está mais magro, mas acomodará à todos sobre um enorme saco cheio.
Parece papo de velho, mas depois de tanto tempo bailando com criativos de agências, diretores de marketing e RH e manda chuvas de grandes empresas, quando não existe alinhamento entre eles, a única certeza é: PROBLEMA .
A experiência me ensinou que ao sentar à mesa de reuniões para receber o “briefing”, duas perguntas devem ser feitas:
1) Vocês me permitem gravar o áudio de nossa reunião para que eu não perca nada do que for dito aqui?
2) Os responsáveis pela campanha e pela aprovação deste material estão todos presentes?
Porém, mesmo após receber dois SIMs, quase sempre tem enrosco. Ou o criador não consultou se sua proposta criativa estava de acordo com o desejo do seu cliente ou após a finalização surgirá das profundezas de uma tumba “tão tão distante” um superpoderoso que dirá: Não é nada disso!
A produção audiovisual é uma super ferramenta de comunicação que afeta de forma plena todo ser humano, pois trabalha com as 3 características associadas a neurolinguística : visual, auditiva e sinestésica! Traz imagem, som e emoção.
Porém, tudo deve ser pensado. Qual o objetivo deste material? O que, e para quem iremos comunicar? Com estas questões iniciais esclarecidas, pensamos na ação, no formato e na melhor forma de realiza-la, mas estas respostas DEVEM estar alinhadas entre TODOS os profissionais envolvidos! O que parece lógico na teoria, na prática não é.
Certa vez fui convidado para produzir um vídeo que apresentasse a empresa para os recém contratados. Como trabalho sempre me colocando na posição de expectador, procuro criar algo agradável, pois defendo que para a comunicação ser efetiva devemos apresentar algo informal, que aproxima as pessoas. Ao contrário do formal, que distancia. Repare nos telejornais ou programas de esportes e entretenimentos. Você se sente em uma sala de estar como se os apresentadores fossem seus amigos!
Bom, a ideia apresentada consistia em uma proposta lúdica onde um avô em uma sala com uma bela biblioteca, contava a história de sua passagem pela empresa para seu netinho e o quanto os valores daquela companhia foram responsáveis pela sua formação. Isso mesclado com imagens institucionais. Uma proposta para apresentar os valores da empresa para àqueles que chegavam para trabalhar na companhia. A ideia foi aprovada, o roteiro foi criado e na apresentação aplaudido (acreditem) pela diretoria até a vice-presidência. Todos presentes na apresentação.
Dois dias depois, já em pré-produção, recebo um telefonema de um dos integrantes daquela mesa, um dos fãs da nossa ideia, dizendo que o presidente (que não estava presente em nenhuma das reuniões de desenvolvimento) não queria que os Valores da empresa fossem ditos por um ator e que deveriam estar na boca de seus diretores.
Ou XEJA, o cara queria uma câmera na frente de um executivo sentado atrás de sua mesa, lendo um teleprompter com um daqueles textos capazes de fazer um rinoceronte dormir. Em um primeiro momento entrei em colapso, mas depois de respirar fundo dei meu parecer sem relembrar a pergunta de numero 2 que fiz na primeira reunião para não constranger meu interlocutor, mas sabia que ele lia meu pensamento. (rs)
Primeiro dei uma consultoria gratuita. Disse que para este tipo de formato ele não precisaria investir tanto dinheiro na produção e me predispus a indicar um cinegrafista para captar e um editor para finalizar o vídeo dentro do formato desejado pelo senhor presidente. Naquele momento nosso trabalho virou luxo e iria para o lixo.
Em um segundo momento questionei para quem enviaria a nota fiscal referente a criação do roteiro, cuja ideia fora aprovada com louvor, lembram? O pedido foi feito e foi entregue. Cabia à ele destinar o que fazer com o produto criado sobre medida para ele e rejeitado pelo divino, mas que a encomenda fora entregue, isso era fato.
Imagino também que ele lembrara da pergunta 1, pois sequer arriscou um “veja bem”. Se o fizesse alegando um mal entendido – isso ocorre quando o cara não quer assumir o erro – isso me obrigaria a enviar o áudio gravado de toda reunião de briefing e gerar um constrangimento ainda maior.
Não existem culpados, mas existem egos que superam e muito o desejo da maioria pelo poder do cargo. O resultado não poderia ser diferente: o parecer contrário do presidente não foi confrontado por nenhum dos membros da equipe e o vídeo obteve resultado ZERO de comunicação efetiva, pois soava como obrigatoriedade, quase como uma imposição em fazer com que assista na integra um programa político com pessoas sem a expressividade necessária de comunicação, sem emoção.
Esse foi apenas um dos exemplos vividos, mas existem outros com ideias boas, mas desalinhadas com o desejo de quem manda.
Quem paga por isso? Geralmente ninguém quer pagar e jogam a culpa para o acaso.