O “Sommerdiêr de lerda” e o Brasil Gourmet

Quem trabalha com comunicação costuma analisar as mudanças de comportamento para criar caminhos de conexão com as pessoas e poder, de certa forma, proporcionar algo que seja útil ou interessante.

Mas tenho sentido um desconforto monstruoso que me leva a pensamentos suicidas, como enforcamento na própria cueca.

Prestem atenção:

O mundo fitness, agora fiéis seguidores de nutricionistas e influenciadores digitais deste universo, mudaram os nomes dos alimentos: Ovo zóião e bife agora são proteínas, macarrão virou carbo (abreviação preguiçosa de carboidrato), salada é fibra e o almoço em família se parece com uma aula de química e biologia.

Vinho e café são outros produtos que fizeram brotar sommeliers, enólogos e baristas, que agora arrotam palavrinhas na mesa do boteco como terroir, taninos, grau de acidez, torra apropriada, dupla poda, palavras que tiram minha vontade de beber porque sinto que meu paladar é limitado.

Certa vez, a trabalho, participei de uma degustação de vinhos e acompanhava com atenção o discurso do mestre dizendo sobre notas de mamão papaia, um gostinho final de bala soft, um suave aroma de canela…e eu fazendo cara de conteúdo sem entender nada, enquanto os demais degustadores balançavam as cabeças concordando com as palavras hipnóticas do especialista que comandava o espetáculo. Ao término da última dose, colei discretamente no ouvido do sommelier e disse:

  • Das 10 vezes em que balancei a cabeça concordando com seu direcionamento de olfato e sabor, 11 eu menti. No máximo detectei acidez.

Ele riu do meu sincericídio.

Já o mercado corporativo dos FariaLimers Linkdiners, adotaram um vocabulário coach mother fucker robotizado de escrever e palestrar capaz de fazer Paulo Freire reencarnar na pele de um serial killer. Para comprovar, desafio você a ler alguns artigos no linkedin e se atentar a palavrinhas como: Jornada, desafios, resignificar, repaginar, agregar valor, aleatório, procrastinar, os já ultrapassados, mas ainda em uso em sites desatualizados, Missão, visão e valores, e nos mais recentes…propósito!

Poderia aqui escrever uma página inteira com essa verborragia irritante colada no céu da boca da tchurma do CTRL-C / CTRL-V, que não dão valor para o SER ORIGINAL. O legal é surfar na onda das palavrinhas da moda pra ser visto como cool moderninho e antenado!

Não é galera*? (odeio esta palavra) *navio de guerra impulsionado a remos, setor onde ficavam escravos acorrentados e obrigados a remar.

Outro fato irritante é esta necessidade de rotular tudo. Se não bastasse a criação de trocentos gêneros, onde na minha opinião ou você é Hetero ou você é homo, (e ninguém tem nada com isso) alguém resolver criar definições baseadas em particularíssimas formas de desejo??? É o fim do mundo. FROID explica? Duvido, mas que os consultórios de psicanalistas e terapeutas estão bombando é fato.

Novas doenças estão surgindo e o número de farmácias só aumenta, o que deixa evidente que as pessoas estão mais doentes.

O aumento do número de petshops espalhados pelo Brasil deixa claro que a opção SER PAI E MÃE foram renegadas ao ponto de malucos alugando buffet e convidando amigos pra comemorar o niver do cachorrinho cantando parabéns a você LULU, no idioma auauês!

E a cada ciclo surgem as novas gerações ROTULADAS que vão do Baby Boomer ao Beta! O que eles tem em comum? Escravos do celular.

Para mim não importa se você é LGBT…(não me lembro do resto das letras) ou faz parte da geração X, Y, Z, Alfa ou qualquer outra nomenclatura que a insanidade ainda irá criar, saiba que, independente da sua opção sexual, religião, etnia ou classe social, TODOS somos classificados pelo criador como seres humanos.

PONTO FINAL.

Vamos dar valor para o humano. Olhar para o lado e perceber que existem pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades e precisam de ajuda.

Esta é a única atitude capaz de transformar o mundo em um lugar melhor para viver.

Saia da caixinha da superficialidade, da perfumaria, da frente do espelho cego, da miopia robótica digital. Ser humano não nasce com chip, pelo menos até este momento.

De saco bem cheio da estupidez, em desabafo
Wladimir Candini

HOTMART é de MART e no Brasil é HOTMORT, de tão ruim que é o suporte de atendimento.

Raras são as empresas que investem em marketing de atendimento, como Apple e Adobe, por exemplo. Para isso funcionar bem e associar valor a sua marca é preciso investir em pessoas e qualifica-las para proporcionar um excelente atendimento.

Mas é aí que está o problema: INVESTIR EM PESSOAS em tempo de automação e atendimento robotizado (e mal feito programado por um ser humaninho que não curte seres humanos).

Me corrijam se eu estiver errado, por favor.

Como 99,99999% da população brasileira, já passei por inúmeros perrengues no quesito “mal atendimento”. As empresas não percebem, ou negligenciam (o que é pior) que o abestado despreparado (leitor de manual) quando atende o telefone, ele é o representante da empresa em questão. Fala em nome da marca, ou XEJA, queima na largada, ou melhor, incendia e compromete o que alguém, ou um grupo, demorou décadas para construir, mas que não deixam de serem responsáveis por sua detonação com tamanho descuidado, o que na minha opinião, é óbvio.

Agora o meu atual perrengue:

Com o surgimento das plataformas que nos permitem lançar produtos na tentativa de vendermos nossas especialidades, compartilhar nosso conhecimento profissional e colocar uns trocados no bolso, resolvi, como dizem os experts da rede, criar um produto pra ser vendido em escala online.

Chic demais!

Isso envolve muito trabalho, tempo, dinheiro, pesquisas, etc e tals, e você chega na HOTMART, uma plataforma que vende à você, possuir todas as facilidades necessárias para lançar seu produto e ficar milionário com sua explosão de vendas, sucesso absoluto entre afiliados  (PAUSA ENORME, RESPIRA FUNDO, E AGORA SEGUE COM A LEITURA)…isso se você conseguir descobrir o caminho de navegabilidade apresentado pelos labirintos e calabouços jamais violados por um ser comum. Uma situação que obriga você a entrar em contato com um suporte que demora no mínimo 24 horas para lhe responder um e-mail (única forma de contato, o chat lhe oferece um “tente novamente” a cada clique).

Tentar editar sua página de vendas é impossível. Ao clicar em EDITAR PÁGINA, abre uma coluna com diversos templates (usei um desses anteriormente) e na coluna ao lado, o esboço do início da minha edição e que agora sonhava finalizar….Maaaassss, é impossível achar o caminho para dar sequencia, já que o único botão disponível é PUBLICAR! O que leva a qualquer ser humano com suas atividades mentais em dia, entender que se apertar este botão você irá publicar um rascunhão sem sentido e dar um tiro no pé na credibilidade da sua reputação.

Até este momento, nos últimos 10 dias (isso mesmo, você leu corretamente) troquei 14 e-mails com diversos “atendentes” que não me atendem, não falam meu idioma, respondem o que não foi perguntado, e olha que trabalho com comunicação e tenho uma certa facilidade de me expressar, aliás este é o tema do meu curso: FALE BEM – wladimircandini.com.br . Dá-lhe jabá!

O que me deixa perplexo é saber se tratar de uma gigante que insiste em caminhar com calçados infantis de numeração 33, o que leva a sugerir uma mudança de nome: HOTMORT.

Criação desalinhada com o cliente = Retrabalho

Parece papo de velho, mas depois de tanto tempo bailando com criativos de agências, diretores de marketing e RH e manda chuvas de grandes empresas, quando não existe alinhamento entre eles, a única certeza é: PROBLEMA .

A experiência me ensinou que ao sentar à mesa de reuniões para receber o “briefing”, duas perguntas devem ser feitas:

 1) Vocês me permitem gravar o áudio de nossa reunião para que eu não perca nada do que for dito aqui?

 2) Os responsáveis pela campanha e pela aprovação deste material estão todos presentes?

 

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Porém, mesmo após receber dois SIMs, quase sempre tem enrosco. Ou o criador não consultou se sua proposta criativa estava de acordo com o desejo do seu cliente ou após a finalização surgirá das profundezas de uma tumba “tão tão distante” um superpoderoso que dirá: Não é nada disso!

 

A produção audiovisual é uma super ferramenta de comunicação que afeta de forma plena todo ser humano, pois trabalha com as 3 características associadas a neurolinguística : visual, auditiva e sinestésica! Traz imagem, som e emoção.

Falhas-de-comunicacao Porém, tudo deve ser pensado. Qual o objetivo deste material? O que, e para quem iremos comunicar? Com estas questões iniciais esclarecidas, pensamos na ação, no formato e na melhor forma de realiza-la, mas estas respostas DEVEM estar alinhadas entre TODOS os profissionais envolvidos! O que parece lógico na teoria, na prática não é.

Certa vez fui convidado para produzir um vídeo que apresentasse a empresa para os recém contratados. Como trabalho sempre me colocando na posição de expectador, procuro criar algo agradável, pois defendo que para a comunicação ser efetiva devemos apresentar algo informal, que aproxima as pessoas. Ao contrário do formal, que distancia. Repare nos telejornais ou programas de esportes e entretenimentos. Você se sente em uma sala de estar como se os apresentadores fossem seus amigos!

Bom, a ideia apresentada consistia em uma proposta lúdica onde um avô em uma sala com uma bela biblioteca, contava a história de sua passagem pela empresa para seu netinho e o quanto os valores daquela companhia foram responsáveis pela sua formação. Isso mesclado com imagens institucionais. Uma proposta para apresentar os valores da empresa para àqueles que chegavam para trabalhar na companhia. A ideia foi aprovada, o roteiro foi criado e na apresentação aplaudido (acreditem) pela diretoria até a vice-presidência. Todos presentes na apresentação.

hqdefaultDois dias depois, já em pré-produção, recebo um telefonema de um dos integrantes daquela mesa, um dos fãs da nossa ideia, dizendo que o presidente (que não estava presente em nenhuma das reuniões de desenvolvimento) não queria que os Valores da empresa fossem ditos por um ator e que deveriam estar na boca de seus diretores.

 

Ou XEJA, o cara queria uma câmera na frente de um executivo sentado atrás de sua mesa, lendo um teleprompter com um daqueles textos capazes de fazer um rinoceronte dormir. Em um primeiro momento entrei em colapso, mas depois de respirar fundo dei meu parecer sem relembrar a pergunta de numero 2 que fiz na primeira reunião para não constranger meu interlocutor, mas sabia que ele lia meu pensamento. (rs)

Primeiro dei uma consultoria gratuita. Disse que para este tipo de formato ele não precisaria investir tanto dinheiro na produção e me predispus a indicar um cinegrafista para captar e um editor para finalizar o vídeo dentro do formato desejado pelo senhor presidente. Naquele momento nosso trabalho virou luxo e iria para o lixo.

Em um segundo momento questionei para quem enviaria a nota fiscal referente a criação do roteiro, cuja ideia fora aprovada com louvor, lembram? O pedido foi feito e foi entregue. Cabia à ele destinar o que fazer com o produto criado sobre medida para ele e rejeitado pelo divino, mas que a encomenda fora entregue, isso era fato.

Imagino também que ele lembrara da pergunta 1, pois sequer arriscou um “veja bem”. Se o fizesse alegando um mal entendido – isso ocorre quando o cara não quer assumir o erro – isso me obrigaria a enviar o áudio gravado de toda reunião de briefing e gerar um constrangimento ainda maior.

chefe-x-funcionario1Não existem culpados, mas existem egos que superam e muito o desejo da maioria pelo poder do cargo. O resultado não poderia ser diferente: o parecer contrário do presidente não foi confrontado por nenhum dos membros da equipe e o vídeo obteve resultado ZERO de comunicação efetiva, pois soava como obrigatoriedade, quase como uma imposição em fazer com que assista na integra um programa político com pessoas sem a expressividade necessária de comunicação, sem emoção.

Esse foi apenas um dos exemplos vividos, mas existem outros com ideias boas, mas desalinhadas com o desejo de quem manda.

Quem paga por isso? Geralmente ninguém quer pagar e jogam a culpa para o acaso.

Quem Manda E o Chefe [1]. Sbt