O “Sommerdiêr de lerda” e o Brasil Gourmet

Quem trabalha com comunicação costuma analisar as mudanças de comportamento para criar caminhos de conexão com as pessoas e poder, de certa forma, proporcionar algo que seja útil ou interessante.

Mas tenho sentido um desconforto monstruoso que me leva a pensamentos suicidas, como enforcamento na própria cueca.

Prestem atenção:

O mundo fitness, agora fiéis seguidores de nutricionistas e influenciadores digitais deste universo, mudaram os nomes dos alimentos: Ovo zóião e bife agora são proteínas, macarrão virou carbo (abreviação preguiçosa de carboidrato), salada é fibra e o almoço em família se parece com uma aula de química e biologia.

Vinho e café são outros produtos que fizeram brotar sommeliers, enólogos e baristas, que agora arrotam palavrinhas na mesa do boteco como terroir, taninos, grau de acidez, torra apropriada, dupla poda, palavras que tiram minha vontade de beber porque sinto que meu paladar é limitado.

Certa vez, a trabalho, participei de uma degustação de vinhos e acompanhava com atenção o discurso do mestre dizendo sobre notas de mamão papaia, um gostinho final de bala soft, um suave aroma de canela…e eu fazendo cara de conteúdo sem entender nada, enquanto os demais degustadores balançavam as cabeças concordando com as palavras hipnóticas do especialista que comandava o espetáculo. Ao término da última dose, colei discretamente no ouvido do sommelier e disse:

  • Das 10 vezes em que balancei a cabeça concordando com seu direcionamento de olfato e sabor, 11 eu menti. No máximo detectei acidez.

Ele riu do meu sincericídio.

Já o mercado corporativo dos FariaLimers Linkdiners, adotaram um vocabulário coach mother fucker robotizado de escrever e palestrar capaz de fazer Paulo Freire reencarnar na pele de um serial killer. Para comprovar, desafio você a ler alguns artigos no linkedin e se atentar a palavrinhas como: Jornada, desafios, resignificar, repaginar, agregar valor, aleatório, procrastinar, os já ultrapassados, mas ainda em uso em sites desatualizados, Missão, visão e valores, e nos mais recentes…propósito!

Poderia aqui escrever uma página inteira com essa verborragia irritante colada no céu da boca da tchurma do CTRL-C / CTRL-V, que não dão valor para o SER ORIGINAL. O legal é surfar na onda das palavrinhas da moda pra ser visto como cool moderninho e antenado!

Não é galera*? (odeio esta palavra) *navio de guerra impulsionado a remos, setor onde ficavam escravos acorrentados e obrigados a remar.

Outro fato irritante é esta necessidade de rotular tudo. Se não bastasse a criação de trocentos gêneros, onde na minha opinião ou você é Hetero ou você é homo, (e ninguém tem nada com isso) alguém resolver criar definições baseadas em particularíssimas formas de desejo??? É o fim do mundo. FROID explica? Duvido, mas que os consultórios de psicanalistas e terapeutas estão bombando é fato.

Novas doenças estão surgindo e o número de farmácias só aumenta, o que deixa evidente que as pessoas estão mais doentes.

O aumento do número de petshops espalhados pelo Brasil deixa claro que a opção SER PAI E MÃE foram renegadas ao ponto de malucos alugando buffet e convidando amigos pra comemorar o niver do cachorrinho cantando parabéns a você LULU, no idioma auauês!

E a cada ciclo surgem as novas gerações ROTULADAS que vão do Baby Boomer ao Beta! O que eles tem em comum? Escravos do celular.

Para mim não importa se você é LGBT…(não me lembro do resto das letras) ou faz parte da geração X, Y, Z, Alfa ou qualquer outra nomenclatura que a insanidade ainda irá criar, saiba que, independente da sua opção sexual, religião, etnia ou classe social, TODOS somos classificados pelo criador como seres humanos.

PONTO FINAL.

Vamos dar valor para o humano. Olhar para o lado e perceber que existem pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades e precisam de ajuda.

Esta é a única atitude capaz de transformar o mundo em um lugar melhor para viver.

Saia da caixinha da superficialidade, da perfumaria, da frente do espelho cego, da miopia robótica digital. Ser humano não nasce com chip, pelo menos até este momento.

De saco bem cheio da estupidez, em desabafo
Wladimir Candini

A IGNORÂNCIA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Recentemente perguntei para o copilot (I.A. da Microsoft) quem era EU? Acreditando que um histórico profissional referente aos meus trabalhos realizados em algumas décadas de serviços prestados seriam revelados de forma grandiosa, mas….o que recebi foram informações de um EU inexistente, me posicionando como um investidor de sucesso ao invés de um simples comunicador.

Você pode pensar:

  • Ah! Talvez porque seu nome seja homônimo e muito popular!

Não é o caso, acredite. Meus pais capricharam na mistura de um nome russo com sobrenome italiano. Sou peça rara no cartório.

Analisando que as informações da I.A. são baseadas em dados disponibilizados na rede, não consegui entender naquele momento onde ela encontrou tamanha inverdade. Algo perigoso se pensarmos no comportamento atual dos “imbecilóides” de plantão que acreditam em tudo o que recebem via internet.

Em defesa da I.A. tenho a seguinte teoria:

Nossos índices de educação, de forma geral, são ruins porque os investimentos no setor público são pífios pela falta de interesse político. As redes sociais permitem que a ignorância e a falta de conhecimento exponha seus achismos dando voz a estupidez. Se discorda deste ponto de vista, me explique a proliferação de notícias falsas plantadas em grupos de mensagens que são encaminhadas com frequência e, a maioria manipulável, não tem a responsabilidade de checar se a informação que ela está divulgando é verdadeira, e o pior, se alguém será prejudicado! Na cabecinha de prego destes imbecis o importante é encaminhar como se fosse um “furo de reportagem exclusivíssimo” que projetará seu nome no Hall da fama.

A I.A. é baseada em dados coletados na rede e não tem discernimento para saber se as informações são verdadeiras ou bobagens plantadas por um jumento. Pelo menos é o que me parece até este momento.

Outro fato é que a facilidade em criar conteúdos rápidos via smartphones gerou uma geração preguiçosa no exercício da leitura, e consequentemente é visível encontrar jovens que não conseguem criar uma linha de raciocínio clara pontuada em uma simples mensagem de texto, assassinando a pontuação e a gramática devido ao vocabulário limitado ao MANO, TIPO, TÁ LIGADO, DA HORA, TOP…e assim vai ladeira abaixo na direção do túmulo da ignorância.

Como consequência, a I.A. precisa receber um pedido com a maior riqueza de detalhes para nos entregar um resultado mais preciso, algo que somente alguém de rico vocabulário é capaz de faze-lo.

Se você chegou até este parágrafo sem desistir da leitura é porque faz parte de um pequeno grupo que ainda saboreia as palavras em exercício do bom funcionamento cerebral.

Seu cabelo pode ter a cor que quiser, mas o cérebro não pode ser marrom.

Os chinelos teleguiados da minha mãe

Nasci em São Paulo no bairro da Água Rasa localizado entre o Tatuapé do Corinthians e a Moóca do Juventus, mas como raríssimas pessoas sabiam sua localização, eu e meus amigos, pra não ficar explicando demais, ou pior, dizer que era no início da avenida Sapopemba (nome feio da pemba), que afastava a freguesia, então dizíamos que morávamos no Alto da Moóca, pronto.

Ainda molequinho, me lembro do tico-tico e da lambretinha a pedal, da toalha nas costas que faziam a mim e ao meu irmão acreditar sermos super-heróis e caminhávamos sobre o muro como gatos até sermos resgatados pela orelha por nossa delicada mãezinha. Eu e meu irmão devíamos gostar do Zorro (olha a memória falhando) pois ganhamos de presente de nossos pais um kit com Chapéu, máscara e espada. As espadas eram de borracha flexível estilo cassetete e não tardou sua utilidade para deixarmos as marcas do ZORRO nos vizinhos metidos a besta que moravam em frente nossa casa, deixando alguns vergões na lembrança daqueles três irmãos que, até aquele dia, nos enchiam os pacová.

Porém a sova que levamos na sequencia de nossa santa mãe foi pior.

Por falar em sova, minha mãe possuía chinelos, tamancos ou qualquer coisa que estivesse calçando com a capacidade teleguiada por sua fúria que permitia a seus calçados fazerem curvas e nos atingir com a precisão de um franco atirador. Tenho isso gravado na memória e por anos em galos que saltavam da minha testa.

Me lembro também da primeira bicicleta, uma bandeirantes, pneu maciço e sem freio que destruí junto com algumas partes do meu corpinho cabeçudo no portão de aço da garagem de um vizinho que ficava na curva da ladeira ao lado da nossa casa.

Minha cabeça era algo notável, não pela inteligência, mas pela sua leve dimensão. Ao tentar chamar a atenção do meu pai, entrava na frente da TV, abria os braços e dizia:

  • Agora ninguém vê mais!

E de bate pronto o sacana do meu pai respondia para deleite de meu irmão:

  • Nem precisa abrir os bracinhos !

Assim como fez com meu irmão, minha mãe me acompanhou até a porta do colégio de freiras “Nossa Senhora de Lourdes” e durante o trajeto dizia para que eu memorizasse o caminho caso precisasse ir sozinho. Íamos sós. Eu e meu irmão. Seis e sete anos de idade respectivamente caminhávamos algumas boas quadras. Outros tempos.

Primeiro dia de aula, lembro do chorinho na entrada do colégio me sentindo abandonado pela minha mãe e pelo meu irmão que já corria na direção dos amiguinhos de classe, mas no dia seguinte, estava eu também correndo pra galera.

Minha primeira professora se chamava irmã Leocádia – com este nome tinha que ser freira, que Deus me perdoe – não sei o que ela aprendeu em seu ensino religioso, mas ela transformava a sala de aula em um calvário. Caminhava como uma general entre as carteiras empunhando uma régua de madeira de 40 centímetros pronta para ser usada contra o primeiro engraçadinho.

Usávamos uma mala acartonada para levar o material escolar e um dia retornando pra casa debaixo de chuva, advinha, vi partir em retirada pela enxurrada, caderno, livro e estojo pelo fundo da malinha rasgado pela umidade.

Tomamos outro pau. Em casa era sim. Na dúvida de quem foi o responsável pela merda, apanhava os dois. Era phuds!

Nossos pais trabalhavam e à tarde ficávamos sós, eu e meu irmão, 11 meses mais velho, com a única tarefa de fazer o dever de casa.

Um dia, após finalizar nossos afazeres escolares, enquanto eu brincava com bolinhas de gude no chão, meu irmão arremessava pequenas bolinhas de “papel amassado” na direção do lustre em forma de globo que ficava na sala. Ingenuamente, acho eu, pensei que o som do impacto de uma bolinha de gude seria maior que o das bolinhas de papel. Competição entre irmãos. Bastou um único tiro certeiro para moer o globo.

Lembro de minha mãe adentrar a casa poucos minutos depois deste extraordinário e imbecil feito dizendo:

  • Cadê meus anjinhos!

E menos de um segundo depois, ao ver os cacos de vidro no chão…

  • Puta Que Pareoooooooooooooooooooooo !

Conhecendo a fera, já aguardávamos nossa algoz dentro do banheiro com a porta fechada a chave. Eu e meu irmão havíamos combinado de só abrir a porta quando a leoa se acalmasse, porém o traíra abriu a porta e saiu gritando:

  • Foi o Mi! Foi o Mi*!

(*Mi era meu apelido de infância porque este infeliz não conseguia – evidentemente pronunciar o meu nome, tipicamente brasileiro, Wladimir.)

Recordando que a lei da casa era “na dúvida apanha os dois”, a porta mal se abriu e ele já tomou o primeiro Box e saiu dançando bolero pelo corredor. Eu estava encolhido feito um tatu bola protegendo a cabecinha avantajada ao lado do vaso sanitário, mas ao levantar o olhar vi um cinto entrar antes de minha mãe no recinto – cinto no recinto, sinto muito – que se transformaria em um octógono de MMA onde eu seria nocauteado no primeiro round e como prêmio de consolação ganharia o apelido de zebra pelos coleguinhas demoníacos, discípulos da irmã Leocádia, parente de Lúcifer.

Lembro de brincar muito no recreio (nome dado ao intervalo no colégio) ao ponto de esquecer de ir ao banheiro. Entrava na sala de aula e pedia para Santa Irmã Leocádia:

  • Posso ir no banheiro?

Com olhar de lobo a freirinha de 1,5 metro de pura cortesia respondia:

  • O recreio serve para isso também. Agora, se estiver apertado, faz nas calças.

Não levei a ordem ao pé da letra, porém o perigo real e imediato me fez sacar o “junior” e descarregar a urina direcionando o jato para frente. O desespero era tamanho que não me atentei a Nizinho, a coleguinha sentada na carteira à minha frente com a infeliz mania de manter seus pezinhos e perninhas com meias brancas ¾ do uniforme  recolhidos para trás, ou seja, praticamente em baixo da minha carteira.

Naquela época a escola era uma extensão de casa
Mil e uma utilidades

Não preciso contar o resto. Vou deixar para sua imaginação, mas o resultado foi, após o grito da “miguinha, conhecer de perto, bem de perto, pertíssimo, a régua de madeira Leocadiana e o caminho percorrido com minha orelha suspensa até a diretoria.

Mais um cacete maternal.

Lembro também de meu irmão ficar com uma pusta febre porque minha mãe não comprou um aviãozinho de plástico verde com as asas vermelhas ( e ele não torcia para a Portuguesa de Desportos, era corintiano e virou palmeirense, vai entender) que ele viu em uma vitrine a caminho da escola. A febre só cedeu quando nossa tia Zélia apareceu com o danado lá em casa e deu de presente pra ele.

Tivemos Forte Apache, Autorama Interlagos… meu irmão rasgou o saco em um prego espetado em um cabo de vassoura que ele acreditava ser o cavalo do zorro…pensando bem este zorro só trouxe desgraça pra nossa infância!

UM PUNZINHO NO ESCURO

Muita gente não sabe, mas iniciei meus trabalhos no universo da comunicação algumas décadas atrás trabalhando como ator.

Apesar desta carreira ter me conduzido até onde estou hoje, não é ela que atualmente paga minhas contas.

Como um polvo faminto, abri meus tentáculos e agarrei parceiros com experiências distintas em diversas áreas da comunicação e juntos criamos a OCTOWORKS, que vai muito bem obrigado. Sabemos que para se ganhar dinheiro como ator, ou em qualquer setor ligado a cultura e arte, é preciso fazer sucesso com o público e, para isso, você necessariamente precisa estar na mídia para ganhar visibilidade e consequentemente cair nas graças da galera.

Como sempre fui mais operário do que artista, onde me sentia esquisitão nos exercícios propostos nas aulas de teatro, como imaginar ser um feto na barriga da mãe ou uma árvore e outros bichos estranhos que tentaram embutir nesta carcaça que vos escreve, pensar em ter um nome artístico era insano pra mim, além do fato que iria chatear a família. Achava uma bobagem, pois sinto que primeiro o público se apaixona pelo personagem, depois pelo ator e só aí que resolve pesquisar o nome do cabra, portanto considerei que a mistura entre um nome russo – Wladimir – e um sobrenome italiano – Candini – eram mais do que suficientes pra fazer estrago na mente das pessoas. O mercado me abraçou pelo sobrenome e lá fui eu, Candini is my name.

Dinheiro de verdade ganhei fazendo publicidade e trabalhando no mercado corporativo, em eventos, vídeos institucionais, treinamentos e lançamento de produtos, mas baseado no resultado do meu trabalho no setor de entretenimento, deveria ter adotado o pseudônimo de “Modesto”.

Wladimir Modesto, Modesto Candini, não pela sonoridade ou pela numerologia, mas pelas participações que fiz durante anos alimentadas pela esperança de me ofertarem algo um pouquinho melhor em que eu pudesse interpretar um personagem que não fosse eu mesmo com figurinos diferentes, algo recorrente nos folhetins da Tv brasileira.

Passei pelo teatro, fiz novelas, séries de Tv, longa metragem e recentemente estreei uma série na Netflix.

O que elas tem em comum? “Modestas” participações. Daí a inspiração para o nome artístico. Uma participação “modesta”, mas quando você sente que o personagem tem representatividade e o texto lhe é convidativo para provocar algumas nuances na fala que caracterizem seu personagem, acaba nos levando a aceitar o “papel”, mas no meu caso a maioria tiveram um resultado final frustrante e vou descrever porque:

Fiz “Laços de Família” na Globo, uma participação “modesta” com o personagem Martins, mas ouvi nos bastidores que o meu nome fora ventilado para fazer a serie “Presença de Anita” logo após o término da novela. Me descreveram o personagem e parecia ser uma oportunidade interessante. Um personagem do começo ao fim. Ventilou tanto que a proposta se perdeu no espaço.

Após esta novela fui convidado pelo SBT para fazer a “Pícara Sonhadora”. Jesus é pai! Com este nome fui para reunião com 2 pés atrás, o terço na mão e minha agente a tiracolo. Sim, tive até agente. Ao conversar com o diretor de elenco sobre meu personagem, me pareceu interessante até falar sobre a grana. Ruim demais. Levantei e fui embora.

Anos depois recebi outro convite da Globo para fazer uma única cena na novela 7 PECADOS onde contracenaria com a fabulosa Elisabeth Savala. Humor puro e rasgado em uma cena de aproximadamente 3 minutos. Acreditem que 3 minutos é um bom tempo em cena. O texto de Walcyr Carrasco era muito bom e a cena divertidíssima.

Trabalhando com 2 câmeras fizemos a cena de primeira. Me lembro orgulhoso de Savala levantar-se à minha frente e me aplaudir de pé e, logo na sequencia, o diretor Jorge Fernando se aproximou e disse: Parabéns! Wladimir Candini, certo? Não vou me esquecer de você!

Até que para mim o resultado ficou bem bom. A cena ficou bem divertida, mas o Jorginho esqueceu.

Um diretor que não esqueceu de mim e parece que gostou do meu trabalho em cena foi o Zé Alvarenga. Me chamou para fazer um psicanalista na série de humor “Minha nada Mole Vida” e pouco tempo depois a serie policial – FORÇA TAREFA onde interpretei o “delegado safado Mauro Cesar”, morto com um tiro na cabeça no final da primeira temporada. De mim ele não esqueceu, mas ao longo da narrativa teve um pifão, porque logo depois, na segunda temporada, reencarnei como o Deputado Maurício. Vai entender.

A Globo só me ligava pra renovar o registro de atores aqui em SP (onde geralmente você contracena com um tripé cujo contraponto tem um desenho SMILE desenhado em uma sulfite presa com fita crepe na altura do seu rosto) ou para fazer participações. Percebi que neste namoro a emissora só queria passear comigo de mãos dadas pelo parque, porque me levar para o motel que é bom, não ia rolar.

Relacionamento é tudo e como não tenho um sobrenome de apoio que se faça presente nos bastidores, iniciei uma sequencia de “nãos” até que me esquecessem. Pelo menos por enquanto.

Pensei: Vou fazer cinema.

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Surgiu o primeiro convite: interpretar André Lara Resende no longa “Real, o Plano por trás da história”. O personagem era “modesto” mas forte no contexto histórico. Mas cá entre nós, para um ator isso não representa nada. A gente precisa é aparecer na tela para ser lembrado, mas refleti que estaria contracenando com atores consagrados e sob a batuta do excelente diretor Rodrigo Bittencourt. Mas novamente a decepção foi ver na tela que em minha principal cena o editor/montador, me deixou na maior parte do tempo em OFF (para quem não sabe OFF quer dizer só a voz).

Depois de um tempo recebi um convite vindo da querida Paula Chiaverini – responsável pelo casting do filme REAL –  para interpretar um personagem forte (segundo ela) em uma nova serie da Globo. Pela primeira vez após 30 anos trabalhando como ator ouvi a palavra protagonista, palavra que não faz parte do meu dicionário. Porém não rolou. Estava em andamento um processo em que havia sido convidado para dirigir um programa de TV com foco em educação em negociação para ir ao ar aos domingos no horário nobre pela rede Bandeirantes e, mesmo estando por trás das Câmeras, meu nome foi descartado pela política interna da Globo. Compreensível. O programa por alguma razão desconhecida desintegrou no meio do caminho e fiquei sem nenhum dos dois.

Foi quando recebi o convite para fazer um self tape (teste por celular) e enviar para a Boutique Filmes para uma nova serie da Netflix chamada “Onisciente” onde eu faria o advogado Henrique, um dos poderosos donos da empresa que leva o mesmo nome da serie. Pensei: Opa! Agora vai! Fui aprovado, mas quando recebi os roteiros percebi que novamente minha participação seria “modesta”. Não foi.

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A serie estreou recentemente e resolvi me auto-prestigiar assistindo ao primeiro capítulo onde se concentra minha cena mais longa, mas ao assistir me frustrei novamente ao ver que 70% da minha fala ficou em OFF bem ao fundo (BG), quase um zzzzzzzzzzz sobreposta pelos pensamentos da personagem principal. É claro que dentro da narrativa faz total sentido, mas para quem gostaria de ver o próprio personagem em cena, foi brochante.

Resolvido: não quero mais brincar disso. Ou me oferecem um personagem de verdade que fará parte da narrativa ou vou pro Big Brother me aliar ao PIONG e atear fogo no cenário (rs). Para selar minha decisão, dia desses recebi o convite para interpretar o governador Geraldo Alckmim. Será que é agora? Uma serie política? Não, a história do Silvio Santos. Respirei fundo e busquei na memória a relação de ambos e lembrei da intervenção do governador no sequestro da filha do todo poderoso do SBT, ou seja, mais uma “modesta” participação. Agradeci e mandei educadamente um NÃO em caixa alta.

Com este histórico de “modestas” participações cheguei a conclusão que mesmo recebendo elogios pelo meu trabalho como ator, onde cheguei a ser aplaudido em cena aberta por diversas vezes no teatro, com rasgação de seda de alguns diretores consagrados, agências de atores me colocando no pedestal, produtores de elenco me tratando como estrela, aquelas escondidas atrás das constelações, percebi que o pessoal da edição gosta mais da minha voz do que da minha presença na tela, a propósito, ganhei muito mais dinheiro como locutor do que como ator. Menos mal. (Rs)

Me senti um peido no escuro, onde você ouve mas não sabe quem foi o autor da obra.

O primeiro tratamento de canal a gente nunca esquece

A cadeira de um dentista ao longe parece confortável. Cores claras, reclinável, abajourzinho sobre a cabeça, mas…quando o tema em questão é dente, este estofado se transforma rapidamente em uma câmara de tortura e a dentista em sua carrasca.

Anestesia dada, 3 picadas transversais diga-se de passagem, ela solta a seguinte frase delicada:

  • Vou colocar uma pequena manta de borracha pra isolar o dente e deixa-lo mais confortável.

Na sequencia enfiou algo do mesmo material usado em bexigas de festinha na minha boca que ainda cobria parte do meu nariz. Naquele momento achei que poderia ser um sequestro. Anestesiado e com decoração de buffet infantil atolada na minha boca, coisa boa não era.

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Eu não conseguia olhar nos olhos da minha algoz que trabalhava ferozmente no interior da catacumba. De dentista a arqueóloga foi um pulo. Queria entender porque os dentistas fazem perguntas à você quando se é impossível falar com alguém debruçado sobre sua arcada dentária escancarada e ainda com uma bexiga, ferramentas e sugador de saliva.

Aliás este sugador te remete a imagem de um peixe fisgado e que, anestesiado temos a sensação de estar babando sem parar, porém enviei mensagens telepáticas a doutora cirurgiã dentista acreditando que fizesse a leitura de sinais referentes a dor que meu corpo expressava: pezinho se contorcendo, pressão dos braços sobre a barriga e por final, a lagriminha escorrendo pelo olho direito, mas nada deteu aquela impiedosa mulher focada no objetivo de consertar o estrago no meu dente do siso.

dentista 4Isso mesmo. Foi no siso. Lá atrás. O último da fila. O mais jovem do time, mas atualmente na meia idade também.

De repente ela saca de um envelope a minha panorâmica e examina o raio X. Não consegui evitar o humor negro e pensei:

“Pronto, ela detonou o dente errado!”

Por Deus, foi só pra conferir e seguiu em frente.

 

Quando achava que a sessão de tortura estava no final, ela enfiou na minha boca algo semelhante a um esmeril, depois massa, novamente o esmeril. Me senti em uma oficina de funilaria e pintura. Só faltava o polimento. Após ela dizer que havia terminado, ainda ficou mais uns 10 minutos na cavocagem.

Quando ela mandou a VAP, disse:

  • Faz o bochechinho e cospe. Acabou.

Voltei a respirar aliviado. Havia sobrevivido. Saí da sala ainda anestesiado. Minha boca estava tão torta que ao me olhar no espelho vi o Silvester Stalone.

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Os carrascos da idade média usavam capuz antes de executar o condenado a morte, mas no caso dos dentistas, não precisam, porque apagamos a imagem deles logo após pisarmos fora da sala de tortura que carinhosamente eles chamam de consultório .

A Hora de prospectar

Durante anos trabalhei prestando serviços para algumas produtoras, oras como diretor, oras como roteirista, como locutor, como ator* ou assumindo múltiplas tarefas para tentar garantir um cache melhor. É assim que atualmente nos mantemos no setor de produção audiovisual, onde o desenvolvimento crescente de novas tecnologias, transformou pré adolescentes em cineastas. Pelo menos é o que pensa e nisso se apegam alguns diretores de empresas no momento de análise do orçamento enviado para produção de um video.

Você apresenta seu REEL com alguns trabalhos de altíssima complexidade de produção e o cara diz: Meu filho fez algo parecido com isso…

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Este ano, no meio do tsunami econômico que jogou 13 milhões de pessoas na busca por recolocação profissional (nome bacana para suavizar a palavra desempregado), passei a duras custas e contra minha vontade por um ano sabático. Trabalhando todos os sábados (rs)…domingos e feriados também! Mas não se iludam os desempregados dizendo “sorte sua”, pois não foi trabalho remunerado. Foram 12 meses de estudos e pesquisas para me adaptar as novas mídias e respectivos interesses do mercado digital.

Cheguei a conclusão que produção por si só perdeu valor, a não ser que esteja amarrada a uma ótima ideia que trará solução apresentando um conteúdo de qualidade. Baseado nesta afirmativa, desenvolvi um nicho de produção e agenciamento de influenciadores buscando ofertar mídias que pudessem alcançar bons resultados para marcas. Me associei a gente boa, gente talentosa e com estofo para gerar o tal do conteúdo de qualidade que pudesse atrair o interesse em diversos segmentos e para públicos diversos.

Pronto! Pensei comigo. Agora estou armado e apto para entrar no campo de batalha novamente.game-of-thrones-weapons

Nada dissooo!

Quando você passa de freelancer à empresário, com CEP e tudo, novas incógnitas surgem!

Por exemplo:

Antigamente (palavra usada pelo povo vintage como eu) a prospecção era feita por telefone e ao falar diretamente com o responsável (sem trocentos filtros), conseguíamos – pelo tom da voz ou pelo andamento da conversa – sentir interesse e agendar imediatamente a data para apresentação detalhada de nosso negócio ou projeto. Agora, telefone virou invasivo. As pessoas preferem e-mails, mensagens de texto, e com isso inflacionam os custos dos pacotes de dados. Por mim, tudo bem contanto que o outro lado se lembre que não temos bola cristal e muito menos capacidade mediúnica, portanto uma resposta deste e-mail me parece evidente! Claro, que após alguns bons anos de experiência, quando esta resposta é praticamente monossilábica, do tipo – RECEBIDO – sabemos que deste mato não sairá coelho, quanto mais dinheiro.

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Atual principal expertise do profissional de prospect: Ser Médium

Outra forma de prospecção pode ser feita através das mídias sociais profissionais, como o Linkedin ou pelas fanpage das empresas no Facebook. O que não entendo é, porque alguns profissionais lhe aceitam em suas network e ignoram sua tentativa de contato? Será que elas acreditam que fiz contato porque gostei da fotinho do avatar ou tenho admiração pelo cargo que atualmente ela exerce e serei um bonequinho para dar likes em seus posts como forma de aproximação? Para que aceitar a minha inclusão na sua rede de relacionamento? Talvez para aumentar o tamanho de sua Network que na prática irá usar quando estiver desempregado…ops…em busca recolocação profissional?

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Dias atrás conversando com um amigo publicitário sobre a falta de ética de alguns profissionais, chegamos a conclusão que prospectar novos clientes competindo com os “Brothers” é quase impossível. Ele comentou sobre uma concorrência aberta após a troca de comando de uma empresa que atendia com muito sucesso há anos.concorrenciadesleal

O novo todo poderoso, mesmo confrontado por sua equipe satisfeita, que lhe apresentara os resultados excepcionais da atual agência, insistiu que a concorrência iria acontecer.

O procedimento dava indícios de brasileridade com carta marcada, mas mesmo assim a agência cumpriu seu papel e se empenhou ao extremo para vencer o braço de ferro.

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No dia marcado para concorrência das campanhas, durante a apresentação da agência em questão, que entusiasmava os presentes pelo brilhantismo da proposta, o Big Boss – fortalecendo as suspeitas – não se dava ao luxo de tirar os olhos de seu celular para sequer olhar de soslaio para pelo menos um dos slides. Discrição e respeito ZERO ! Ao final da apresentação, elogios quase unânime pela proposta apresentada, DEUS isolado, continuava brincando com seu smartphone  e ignorava o furor a sua volta. Porém, um frase dita estratégicamente ao final do speach, fez com que levantasse os olhos na direção do proscênio, arregalasse os olhos e expressasse facialmente um “FUDEU” que quase o derrubou da cadeira: Custo zero! Fariam tudo de GRAÇA!

Aplausos! Gritaria! Euforia generalizada na sala!

BINGO! Adivinhem o que aconteceu? Eles perderam a concorrência do mesmo jeito.

Brother é brother. Esquema é esquema. Sacanagem é sacanagem. O resto é resto.

*Apesar de ter realizado meu último trabalho como ator em uma modesta participação no longa REAL – A História por trás do Plano (2017) – atuar virou prazer e não mais ofício, pois não existe no mundo profissão mais desequilibrada, cujos protagonistas não conseguem separar a busca pelos aplausos da relação comercial com valorização do trabalho lúdico, o que os transforma em eternos figurantes.

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SENTANDO NO COLO DO PAPAI NOEL

Após um ano batizado de “ressaca”, o mercado em alguns setores parecem dar sinais de melhoras. Parecem! Um pequeno respiro, mas o suficiente para ganhar oxigênio e tentar superar um 2018 que traz na bagagem uma copa do mundo e eleições.

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A disputa nos gramados e os déspotas tentando se manterem no poder. Entre uma arena e outra, a copa do mundo de futebol geralmente é usada e lambuzada neste Brasil varonil para maquiar a sequência de falcatruas políticas lançadas nos momentos de euforia. Nosso país aparece novamente como forte candidato ao título. Preocupante, pois isso significa que enche de esperanças a corja de malfeitores preparados para abrirem a caixinha de maldades no momento do êxtase de um gol marcado. A cada gol, a cada grito de esperança doído na garganta de cada brasileiro honesto, abre espaço para um oportunista nos levar a carteira, atualmente recheada de débitos.

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Este é o retrato do político brasileiro. Dos caras que na teoria deveriam trabalhar pelo povo e para o povo, mas ignoram a regra moral, e na prática surrupiam a palavra “povo” do dicionário do então candidato, no exato momento em que assentam as nádegas de suas bundegas na cadeira de comandante eleito.

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Esta é a situação de um país de cultura limitada, presa ao umbigo de cada indivíduo. O meu, após a retirada de uma hérnia umbilical, mal aparece.

8f7c81d8_dc6d_4803_8cde_e9b985488025-6019Trilhões são arrecadados em impostos e não é suficiente para pagar as contas do país cujo custo da máquina pública está ancorado em cabides de empregos amarrados a acordões políticos. Agora nossos larápios de plantão querem privatizar empresas estratégicas para controle do país, como energia por exemplo, ao invés de acabarem com mordomias de dar nojo as baratas.

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tio-samImaginem nossa energia nas mãos dos chineses ou dos americanos que manipulam nosso país como marionete. Ou você realmente acredita que nossos principais players (petróleo, construção civil e agronegócio) foram explodidos a toa? Claro que chegou a hora de limpar o beco e acabar com os ratos, mas o caos generalizado foi financiado pelo American Way of life para beneficiar os interesses econômicos do Tio Sam. Uma teoria da conspiração baseada em análise de situação, feita por “moi”. (mim em francês – pra ficar mais chic).

 

Nosso Papai Noel está mais magro, mas acomodará à todos sobre um enorme saco cheio.

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O TAL DO BUDGET

O mercado publicitário e o marketing ( o nome já ilustra) resolveram americanizar a língua brasileira.

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Análise geral virou “over view”, público alvo virou “target”, reunião de criação é “Brainstorm”, aí vem “feedback”, “recall”, “brandings”, “branded content” e demais “expressions” que só fazem sentido  se o cliente for gringo, mas sabe-se lá porque, criaram o publicitês. Talvez sonhassem em ganhar em dólar no Brasil, sei lá!

Uso-de-palavras-estrangeiras-na-Publicidade-2-370x200Outro dia recebi uma mensagem de uma agência que havia enviado um pedido de orçamento e me alertou por mensagem de texto com um ASAP! Na hora fiquei perdido e achei que o corretor do aplicativo tinha dado um gato na palavra e questionei com um interrogação. Resposta para ASAP: “As soon as possible”, ou XEJA, o mais breve possível.

AH! Vai TNC !

Isso tudo pra falar do tal do “Budget”, que nada mais é do que um orçamento!

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Semana passada abordei em meu artigo sobre “briefing” e contei alguns “causos”, e hoje não será diferente.

 

 

Tempos atrás, quando nos reuníamos com o departamento de comunicação de alguma empresa ou com sua respectiva agência que necessitava produzir um vídeo ou um filme publicitário, sentávamos com os criativos e diretores de arte e estes nos apresentavam uma campanha amarrada a um conceito ou uma necessidade específica, e juntos buscávamos uma linguagem que adequasse a todo aquele estudo e se adequasse a verba destinada para isso.

Aí surgiu o youtube e com ele as “referências”. Meus amigos vocês não fazem ideia o tamanho da preguiça que este fato gerou em algumas cabeças criativas.

Os caras agora te mandam o “tal do briefing” (post anterior) com algumas referências do youtubiu e um pedido de orçamento. O problema é a imprecisão, pois a referência está mais ou menos próxima do real desejo do cidadão que novamente não sabe bem o que quer. No fundo ele assistiu a “tal da referência” (talvez o próximo post) e daí teve a brilhante ideia de adaptá-la para sua necessidade, se é que existia alguma, pois muitas vezes nossa vivência percebe não fazer o menor sentido o pedido em questão. Aí o cafotografia-flarera te manda um filme produzido 100% em “stop motion” (mais uma palavrinha gringa), mas não quer que façamos nesta linguagem, compreende muchacho? Manda outra referência cuja fotografia é a bola da vez, com o tal do “flare” (mais uma) que é aquela luz frontal direta na lente da câmera para criar um efeito de brilho. (Tem dezenas de comerciais como este no ar, é a modinha do momento).

De cara sentimos que estas 2 referências juntas são no mínimo esdrúxulas.

Aí você pergunta: Posso ver o roteiro? E o cabra diz: Ainda não começamos a produzir.

Traduzindo: Não existe.

Nada se orça antes de analisar um roteiro!

Quando eu digo que para atuar em determinados mercados você precisa desenvolver sua mediunidade, ninguém acredita.

Outro probleminha é a tecnologia. Como hoje todo mundo tem um celular que filma com qualidade e edita em seus variados aplicativos, tudo parece muito fácil e isso nos proporciona ouvir pérolas enquanto apresentamos nosso “reel” (outra pro6 – edição de um portfólio): o meu filho fez algo assim no final de semana .

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Certo dia recebi um telefonema do departamento de comunicação de uma empresa aparentemente interessados em produzir seu primeiro vídeo institucional . Eu costumo chamar de prostitucional, pois fazemos pelo dinheiro e não pelo prazer. Como tratava-se de um cliente virgem no audiovisual, a primeira coisa que perguntei foi sobre o “tal do budget”, pois é o valor disponível de investimento que nos orienta a criar um roteiro mais ou menos complexo.

Bom, segundo ele não existia um valor pré-definido e pediu que apresentássemos uma proposta. Como ele mensurou a necessidade de gravar em 3 plantas fabris localizadas em outras cidades, imaginei que a verba ou o “tal do budget” existia de fato. Não estou certo, mas na época chegamos ao valor de 60 mil reais estimando 4 diárias de captação.

Para se apresentar um orçamento, destinamos boas horas de trabalho entre pesquisas, discussão de proposta criativa, linguagem e por fim cálculos para chegarmos ao número.

Acreditem estava muito enxuto este orçamento. Enviei e logo em seguida liguei para discutir nossa proposta e sanar qualquer dúvida, pois o cidadão tinha urgência e experiência zero.

Ao dizer alô, ouvi1305: Você tá louco! Pensei em gastar 3 mil reais! Ou XEJA, ele tinha um valor em mente e se eu soubesse que era isso que ele pretendia investir, teria indicado o filho do meu vizinho de 10 anos para rodar com seu Iphone!

Respirei fundo e logo em seguida veio a segunda frase: O que posso fazer com 3 mil reais?

Resposta: UM MIOJO !

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PELOS PORQUE TÊ-LOS

Como as coisas mudam. Antigamente, pelos eram sinais de masculinidade, hoje as meninas fazem cara de nojo para os pelucios!

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Sean Conery, o maior representante da história dos James Bond , se fosse hoje seria depiladão para fazer o espião dos tempos modernos.

 

Atualmente todo mundo se depila! Até a floresta amazônica está sendo desmatada.

Carecas e não carecas, raspam a cabeça, as axilas e demais regiões. Economia, modinha ou preguiça de se pentear, o número de  “despelados” aumenta dia a dia.

Talvez seja essa a representação do futuro prevista em alguns livros e filmes de ficção científica que demonstram seres mais evoluídos ou mesmo ETs, lisinhos como ratos de laboratório. Você já viu ET peludo?

 

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Pior que tem e é famosão!

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Me lembro que quando menino perguntava a meu pai: Quando eu crescer, o meu peito vai ser cabeludo igual ao seu? E ele carinhoso respondia: Claro moleque. Todo homem tem o peito cabeludo. Os filmes dos anos 70, os galãs apareciam sempre com a camisa desabotoada para mostrar a cabeleira .

 

 

O tempo passou, as primeiras penugens surgiram no meio do peito em forma de cavanhaque de bode e aos poucos foram preenchendo minha caixa torácica. O que eu não previa é que este mesmo tempo derrubaria meus cabelos e novos pelos surgiriam em outros lugares em forma de tuchinhos.

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As costas viraram um pequeno pomar. Do nariz brotaram chumaços de salsinha e cebolinha e na orelha uma semi floresta bloqueia a entrada do cotonete. Alguns homens se transformam em verdadeiros lobisomens. Tony Ramos, por exemplo. Ramos mesmo. O papai urso, representante máster dos peludões foi proibido de tirar sua camisa em público para manter a audiência.

 

Os nadadores se depilam alegando melhora na hidrodinâmica. De qualquer forma o cara que limpa a piscina agradece. Jogadores de futebol, lutadores de MMA e demais atletas = Zero pelo.

images Pois bem, mas qual a função do pelo? Pra que serve esta merda? Se nascemos com eles, alguma função deve existir, afinal de contas nosso criador é perfeito! Certo?

Segundo o wikipedia: Também denominados “hastes queratinizadas”, os pelos têm origem epidérmica e são constituídos por queratina. São construídos pelo folículo piloso e possuem diversas funções, como por exemplo a de fornecer proteção mecânica e térmica.

Térmica eu entendi, mas depois que inventaram os casacos, nossas “hastes queratinizadas” perderam suas funções, mas o que quer dizer “proteção mecânica”? Os pelos evitam que alguma parte do corpo deixe de funcionar? Se for isso, depilar a virilha não parece uma boa ideia.

fotos-de-charles-darwinSeguindo a teoria evolutiva de Charles Darwin, as espécies ganham novas características através de suas necessidades e são transmitidas geneticamente. Talvez agora temos a justificativa para a previsão de que no futuro todos seremos lisinhos feitos cascas de melancia.

Piolhos, chatos e outras pragas tendem a limitar seu número de residências nos seres humanos.

Mesmo não querendo, fiquei careca por hereditariedade e entrei na modinha, mas o meu maior desafio é depilar as costas. Cera quente é usada por gente descerebrada em centros de tortura medieval, portanto devemos usar da tecnologia adquirindo as prolongas depilatórias (nem sabia que existia) ou fazemos contorcionismo circense para tentar minimizar o tamanhos dos “tuchinhos” com a maquininha elétrica –  correndo o risco de travar a coluna – ou para quem tem, aproveitar a boa vontade das filhas – o que é raro – para auxiliarem no serviço de jardinagem. No peito dou uma baixadinha no tamanho para evitar que se exibam por entre os botões da camisa. Visualmente deselegante. Concordo.

Enfim,  o mundo muda, mas é cíclico e tudo pode voltar. No caso dos pelos, acredito que a teoria de Darwin será aplicada e nossas “hastes queratinizadas” serão extintas pela evolução do homem.

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AS ENTRELINHAS DAS PALAVRAS MALDITAS OU MAL DITAS

Não sei de onde vieram alguns vícios de linguagem, mas para aqueles que gostam como eu de tentar entender o que não é para ser entendido, gostaria aqui de fazer uma pequena reflexão sobre algumas palavras ou frases empregadas pelo impulso de repetição no excesso de seu uso.

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Por exemplo:

Se vocês repararem, 99,99% dos youtubers começam seu vídeos com “FALA GALERA!” . Mas você sabe qual a origem da palavra “galera”? Galera era a área localizada nos porões das antigas embarcações movidas a grandes remos, onde escravos eram acorrentados e obrigados a doar toda sua força física para mover a nau. Não sei qual a relação, mas no futebol, a analogia foi feita para dar nomenclatura a torcida! Talvez pela aglomeração ou fanatismo que os transforma em escravos do time de coração? Talvez. Mas e no caso dos Youtubers? Escravos do belo conteúdo apresentado pela minoria? Sei lá!

Tem outras 2 palavrinhas que são comumente usadas em início de frases que para mim representam a abertura de uma pusta desculpa. Prestem atenção quando ouvi-las e reparem no que virá depois. Ei-la: VEJA BEM. Geralmente elas estão atreladas as entrevistas dadas por políticos quando encurralados pela imprensa. Significa que você tentará explicar o que é inexplicável, manja?

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Outra que representa uma baita contradição é: NA VERDADE… Pô, péra aí! Se após uma super tentativa de explicar algo você manda um “Na verdade…” significa que tudo que disse anteriormente era mentira?

file_54130a768724bO problema destes vícios de linguagem é que muita gente quando não entende direito ou não é chato o suficiente como eu, acaba cometendo deslizes criando verdadeiras pérolas de dar nó na cabeça de gringo que está tentando aprender nossa língua, cuja gramática sabemos ser extremamente complexa.

Certa vez estava eu sentado ao fundo do busão, quando ao meu lado um profeta disse ao seu “colégua”: Eu acho expecionante” as pessoas que perdem oportunidades. Se eu fosse ela, agarraria com as “unhas dos dentes”!

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Tem coisas que quando ditas e captadas por ouvidos demoníacos como os meus não passam despercebidas e preciso compartilhá-las pois retrata a falta de investimentos em educação no nosso país. Por outro lado, descobri um hobby que é anotar tudo no meu caderninho de maldades.

Que tal: “Exploradicamente”, “Feijão torpedo”, “Pudim de leite condenado”,Não adianta chorar sobre o leite desnatado”! Ou você morre de rir ou mata o infeliz ignorante na porrada! Coloco entre “aspas” para evitar que elas escapem e poluam sua HD.

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Faltou: Lagarto e não “Largato”

Haja capacidade para tanta “ingnorança” !

A língua portuguesa não é fácil e muda seus padrões de estado para estado. Quase um dialeto. Imaginem um turista alemão ou americano que se esforça para aprender nossa língua e chega no nordeste e escuta um “simbora mais eu” ! Ou no Rio de Janeiro onde o “O” tem som de “U”. Por exemplo: TUMATE. Caramba, se tomate é “tumate” quer dizer que a Xuxa é Xoxa?

Em Pernanbuco, a gente é “ARRENTE” e após uma pergunta feita a um cidadão local ele inicia a frase com “PRONTO” ! Qual seu nome? R: Pronto. João.

Pra nós brasileiros isso é maravilhoso pois retrata a diversidade cultural do nosso Brasil, mas para quem é de outro país tentando aprender nossa língua é de dar um nó no “célebro” e tudo é uma “questã” de “estendimento”, certo?

Preconceito linguistico

Maravilhoso? Será? humm