ATÉ O ENGANO SE ENGANA

Não quero ter razão em um planeta onde até o engano se engana.

Portanto abro aqui uma discussão que nos permita fazer uma reflexão e juntos tentarmos chegar a uma conclusão.

Tenho uma opinião formada a respeito e vou descrever a minha teoria.

Se quatro linhas escritas até aqui já cansaram seu dilacerado e quase inexistente cérebro preguiçoso, saiba que você é a razão deste estudo.

Tudo o que escrevo é baseado em uma análise comportamental feita por mim, dentro do meu ponto de vista limitado quando comparado a psicanalistas e ao CHAT GPT(rs), mas acredito que qualquer ser humano sensível, consciente, com uma certa experiência de vida e com a sanidade mental em dia terá condições de entender o que estou enxergando neste momento tão nebuloso do planeta, onde até o Orkut está ressuscitando!

ORKUT REBORN? Deus pai nos proteja!

Pensem comigo:

O cérebro é um musculo que como qualquer outro, quanto mais trabalhado, mais exercitado, mais se desenvolve. Mas este computador natural que carregamos sobre o pescoço e que comanda todas as nossas articulações, quando estimulado pela busca do conhecimento, nos conecta a criatividade, que está associada a autenticidade, a originalidade que encanta os olhos e nos faz sorrir.

Dentro deste processo que segue uma lógica natural, as agências de publicidade quando recebiam um cliente com o desejo de lançar um produto no mercado, mandavam de bate-pronto a seguinte pergunta:

“QUEM É O SEU PÚBLICO”?

Baseado na resposta, dava-se início a uma pesquisa relacionada ao comportamento específico dessas pessoas para posteriormente lançar ao departamento de criação, onde inúmeras ideias seriam colocadas à mesa e seriam transformadas em uma campanha certeira. Profissionais estes que recebiam altos salários, porque a ideia é o bem mais precioso do planeta!

Concorda? Eu estou certo disso.

O mundo das ideias está disponível para todos e você não precisa ser pós-graduado em nada para acessá-las, saiba disso. E antes que pense em vociferar algo sobre Inteligência Artificial, saliento que ela só existe graças a ideias resgatas por seres humanos brilhantes com seus cérebros frequentadores das academias do saber.

Então vamos agora a uma análise do comportamento atual:

As redes sociais são atualmente o principal meio de comunicação. Basta levantar a cabeça…isso mesmo, tire os olhos do seu celular e veja ao redor!

Celulares grudados nas mãos das pessoas como se fosse um novo membro! Seguindo a teoria de Charles Darwin sobre a evolução das espécies, em alguns anos nossas mãos terão formato de suporte para celular ou nasceremos com um grudado em nosso corpo.

Baseado nessa observação, onde atualmente as pessoas dedicam boa parte do tempo bisbilhotando o que os outros fazem, surgiu uma palavrinha que particularmente tenho asco: Referência!

A tal da referência nada mais é do que uma boa ideia tirada de uma das caixinhas disponíveis a todos, mas que apenas uma minoria acessa e que ao gerar impacto, uma maioria sente um desejo doentio de adaptar ou copiar para seus objetivos, sejam pessoais ou profissionais! São os engenheiros de obras prontas que copiam a ideia alheia e se apropriam sem o menor pudor, dispensando o valor da originalidade e da autenticidade.

Está aí a diferença entre um influenciador e um influenciável. Um é criador e o outro plagista*, ou seria plagINSTA!

*Plagista é a pessoa que comete plágio, ou seja, que copia ou imita o trabalho intelectual de outra pessoa (como textos, músicas, imagens, vídeos, ideias, etc.) sem dar o devido crédito ao autor original, apresentando esse conteúdo como se fosse seu.

Para que fique claro pra quem passa o dia na caça de reels e stories de perfis que lhe interessam, ou não, e tudo o que lhe encanta gera uma vontade quase doentia de reproduzir no formato COPIA E COLA, mesmo que nada tenha a ver com o perfil do seu produto, você é o influenciável gerador de coraçõezinhos nas redes dos outros que ao invés de trabalhar com a autenticidade do seu produto, colocando o cérebro para funcionar, pensando (função cerebral) em reproduzir o que ele tem de melhor, algo associado a verdade e com isso lhe dará credibilidade, vejo muitos personagens se transformando em palhaços (no sentido pejorativo e não nos grandes artistas que são) simplesmente para agradar o tal do algoritmo em busca de engajamento e novos seguidores e com um futuro promissor nas prateleiras da mediocridade.

Mas quem você está engajando dentro do seu real interesse? Aliás, qual é o seu objetivo com isso? Seguir uma trend**? Que seria a mesma coisa que gado de manada que vai para onde todos vão.

**“trend” é uma abreviação da palavra em inglês “trend”, que significa tendência. Uma trend é qualquer conteúdo, formato ou comportamento que ganha popularidade rapidamente e é replicado por muitas pessoas.

Então, voltando para a pergunta citada no início da linha de raciocínio, QUEM É O SEU PÚBLICO? – Ter 6 milhões de seguidores no tiktok não significa que irá conseguir vender, por exemplo, 6 milhões de livros ou te eleger para Presidente da República! Da República das bananas, talvez, pois este público não lê.

Vou dar outro exemplo baseado no gado de manada COPIA E COLA.

Repare na atual linguagem, principalmente dentro do universo corporativo. Escrevem e se comunicam como androides exorcizados pelos coachs dos infernos. Mesmas palavrinhas da moda, avatares deles mesmos.

Desafio você a ler qualquer artigo no Linkedin e não encontrar um único texto que não tenha as seguintes palavras do dicionário do capeta:

Jornada, legado, alinhar, agregar valor, ressignificar, repaginar, procrastinar, narrativa, propósito, missão, visão, valores, resiliência, desafios, aprendizado, conteúdo, inteligência emocional, gestão, desdobramentos, demanda, colaboradores,  empatia, conectar, gatilho emocional, disruptivo, aleatório, inspirar, experiência, profissionais altamente qualificados, quebra de paradigmas, referência, devolutiva, feedback, ruptura, consolidar, pilares, parceria, acolhedora, correria, resolutiva, pujante, efetivo, assertivo e pra acabar com meu dia concluem com GRATIDÃO!

Sem falar das gírias “zapeanas” como: galera, bora, beleza, tamo junto, top, é nóis, fechou etc.

Sinto que o mundo está chato. As pessoas estão robotizadas no jeito de falar, de vestir, de se comunicar. Na moda seguem tendências criadas sabe lá Deus por quem, decidindo o que você deverá vestir para fazer parte da tribo. Não uso LOOKS. Eu visto jeans, camiseta e tênis seguindo o estilista chamado “conforto”.

Criam rótulos pra tudo. Nomenclaturas criadas para DEZENAS de gêneros ao invés de simplesmente falar de SERES HUMANOS. Siglas pra todos os lados como se todos fossemos obrigados a saber que raios significam.

PENSEM:

FAKE NEWS surgem porque, seguindo uma análise de comportamento, existem pessoas facilmente influenciáveis que reproduzem notícias sem checar se a informação procede. Ações como estas nascem de cérebros em pleno execício de suas atividades que usam em benefício próprio, independente de fazer o mal consciente. Pessoas que deitam e rolam em cima dos sedentários mentais seguidores de “trends” ao invés de serem criadores.

Autorretrato, infelizmente mais conhecido como SELF, na frente de um espelho, dentro do meu ponto de vista, talvez cansado pelo vazio, revela um momento problemático de autoafirmação entre jovens e tardia para alguns adultos que lutam contra a dignidade da maturidade.

Para encerrar o tema relacionado a predominância de uma civilização influenciável, propositalmente usei palavras em inglês para mostrar o momento em que vivemos de desvalorização da nossa própria língua. Sinto que devemos combater este estrangeirismo contagiante que destrói a nossa cultura, as nossas origens. Palavras como a citada acima, Fake News, Self, Feed Back, Sale, Off, Shopping Center, Cash Back e centenas de outras que habitam na boca das pessoas que sequer falam o idioma.

Luto contra este sintoma, mas não nego que automaticamente uso.

Minha conclusão: Devemos trabalhar melhor nossas virtudes, nossos valores individuais para reencontrar o nosso eu perdido no meio de tanta futilidade criada pelo mundo digital.

Busque sua autenticidade sendo simplesmente você. Estude, pesquise e trabalhe em cima do útil ou interessante fazendo aquilo que gosta.

AS ESTRATÉGIAS DE CONSUMO QUE ESTÃO ACABANDO COM O PLANETA

Recentemente senti um desconforto quando precisei comprar uma resistência de um chuveiro elétrico e me deparei com um valor que correspondia a ¼ de um chuveiro novo.

Inconformado, comecei a refletir sobre o comportamento das empresas que estrategicamente fabricam seus produtos com peças essenciais projetadas para ter pouca durabilidade, aumentar o consumo e gerar alta lucratividade na venda de seus componentes.

Não é preciso exercitar seu cérebro para saber que uma resistência fabricada em plástico injetado com 3 molas vendida em média a 45 reais a unidade possui uma margem de lucro astronômica.

Hoje você compra uma impressora por menos de 800 reais, mas quando precisar substituir os cartuchos de tinta, toma uma bordoada de 225 reais no meio dos rins. Uma bordoada contínua.

O mercado automobilístico também atua forte neste compromisso. Os carros mal saem de fábrica e pouco tempo depois as lâmpadas começam a queimar.

Assistindo ao documentário A CONSPIRAÇÃO CONSUMISTA (indico), o filme revela, entre outros temas, em meados dos anos 1920, a criação de um cartel que reunia os grandes fabricantes de lâmpadas do planeta (chamado de PHOEBUS) decidindo diminuir o tempo de vida de seus produtos para aumentar o consumo e consequentemente seus lucros.

A sacanagem…ops, a estratégia comercial, é generalizada em diversos outros produtos eletrodomésticos e eletrônicos fabricados para não serem consertados e sim, substituídos.

Produtos que duravam uma vida, hoje tem data de validade programada.

O documentário aborda as sacanagens…ops…estratégias de consumo e a criação de dispositivos mentais que induzem o consumidor a comprar, comprar e comprar sem precisar, gerando um volume de desperdício visível em toneladas de lixo tóxico espalhadas pelo planeta, indicado como forte responsável pelo crescimento de doenças letais, como câncer, por exemplo.

Aborda também a mentira sobre as embalagens recicláveis (que não são recicláveis) – estampadas em rótulos com iconografias camufladas – e responsáveis pela degradação do meio ambiente e alterações climáticas, muitas vezes despejadas nos oceanos e virando alimentação de peixes que chegam as nossas mesas. Peixe sabor plástico biodesagradável.

A indústria da moda, antes com duas etapas de lançamento, primavera-verão e outono-inverno, agora nos traz a FAST FASHION, um modelo de negócio que se concentra na produção de peças de vestuário em grandes quantidades e o mais rápido possível, em resposta às tendências atuais…aliás criam tendências baseadas sabe lá Deus como, e uma manada imbecilóide segue comprando camisas verdes com bolinhas vermelhas sem o bom senso para descobrir que o transformam em adereço de natal prontos para o próximo desfile de carnaval.

Quem ainda não assistiu, assista A CONSPIRAÇÃO CONSUMISTA, disponível da NETFLIX. Vale a pena a reflexão. Não fique frustrado em se ver no filme, só mude seu comportamento.

https://www.netflix.com/br/title/81554996

Você é viciado em celular?

O que leva um ser humano (me desculpem os humanos de verdade) a se desconectar dos relacionamentos pessoais e mergulhar no mundo digital em busca de um enxoval de futilidades disponíveis nas redes sociais e também perder o equilíbrio racional que controla o discernimento do instinto de urgência e emergência que o leva abrir imediatamente o aplicativo de mensagens para visualizar algo que poderia esperar você acabar de se alimentar, de conversar com seus amigos, estacionar seu carro ou sua moto e diversas outras situações, porque se for urgente, um ser humano normal, liga pra você imediatamente.

Se o texto acima é complexo demais para o seu entendimento, segue uma tradução popular:

O que você tem na cabeça além de merda?

Já vi gente tropeçando em calçada, batendo cabeça em poste, trombando com pessoas sobre a faixa de segurança, sendo atropelada, atropelando, caindo de moto, batendo carro, perdendo filho pequeno em shopping…., mas o “mardito” do celular, esse ele não perde e surta se acabar a bateria!

Dia desses uma pessoa me ligou e ao invés de falar comigo disse:

  • Visualize a mensagem que te mandei!

Ou então:

  • Nossa! Você não viu no insta o que ela postou?
  • Não.
  • Ah! Não acredito! Tá lá! Você não segue ela?
  • Não.

Além de me olhar como se eu fosse o esquisitão!

Um celular sobre a mesa de jantar dá a leitura que ele é mais importante do que seus amigos que estão ao redor. Basta um piscar na tela e sua mão corre para o desbloqueio mesmo que seu amigo esteja contando algo importante que ele quis compartilhar com você.

Empresas e escolas adotam regras de uso na tentativa de evitar essa compulsividade que levam usuários das redes passarem horas desapercebidas assistindo vídeos que nada acrescentam de valor na vida das pessoas, mas geram prejuízos profissionais e pessoais monstruosos.

O resultado das escolas que adotaram esse procedimento de limitar o uso do celular durante o período de aulas foi um aprendizado acima da média do país.

Reconheço a excelente ferramenta de comunicação que temos em mãos, mas é uma ferramenta e não um órgão do nosso corpo.

A inteligência artificial chega ao mesmo tempo que o ser humano artificial.

De que lado você está? Do lado de fora ou do lado de dentro atrás da tela?

HOTMART é de MART e no Brasil é HOTMORT, de tão ruim que é o suporte de atendimento.

Raras são as empresas que investem em marketing de atendimento, como Apple e Adobe, por exemplo. Para isso funcionar bem e associar valor a sua marca é preciso investir em pessoas e qualifica-las para proporcionar um excelente atendimento.

Mas é aí que está o problema: INVESTIR EM PESSOAS em tempo de automação e atendimento robotizado (e mal feito programado por um ser humaninho que não curte seres humanos).

Me corrijam se eu estiver errado, por favor.

Como 99,99999% da população brasileira, já passei por inúmeros perrengues no quesito “mal atendimento”. As empresas não percebem, ou negligenciam (o que é pior) que o abestado despreparado (leitor de manual) quando atende o telefone, ele é o representante da empresa em questão. Fala em nome da marca, ou XEJA, queima na largada, ou melhor, incendia e compromete o que alguém, ou um grupo, demorou décadas para construir, mas que não deixam de serem responsáveis por sua detonação com tamanho descuidado, o que na minha opinião, é óbvio.

Agora o meu atual perrengue:

Com o surgimento das plataformas que nos permitem lançar produtos na tentativa de vendermos nossas especialidades, compartilhar nosso conhecimento profissional e colocar uns trocados no bolso, resolvi, como dizem os experts da rede, criar um produto pra ser vendido em escala online.

Chic demais!

Isso envolve muito trabalho, tempo, dinheiro, pesquisas, etc e tals, e você chega na HOTMART, uma plataforma que vende à você, possuir todas as facilidades necessárias para lançar seu produto e ficar milionário com sua explosão de vendas, sucesso absoluto entre afiliados  (PAUSA ENORME, RESPIRA FUNDO, E AGORA SEGUE COM A LEITURA)…isso se você conseguir descobrir o caminho de navegabilidade apresentado pelos labirintos e calabouços jamais violados por um ser comum. Uma situação que obriga você a entrar em contato com um suporte que demora no mínimo 24 horas para lhe responder um e-mail (única forma de contato, o chat lhe oferece um “tente novamente” a cada clique).

Tentar editar sua página de vendas é impossível. Ao clicar em EDITAR PÁGINA, abre uma coluna com diversos templates (usei um desses anteriormente) e na coluna ao lado, o esboço do início da minha edição e que agora sonhava finalizar….Maaaassss, é impossível achar o caminho para dar sequencia, já que o único botão disponível é PUBLICAR! O que leva a qualquer ser humano com suas atividades mentais em dia, entender que se apertar este botão você irá publicar um rascunhão sem sentido e dar um tiro no pé na credibilidade da sua reputação.

Até este momento, nos últimos 10 dias (isso mesmo, você leu corretamente) troquei 14 e-mails com diversos “atendentes” que não me atendem, não falam meu idioma, respondem o que não foi perguntado, e olha que trabalho com comunicação e tenho uma certa facilidade de me expressar, aliás este é o tema do meu curso: FALE BEM – wladimircandini.com.br . Dá-lhe jabá!

O que me deixa perplexo é saber se tratar de uma gigante que insiste em caminhar com calçados infantis de numeração 33, o que leva a sugerir uma mudança de nome: HOTMORT.

Eleições Municipais e o INSTAGRAM

Recentemente quando ouvi falar em “threads do momento” fiquei com vontade de me enforcar na cueca.

Vi candidatos a prefeitura de grandes cidades virando homem aranha, fazendo cosplay de Mario Bross, abrindo guarda-chuva pra evitar banho de balde, adaptando o meme da menina (atual senhora) com seu “que show da Xuxa é esse?” e outras merdalhas de destruir a credibilidade, ou pior, a reputação de alguém que sonhamos em ter como gestor de nossa cidade.

Como acreditar que um candidato que se submete a essas “modinhas infantiloides” vai trabalhar seriamente pra melhorar a qualidade de vida de toda uma população? Pelo menos é assim que acredito pensarem os grandes e inteligentes empresários que fomentam a economia e geram empregos Brasil a fora.

O marketing perdeu a mão e o juízo, e os candidatos, a cabeça pela submissão.

Existe uma diferença entre engajar imbecis e eleitores. Campanha política não é entretenimento. Candidato precisa de votos e não de audiência ruim de público sem interesse na política. Mas pra conquistar votos precisa apresentar um Plano de Governo associado a sua capacidade de execução. Simples assim.

Ao invés de perder tempo com fantasias digitais, filtros e memes em busca de seguidores robotizados e em estado letargico da realidade, lembre-se que quem copia as “threads do momento” são os influenciáveis, e quem divulga sua capacidade intelectual e criativa em busca de soluções para uma cidade são os influenciadores.

Se confundir essa simples linha de raciocínio, considere-se derrotado…se já não foi.

MELHOR IDADE…PRA QUEM?

Há aproximados 20 anos atrás, tive a oportunidade de produzir boa parte do conteúdo audiovisual para o público interno de uma grande empresa de cosméticos e me lembro de um termo criado pelo marketing na época, batizado de MELHOR IDADE, para se referir aos 60+.

Como eu tinha 40, achei bacana, mas hoje ao fazer parte do time, sinto a existência de controvérsias quanto ao termo “fofo” criado certamente por um grupo jovem que desconhece os desafios da tal MELHOR IDADE.

Então vou relatar algumas transformações:

  • Ao acordar deve-se rolar para o lado para evitar travar a coluna;
  • Nos aquecemos pra escovar os dentes e nos alongamos enquanto fazemos o café;
  • A visão fica turva e a distância da leitura ideal ultrapassa metros e bula de remédio vira piada de mal gosto;
  • A memória se transforma em vaga lembrança, onde o nome das pessoas são substituídos por apelidos carinhosos, obrigando você a chamar alguém que não simpatiza de “amigo”, porque não lembra o nome do infeliz;
  • Olhar pra atrás repentinamente pode fazer com que ande de costas por uma semana;
  • Fazer xixi é um exercício frequente, pois a bexiga encolhe transformando os antigos e saudosos jatos em conta gotas e o levando praticamente a passar boa parte do dia e as vezes da noite, da madrugada, no banheiro;
  • O grau de tolerância praticamente desaparece, o que nos leva a deixar imbecis falando sozinhos;
  • Cabelos caem deixando a cabeça deserta, porém as costas se transformam em pomares;
  • rugas surgem;
  • manchas de sol nos deixam com cara de mortadela:
  • a pele do pescoço fica idêntica a de uma galinha e o resto do corpo similar a textura de uma casca de laranja;
  • varizes surgem nas pernas como um verdadeiro mapa hidrográfico;
  • os pelos do nariz se transformam em pés de salsinha e cebolinha;
  • a orelha se assemelha a um kiwi;
  • e assim vai…, faz parte do envelhecer e procuro me manter saudável para que consiga viver os anos que ainda me restam de forma independente.

Baseado nesta pequena sinopse, porque tem muito mais, acreditem…questiono:

MELHOR IDADE…pra quem?

  • Só se for para os planos de saúde que aumentam as mensalidades na mesma proporção que a sua destruição física amplia;
  • para as farmácias que desistiram de criar a fila preferencial para não congestionar o quarteirão;
  • para os médicos geriatras que prescrevem vitaminas que desconhecíamos a existência até então;
  • para os fabricantes de corrimãos, bengalas e acessórios em geral;
  • para os fisiatras, massagistas e fisioterapeutas;
  • para as academias de pilates e demais gestores da longevidade!

Alguns tentam disfarçar a idade procurando procedimentos estéticos.

Estica daqui, puxa dali, bochechas de Botox ressuscitam a imagem do personagem fofão, bocas em forma de donuts que dão a impressão da pessoa ter beijado um frigideira fervendo, mas a data de nascimento original é impossível alterar, a não ser que a vaidade transforme este ser também em um falsário.

Até que ponto atingirá a capacidade de tentativas do ser humano para sucumbir aquilo que naturalmente faz parte do fenômeno chamado vida, cujo tempo de validade pode variar dependendo de como cuidou da sua carcaça da mobilidade.

Portanto Jovens, que em sua maioria tem preguiça de ler textos longos, caso você faça parte desta minoria leitora e chegou até aqui, esteja certo de uma coisa:

A MELHOR IDADE vai chegar pra você também, mas enquanto isso, curta a SUA IDADE E TODAS AS FASES DE TRANSIÇÃO, porque apesar de tudo isso, vale a pena viver com toda a intensidade que nossos corpos permitirem. Então, cuide-se e aceite o tempo com dignidade.

Use do bom senso antes de pedir um orçamento

Sabemos que a elaboração de um orçamento para a produção de um material audiovisual é necessário um briefing detalhado para levantar custos que envolvem a pré-produção, produção e pós produção. E que dentro de uma matemática existente no universo da obviedade, a localização, ou localizações solicitadas para gravações geram custos de logística envolvendo número de diárias com a equipe, locação de van, combustível, pedágios, alimentação e hospedagem. Valores que não vão para o bolso do produtor. São custos detalhados e repassados para o cliente.

Apesar de parecer lógico, não se pode negligenciar a ignorância ou falta de bom senso de algumas pessoas.

Segue então, mais um momento vivido anos atrás que hoje recordei e resolvi compartilhar:

Quando sou indicado e recebo um contato de um novo cliente solicitando orçamento para uma produção, faço algumas perguntas que irão balisar a proposta criativa quando percebo estar falando com alguém virgem no quesito produção audiovisual.

Em meu questionário descobri que o contato telefônico gostaria de fazer seu primeiro vídeo institucional e que gostaria de ver captadas imagens de suas quatro unidades fabris espalhadas em pontos distantes dentro do Estado de São Paulo.

Perguntei se havia uma estimativa de valor que estava disposto a investir neste trabalho. Ele disse que não, mas que gostaria que eu orçasse o que tinha de melhor, afinal este material seria o cartão de visitas da sua empresa. OK!

Após horas de dedicação levantando custos de logística e demais valores de produção cheguei em um número X.

Formalizei por email e minutos depois recebo um telefonema?

  • Você está louco? X Mil reais? Impossível! Eu tenho 3 mil e quinhentos reais pra investir!

Respirei fundo e educadamente respondi:

  • Você lembra que a primeira pergunta que fiz à você foi se teria algum valor estimado para investir neste audiovisual e que você me respondeu que não, mas gostaria que eu orçasse o que tem de melhor porque seria seu cartão de visitas? Se você parar para pensar, vai perceber que somente os custos de logística com uma equipe de filmagem viajando por uma semana percorrendo pontos distantes no Estado de São Paulo corresponde a quatro vezes o valor sonhado por você! Se tivesse me dito que pretendia investir este valor, de cara teria dito que não eramos os profissionais que estava procurando, sem tomar o seu tempo e sem perder o meu.
  • RESPOSTA DO CIDADÃO: O que eu posso fazer com 3 mil e quinhentos reais?
  • MINHA RESPOSTA: Faz um miojo.

O PODER HIPNÓTICO NEGATIVO DO CELULAR

Quando surgiu o telefone celular exibidos como símbolos da modernidade pendurados na cintura como armas no coldre, retratava ali o futuro da comunicação que gerava conexão imediata entre as pessoas independente de sua localização. Claro que a expansão do sinal era limitada.

Atualmente a tecnologia evoluiu. Os smartphones vão além da possibilidade de fazer ligações telefônicas. São mini computadores com processadores poderosos e capacidade de armazenamento cada vez maiores. Design moderno, elegantes, servindo como uma ferramenta de comunicação rápida e efetiva na palma da mão.

Mas o que estes aparelhos fizeram com a cabeça das pessoas ao ponto de se transformarem em extensões de seus corpos e minimizar a capacidade de discernimento entre espaço púbico e privado?

Foi gerada uma necessidade de exposição da própria imagem com o estranho desejo de fazer parte de um núcleo seleto de influenciadores digitais, onde no mundo real convivemos com uma imensa massa que se deixa influenciar por qualquer bobagem que vai além do útil ou interessante, fatores que para mim seriam justificáveis dentro do universo individual do ser pensante.

Mas o que chama minha atenção é a capacidade que um smartphone possui de desconectar as pessoas do bom senso que todo ser humano comum, em teoria, deveria ter.

As pessoas preferem mensagens de texto do que ouvir a voz de um amigo. Dirigem seus carros ou motos ouvindo e mandando mensagens, mesmo sabendo sobre os perigos e o número de acidentes com vítimas causados por este tipo de atitude.

O ápice do absurdo que atinge a nota zero no quesito bom senso está na falta de sensibilidade em sentir que suas atitudes possam incomodar quem está ao seu lado.

Pessoas atendem o celular no ônibus e falam em uma altura como se a outra pessoa estivesse em outro planeta pra saber se o vizinho se curou da diarréia causada pela buchada comida no domingo, isso quando não atendem no teatro ou no cinema.

Neste momento, trabalhando em outra cidade, entre hospedagens e traslados de volta pra casa aos finais de semana, tenho vivido com frequência algumas experiiencias que fariam Freud se suicidar se ainda estivesse vivo.

Durante o café da manhã no hotel, momento em que gosto de me alimentar na paz do senhor e ler as notícias do dia, hóspedes sentam às mesas ao redor e assistem vídeos com volume que supera a TV. Ignoram a funcionalidade dos fones de ouvidos.

Presenciei também, na poltrona ao lado da minha no ônibus que me transportava para São Paulo, uma discussão entre marido e mulher em uma ligação por vídeo onde fui obrigado a conhecer detalhes de uma relação conturbada, isso durante a madrugada!

E o mais recente, no hotel em que estou hospedado, onde os quartos são todos voltados para um atrium a céu aberto, fui acordado por volta de meia noite por um cidadão que caminhava falando…ou melhor gritando em uma ligação com sabe lá quem, provavelmente com o Demônio, onde vociferava como se estivesse solo abandonado como sobrevivente de um naufrágil em uma ilha! O que não seria ruim. Mesmo “puto”, acreditem, respirei fundo e educadamente pedi com voz de anjo que fizesse a gentileza de falar mais baixo porque eu e os demais hóspedes precisavamos dormir.

Como resposta ouvi: Com quem você pensa que está falando? Respondi: com alguém mal educado.

Alguns segundos de silêncio e a porta do quarto deste quadrúpede é fechada violentamente abalando a estrutura física do hotel.

A que ponto chegamos e quais as novas surpresas comportamentais que virão é um mistério para os seres de bom senso que ainda habitam em nosso planetinha de grandes dimensões povoada por alguns imbecilóides.

PEQUENOS PODERES

Ontem passei por mais um momento de indignação. Desta vez com a polícia militar de São Paulo.
Voltava para minha residência dirigindo o carro de minha esposa em uma via dupla de 2 faixas. A faixa da esquerda parou com 4 carros que iriam fazer a conversão para entrar em uma travessa. Como isso é comum, conhecedor do bairro, já vinha pela direita, porém no momento de minha passagem por este bloco de veículos, uma viatura da polícia estacionada sobre a calçada, sem qualquer sinalização, colocou parte do carro na via me obrigando a desviar rapidamente para não colidir. Internamente soltei um PQP em desabafo e segui meu caminho. Alguns metros à frente acionei o pisca e estacionei em uma das 5 vagas de um açougue do outro lado da pista. No momento em que saí do carro me deparei com a mesma viatura da polícia estacionada na contramão bloqueando minha saída com o motorista me encarando. Segue o diálogo:

  • O senhor está com pressa?
  • Não. Algum problema?
  • O senhor passou em alta velocidade pela faixa da direita e quase colidiu com a viatura.
  • Eu estava dentro da velocidade permitida e simplesmente trafegava pela direita enquanto a faixa da esquerda estava congestionada com carros que iriam fazer a conversão.
    O TOM FOI PARA A INTIMIDAÇÃO
  • O senhor deve diminuir a velocidade sempre que ver uma viatura de polícia.
  • Diminuiria se tivesse visto qualquer sinalização da sua parte.
    DESCEM DO CARRO
  • Sua habilitação e documento do carro.
  • Pois não.
    ENQUANTO ANALISAVAM A DOCUMENTAÇÃO DIGITAL
  • O senhor sabia que posso autua-lo por essa conversão e o valor da multa é de 1800 reais?
  • Imagino que sim, mas desconheço esse valor de multa para este tipo de infração. Sinceramente, imaginei que a faixa dupla contínua indicava a proibição de ultrapassagem e não da conversão.
  • O senhor sabia que se não tivessemos comunicação para checar sua documentação digital o carro seria apreendido?
  • Por qual motivo? Ineficiência da comunicação da PM?
    NESTE MOMENTO MINHA INDIGNAÇÃO SE ACENTUOU
  • Vocês vão me desculpar, mas o que vejo aqui são 4 policiais intimidando um cidadão na tentativa de transferir a culpa por uma falha na condução da sua viatura. Independente de ser policial, ao volante você é um motorista, e não pode sair de cima da calçada sem olhar e sem sinalizar. Todos erramos como seres humanos que somos. Eu errei ao fazer esta conversão por minha ignorância, e você errou ao sair de cima da calçada sem sinalizar e sem observar o fluxo. Isso não lhe dá o direito de estacionar na contramão para me intimidar.
    CONFESSO QUE NESTE MOMENTO FIQUEI COM RECEIO DO QUE PUDESSE ACONTECER, POIS O INTIMIDADOR CONTINUAVA AO MEU LADO COM A MÃO SOBRE A ARMA, MAS UM OUTRO POLICIAL QUE RETORNAVA COM MEUS DOCUMENTOS DA VIATURA FOI MAIS PACÍFICO
  • Nossa obrigação é orientar.
  • Concordo e agradeço, mas não aceito intimidação.
    Documentos devolvidos, situação temerária controlada, policiais novamente em trânsito e pude comprar a carne para o strogonoff após viver momentos de estraga os bofe.
    Policiais militares psicologicamente mal preparados, onde a principal função é nos dar proteção, dedicando tempo para fazer uma abordagem sem precedentes na tentativa de transferir um erro causado por eles.
    Seria muito mais bonito se estacionassem do outro lado da rua em local permitido e o motorista sinalizasse me pedindo desculpas. O texto aqui seria outro. Sou adepto da valorização da gentileza e da integridade das ações, mas sinto que assumir seus erros é uma das maiores dificuldades dos seres humanos, fardados ou não.

O Calvário do atendimento eletrônico

Porque as empresas não investem em marketing de atendimento?

Está aí um grande mistério a ser desvendado para quem trabalha com comunicação.

Muito se fala sobre fidelizar clientes, mas as empresas vão na contramão deste objetivo.

Na disputa entre as TELES, frequentemente as empresas de telefonia divulgam suas ofertas para captar “novos clientes” enquanto que os “já” clientes não são beneficiados pela mesma oferta e ainda pagam mais caro por um pacote inferior. Para piorar, ao entrar em contato com a operadora na tentativa de obter o mesmo benefício, descobre que só poderá fazer parte da promoção quando vencer seu contrato de fidelização que certamente irá ocorrer quando a promoção não mais existir.

Assim somos punidos por uma fidelidade que nos encarcera dentro de um sistema sem direito a novas reinvindicações atrelados a assinatura de um contrato unilateral.

Agora catucando o tema “Atendimento Eletrônico”, traduzo ser um sistema genial que te obriga a digitar entre opções de zero a nove para após 17 minutos gastando sua digital e ouvindo todas as ofertas desconectadas ao seu real interesse, antes de conseguir falar com um ser humano despreparado, adestrado para seguir orientações em uma tela com respostas prontas ao invés de simplesmente ouvir o problema de quem perdeu preciosos minutos para chegar até ele.

Imagine o estado mental de um cliente com problemas técnicos ouvindo a voz do demo dizendo: “Está todo mundo comprando o Big Brother Brasil ou acompanhe o canal Golf… isso estimula ao desenvolvimento de uma personalidade homicida que ao ouvir um alô do outro lado da linha, dispara palavrões e ameaças a um coitado que entra em choque emocional que instintivamente o leva a derrubar a ligação amplificando a fúria de um cliente descontrolado por um sistema eletrônico nada inteligente, para não dizer imbecil. Um sistema criado especialmente para perder clientes.

Não sou psicanalista, mas confesso que tenho curiosidade em conhecer o nível intelectual e emocional deste profissional que cria um procedimento de atendimento irritante com a capacidade de transformar uma simples operação em um calvário para o cliente. Deduzo que este profissional entende de sistemas, mas nada sobre a psicologia humana. Não sei se é pior quem cria ou quem aprova.

Parto do seguinte princípio:

Existem somente 2 perfis de pessoas que acessam este serviço (ou desserviço) de suporte:

O já cliente e o não cliente.

O “Não Cliente” naturalmente busca conhecer os produtos e serviços para uma possível aquisição, portanto está pré-disposto a ouvir as ofertas do menu. Agora o “Já Cliente” busca upgrade ou solução de um problema.

Se este guru responsável pelo sistema operacional do atendimento se colocar na posição de um cliente com problema qualquer e fizer uma pequena análise comportamental, saberia que alguém nesta situação busca o suporte para uma solução rápida e que o sentimento é de insatisfação. Certo?

Baseado nessa sábia dedução, para quem está irritado do outro lado da linha pedindo socorro, ao invés de rapidamente estender a mão para ajuda-lo, as empresas oferecem uma corda para o cabra se enforcar. Exigem que o “fiel cliente” digite todo painel alfa numérico ouvindo uma voz irritante gravada que finge ter localizado seu CPF com a trilha sonora de uma digitação FAKE ao fundo. Para piorar, após 17 minutos, você é atendido por uma pessoa treinada para ser um robô???

Consultoria gratuita para um sistema de atendimento eletrônico eficiente:

Se você é cliente, disque 1. Problemas técnicos disque 2 e já encaminhe para o atendimento com alguém cerebralmente capacitado para ouvir e resolver o problema. Não deixe um cliente insatisfeito na fila ouvindo musiquinha torturante. Atenda em menos de 30 segundos e resolva. Esta qualidade óbvia de atendimento requer investimentos na contratação de profissionais “bem remunerados” que saibam ouvir e resolver sem uma tela de procedimentos amarrada à frente dos olhos.

Se isso for genial para você, procure um médico.

A fidelização de um cliente está atrelada a qualidade e a velocidade de atendimento que uma empresa oferece e não um contrato que lhe obriga juridicamente a ficar casado com o demônio.