Naturalmente nosso corpo reage àquilo que expressamos em palavras, mas contanto que seja um gestual natural você passará por um ser humano normal. O problema é desacreditar no poder da palavra e forçar a barra usando as mãos para desenhar tudo aquilo que fala. Por que EU…e aponta para o peito..porque você…e aponta para câmera…porque o universo…e faz um movimento circular acima da cabeça…porque o carinho que sinto por você…e faz o coraçãozinho unindo as duas mãos! Digamos se tratar de pleonasmo corporal! Quando digo que algo é GRANDE, entende-se que é grande. Se subir o tom e prolongar as vogais…GRAAAANDEEE! Este algo vai parecer maior ainda! A palavra em si, nos dá a dica de como dize-la modulando de acordo com a nossa intenção. Na contrapartida, vejo profissionais da comunicação trabalhando em telejornais como repórter que adoram desenhar e dramatizar aquilo que estão falando. Por exemplo: certa vez vi um jornalista que, para falar de uma crise econômica, gravou dentro de um cofre só para concluir a matéria rodando aquela imensa trava do dito cujo. Pra que? hashtag#comunicação hashtag#falebem hashtag#dica hashtag#ficaadica hashtag#reflexão hashtag#falarempublico hashtag#palestra hashtag#video hashtag#tv hashtag#oratoria
Categoria: Sem categoria
4 expressões que tiram a credibilidade da sua apresentação
Meses atrás postei um vídeo falando sobre o hábito inconsciente do uso do EU ACHO pela maioria das pessoas-
https://lnkd.in/dFgJkreZ .
Apesar de usual, trata-se de uma expressão que demonstra emitir uma opinião sobre algo que não tem certeza, e assim deixando a sensação no ouvinte de falta de confiança no interlocutor. Imagine a seguinte situação: Você ouvir de um médico que você espera um diagnóstico preciso sobre os sintomas do seu filho(a) e ouvir repetidamente o DOUTOR dizendo EU ACHO. Ou de um engenheiro que diz : EU ACHO que a estrutura da casa em que você vive com a sua família está segura. Ou você sabe sobre o que está falando ou apenas ouça. Não somos obrigados a saber sobre tudo e muito menos emitir uma opinião. A segunda expressão muito usada é NA VERDADE. Quando você manda um “na verdade…” no meio de uma linha de raciocínio, deixa no ar que tudo o que disse anteriormente era MENTIRA? A terceira expressão é NA REALIDADE. Quer dizer que você passeava com a Alice no País da Maravilhas quando resolveu cair na real? A quarta expressão e talvez uma das mais capciosas usada por muita gente é o tal do VEJA BEM. Se você reparar, vai perceber que geralmente após um “veja bem…” virá uma justificativa de algo injustiticável, uma desculpa esfarrapada, uma mentira caprichada ou servindo de muleta como uma pausa onde o interlocutor está catando papel na ventania pra ver se encontra alguma saída para a saia justa que se meteu falando bobagens demais. Claro que são expressões casuais, mas que trazem um sentimento negativo para sua imagem. Portanto, preste atenção.
NÃO É HORA DE VOCÊ FICAR INTELIGENTE
NÃO É HORA DE VOCÊ FICAR INTELIGENTE.
Essa é a primeira frase que uso quando inicio a preparação dos diferentes perfis de profissionais com quem tenho a oportunidade de trabalhar para melhorar a performance ao falar em público ou vídeo. Existe uma tendência natural associada a nossa vaidade que é mostrar que somos inteligentes quando vemos uma câmera apontada pra gente. Isso nos leva muitas vezes a usar palavras que não fazem parte do nosso vocabulário do dia a dia e, consequentemente, gerar uma perda na linha de raciocínio deixando sua comunicação prolixa e sem sentido.
A linguagem formal, além de ser chata pra caramba, da sono e distancia as pessoas, enquanto que a informal aproxima, exatamente por trazer a sensação que estamos conversando entre amigos. Perceba a diferença: o NÓS vira A GENTE, o PARA vira PRA, o IRÁ vira VAI, o ESTÁ vira TÁ! A não ser que seja um filósofo ou professor de português, é assim que naturalmente falamos e é isso que dá credibilidade à sua imagem porque mostra quem você é de verdade. Repare que os apresentadores dos telejornais estão mais soltos e os programas vespertinos trazem cenários com cara de sala de estar, exatamente para dar a sensação que estamos conversando entre amigos. Seja sempre você e traga para a sua comunicação, através de uma câmera ou à frente de centenas de pessoas, busque o seu jeito natural de falar. É isso que gera conexão e retém a audiência. As pessoas precisam sentir quem você é de verdade e não um personagem que coloca a vaidade à frente do conteúdo, que é mais importante que você. Acredite.
Falar bem não significa falar bonito, floreado, formal. Na minha opinião é preciso gerar conexão para reter a atenção do seu público e ter a satisfação de olhar pra plateia e ver que não tem ninguém babando. Por muitos anos exerci com orgulho a profissão de ator. Fiz teatro, participações em novelas, series, longa metragens, centenas de videos institucionais, treinamentos, mas o que me rendeu um bom retorno financeiro foi a publicidade, na época em que se pagava bem, principalmente para os filmes de bancos que exigiam credibilidade.
Testes eram feitos nas produtoras entre mais de cem atores para elencar quem representaria determinado banco. Depois de alguns testes frustrados, comecei a imergir na pesquisa da construção do personagem.
Comecei a observar como o gerente da minha conta se comunicava com seus clientes e comigo, e percebi que ele simplesmente batia um papo oferecendo seus produtos como se fosse um conselho dado por um grande amigo que queria o seu bem.
Esse era o tom que usei na primeira oportunidade, teste na O2 Filmes para Itaú Flexprev, o plano de previdencia privada do Itaú. Foram realizados 3 testes entre 150 atores para escolher quem seria o protagonista da campanha. Fui escolhido. Deste dia em diante, após o vencimento de cada contrato, fui selecionado para representar outros bancos e ainda ser a imagem das comunicações internas destas instituições financeiras que, me sinto orgulhoso em dizer, gravei para TODOS os principais bancos do país e alguns de fora que entravam para concorrer no Brasil. Meu sobrenome virou BANCO. Isso chamou a atenção dos marqueteiros políticos de plantão que me convidaram para ancorar diversas campanhas políticas de prefeito à presidente da república, me permitindo assim, sem a fama novelesca, conseguir alcançar um certo sucesso nesta difícil arte da interpretação.
Hoje trabalho com comunicação e entretenimento. Sou roteirista e diretor de cinema no formato documentário e atuo também no mercado corporativo. Gosto de contar boas histórias. Gosto de gente. E por isso, uso da mesma técnica usada para dar credibilidade a imagem associada a uma marca para preparar executivos e quem mais acredita que falar em público ou por vídeo seja fundamental para seu crescimento profissional. Não ensino oratória. Lapido pessoas para que sejam elas mesmas. Quem olha pra você ao vivo sobre um palco ou através da lente de uma camera, precisa sentir que você é de verdade. A linguagem formal, rebuscada, aquela que a pessoa quer mostrar que é inteligente, usando palavras que não fazem parte do seu vocabulário usual, é chata pra caramba, dá sono e pode levar o comunicador a se perder em sua linha de raciocínio. Agora, a informal, aquela usada na roda de amigos, essa retém a atenção porque mostra quem você é de verdade. É autêntica. É isso que gera credibilidade a sua imagem e deixa sua apresentação leve e com gosto de quero mais. SAIBA MAIS: wladimircandini.com.br
COMPORTAMENTO
Vivemos um momento do copia e cola.

Talvez a alta disponibilidade de informações tem levado as pessoas a negligenciar sua capacidade cerebral deixando de lado um bem muito valioso chamado criatividade.

Nada se cria. Tudo se copia dentro do universo digital das referencias, ou seria da preguiça mental?
Isso nos leva ao desenvolvimento de pessoas subdesenvolvidas? Talvez.

Um público que não lê, assistem vídeos de até um minuto…Pessoas facilmente influenciáveis por tudo que veem ou ouvem sem checar a procedência e veracidade dos fatos. Dedicam seu tempo a selfies ou a divulgar seu prato de comida. Passam boa parte do tempo hipnotizadas pelas redes sociais!
Instantaneidade. Tudo na velocidade de um clique?
Foi baseado neste comportamento que pessoas de caráter duvidoso, porém inteligentes, criaram as famosas Fake News, popularmente conhecidas como mentiras, para manipular os preguiçosos de plantão e usa-los como marionetes de interesses escusos.
Seguindo a mesma linha de análise comportamental, alguém, em algum lugar do planeta, talvez o DEUS DA MODA, dita regras dizendo o que você deverá vestir alegando que a tendência para a próxima estação será usar determinada estampa com determinado corte, e a maioria das pessoas, aceita sem questionar se lhe cai bem ou é confortável para o seu biótipo.

Ninguém questiona de onde vem esta tendência ?
O resultado é similar a uma manada de zebras ou a um saco de salsichas. Tudo igual.


As pessoas ignoram sua própria identidade e personalidade. Digamos que a intelectualidade da coruja foi substituída pela língua do papagaio.

Isso pode ser visto na comunicação padrão adotada pelo mercado corporativo diferenciada por uma logomarca, pois o conteúdo é idêntico: Missão, visão e valores, na década passada, e agora atualizada em Propósito e Ações Sustentáveis.

É claro que com a destruição do meio ambiente as empresas precisam se posicionar de forma consciente seguindo o politicamente correto, mas para onde foi a originalidade? Algo que diferencia você dos demais!
Neste mesmo vagão chegaram os coachs que doutrinaram milhões de pessoas com sua linguagem de lavagem cerebral fazendo você acreditar que pode sair voando se pagar pelo segredo que ele irá compartilhar, permitindo que você fique milionário no dia seguinte e seja mais um Deus no Olimpo. Deus IDIOS, que em grego quer dizer IDIOTA.

Milionário ninguém fica além deles, mas você aprende palavrinhas como procrastinar, resignificar, repaginar, narrativa, jornada…
Talvez esta seja a razão do brutal investimento em inteligência artificial, porque a inteligência natural sucumbiu para um mundo que já é artificial.
PARE. PENSE. MUDE, e por favor não termine suas frases com GRATIDÃO.
O BRASIL É UMA FÁBRICA DE SALSICHAS
Se você prestar atenção, e não precisa se esforçar muito, vai perceber que a busca pela originalidade está escassa. Ou falta criatividade, ou sensibilidade e ousadia para expressar a forma com que as pessoas enxergam o mundo e para pensar nas razões de nossa existência.
As pessoas visualmente são como zebras. Se vestem iguais, os cortes de cabelo são iguais, todo mundo tatuadão, as mesmas gírias com seus TIPO – MANO – TÁ LIGADO – É NÓIS – COLA AÍ NA BALADA – BUGÔ – BOLADÃO, etc e tals!

Os urbanoides adoram as Duplas Sertanejas sem conhecer vida no campo, mas eu confesso que não tenho um ouvido apurado para distinguir quem é quem nesta galáxia musical. O Tom de voz segue um padrão e as melodias sofríveis, idem. São tantas duplas que em breve será impossível criar novos nomes sem repetir e serão obrigadas a se identificar por números:
- Agora com vocês a dupla 23 e 64!!!
Enfim, tribos ou ilustrando melhor, um pacote de salsichas!
No universo profissional corporativo que trafego chego a desanimar!
A internet trouxe a tal da “referencia” e com isso a preguiça mental. Para mim não existe coisa pior do que, ao invés de receber uma solicitação para criação de uma ferramenta audiovisual para sanar um problema (trabalho como roteirista também), recebo como briefing uma referencia de um vídeo com a descrição: É mais ou menos isso!
O mundo digital deu velocidade a informação e com isso potencializou a ansiedade e trouxe consigo o imediatismo, a necessidade premente, como se o mundo fosse acabar em segundos. Tudo é para ontem! Processos são atropelados e muitas vezes engolidos. Os departamentos envolvidos não se falam. Os objetivos das áreas estão desconectados.
As palavras que tanto valorizam os idiomas viraram siglas ! Acreditaram que abreviar é a solução para dar ainda mais velocidade. Você virou VC, também virou TB, beijos virou Bjs, Abraços virou abs e o não menos importante TMJ, tamo junto! Isso sem falar nas siglas corporativas: CEO, COO, CFO, portanto deixo aqui o meu PQP que é bem popular e todos sabem o que significa.
O marketing brasileiro é americanizado desde sempre, começando pelo próprio nome! Uma reunião de briefing para fazer um over view da situação é o retrato fiel da Torre de Babel.
Nos falta personalidade verde-amarela!
Quando digo que o Brasil virou uma fábrica de salsichas, trago em minhas observações uma base de estudos voltada para o comportamental, que me empenho com a mesma velocidade em que o mundo é transformado pela volatilidade do ser humano e, em minha análise, sinto que existem INFLUENCIADORES por que existem um número monstruoso de pessoas perdidas em sua existência que se deixam influenciar – sabe lá Deus porque – e seguem pessoas que ditam regrinhas copiadas de alguém. Um bando de papagaios regendo uma banda de maritacas que gritam sem fazer barulho, mas com olhos pregados na telinha do smartphone.

Vejam a moda por exemplo. Alguém das catacumbas dos ateliers mais profundos dita que as você deve usar determinado corte, determinada estampa, determinado modelo, determinando o que você DEVE fazer para ser parte do ESTAR NA MODA e ser classificado como ESTILOSO? Se você se deixa influenciar por alguém que você nem conhece, sinto em lhe dizer que você está fora de MODA e você está na MORDA. Entendeu o trocadilho, certo?
O Mundo passa por um momento onde tudo precisa ser rotulado. As novas gerações recebem nomes de acordo com seu ano de nascimento. O que antes era definido como criança, adolescente e adulto agora são Geração X, Y (Millennials), Z e Baby Boomers. No meu caso sou classificado como velho mesmo ou a caminho do cemitério para ser mais dramático, mesmo tendo ainda sob minha dependência um par de Millennials.
Uma geração que prefiro chamar simplesmente de jovens, e não faço aqui nenhuma crítica ou pré-julgamento, mas sim propor uma reflexão ou um exercício cerebral que me estimula a fazer uma analogia com uma fábula, onde ratinhos são hipnotizados pelo *mago da flauta – O Flautista de Hemelin (conto escrito pelos Irmãos Grimm que hipnotiza ratos que os seguem para um rio onde serão afogados), neste caso, o mago seria o influenciador e os ratinhos, a turma cega de influenciáveis que serão afogados em suas frustrações ao perceberem que tudo aquilo era blá-blá-blá.
Frustrações que podem explicar o aumento de suicídios no mundo.
A pergunta que faço é simples: você segue porque? O que você aprende que possa trazer algum aprendizado, algo que realmente trará melhorias em sua vida, ou como os coachs adoram dizer: agrega valor!

Aliás, neste universo de salsichas nasceram os coachs, psicanalistas do mundo corporativo que brotam como ervas daninhas matando o universo criativo. Com eles vejo os papagaios de plantão fazendo cara de conteúdo e usando as palavrinhas da moda como, resignificAR, repaginAR, procrastinAR, agregAR, verbos de tirar o AR. Não basta usar este vocabulário para se intitular coach e achar que pode vender mentorias que vão mudar o “mindset”(mais uma palavrinha gringa insuportável que fere a sensibilidade de meus tímpanos) e doutrinar as pessoas que podem ficar bilhardárias sem trabalhar pra caramba ou para alguns privilegiados, Herdarem fortunas de alguém que trabalhou pra caramba.
No meu ponto de vista, o que sugiro como reflexão para caminhar na direção de um autoconhecimento que irá clarear o caminho que você poderá seguir é :
Quem sou? De onde vim? Pra onde vou?
Uma rota iluminada facilita a chegada ao seu destino, isso se souber qual o destino almejado, única e exclusivamente por você e não pelos sabichões de plantão.
A evolução é individual. Acredite. Mas acredite em você e não em charlatões que querem vender o curso do curso.
ENGENHEIRO DE OBRA PRONTA
Atualmente no mercado corporativo, muito se fala em turnover, que nada mais é do que o fluxo de entrada e saída de funcionários dentro de uma empresa.

Este giro de colaboradores muitas vezes está associado a objetivos pessoais onde os profissionais procuram trabalhar em empresas que proporcionem um ambiente de trabalho baseado não somente em aumento de produtividade, lucro e afins, mas que tenham uma visão mais ampla da sociedade e do meio ambiente como um todo e que proporcionem a evolução profissional e pessoal também, afinal de contas todos queremos estar bem, nos sentir bem ao lado das pessoas que convivemos.
Um pensamento utópico, mas realista.
O que eu sinto, é que algumas empresas perdem bons colaboradores por má gestão de pessoas.
Trabalho com comunicação e pra mim tudo está ligado a uma análise comportamental relacionada as constantes transformações que a vida nos apresenta.
Pessoas são diferentes. Diferentes modos de pensar, de agir e de interpretar as coisas dentro do seu grau de conhecimento e vivências. Saber respeitar nossos limites e ter a sensibilidade para gerar novos caminhos, criar oportunidades que ajudem ou proporcionem a evolução individual, reconhecer as virtudes que existem nas outras pessoas, certamente terá como reflexo direto o crescimento da empresa, porque TODOS ganham com isso.

Porém, alguns gestores com alto grau de miopia, agem com imposição de suas ideias, transformando seus funcionários em autômatos que seguem uma programação pré-determinada pelo chefe, limando a capacidade criativa de uma pessoa que poderia ter o poder de transformação se estivesse motivada, inspirada ao invés de amordaçada.
Com essa trava emocional, o gestor cego pela sua vaidade ou prepotência, vai ouvir de um colaborador muito promissor as frases clichês da despedida: Estou me desligando da empresa porque quero encarar novos desafios, alçar novos voos, alcançar novos patamares, blá blá blá…o que na legenda isso se traduz em “não quero trabalhar em uma empresa, ou com um gestor que me trata como se eu fosse um apertador de botões e não dá atenção para minhas iniciativas de melhoria, ou seja, que não me respeita como profissional e como pessoa.

Existe uma expressão conhecida como “Engenheiro de obra pronta”, usada quando outra pessoa se apropria de uma ideia que não lhe pertence, mas conduz o processo como se fosse o criador de um projeto que não foi gerado por ele. Isso é comum em empresas com profissionais centralizadores incapazes de delegar atribuições por falta de confiança na capacidade de seus funcionários e descrente de que uma boa ideia não poderia ter vindo de alguém que está em um cargo abaixo do dele.
Na minha modesta opinião de observador, já que nunca fui registrado com carteira assinada, para reduzir o tal do “turnover”, ouça ao invés de escutar, enxergue ao invés de ver, sinta ao invés de racionalizar e saiba que boas ideias estão disponíveis no universo para quem acessa-las primeiro.

Liderar não é mandar. Relacionamentos duradouros são construídos com base na valorização de virtudes e não de defeitos.
O JORNALISMO E O AUDIOVISUAL
A palavra audiovisual deixa claro se tratar da combinação de som e imagem, mas ainda percebo que muitos jornalistas em suas pautas externas possuem a necessidade de desenhar aquilo que estão falando na tentativa de integrar o ambiente, como se a imagem já não fizesse esta função.
EXEMPLO FICTÍCIO:
CENA – O jornalista aparece caminhando no meio da rua narrando um fato que teria acontecido na frente de um hospital. Ao invés de objetivar a informação, com ele em primeiro plano, fachada do hospital ao fundo e simplesmente dizer o que aconteceu naquele local, ele perde um tempo enorme para criar um drama sem ter a capacidade interpretativa de um ator, alcançando um resultado que chega a ser patético. A importância está no fato, pelo menos é assim que eu enxergo, mas a fala seria mais ou menos assim:
- Eram 4 horas da manhã do dia primeiro de abril, em um país onde simbolicamente é reconhecido como o dia da mentira, mas o que aconteceu nesta fatídica madrugada ( A FACHADA DO HOSPITAL COMEÇA A APARECER NA TELA) na porta deste hospital (VIRA PARA TRÁS E APONTA PARA O HOSPITAL) não foi uma mentira e sim (PAUSA SEM SENTIDO) uma tragédia! Uma senhora de 70 anos escorregou em uma casca de banana e fraturou o fêmur. (COM A CASCA DE BANANA NAS MÃOS) Testemunhas alegam que esta casca de banana foi arremessada pela janela de um veículo que passava pelo local. Pasmem (NOVA PAUSA SENTIDO) O veículo pertencia ao neto desta senhora.
É claro que o que estou expondo aqui é uma situação ficcional irônica expondo o ponto de vista de quem trabalha no mercado audiovisual como redator publicitário, roteirista, diretor, ator e locutor e um incansável guerreiro que tenta explicar para os jornalistas, com quem tenho a oportunidade de trabalhar, que no audiovisual usamos a linguagem falada e não a escrita.
Qual a diferença? Simples, mas eles lutam contra. Pra você que é leigo, sinta se faz sentido pra você:
Na linguagem escrita, feita para a leitura, temos a necessidade de criar um ambiente e enriquecer com elementos que componham o imaginário do leitor, criar um cenário com riqueza de detalhes e neste formato é até permitido o uso de palavras mais “rebuscadas” digamos assim, mas dentro do ponto de vista publicitário, se possui o desejo de aumentar o alcance da informação, quanto mais popular, quanto mais simples for sua forma de expressão, maior será o público atingido, pela facilidade de entendimento. Portanto se você usar a linguagem dos deuses só alcançará o Olimpo, concorda?
No audiovisual, a imagem descreve o cenário e toda sua riqueza de detalhes, o que torna desnecessário o repórter, o apresentador ou seja lá quem estiver à frente da lente, dizer aquilo que a câmera já está registrando!
Não sei se é ego ou necessidade de preencher o tempo destinado para a apresentação da matéria que faz com que prolonguem demais uma informação que poderia ser dada de forma objetiva sem encher linguiça e perder a atenção do telespectador, e consequentemente não obter o resultado esperado com a notícia: audiência.
Com o poder nas mãos dados por um controle remoto, o cabra (no caso o chatonildo que aqui escreve) muda de canal antes de pegar no sono ou se irritar.
Outro argumento que o jornalista não entende é que o audiovisual permite a combinação de locução (texto falado), imagem, trilha sonora e texto escrito na tela (tecnicamente chamado de lettering). Nosso cérebro é capaz de absorver todos esses elementos ao mesmo tempo porque compõem a informação, e isso nos proporciona apresentar uma riqueza de detalhes em um tempo menor de exposição e ainda estar adaptado a um momento imediatista que quer receber a informação de um jeito rápido. Uma geração que trabalha com o poder da síntese. Textos enxutos, poucas palavras, vídeos curtos e ao mesmo tempo recheados de informação.
Escrevi tudo isso como desabafo após receber um roteiro que havia escrito tempos atrás, onde apresentei o conteúdo necessário em 1’40”e agora recebo o retorno do jornalista responsável pela comunicação da entidade com um texto que bate em 10 minutos de locução usando palavras fora da embocadura natural de um tom amistoso.
A minha experiência diz que após o segundo minuto começa a dispersão, o cérebro se desconecta e passa a ouvir Melão, melão, melão. Para aqueles que ainda não entenderam que o poder da comunicação está baseado na conexão, após a exibição deste chato curta metragem a quem você sacrificou pessoas a assistirem, pergunte sobre detalhes do vídeo apresentado e perceba que o resultado, o objetivo do audiovisual deve estar à frente do seu ego de escritor.
Vídeo é ferramenta de comunicação. Roteirizar não é escrever um livro ou uma notícia que será impressa. Roteiro é pensado para o público e não para satisfazer quem escreve.
CORDEL DESTE MUNDINHO
Que mundo é esse
que o ser humano vira dados,
informação pra deixar de ser gente
e de repente é colocado de lado
porque perdeu relevância
não tem mais importância,
pois a máquina da ganância
ignora o sentimento, a vida
que em algum momento foi útil,
mas esqueceu de marcar presença
na futilidade de um Facebook
que nada mais é que um truque
pra fugir do mundo real
acreditando no novo normal,
vivendo de aparência
mesmo que usando os filtros da indecência
pra mostrar algo que ninguém quer saber
da like sem ver
pra mostrar que curte você? Ou o que?
Sou do tempo que o galo cantava
O chinelo da minha mãe voava
A bola rolava na rua
e a gente sentava a pua.
Amigos na calçada proseavam madrugada a dentro
Diversão pura a todo momento
Sem perceber a passagem do tempo
Porque ali tinha verdade, sentimento
Algo profundo esquecido pelo mundo
Mas espero que por um segundo
isso seja resgatado
valorizado
pro ser humano deixar de ser um dado,
uma informação,
e voltar a ser simplesmente gente
com poder no coração.
SUSfocando a Saúde

Com a chegada da vacina contra a COVID 19 e a evolução da imunização do país vi uma série de elogios ao SUS vindo de pessoas que fazem parte de uma classe social mais abastada financeiramente, onde faziam questão de agradecerem com fotinhos no ato de suas vacinações divulgando-as com louvor nas redes sociais.
“Parabéns SUS!” era o texto compulsivamente dito por uma maioria que não depende, e portanto desconhecem as entranhas do Sistema Único de Saúde, porque para aqueles que dela necessitam, que amargam em longas filas e padecem antes do atendimento, esse ato cego pode representar o fim da esperança pela melhoria da Saúde no Brasil.
Resolvi documentar uma experiência vivida por mim e meus irmãos, ocorrida e ainda em curso, onde nestes últimos 20 dias necessitamos do SUS para cuidar de nossa mãe. Descobrimos na pele que o significado da palavra CUIDAR está muito distante do entendimento destes intitulados “profissionais” da saúde, o que nos levou a indignação pela falta de preparo e humanização no trato com as pessoas enfermas. Não falo da estrutura ofertada, mas da precariedade na qualidade do atendimento realizada por alguns profissionais.
Não existe empatia, não existe bom senso. Os pacientes são um número cujo espaço deve ser desocupado com brevidade para que possam MAL ATENDER o próximo da fila. Esta é a leitura que faço baseada na experiência que segue abaixo:
Após uma série de exames realizados, uma enxurrada de diagnósticos controversos revelam a má formação dos médicos que avaliaram nossa mãe. Em um destes diagnósticos, grave infecção urinária, fomos indicados a procurar o Hospital referencia da Zona Leste, o Hospital Santa Marcelina.
Minha mãe sofre de Alzheimer e após uma fratura de fêmur no início de 2021, ela deixou de andar e sua locomoção é feita em cadeira de rodas. Porém, em minha total ingenuidade, acreditei que não precisaria levar sua cadeira de rodas para um Hospital de referencia, mas ao chegar, fomos recepcionados por uma atendente chamada Bruna, muito gentil e educada, nos informando que não havia cadeira de rodas disponível e que deveríamos aguardar.
A pressão (baixa) de minha mãe foi aferida ainda no carro de portas abertas enquanto a acompanhante da Casa de Repouso que me dava suporte, saía na caça por um cadeira. Por sorte, ou talvez azar, depende do ponto de vista, ela encontrou uma jogada em outra ala do Hospital, mas ao chegar me deparei com algo que mais se parecia com um trator do século passado. Uma cadeira quadrada feita de ferro que andava de lado como um caranguejo. Além de tudo, minha mãe sofre de dores na coluna e ao senta-la na cadeira disparamos um sofrimento ignorado por atendentes, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos. Não importa se ela tem 79 anos e está com muita dor e visivelmente prostrada. Ela vai ter que esperar. Sequer um cobertor, sequer uma almofada.
Após algumas longas e dolorosas horas de espera na cadeira medieval, porque também não haviam macas no hospital de “referencia”, avistei uma maca deixada no corredor de outra ala pertencente ao SAMU. Peguei emprestada e disposto a não devolver nem para a ROTA. Mais algumas horas e chegamos ao Dr. Diego que após uma série de exames que demoram MAIS 5 Horas para ficarem prontos (É FATO), diagnosticou com uma infecção urinária e prescreveu uma série de medicamentos, antibióticos, um intramuscular, nada baratos e nos despachou.
Dois dias depois, em estado de prostração total, dormindo 23H 55 minutos por dia, corremos com ela de novo, agora para UPA do Tatuapé. UPA na teoria significa Unidade de Pronto Atendimento, mas na prática, Unidade de POSSÍVEL Atendimento. Para não ser repetitivo vou resumir a longas horas de espera antes da internação. Eu e meus irmãos ficamos surpresos pelo conforto das acomodações onde ela foi instalada. Apesar das UPAs servirem como um primeiro atendimento e com limitações a equipamentos para exames mais avançados, o espaço era confortável.
Após uma nova batelada de exames veio a notícia pesada que ela estava com SEPSE* e deveria ser encaminhada com urgência para o Hospital Municipal Cármino Caricchio, mais conhecido como Hospital do Tatuapé, em frente a UPA em que estávamos.
* Sepse ou sépsis (antigamente conhecida como septicemia ou ainda infecção no sangue) é uma doença complexa e potencialmente grave. É desencadeada por uma resposta inflamatória sistêmica acentuada diante de uma infecção, na maior parte das vezes causada por bactérias.
As UPAS não permitem acompanhantes, portanto fomos informados por telefone que para a transferência, um dos filhos responsáveis deveria estar presente para acompanha-la na ambulância à partir das 10:30H do dia seguinte.
10:30 meu irmão chegou e 13H eu e minha irmã o substituímos revezando para que pudesse trabalhar. Questionados sobre a demora ouvimos que não havia MACA disponível no Hospital Tatuapé e que somente após a liberação de uma bendita maca, a transferência seria realizada. Enquanto isso assistíamos ao show de horrores com drogados discutindo com seguranças e sendo presos, pessoas aguardando dobradas em dores com cólicas e assim por diante até 1H da madrugada do dia seguinte.
Neste intervalo chamaram minha irmã para ver minha mãe e tranquiliza-la porque estava agitada, certamente pela suspensão do medicamento chamado QUETIAPINA, receitado pelo neurologista para controlar o humor, necessidade para quem sofre de Alzheimer. Em 5 minutos em que minha irmã tentava acalmar minha mãe, um ser possuidor de um diploma de medicina (me recuso a chama-lo de médico, mas poderia elencar uma série de nomes ao qual ele se enquadra) invadiu a sala de internação falando alto como se estivesse na feira, dizendo que iria se livrar daquele lugar e apontando para os enfermos responsabilizando os parentes pela presença deles ali.
Posteriormente, desgastada pelo calvário vivido nos últimos dias, minha irmã educadamente (pra sorte dele era ela quem estava ali) pediu para ver o resultado dos exames e solicitou uma cópia para chegar com eles em mãos no Hospital para onde nossa mãe seria transferida e acelerar o processo. O jumento em questão, estupidamente respondeu que o acesso aos exames estaria disponível somente nas mãos do médico responsável pelo plantão para onde ela seria encaminhada.
Depois de tudo isso, surgiu um enfermeiro com bom senso ( fato raro nesta triste trajetória) chamado Claudinei, que ao perceber nossa indignação, se aproximou para entender o que havia ocorrido e prontamente nos trouxe os resultados dos exames, momento em que descobrimos a gravidade apresentada no laudo expedido. Além disso, nos liberou para irmos para casa descansar e que retornássemos após às 7:30 da manhã, porque acreditava que antes disso, seria inviável uma vaga na MACA.
Fechei os olhos às 2 horas, mas antes que meu sono ficasse profundo, 4 Horas da manhã, Claudinei, o bom enfermeiro, entra em contato comigo dizendo que minha mãe estava embarcando na ambulância e que deveria ter um de nós na porta do hospital para acompanhar nossa mãe no atendimento até às 4:30H, mais conhecido como “daqui a meia hora”! Resido em São Bernardo do Campo, então acionei meu irmão que mora próximo a UPA em questão e quase de pijamas se fez presente no horário solicitado.
Praticamente sem dormir, todos nós arrebentados, cheguei para substituir meu irmão às 7:30H.
Minha mãe estava deitada na bendita e requisitadíssima maca no meio de um corredor congestionado de doentes de toda a espécie. Pelo vidro redondo da porta balcão que dava acesso ao setor de internados era possível ver 3 enfermeiras em atendimento enquanto 2 técnicas em enfermagem faziam o que podiam no corredor. A internação para cuidar da infecção generalizada, com riscos e necessidade quase que imediata de entrar com os antibióticos parecia distante. Se a maca era rara imaginem um leito.
A situação caótica exigia apelos e adentrei porta adentro durante um respiro de atendimento e acessei o Doutor Nestor. Cabelos brancos, apresentando experiência, narrei a urgência indicada pela UPA e ele prontamente acelerou o processo solicitando uma refação de todos os exames.
Raio X, Tomografias, hemograma completo e exames de urina em mãos, 5 Horas depois, Dr. Nestor me aborda no corredor, com um parecer totalmente diferente: Inexistência total de sepsia e sim uma Anemia profunda. Minha mãe precisaria ser internada, mas quando, nem Deus sabia.
Entrando em agonia, apelei para alguns amigos na tentativa de acessar alguém no hospital que abreviasse o sofrimento de minha mãe. Aprovando o ditado que diz “quem tem amigos tem tudo”, minha mãe foi internada provisoriamente no setor de queimados e ali iniciado os cuidados para o tratamento da anemia.
Dividia um quarto confortável com TV, para abrigar somente 2 pacientes, onde conhecemos Dona Regina e seu filho Armando. Dona Regina aguardava há alguns dias para remoção de uma grande pedra nos rins. Antes dela ser encaminhada para a sala de cirurgia, veio a remoção de minha mãe para o sexto andar, ala da geriatria.
O que parecia ser um bom sinal por se tratar de um setor especializado em idosos, se revelou no maior pesadelo.
O quarto abriga 5 leitos. Cada leito possui uma luminária especial para permitir um atendimento individual noturno sem prejudicar o sono dos demais enfermos. Pelo menos em uma prática humanizada deveria ser assim, mas no Hospital do Tatuapé a palavra humanizado é desconhecida pelo setor.
A manipulação com os idosos doentes é bruta. Movimentam seus membros como se fossem bonecos ignorando dores reumáticas naturais nesta faixa acima dos 70 anos. Na primeira noite que assumi o plantão noturno em revezamento com meus irmãos, não acreditava no comportamento dos técnicos e enfermeiros de plantão. Mantinham a porta aberta constantemente e uma constelação de luzes acesas do quarto até a hora que bem entendessem. O corredor parecia um mercado de peixe. Gritavam entre as pontas do corredor, gargalhadas, lixeiras sendo arrastadas, pedidos de medicamento feitos a distância. Isso sem contar que, de forma inacreditável, a enfermagem mantém uma dispensa com insumos hospitalares dentro do quarto, rompendo noite a dentro acendendo todas as luzes para uso do armário e ignorando a presença de idosos doentes naquele recinto que agonizavam tentando dormir, além de todo mal estar, dor, ausência de um acompanhante por parte da maioria, portanto sós e com receio de reclamarem e piorar ainda mais a situação.
Cientes de que o sono é fator fundamental para recuperação e manutenção da saúde de qualquer ser vivo, que lugar é esse que chamam de hospital, mas na madrugada se assemelha ao inferno? Pelo menos foi esse o retrato imaginado por mim de como poderia ser a casa do anti-cristo.
Meu coração já saía pela boca e antes que explodisse procurei me informar com o enfermeiro Mário que cobria o setor naquele dia e estava no quarto naquele momento. Perguntei: Existe alguma necessidade em manter a porta aberta durante a madrugada? Nenhuma, respondeu prontamente. Segunda pergunta: qual a estimativa de horário para ministrar o ultimo medicamento nos pacientes do fatídico quarto 604? Examinou a prancheta e disse: 23 Horas. Terceira pergunta: Após este horário posso fechar a porta e apagar a luz para que os doentes possam ter uma noite de sono mais tranquila já que o barulho externo era intenso? Resposta: Sim, claro.
Além do barraco feito pela equipe de enfermagem, haviam gritos e gemidos naturais de dor que ecoavam pelas portas escancaradas de um quarto ao lado. Um cenário que mais se parecia com um ambiente de tortura.
Antes da saída de Mário questionei, mas desta vez em tom indignado porque não sou de ferro e meu saco não é de aço inox: Me explique o porque vocês acendem toda essa constelação de luzes durante a madrugada para verificar um único paciente se existe uma luminária acima de cada leito instalada para realização de atendimento individual? Porque acordar todos os outros se existem possibilidades para não fazer isso? Será que ninguém percebe que a porta escancarada e presa por uma lixeira bloqueia a entrada do banheiro dificultando o acesso dos idosos enfermos na madrugada que ainda são obrigados a fazer esforço físico para remover a lixeira e ao fazerem isso acordam os demais. Faxina na madrugada? Fecham a lixeira de forma bruta assustando os doentes que tentam retomar o sono? Que descanso é esse? Depois de um dia intenso de medicações e manipulações com banho, trocas de fraldas, limpezas, você não concorda que deveriam adotar um procedimento que zelasse pelo bem estar DELES e não facilitar o trabalho de vocês?
Minha forma didática e educada de falar (pelo menos penso ser assim rs) não escondia meu olhar de serial killer. Mário cabisbaixo, concordou com a cabeça.
Finalizei: sei que vocês estão sobrecarregados e muitas vezes isso tudo é imperceptível neste ritmo, mas gostaria que levasse isso adiante como sugestão para melhoria no atendimento de vocês, que não é bom. Te agradeço.
Mario saiu. Este papo aconteceu por volta das 6 Horas da manhã e foi um desabafo de minha parte após uma noite torturante.
Neste momento chega a equipe para a troca das fraldas das senhoras e pedem para que eu fique do lado de fora enquanto efetuam a assepsia.
Enquanto isso, caminhando pelo corredor em direção a área de enfermagem me deparo com o enfermeiro Mário saindo de uma sala sorrindo de forma irônica e ouço uma voz feminina dizer: Ele pensa que está onde? No Einstein?
O ELE era EU!
Calmamente cruzei a frente do Mário e antes que a porta se fechasse entrei na sala e surpreendi a grilo falante:
“Você pode não ter em mãos a estrutura física e tecnológica oferecida no Einstein, mas um serviço mais humanizado pensado no bem estar dos pacientes que chegam aqui precisando de conforto físico e emocional, isso é possível. Basta coração, bom senso e boa vontade. Um Einstein pode ofertar um certo luxo, mas não é porque estamos no SUS que o serviço tem que ofertar um certo lixo.”
Os olhares de alguns colaboradores que degustavam seu café da manhã estalaram com minha inesperada aparição. A Mocinha bocuda em questão, estatura baixa, cabelos negros encaracolados, usando óculos e uniforme azul de enfermagem extra G, sem crachá (cujo nome ainda não consegui, mas pelo biotipo e data do plantão, 6 Horas do domingo do dia 8 de maio, DIA DAS MÃES, será facilmente identificada), de forma arrogante alegou que as portas ficam abertas para ouvirem o chamado dos pacientes e que no quarto 604 as pacientes não andam até o banheiro! Antes que ela terminasse sua desculpa esfarrapadíssima, disparei sob os olhos arregalados da simpática Vanessa, responsável pela limpeza do andar: “Das 5 pacientes, 3 levantam à noite e caminham até o banheiro e se precisarem de auxílio, pelo quadro clínico, não possuem força vocal para pedir ajuda aos gritos. Estou lá e posso ajuda-las . Cada quarto é um quarto. Diferentes necessidades, mas para distingui-las é preciso coração”.
Ao encerrar meu discurso o silêncio tomou conta do andar. Atitude que deveria ter sido tomada durante todos os períodos. Talvez não reconheçam essa necessidade porque não existem aquelas antigas gravuras onde víamos a imagem de uma enfermeira com o dedo indicador entre os lábios indicando o pedido de silêncio.
Precisamos investir em educação, mas principalmente em educação comportamental, pois vivemos em um país onde é necessário colocar placas nos banheiros implorando para o usuário dar descarga após o uso e não urinar fora do vaso! Assim sendo, acho que chegou a hora de resgatarmos a saudosa, porém oportuna imagem da enfermeira pedindo silêncio. Um símbolo do comportamento.
Estamos em um ano eleitoral e geralmente repleto de médicos se candidatando a deputado federal e prometendo cuidar melhor da saúde; Minha sugestão: Iniciem pela triagem, mas não dos pacientes, mas do corpo clínico. Tecnicidade você aprende, mas caráter, sensibilidade e amor ao próximo, não.
Boleiros do Terrão
A paixão da minha geração era a bola.

Pré-Mirim, Mirim, Infantil, Infanto, Juvenil, Principal, essas eram as divisões das bases que escalei ao longo dos anos na Várzea e um pouco na base de clubes grandes. Meu futebol era honesto. Um arroz com feijão bem jogado, mas nada que pudesse me levar ao profissional. Meu negócio era o terrão!
Era início dos anos 70. Debaixo de sol ou tempestade, às sete horas das manhãs de domingo, estava eu portando uma sacolinha de pano recheada por um par de chuteiras, duas faixas e um par de caneleiras, acessório recém lançado na época, aguardando abrir o portão de ferro pintado de branco com o distintivo do 7 de Setembro da Água Rasa, primeiro clube que tive orgulho de vestir a camisa com furinhos, mas não para ventilar, mas comida pelas traças.


Com pinta de boleiros, já no vestiário, sentados em bancos de madeira, semi podres disfarçados com tinta verde escura, esticávamos a faixa presa entre os dedos do pé pra fazer o rolinho que desenrolaria pressionado para proteger os tornozelos das botinadas adversárias. Os uniformes eram farrapos descartados pelo time principal adulto, e evidentemente imensos para nós crianças. Os meiões sem elástico eram presos por um barbante ou cadarço amarrado logo abaixo do joelho. Os calções pareciam saias, mas o que nos importava era a alegria em receber arremessada pelo treinador a camisa – lembrando, esburacada pelas traças – de titular com numeração limitada entre 1 e 11 determinando nossa posição.

A bola era única. Nada de peso e tamanho determinado por idade. Era uma bola de capotão (couro) que ensebávamos com um pedaço de carne engordurada – presenteada pelo açougue – para conservar ela lisa. Porém nos dias de chuva, o campo de terra transformava o futebol em rally e a bola virava um meteoro com placas de barro que a deixavam com o dobro do peso. Isso nos deixou com chutes poderosos comparado com o dos burguesinhos que jogavam com bolinha dente de leite nos campos de grama, mas também arrancava pedaços da nossa testa quando cabeceávamos. Difícil era convencer nossos pais que não houve briga e sim que o estrago foi feito pela bola.
Por falar em briga, nem sempre, mas em algumas MUITAS ocasiões, este campão de terra se transformava em praça de guerra. Bastava uma, somente uma jogadinha violenta pra gente se auto afirmar na porrada. O segredo era bater rodando e apanhar rodando também, as vezes tiro amigo, porque no agito da confusão não dava tempo de identificar o adversário, batia no primeiro que aparecia pela frente, principalmente se você já estiver com o olho roxo.
Ganhando ou perdendo, após o jogo a molecada se encontrava no boteco que ficava do lado de fora do alambrado pra receber nosso Bicho felizes da vida: um guaraná e um cachorro quente.
Essa era o retrato do nosso domingo feliz! rs
