Os chinelos teleguiados da minha mãe

Nasci em São Paulo no bairro da Água Rasa localizado entre o Tatuapé do Corinthians e a Moóca do Juventus, mas como raríssimas pessoas sabiam sua localização, eu e meus amigos, pra não ficar explicando demais, ou pior, dizer que era no início da avenida Sapopemba (nome feio da pemba), que afastava a freguesia, então dizíamos que morávamos no Alto da Moóca, pronto.

Ainda molequinho, me lembro do tico-tico e da lambretinha a pedal, da toalha nas costas que faziam a mim e ao meu irmão acreditar sermos super-heróis e caminhávamos sobre o muro como gatos até sermos resgatados pela orelha por nossa delicada mãezinha. Eu e meu irmão devíamos gostar do Zorro (olha a memória falhando) pois ganhamos de presente de nossos pais um kit com Chapéu, máscara e espada. As espadas eram de borracha flexível estilo cassetete e não tardou sua utilidade para deixarmos as marcas do ZORRO nos vizinhos metidos a besta que moravam em frente nossa casa, deixando alguns vergões na lembrança daqueles três irmãos que, até aquele dia, nos enchiam os pacová.

Porém a sova que levamos na sequencia de nossa santa mãe foi pior.

Por falar em sova, minha mãe possuía chinelos, tamancos ou qualquer coisa que estivesse calçando com a capacidade teleguiada por sua fúria que permitia a seus calçados fazerem curvas e nos atingir com a precisão de um franco atirador. Tenho isso gravado na memória e por anos em galos que saltavam da minha testa.

Me lembro também da primeira bicicleta, uma bandeirantes, pneu maciço e sem freio que destruí junto com algumas partes do meu corpinho cabeçudo no portão de aço da garagem de um vizinho que ficava na curva da ladeira ao lado da nossa casa.

Minha cabeça era algo notável, não pela inteligência, mas pela sua leve dimensão. Ao tentar chamar a atenção do meu pai, entrava na frente da TV, abria os braços e dizia:

  • Agora ninguém vê mais!

E de bate pronto o sacana do meu pai respondia para deleite de meu irmão:

  • Nem precisa abrir os bracinhos !

Assim como fez com meu irmão, minha mãe me acompanhou até a porta do colégio de freiras “Nossa Senhora de Lourdes” e durante o trajeto dizia para que eu memorizasse o caminho caso precisasse ir sozinho. Íamos sós. Eu e meu irmão. Seis e sete anos de idade respectivamente caminhávamos algumas boas quadras. Outros tempos.

Primeiro dia de aula, lembro do chorinho na entrada do colégio me sentindo abandonado pela minha mãe e pelo meu irmão que já corria na direção dos amiguinhos de classe, mas no dia seguinte, estava eu também correndo pra galera.

Minha primeira professora se chamava irmã Leocádia – com este nome tinha que ser freira, que Deus me perdoe – não sei o que ela aprendeu em seu ensino religioso, mas ela transformava a sala de aula em um calvário. Caminhava como uma general entre as carteiras empunhando uma régua de madeira de 40 centímetros pronta para ser usada contra o primeiro engraçadinho.

Usávamos uma mala acartonada para levar o material escolar e um dia retornando pra casa debaixo de chuva, advinha, vi partir em retirada pela enxurrada, caderno, livro e estojo pelo fundo da malinha rasgado pela umidade.

Tomamos outro pau. Em casa era sim. Na dúvida de quem foi o responsável pela merda, apanhava os dois. Era phuds!

Nossos pais trabalhavam e à tarde ficávamos sós, eu e meu irmão, 11 meses mais velho, com a única tarefa de fazer o dever de casa.

Um dia, após finalizar nossos afazeres escolares, enquanto eu brincava com bolinhas de gude no chão, meu irmão arremessava pequenas bolinhas de “papel amassado” na direção do lustre em forma de globo que ficava na sala. Ingenuamente, acho eu, pensei que o som do impacto de uma bolinha de gude seria maior que o das bolinhas de papel. Competição entre irmãos. Bastou um único tiro certeiro para moer o globo.

Lembro de minha mãe adentrar a casa poucos minutos depois deste extraordinário e imbecil feito dizendo:

  • Cadê meus anjinhos!

E menos de um segundo depois, ao ver os cacos de vidro no chão…

  • Puta Que Pareoooooooooooooooooooooo !

Conhecendo a fera, já aguardávamos nossa algoz dentro do banheiro com a porta fechada a chave. Eu e meu irmão havíamos combinado de só abrir a porta quando a leoa se acalmasse, porém o traíra abriu a porta e saiu gritando:

  • Foi o Mi! Foi o Mi*!

(*Mi era meu apelido de infância porque este infeliz não conseguia – evidentemente pronunciar o meu nome, tipicamente brasileiro, Wladimir.)

Recordando que a lei da casa era “na dúvida apanha os dois”, a porta mal se abriu e ele já tomou o primeiro Box e saiu dançando bolero pelo corredor. Eu estava encolhido feito um tatu bola protegendo a cabecinha avantajada ao lado do vaso sanitário, mas ao levantar o olhar vi um cinto entrar antes de minha mãe no recinto – cinto no recinto, sinto muito – que se transformaria em um octógono de MMA onde eu seria nocauteado no primeiro round e como prêmio de consolação ganharia o apelido de zebra pelos coleguinhas demoníacos, discípulos da irmã Leocádia, parente de Lúcifer.

Lembro de brincar muito no recreio (nome dado ao intervalo no colégio) ao ponto de esquecer de ir ao banheiro. Entrava na sala de aula e pedia para Santa Irmã Leocádia:

  • Posso ir no banheiro?

Com olhar de lobo a freirinha de 1,5 metro de pura cortesia respondia:

  • O recreio serve para isso também. Agora, se estiver apertado, faz nas calças.

Não levei a ordem ao pé da letra, porém o perigo real e imediato me fez sacar o “junior” e descarregar a urina direcionando o jato para frente. O desespero era tamanho que não me atentei a Nizinho, a coleguinha sentada na carteira à minha frente com a infeliz mania de manter seus pezinhos e perninhas com meias brancas ¾ do uniforme  recolhidos para trás, ou seja, praticamente em baixo da minha carteira.

Naquela época a escola era uma extensão de casa
Mil e uma utilidades

Não preciso contar o resto. Vou deixar para sua imaginação, mas o resultado foi, após o grito da “miguinha, conhecer de perto, bem de perto, pertíssimo, a régua de madeira Leocadiana e o caminho percorrido com minha orelha suspensa até a diretoria.

Mais um cacete maternal.

Lembro também de meu irmão ficar com uma pusta febre porque minha mãe não comprou um aviãozinho de plástico verde com as asas vermelhas ( e ele não torcia para a Portuguesa de Desportos, era corintiano e virou palmeirense, vai entender) que ele viu em uma vitrine a caminho da escola. A febre só cedeu quando nossa tia Zélia apareceu com o danado lá em casa e deu de presente pra ele.

Tivemos Forte Apache, Autorama Interlagos… meu irmão rasgou o saco em um prego espetado em um cabo de vassoura que ele acreditava ser o cavalo do zorro…pensando bem este zorro só trouxe desgraça pra nossa infância!

Futebol de rua

Futebol de campo, de salão, na escola, mas onde o pau comia mesmo era na rua.

As traves eram chinelos ou pedaços de pedras afastados a três passos. Lateral só se a bola caísse no terreno vazio. Portão, muro e meio fio (guia) da calçada eram usados para fazer tabelinha. Diferente do futebol britânico, onde os jogadores possuem nomes que mais lembram dinastias, o jogador brasileiro tinha apelidos: Didi, Vavá, Pelé, então seguindo as regras do nosso país, eis os nomes dos atletas do asfalto: Mi, Wande, Cacalo, Cato, Cabeção, Pesão, Caçapa, Zoinho, Tacílio, Negrão, Neizinho, Tildo, Tarso, Ninho, Giba, Guba, Kiko e Pistolinha.

O time era escolhido de forma equilibrada entre melhores e mais ou menos, ou menos menos. Tinha gente que chutava a favor do vento. Este era o critério pra deixar a pelada competitiva e muito divertida, pelo menos até a bola cair no quintal da casa da Cigana (apelido dado devido ao figurino e aos brincos de argola com capacidade para pendurar uma tolha de banho), vizinha que mantinha o Dodge Dart do marido na rua para não estragar seu jardim de rosas. Foram algumas bolas rasgadas que deram início a uma pequena guerra com a molecada.

Um moleque sozinho já é perigoso, um monte já é formação de quadrilha. Arquitetamos um plano que foi aprovado por unanimidade: Todos faríamos xixi em um galão de 18 litros (latão de tinta vazia) posicionado do outro lado do muro de um terreno vazio em nossa rua que pertencia ao posto de gasolina localizado na avenida paralela.  Então, deu vontade de mijar, pula o muro e enche o latão. Nossa rua era uma vila com casinhas geminadas e garagem para um carro. A casa do Toninho Caçapa era colada na casa da Cigana (Dona Ruth) e possuía um murinho que cobria o registro de água e serviria como nossa plataforma de lançamento de xixi sobre as lindas roseiras da megera. Nossa rua se chamava São José, mas o nome da santidade não impediria nossa vingança. Na calada da noite despejamos o conteúdo cujo perfume seria suficiente para dizimar o Jardim do Eden. A molecada era a base de kisuco, portanto nem a grama sobreviveu. Não sobrou nada além dos gritos da bruxa na fatídica manhã em que acordamos todos a gargalhadas.

O campo de batalha foi formado. Mesmo a pedido do Neco, seu marido que lhe dizia para não arrumar confusão com moleque, ela permaneceu no “front” com sua faca de pão afiada destruindo nossas bolas.

Pensamos no Plano B: Se xixi não foi suficiente para acalmar a ira da esquisita, merda nela. No final da Vila, havia um estacionamento que servia para descarregar os produtos de um restaurante localizado na rua de cima e com um banheiro para funcionários cuja relação com a higiene não era das melhores.

Porém isso favorecia nosso plano: recolher merda para rechear a maçaneta do fusca 73 (que era oca) da bruxa ciganhenta.

Durante a semana nossa arqui inimiga levava seu filho esquisito na escola, aliás essa era a principal característica daquele núcleo familiar capaz de deixar a Família Adams confusa. Com nossa ação devidamente planejada, minutos antes do início da rotina, enxertamos um “toronço” campeão (nome dado àqueles troncos de merda que mereciam nome e cerimônia de batismo) no interior da maçaneta do fusca usando um palito de picolé e sentamos na calçada do outro lado da rua que serviria de camarote para assistir àquele que se pronunciava ser o maior espetáculo a céu aberto da Água Rasa!

A vamp abre o portão e caminha na direção do fusca bomba. Tentem imaginar a cena: Ela em câmera lenta. Seu vestido longo coloridão tremula ao vento. As imensas argolas dos brincões e pulseiras tilintam enquanto ela nos fuzila com seu olhar de sombra azul e cílios postiços ameaçador. O molho de chaves é sacado da bolsa tão colorida quanto o vestido e sua maquiagem. A chave gira a tranca e sua mão esquerda parte na direção da esmerdalhada maçaneta. Nossas sobrancelhas se levantam com a mesma intensidade da tensão e da taquicardia que toma conta dos esqueletos bandidos que se remexem sobre a calçada. Neco observa a cena e enquanto fuma seu cigarro, que entre uma baforada e outra, cria uma cortina de fumaça capaz de esconder os tênis pendurados na fiação da rua. Nossa ansiedade nos fazia imaginar o som da merda penetrando os vãos entre os dedos de unhas imensas e claro, coloridonas como o vestido, a maquiagem e a bolsa. Ao pressionar a maçaneta nosso sonho se realiza. A bruxa não acredita que aquilo possa estar acontecendo. Olha para a mão esquerda e inicia o movimento de levar ao nariz, mas não foi necessário. O aroma fedorento chicoteou sua cara que agora expressava uma mistura de nojo e ódio. Seu olhar era de uma serial killer. No camarote, também em câmera lenta, segurávamos o prazer da vingança nos olhos lacrimejados de felicidade pela execução vitoriosa do nosso plano que culminaria em uma imensa gargalhada ao ouvir a frase indignada da Cigana da São José:

  • Neco! É merda Necooooooo!

Neco engasgado na fumaça dispara com um certo ar de satisfação compartilhada:

  • Eu avisei você pra não arrumar confusão com moleque, não avisei?

Explodíamos em êxtase enquanto Neco escondia seu sorriso maroto de apoio velado à nossa missão e disparávamos ladeira abaixo para não sermos executados em plena luz do dia sem direito a julgamento.

Resultado: Nossas bolas não seriam mais rasgadas e nossas necessidades fisiológicas não precisariam mais serem compartilhadas. A paz reinava no front que agora mudava o nome de Rua São José para Rua Baía das Garças, ou seria Baía das Desgraças? Não me lembro.

A CHATICE DO FUTEBOL PROFISSIONAL BRASILEIRO

Há muito tempo atrás éramos reconhecidos como o Brasil dos jogadores de futebol mais habilidosos do mundo! No gramado tínhamos verdadeiros lordes que não sabiam a cor da grama porque jogavam de cabeça erguida! A habilidade era tamanha que os adversários caçavam nossos craques, mas não os encontravam. Mesmo sobre pontapés, caíam e rapidamente se levantavam ignorando as agressões em nome do futebol arte e só paravam quando a bola estufasse as redes do adversário !

Era a beleza do futebol traduzida em gritos de gol em uma arquibancada que extravasava suas paixões!

Essa paixão chamou a atenção do marketing das grandes marcas e assim nossos craques foram exportados e a nossa magia se fora com eles. O dinheiro entrava em campo e a molecada que no passado sonhava em ser ídolo entre os torcedores, hoje, salvo raras exceções que trabalham para tirar a família do buraco, uma grande maioria sonha com a fama e a conta bancária milionária e seus bens expostos nas redes sociais. Funk da bola ostentação.

“Não quero ser craque, quero ser famosão! “

O estádio agora se chama arena com direito a “name right” pra quem pagar mais e o olhar do “atleta” que deveria estar concentrado na bola e na sequencia da jogada para se transformar em gol vibrado em alto e bom tom na garganta e reverberado no coração do torcedor foi substituído pelo contracheque e pela busca do estrelato e da popularidade fora dos campos de futebol.

Mas e o fã? O apaixonado pelo futebol que com muito sacrifício compra o ingresso pra prestigiar o time e em contrapartida só quer sorrir ao ver seu clube do coração ganhar? Como é que ele fica?

“Ah! Esse que se dane!”

O que está enterrando de vez a bolinha que estamos vendo rolar com dificuldade sobre o tapete verde, alguns artificiais pra combinar com o nosso futebol, é que agora alguns jogadores querem transformar este esporte em novela mexicana! Com algumas maldosas exceções, o contato físico natural deste esporte agora tenta ser transformado em agressão, onde uma mão no peito em uma disputa de bola faz com que o jogador se jogue no chão estrebuchando com as mãos levadas ao rosto como se tivesse levado um tiro na cara.

Simulação feita por atores ruins que usam deste artifício para esconder a mediocridade de um futebol decadente revelado em câmera lenta por poderosas câmeras que expõem a vergonha sentida por nós nessa representação triste do que restou do nosso saudoso futebol arte. Se jogam na área adversária como se tivessem sido atingidos por uma granada! E ainda levantam enfurecidos pedindo cartão amarelo ou vermelho para o zagueiro que acompanhou a cena com piedade cristã.

Parafraseando o grande e divertido locutor Milton Leite: “Que beleza! Agora eu se consagro!”

Sou fã de futebol e por essa razão acompanho sempre que posso a Premiere League e os grandes jogos da UEFA Champions League para verem brilhar astros como Messi, Cristiano Ronaldo, Pogba, Kanté, Salah, Mané, entre outros verdadeiros profissionais que valorizam mais o espetáculo da bola e respeitam o torcedor apaixonado por futebol. Enquanto aqueles que sonham em serem os melhores do mundo, esquecendo que são jogadores de futebol e não super astros de cinema, compartilho uma dica com uma modesta opinião caso ainda sonhem conquistar a chuteira de ouro: Humildade e foco na bola e não nas câmeras de Tv e de paparazzis de plantão.  Protagonize dentro das 4 linhas e não fora delas. Jogue futebol e deixe sua vaidade para seu próprio espelho. Seja notícia pela obra de arte que pinta em campo e não na arte que apronta fora dele. Seja famoso pelo seu trabalho e não pelas postagens que faz nas redes sociais ao lado de outros famosinhos ! Seja honesto em campo como um homem deve ser dentro e fora dele. Quem gosta de bola quer ver show de bola. Show de presepadas aos fãs de futebol é agressão e não nos interessa…falo por mim, claro.

Bola pra frente! Se for possível.

CORDEL DA VIDA

As vezes me pergunto: o que é que tô fazendo aqui?

Vivendo num mundo que basta um segundo pra você sumir

Com gente agressiva que fala de morte, vive dando peti

ao invés de simplesmente sorrir

Não questiono crença ou qualquer diferença

Somos todos seres humanos, gente que pensa

Que sonha acordado e também quem nem consegue sonhar

Que vê apenas problema por qualquer caminho que passar

Mas também vejo muita gente boa

Que jamais se magoa

Porque ao invés de tentar entender

Tem coração maior que irá compreender

Essa gente quero sempre ao meu lado

Que não enxerga o pecado

Um erro que pode ser perdoado

Porque tudo aqui é aprendizado

Tem gente que vive com pressa

Que trabalha a beça

E não encontra tempo pra ver

Um bonito amanhecer e a lua que faz um buraco no escuro ao anoitecer

A vida é um escola

Que não pede esmola porque tem muito pra dar

Com amor a tudo aquilo que o dinheiro não pode pagar

Pequenas grandes coisas que se distanciam do ter,

mas te aproximam do ser.

A ARTE DE PEIDAR

A flatulência é algo que certamente gera desconforto  quando não se é proprietário do feito, mas um pusta conforto àquele a quem de fato pertence, ou seja peidar faz bem!

O Ato em si gera controvérsias na cultura mundial. Tenho um primo que é médico há algumas décadas e logo após sua formatura, viajou para a Alemanha para fazer uma especialização em medicina esportiva. No intervalo de uma aula, caminhando pelas ruas de Munique com um colega Alemão, sentiu que o cara havia exagerado no Chucrute, e típico de um brasileiro disparou uma piada a queima roupa, ou a queima cueca:

  • Acho que vai precisar fazer uma cirurgia de reconstrução do reto! (risos)

Porém, ao invés de uma boa risada entre colegas de curso, recebeu uma dura:

  • Você como médico sabe muito bem o quanto faz mal reter gases e me admira este tipo de comentário vindo de você! Acho que no Brasil as pessoas não soltam gases.

Entre o choque de culturas, meu primo Dotô rebateu:

  • Soltamos gases sim, mas não em público. No Brasil é falta de respeito. Além do mais você está sendo delicado porque o que você fez foi picar seu rabo e jogar na minha cara! (gargalhou e largou Dr. Chucrute no meio da rua acompanhado agora somente por sua saudável nuvem tóxica).

É claro que sabemos que apesar de ser considerado uma falta de respeito peidar próximo as pessoas, como este tipo de gás não é visível, só “sensível”, a maioria das pessoas fazem exatamente o que Dr. Chucrute fez: Liberam o argônio e que  se dane o nariz alheio.

Certa vez, estava eu e dois amigos atores no hall de um prédio de um edifício comercial aguardando o elevador (aqueles com capacidade para 22 pessoas) quando se aproximou uma mulher com um bebê no colo. Um destes meu amigos liberou uma daquelas bufas silenciosas – que se tivesse nome, pelo som foneticamente falando poderia se chamar “Rodolfoooooooo” – capazes de destruir o olfato de qualquer ser vivo – no exato momento em que a porta do elevador se abria e, todos entramos. Claro que o acompanhante invisível veio junto e absorveu toda oxigenação antes que a porta do elevador se fechasse. Foram os 20 segundos mais longos da minha vida. A expressão  no rosto das pessoas que ali estavam era de desespero. Como no teatro, entramos em cena e ficamos de frente para a plateia e de costas para mãe e seu rebento que dormia entre seios. Eu, cúmplice daquela tentativa de atentado terrorista, não sabia se gargalhava ou se chorava, mas não consegui segurar a “lagriminha ” que escorria por um dos meus olhos. Quando finalizava minha oração mental para que o elevador chegasse ao térreo e nos libertasse daquela situação constrangedora, o autor do feito e proprietário da massa gasosa anti-ambiental, colocou sua técnica dramática em ação e, com a maior cara de pau da galáxia, olhou para as pessoas e sussurrou:

  • Será que esta senhora não percebeu que o filho dela está todo cagado?

Naquele momento desviei minha mente para os templos budistas na tentativa de sacar meu espírito daquele elevador que não chegava nunca, mas no físico eu já estava em prantos nadando em lágrimas que atraíram todos os olhares ali presentes com a cara de quem, se tivessem legendas, estaria escrito: FOI ELE.

Este tipo de comportamento é mais típico das pessoas do sexo masculino que acham divertidíssimo destruir o círculo formado para uma conversa entre amigos ou protagonizar uma saída triunfal de um vagão de metrô e ainda descaradamente parar do lado de fora sobre a linha de segurança amarela para se deleitar observando a expressão de destruição em massa daqueles que ficaram com os sinais de sua digestão.

É claro que as mulheres também peidam e as vezes tão ou mais fedido que uma hiena digerindo a carniça do seu desjejum, mas geralmente elas “costumam” ser reservadas e sem o espírito de porco da maioria dos homens, que me perdoem os suínos. Gostam, como elas definem, soltar seus “punzinhos” sentadas no vaso sanitário, por exemplo. Mas o que elas desconhecem é que este receptório de excrementos humanos, pelo seu design, funciona como um reverberador capaz de potencializar o ruído e transforma-lo na nota “Dó” de uma tuba ao ponto de convocar com urgência a defesa civil. Portanto meninas, a partir de agora levem uma manta de som ao banheiro.

Baseado neste tipo de comportamento, talvez os alemães estejam certos: Assumam seus gases e sejam felizes sem cólicas.

O TIK TOK E O NOVO RETRATO DO INFERNO

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Reconheço que as gerações mudam e as nossas vidas passam por uma turbulenta revolução tecnológica que nos permite acessar um universo de conhecimento com apenas um dispositivo em mãos e, com eles surgiram uma enxurrada de startups ofertando plataformas de serviços que facilitam nossa vidas, o que é maravilhoso! Porém, alguém sabe me dizer para que serve este tal TIK TOK além de extrair o lado ridículo do ser humano? Dancinhas, coreografias, dublagem de musicas ou diálogos conhecidos de filmes para expor as pessoas ao topo da irrelevância e de quebra capturar dados?

Bom, ciente de não pertencer ao público alvo e colocando aparte o meu lado ranzinza, todos possuímos o poder da escolha para fazer o que quisermos e assumir vergonhas futuras que certamente virão, mas quando surge algo que invade sua vida com uma publicidade de tortura invasiva que sem pedir permissão se camufla para se instalar em seu celular, é demais!

No último domingo, logo após me deitar e preparar a carcaça para mais uma semana de batalha, autorizei uma atualização do sistema androide do meu celular e peguei no sono. Pela manhã, após acordar meu celular para ler as notícias durante o café fui surpreendido ao ver dois aplicativos instalados sem minha solicitação: Sansung itaú card e advinhem, TIK TOK !

Como se já não bastasse ver este aplicativo me perseguindo a cada segundo por onde direciono meus interesses no digital, estes bandidos agora invadem meu celular sem autorização??  Na era digital viramos números, algoritmos perseguidos para nos transformar em dados que serão negociados a valores estratosféricos.

Enquanto as pessoas se submetem a se expor ao ridículo em troca de curtidas vazias que flutuam no universo do absurdo Tik Tokiano para fazer Freud se remoer no túmulo, a busca incessante pela fama e enriquecimento repentino no digital parece uma doença pré existente desta nova geração, talvez algo que apareça em breve no preenchimento dos cadastros das operadoras de plano de saúde: Você sonha em ser influenciador? Em caso positivo custos adicionais de terapia serão implementados.

A palavra influenciador rola na boca dos adolescentes feito charuto na boca de bêbado e pelo visto, salvo raras excessões, a maioria não sabe o significado da palavra.

“São uns caras legais que fazem umas paradas da hora!”

Baseado nisso, imaginei abaixo uma conversinha de alto nível de desentendimento entre a ficção e a realidade.

Provável diálogo de um ser humano inconformado como eu com o adolescente prodígio residente em vênus:

O que você quer ser quando crescer?

R: Famoso!

Mas vai estudar para qual profissão?

R: Isso não importa. Preciso descobrir uma forma de ser famoso, ter milhões de seguidores nas redes sociais e ficar milionário!

Como não importa? Se você quer ser famoso precisa ter talento pra alguma coisa, precisa buscar conhecimento e estudar muito pra ter credibilidade pra falar sobre determinado assunto com propriedade e assim conquistar um público relevante! Não é isso?

R: O que você acha de eu gravar uns vídeos dançando e fazendo umas coreografias no tik tok?

Acho que devia se internar.

R: Já sei! Vou seguir carreira musical!

Vai fazer universidade de música! Legal!

R: Vou virar funkeiro!

Se quiser anotar uns palavrões pra começar a compor estou com alguns na ponta da língua. Vou comprar um pinico pra te inspirar.

O TIK TOK E O NOVO RETRATO DO INFERNO

De carona com o corona

Não existe uma alma viva que não esteja tentando entender o que está acontecendo no planeta.

Uma preocupação generalizada que deixa claro nossa vulnerabilidade neste jogo de xadrez chamado vida, que coloca em check o rei da nossa existência. Uma oportunidade para reflexões, re-enxergar os seus, despertar para os não seus, fortalecer valores adormecidos e ao mesmo tempo, iguala os seres humanos para a não existência de rótulos para nossa existência.

Um momento difícil, mas revelador. Meios de comunicação presos a um único tema, a manipulação de notícias em uma ciranda de interesses políticos e econômicos, teorias de conspiração, oportunistas de plantão e na contrapartida o despertar da solidariedade…de alguns poucos, porém valiosos como tudo o que é raro.

Não levo jeito para filosofar e muito menos poetizar sobre as coisas da vida, mas confesso que este momento me fez revisitar minhas crenças e mergulhar no meu subconsciente que estava em letargia total. Talvez o seu também. Não se iluda.

Desunidos somos impotentes perante a máfia dos poderosos de colarinhos alvos e reluzentes que ofuscam a sociedade dos comuns por detrás de leis leoninas seculares criadas no início do Brasil colônia para protegerem um patrimônio sangrado dos cofres públicos, portanto nosso, deflagrando uma matemática com um problema solúvel nas mãos de uma classe política insolúvel. Não sei por quanto tempo, mas sinto que uma hora a panela de pressão explode.

O ser humano, mas para ser justo, parte dele, talvez a ala mais forte, infelizmente, é desprezível em seu grau de egoísmo, egocentrismo, e por eufemismo suavizando todos os “ismos” que compõem o mau-caratismo.

Isso me faz lembrar da serie americana “Lúcifer” onde vemos o chefão das trevas tirando férias em Los Angeles se divertindo entre punições àqueles espertinhos  revelados na terra antes de desembarcarem definitivamente no inferno.

Um conhecido meu, curioso pela etimologia das palavras, certa vez me disse que Lúcifer quer dizer “e a luz se fez”. Pode fazer sentido se considerarmos tratar-se de um anjo caído. O filho ovelha negra do todo poderoso em busca da redenção, me referindo a serie de TV.

As vezes penso que se ele quiser dar um rolê em Brasília para uma visitinha de cortesia e garimpo, talvez este processo que estamos vivendo hoje poderia ser abreviado. Minha única preocupação é que neste pacto, ficaríamos em débito com o capeta, mas os dias vividos confinados entre pijamas e roupas folgadamente confortáveis e horrorosas e “lives” para derrubarem outros anjos do céu, findariam.

UM PUNZINHO NO ESCURO

Muita gente não sabe, mas iniciei meus trabalhos no universo da comunicação algumas décadas atrás trabalhando como ator.

Apesar desta carreira ter me conduzido até onde estou hoje, não é ela que atualmente paga minhas contas.

Como um polvo faminto, abri meus tentáculos e agarrei parceiros com experiências distintas em diversas áreas da comunicação e juntos criamos a OCTOWORKS, que vai muito bem obrigado. Sabemos que para se ganhar dinheiro como ator, ou em qualquer setor ligado a cultura e arte, é preciso fazer sucesso com o público e, para isso, você necessariamente precisa estar na mídia para ganhar visibilidade e consequentemente cair nas graças da galera.

Como sempre fui mais operário do que artista, onde me sentia esquisitão nos exercícios propostos nas aulas de teatro, como imaginar ser um feto na barriga da mãe ou uma árvore e outros bichos estranhos que tentaram embutir nesta carcaça que vos escreve, pensar em ter um nome artístico era insano pra mim, além do fato que iria chatear a família. Achava uma bobagem, pois sinto que primeiro o público se apaixona pelo personagem, depois pelo ator e só aí que resolve pesquisar o nome do cabra, portanto considerei que a mistura entre um nome russo – Wladimir – e um sobrenome italiano – Candini – eram mais do que suficientes pra fazer estrago na mente das pessoas. O mercado me abraçou pelo sobrenome e lá fui eu, Candini is my name.

Dinheiro de verdade ganhei fazendo publicidade e trabalhando no mercado corporativo, em eventos, vídeos institucionais, treinamentos e lançamento de produtos, mas baseado no resultado do meu trabalho no setor de entretenimento, deveria ter adotado o pseudônimo de “Modesto”.

Wladimir Modesto, Modesto Candini, não pela sonoridade ou pela numerologia, mas pelas participações que fiz durante anos alimentadas pela esperança de me ofertarem algo um pouquinho melhor em que eu pudesse interpretar um personagem que não fosse eu mesmo com figurinos diferentes, algo recorrente nos folhetins da Tv brasileira.

Passei pelo teatro, fiz novelas, séries de Tv, longa metragem e recentemente estreei uma série na Netflix.

O que elas tem em comum? “Modestas” participações. Daí a inspiração para o nome artístico. Uma participação “modesta”, mas quando você sente que o personagem tem representatividade e o texto lhe é convidativo para provocar algumas nuances na fala que caracterizem seu personagem, acaba nos levando a aceitar o “papel”, mas no meu caso a maioria tiveram um resultado final frustrante e vou descrever porque:

Fiz “Laços de Família” na Globo, uma participação “modesta” com o personagem Martins, mas ouvi nos bastidores que o meu nome fora ventilado para fazer a serie “Presença de Anita” logo após o término da novela. Me descreveram o personagem e parecia ser uma oportunidade interessante. Um personagem do começo ao fim. Ventilou tanto que a proposta se perdeu no espaço.

Após esta novela fui convidado pelo SBT para fazer a “Pícara Sonhadora”. Jesus é pai! Com este nome fui para reunião com 2 pés atrás, o terço na mão e minha agente a tiracolo. Sim, tive até agente. Ao conversar com o diretor de elenco sobre meu personagem, me pareceu interessante até falar sobre a grana. Ruim demais. Levantei e fui embora.

Anos depois recebi outro convite da Globo para fazer uma única cena na novela 7 PECADOS onde contracenaria com a fabulosa Elisabeth Savala. Humor puro e rasgado em uma cena de aproximadamente 3 minutos. Acreditem que 3 minutos é um bom tempo em cena. O texto de Walcyr Carrasco era muito bom e a cena divertidíssima.

Trabalhando com 2 câmeras fizemos a cena de primeira. Me lembro orgulhoso de Savala levantar-se à minha frente e me aplaudir de pé e, logo na sequencia, o diretor Jorge Fernando se aproximou e disse: Parabéns! Wladimir Candini, certo? Não vou me esquecer de você!

Até que para mim o resultado ficou bem bom. A cena ficou bem divertida, mas o Jorginho esqueceu.

Um diretor que não esqueceu de mim e parece que gostou do meu trabalho em cena foi o Zé Alvarenga. Me chamou para fazer um psicanalista na série de humor “Minha nada Mole Vida” e pouco tempo depois a serie policial – FORÇA TAREFA onde interpretei o “delegado safado Mauro Cesar”, morto com um tiro na cabeça no final da primeira temporada. De mim ele não esqueceu, mas ao longo da narrativa teve um pifão, porque logo depois, na segunda temporada, reencarnei como o Deputado Maurício. Vai entender.

A Globo só me ligava pra renovar o registro de atores aqui em SP (onde geralmente você contracena com um tripé cujo contraponto tem um desenho SMILE desenhado em uma sulfite presa com fita crepe na altura do seu rosto) ou para fazer participações. Percebi que neste namoro a emissora só queria passear comigo de mãos dadas pelo parque, porque me levar para o motel que é bom, não ia rolar.

Relacionamento é tudo e como não tenho um sobrenome de apoio que se faça presente nos bastidores, iniciei uma sequencia de “nãos” até que me esquecessem. Pelo menos por enquanto.

Pensei: Vou fazer cinema.

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Surgiu o primeiro convite: interpretar André Lara Resende no longa “Real, o Plano por trás da história”. O personagem era “modesto” mas forte no contexto histórico. Mas cá entre nós, para um ator isso não representa nada. A gente precisa é aparecer na tela para ser lembrado, mas refleti que estaria contracenando com atores consagrados e sob a batuta do excelente diretor Rodrigo Bittencourt. Mas novamente a decepção foi ver na tela que em minha principal cena o editor/montador, me deixou na maior parte do tempo em OFF (para quem não sabe OFF quer dizer só a voz).

Depois de um tempo recebi um convite vindo da querida Paula Chiaverini – responsável pelo casting do filme REAL –  para interpretar um personagem forte (segundo ela) em uma nova serie da Globo. Pela primeira vez após 30 anos trabalhando como ator ouvi a palavra protagonista, palavra que não faz parte do meu dicionário. Porém não rolou. Estava em andamento um processo em que havia sido convidado para dirigir um programa de TV com foco em educação em negociação para ir ao ar aos domingos no horário nobre pela rede Bandeirantes e, mesmo estando por trás das Câmeras, meu nome foi descartado pela política interna da Globo. Compreensível. O programa por alguma razão desconhecida desintegrou no meio do caminho e fiquei sem nenhum dos dois.

Foi quando recebi o convite para fazer um self tape (teste por celular) e enviar para a Boutique Filmes para uma nova serie da Netflix chamada “Onisciente” onde eu faria o advogado Henrique, um dos poderosos donos da empresa que leva o mesmo nome da serie. Pensei: Opa! Agora vai! Fui aprovado, mas quando recebi os roteiros percebi que novamente minha participação seria “modesta”. Não foi.

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A serie estreou recentemente e resolvi me auto-prestigiar assistindo ao primeiro capítulo onde se concentra minha cena mais longa, mas ao assistir me frustrei novamente ao ver que 70% da minha fala ficou em OFF bem ao fundo (BG), quase um zzzzzzzzzzz sobreposta pelos pensamentos da personagem principal. É claro que dentro da narrativa faz total sentido, mas para quem gostaria de ver o próprio personagem em cena, foi brochante.

Resolvido: não quero mais brincar disso. Ou me oferecem um personagem de verdade que fará parte da narrativa ou vou pro Big Brother me aliar ao PIONG e atear fogo no cenário (rs). Para selar minha decisão, dia desses recebi o convite para interpretar o governador Geraldo Alckmim. Será que é agora? Uma serie política? Não, a história do Silvio Santos. Respirei fundo e busquei na memória a relação de ambos e lembrei da intervenção do governador no sequestro da filha do todo poderoso do SBT, ou seja, mais uma “modesta” participação. Agradeci e mandei educadamente um NÃO em caixa alta.

Com este histórico de “modestas” participações cheguei a conclusão que mesmo recebendo elogios pelo meu trabalho como ator, onde cheguei a ser aplaudido em cena aberta por diversas vezes no teatro, com rasgação de seda de alguns diretores consagrados, agências de atores me colocando no pedestal, produtores de elenco me tratando como estrela, aquelas escondidas atrás das constelações, percebi que o pessoal da edição gosta mais da minha voz do que da minha presença na tela, a propósito, ganhei muito mais dinheiro como locutor do que como ator. Menos mal. (Rs)

Me senti um peido no escuro, onde você ouve mas não sabe quem foi o autor da obra.

A Hora de prospectar

Durante anos trabalhei prestando serviços para algumas produtoras, oras como diretor, oras como roteirista, como locutor, como ator* ou assumindo múltiplas tarefas para tentar garantir um cache melhor. É assim que atualmente nos mantemos no setor de produção audiovisual, onde o desenvolvimento crescente de novas tecnologias, transformou pré adolescentes em cineastas. Pelo menos é o que pensa e nisso se apegam alguns diretores de empresas no momento de análise do orçamento enviado para produção de um video.

Você apresenta seu REEL com alguns trabalhos de altíssima complexidade de produção e o cara diz: Meu filho fez algo parecido com isso…

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Este ano, no meio do tsunami econômico que jogou 13 milhões de pessoas na busca por recolocação profissional (nome bacana para suavizar a palavra desempregado), passei a duras custas e contra minha vontade por um ano sabático. Trabalhando todos os sábados (rs)…domingos e feriados também! Mas não se iludam os desempregados dizendo “sorte sua”, pois não foi trabalho remunerado. Foram 12 meses de estudos e pesquisas para me adaptar as novas mídias e respectivos interesses do mercado digital.

Cheguei a conclusão que produção por si só perdeu valor, a não ser que esteja amarrada a uma ótima ideia que trará solução apresentando um conteúdo de qualidade. Baseado nesta afirmativa, desenvolvi um nicho de produção e agenciamento de influenciadores buscando ofertar mídias que pudessem alcançar bons resultados para marcas. Me associei a gente boa, gente talentosa e com estofo para gerar o tal do conteúdo de qualidade que pudesse atrair o interesse em diversos segmentos e para públicos diversos.

Pronto! Pensei comigo. Agora estou armado e apto para entrar no campo de batalha novamente.game-of-thrones-weapons

Nada dissooo!

Quando você passa de freelancer à empresário, com CEP e tudo, novas incógnitas surgem!

Por exemplo:

Antigamente (palavra usada pelo povo vintage como eu) a prospecção era feita por telefone e ao falar diretamente com o responsável (sem trocentos filtros), conseguíamos – pelo tom da voz ou pelo andamento da conversa – sentir interesse e agendar imediatamente a data para apresentação detalhada de nosso negócio ou projeto. Agora, telefone virou invasivo. As pessoas preferem e-mails, mensagens de texto, e com isso inflacionam os custos dos pacotes de dados. Por mim, tudo bem contanto que o outro lado se lembre que não temos bola cristal e muito menos capacidade mediúnica, portanto uma resposta deste e-mail me parece evidente! Claro, que após alguns bons anos de experiência, quando esta resposta é praticamente monossilábica, do tipo – RECEBIDO – sabemos que deste mato não sairá coelho, quanto mais dinheiro.

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Atual principal expertise do profissional de prospect: Ser Médium

Outra forma de prospecção pode ser feita através das mídias sociais profissionais, como o Linkedin ou pelas fanpage das empresas no Facebook. O que não entendo é, porque alguns profissionais lhe aceitam em suas network e ignoram sua tentativa de contato? Será que elas acreditam que fiz contato porque gostei da fotinho do avatar ou tenho admiração pelo cargo que atualmente ela exerce e serei um bonequinho para dar likes em seus posts como forma de aproximação? Para que aceitar a minha inclusão na sua rede de relacionamento? Talvez para aumentar o tamanho de sua Network que na prática irá usar quando estiver desempregado…ops…em busca recolocação profissional?

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Dias atrás conversando com um amigo publicitário sobre a falta de ética de alguns profissionais, chegamos a conclusão que prospectar novos clientes competindo com os “Brothers” é quase impossível. Ele comentou sobre uma concorrência aberta após a troca de comando de uma empresa que atendia com muito sucesso há anos.concorrenciadesleal

O novo todo poderoso, mesmo confrontado por sua equipe satisfeita, que lhe apresentara os resultados excepcionais da atual agência, insistiu que a concorrência iria acontecer.

O procedimento dava indícios de brasileridade com carta marcada, mas mesmo assim a agência cumpriu seu papel e se empenhou ao extremo para vencer o braço de ferro.

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No dia marcado para concorrência das campanhas, durante a apresentação da agência em questão, que entusiasmava os presentes pelo brilhantismo da proposta, o Big Boss – fortalecendo as suspeitas – não se dava ao luxo de tirar os olhos de seu celular para sequer olhar de soslaio para pelo menos um dos slides. Discrição e respeito ZERO ! Ao final da apresentação, elogios quase unânime pela proposta apresentada, DEUS isolado, continuava brincando com seu smartphone  e ignorava o furor a sua volta. Porém, um frase dita estratégicamente ao final do speach, fez com que levantasse os olhos na direção do proscênio, arregalasse os olhos e expressasse facialmente um “FUDEU” que quase o derrubou da cadeira: Custo zero! Fariam tudo de GRAÇA!

Aplausos! Gritaria! Euforia generalizada na sala!

BINGO! Adivinhem o que aconteceu? Eles perderam a concorrência do mesmo jeito.

Brother é brother. Esquema é esquema. Sacanagem é sacanagem. O resto é resto.

*Apesar de ter realizado meu último trabalho como ator em uma modesta participação no longa REAL – A História por trás do Plano (2017) – atuar virou prazer e não mais ofício, pois não existe no mundo profissão mais desequilibrada, cujos protagonistas não conseguem separar a busca pelos aplausos da relação comercial com valorização do trabalho lúdico, o que os transforma em eternos figurantes.

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SENTANDO NO COLO DO PAPAI NOEL

Após um ano batizado de “ressaca”, o mercado em alguns setores parecem dar sinais de melhoras. Parecem! Um pequeno respiro, mas o suficiente para ganhar oxigênio e tentar superar um 2018 que traz na bagagem uma copa do mundo e eleições.

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A disputa nos gramados e os déspotas tentando se manterem no poder. Entre uma arena e outra, a copa do mundo de futebol geralmente é usada e lambuzada neste Brasil varonil para maquiar a sequência de falcatruas políticas lançadas nos momentos de euforia. Nosso país aparece novamente como forte candidato ao título. Preocupante, pois isso significa que enche de esperanças a corja de malfeitores preparados para abrirem a caixinha de maldades no momento do êxtase de um gol marcado. A cada gol, a cada grito de esperança doído na garganta de cada brasileiro honesto, abre espaço para um oportunista nos levar a carteira, atualmente recheada de débitos.

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Este é o retrato do político brasileiro. Dos caras que na teoria deveriam trabalhar pelo povo e para o povo, mas ignoram a regra moral, e na prática surrupiam a palavra “povo” do dicionário do então candidato, no exato momento em que assentam as nádegas de suas bundegas na cadeira de comandante eleito.

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Esta é a situação de um país de cultura limitada, presa ao umbigo de cada indivíduo. O meu, após a retirada de uma hérnia umbilical, mal aparece.

8f7c81d8_dc6d_4803_8cde_e9b985488025-6019Trilhões são arrecadados em impostos e não é suficiente para pagar as contas do país cujo custo da máquina pública está ancorado em cabides de empregos amarrados a acordões políticos. Agora nossos larápios de plantão querem privatizar empresas estratégicas para controle do país, como energia por exemplo, ao invés de acabarem com mordomias de dar nojo as baratas.

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tio-samImaginem nossa energia nas mãos dos chineses ou dos americanos que manipulam nosso país como marionete. Ou você realmente acredita que nossos principais players (petróleo, construção civil e agronegócio) foram explodidos a toa? Claro que chegou a hora de limpar o beco e acabar com os ratos, mas o caos generalizado foi financiado pelo American Way of life para beneficiar os interesses econômicos do Tio Sam. Uma teoria da conspiração baseada em análise de situação, feita por “moi”. (mim em francês – pra ficar mais chic).

 

Nosso Papai Noel está mais magro, mas acomodará à todos sobre um enorme saco cheio.

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