Não existe uma alma viva que não esteja tentando entender o que está acontecendo no planeta.
Uma preocupação generalizada que deixa claro nossa vulnerabilidade neste jogo de xadrez chamado vida, que coloca em check o rei da nossa existência. Uma oportunidade para reflexões, re-enxergar os seus, despertar para os não seus, fortalecer valores adormecidos e ao mesmo tempo, iguala os seres humanos para a não existência de rótulos para nossa existência.
Um momento difícil, mas revelador. Meios de comunicação presos a um único tema, a manipulação de notícias em uma ciranda de interesses políticos e econômicos, teorias de conspiração, oportunistas de plantão e na contrapartida o despertar da solidariedade…de alguns poucos, porém valiosos como tudo o que é raro.
Não levo jeito para filosofar e muito menos poetizar sobre as coisas da vida, mas confesso que este momento me fez revisitar minhas crenças e mergulhar no meu subconsciente que estava em letargia total. Talvez o seu também. Não se iluda.
Desunidos somos impotentes perante a máfia dos poderosos de colarinhos alvos e reluzentes que ofuscam a sociedade dos comuns por detrás de leis leoninas seculares criadas no início do Brasil colônia para protegerem um patrimônio sangrado dos cofres públicos, portanto nosso, deflagrando uma matemática com um problema solúvel nas mãos de uma classe política insolúvel. Não sei por quanto tempo, mas sinto que uma hora a panela de pressão explode.
O ser humano, mas para ser justo, parte dele, talvez a ala mais forte, infelizmente, é desprezível em seu grau de egoísmo, egocentrismo, e por eufemismo suavizando todos os “ismos” que compõem o mau-caratismo.
Isso me faz lembrar da serie americana “Lúcifer” onde vemos o chefão das trevas tirando férias em Los Angeles se divertindo entre punições àqueles espertinhos revelados na terra antes de desembarcarem definitivamente no inferno.
Um conhecido meu, curioso pela etimologia das palavras, certa vez me disse que Lúcifer quer dizer “e a luz se fez”. Pode fazer sentido se considerarmos tratar-se de um anjo caído. O filho ovelha negra do todo poderoso em busca da redenção, me referindo a serie de TV.
As vezes penso que se ele quiser dar um rolê em Brasília para uma visitinha de cortesia e garimpo, talvez este processo que estamos vivendo hoje poderia ser abreviado. Minha única preocupação é que neste pacto, ficaríamos em débito com o capeta, mas os dias vividos confinados entre pijamas e roupas folgadamente confortáveis e horrorosas e “lives” para derrubarem outros anjos do céu, findariam.
Muita gente não sabe, mas iniciei meus trabalhos no universo da comunicação algumas décadas atrás trabalhando como ator.
Apesar desta carreira ter me conduzido até onde estou hoje, não é ela que atualmente paga minhas contas.
Como um polvo faminto, abri meus tentáculos e agarrei parceiros com experiências distintas em diversas áreas da comunicação e juntos criamos a OCTOWORKS, que vai muito bem obrigado. Sabemos que para se ganhar dinheiro como ator, ou em qualquer setor ligado a cultura e arte, é preciso fazer sucesso com o público e, para isso, você necessariamente precisa estar na mídia para ganhar visibilidade e consequentemente cair nas graças da galera.
Como sempre fui mais operário do que artista, onde me sentia esquisitão nos exercícios propostos nas aulas de teatro, como imaginar ser um feto na barriga da mãe ou uma árvore e outros bichos estranhos que tentaram embutir nesta carcaça que vos escreve, pensar em ter um nome artístico era insano pra mim, além do fato que iria chatear a família. Achava uma bobagem, pois sinto que primeiro o público se apaixona pelo personagem, depois pelo ator e só aí que resolve pesquisar o nome do cabra, portanto considerei que a mistura entre um nome russo – Wladimir – e um sobrenome italiano – Candini – eram mais do que suficientes pra fazer estrago na mente das pessoas. O mercado me abraçou pelo sobrenome e lá fui eu, Candini is my name.
Dinheiro de verdade ganhei fazendo publicidade e trabalhando no mercado corporativo, em eventos, vídeos institucionais, treinamentos e lançamento de produtos, mas baseado no resultado do meu trabalho no setor de entretenimento, deveria ter adotado o pseudônimo de “Modesto”.
Wladimir Modesto, Modesto Candini, não pela sonoridade ou pela numerologia, mas pelas participações que fiz durante anos alimentadas pela esperança de me ofertarem algo um pouquinho melhor em que eu pudesse interpretar um personagem que não fosse eu mesmo com figurinos diferentes, algo recorrente nos folhetins da Tv brasileira.
Passei pelo teatro, fiz novelas, séries de Tv, longa metragem e recentemente estreei uma série na Netflix.
O que elas tem em comum? “Modestas” participações. Daí a inspiração para o nome artístico. Uma participação “modesta”, mas quando você sente que o personagem tem representatividade e o texto lhe é convidativo para provocar algumas nuances na fala que caracterizem seu personagem, acaba nos levando a aceitar o “papel”, mas no meu caso a maioria tiveram um resultado final frustrante e vou descrever porque:
Fiz “Laços de Família” na Globo, uma participação “modesta” com o personagem Martins, mas ouvi nos bastidores que o meu nome fora ventilado para fazer a serie “Presença de Anita” logo após o término da novela. Me descreveram o personagem e parecia ser uma oportunidade interessante. Um personagem do começo ao fim. Ventilou tanto que a proposta se perdeu no espaço.
Após esta novela fui convidado pelo SBT para fazer a “Pícara Sonhadora”. Jesus é pai! Com este nome fui para reunião com 2 pés atrás, o terço na mão e minha agente a tiracolo. Sim, tive até agente. Ao conversar com o diretor de elenco sobre meu personagem, me pareceu interessante até falar sobre a grana. Ruim demais. Levantei e fui embora.
Anos depois recebi outro convite da Globo para fazer uma única cena na novela 7 PECADOS onde contracenaria com a fabulosa Elisabeth Savala. Humor puro e rasgado em uma cena de aproximadamente 3 minutos. Acreditem que 3 minutos é um bom tempo em cena. O texto de Walcyr Carrasco era muito bom e a cena divertidíssima.
Trabalhando com 2 câmeras fizemos a cena de primeira. Me lembro orgulhoso de Savala levantar-se à minha frente e me aplaudir de pé e, logo na sequencia, o diretor Jorge Fernando se aproximou e disse: Parabéns! Wladimir Candini, certo? Não vou me esquecer de você!
Até que para mim o resultado ficou bem bom. A cena ficou bem divertida, mas o Jorginho esqueceu.
Um diretor que não esqueceu de mim e parece que gostou do meu trabalho em cena foi o Zé Alvarenga. Me chamou para fazer um psicanalista na série de humor “Minha nada Mole Vida” e pouco tempo depois a serie policial – FORÇA TAREFA onde interpretei o “delegado safado Mauro Cesar”, morto com um tiro na cabeça no final da primeira temporada. De mim ele não esqueceu, mas ao longo da narrativa teve um pifão, porque logo depois, na segunda temporada, reencarnei como o Deputado Maurício. Vai entender.
A Globo só me ligava pra renovar o registro de atores aqui em SP (onde geralmente você contracena com um tripé cujo contraponto tem um desenho SMILE desenhado em uma sulfite presa com fita crepe na altura do seu rosto) ou para fazer participações. Percebi que neste namoro a emissora só queria passear comigo de mãos dadas pelo parque, porque me levar para o motel que é bom, não ia rolar.
Relacionamento é tudo e como não tenho um sobrenome de apoio que se faça presente nos bastidores, iniciei uma sequencia de “nãos” até que me esquecessem. Pelo menos por enquanto.
Pensei: Vou fazer cinema.
Surgiu o primeiro convite: interpretar André Lara Resende no longa “Real, o Plano por trás da história”. O personagem era “modesto” mas forte no contexto histórico. Mas cá entre nós, para um ator isso não representa nada. A gente precisa é aparecer na tela para ser lembrado, mas refleti que estaria contracenando com atores consagrados e sob a batuta do excelente diretor Rodrigo Bittencourt. Mas novamente a decepção foi ver na tela que em minha principal cena o editor/montador, me deixou na maior parte do tempo em OFF (para quem não sabe OFF quer dizer só a voz).
Depois de um tempo recebi um convite vindo da querida Paula Chiaverini – responsável pelo casting do filme REAL – para interpretar um personagem forte (segundo ela) em uma nova serie da Globo. Pela primeira vez após 30 anos trabalhando como ator ouvi a palavra protagonista, palavra que não faz parte do meu dicionário. Porém não rolou. Estava em andamento um processo em que havia sido convidado para dirigir um programa de TV com foco em educação em negociação para ir ao ar aos domingos no horário nobre pela rede Bandeirantes e, mesmo estando por trás das Câmeras, meu nome foi descartado pela política interna da Globo. Compreensível. O programa por alguma razão desconhecida desintegrou no meio do caminho e fiquei sem nenhum dos dois.
Foi quando recebi o convite para fazer um self tape (teste por celular) e enviar para a Boutique Filmes para uma nova serie da Netflix chamada “Onisciente” onde eu faria o advogado Henrique, um dos poderosos donos da empresa que leva o mesmo nome da serie. Pensei: Opa! Agora vai! Fui aprovado, mas quando recebi os roteiros percebi que novamente minha participação seria “modesta”. Não foi.
A serie estreou recentemente e resolvi me auto-prestigiar assistindo ao primeiro capítulo onde se concentra minha cena mais longa, mas ao assistir me frustrei novamente ao ver que 70% da minha fala ficou em OFF bem ao fundo (BG), quase um zzzzzzzzzzz sobreposta pelos pensamentos da personagem principal. É claro que dentro da narrativa faz total sentido, mas para quem gostaria de ver o próprio personagem em cena, foi brochante.
Resolvido: não quero mais brincar disso. Ou me oferecem um personagem de verdade que fará parte da narrativa ou vou pro Big Brother me aliar ao PIONG e atear fogo no cenário (rs). Para selar minha decisão, dia desses recebi o convite para interpretar o governador Geraldo Alckmim. Será que é agora? Uma serie política? Não, a história do Silvio Santos. Respirei fundo e busquei na memória a relação de ambos e lembrei da intervenção do governador no sequestro da filha do todo poderoso do SBT, ou seja, mais uma “modesta” participação. Agradeci e mandei educadamente um NÃO em caixa alta.
Com este histórico de “modestas” participações cheguei a conclusão que mesmo recebendo elogios pelo meu trabalho como ator, onde cheguei a ser aplaudido em cena aberta por diversas vezes no teatro, com rasgação de seda de alguns diretores consagrados, agências de atores me colocando no pedestal, produtores de elenco me tratando como estrela, aquelas escondidas atrás das constelações, percebi que o pessoal da edição gosta mais da minha voz do que da minha presença na tela, a propósito, ganhei muito mais dinheiro como locutor do que como ator. Menos mal. (Rs)
Me senti um peido no escuro, onde você ouve mas não sabe quem foi o autor da obra.
A cadeira de um dentista ao longe parece confortável. Cores claras, reclinável, abajourzinho sobre a cabeça, mas…quando o tema em questão é dente, este estofado se transforma rapidamente em uma câmara de tortura e a dentista em sua carrasca.
Anestesia dada, 3 picadas transversais diga-se de passagem, ela solta a seguinte frase delicada:
Vou colocar uma pequena manta de borracha pra isolar o dente e deixa-lo mais confortável.
Na sequencia enfiou algo do mesmo material usado em bexigas de festinha na minha boca que ainda cobria parte do meu nariz. Naquele momento achei que poderia ser um sequestro. Anestesiado e com decoração de buffet infantil atolada na minha boca, coisa boa não era.
Eu não conseguia olhar nos olhos da minha algoz que trabalhava ferozmente no interior da catacumba. De dentista a arqueóloga foi um pulo. Queria entender porque os dentistas fazem perguntas à você quando se é impossível falar com alguém debruçado sobre sua arcada dentária escancarada e ainda com uma bexiga, ferramentas e sugador de saliva.
Aliás este sugador te remete a imagem de um peixe fisgado e que, anestesiado temos a sensação de estar babando sem parar, porém enviei mensagens telepáticas a doutora cirurgiã dentista acreditando que fizesse a leitura de sinais referentes a dor que meu corpo expressava: pezinho se contorcendo, pressão dos braços sobre a barriga e por final, a lagriminha escorrendo pelo olho direito, mas nada deteu aquela impiedosa mulher focada no objetivo de consertar o estrago no meu dente do siso.
Isso mesmo. Foi no siso. Lá atrás. O último da fila. O mais jovem do time, mas atualmente na meia idade também.
De repente ela saca de um envelope a minha panorâmica e examina o raio X. Não consegui evitar o humor negro e pensei:
“Pronto, ela detonou o dente errado!”
Por Deus, foi só pra conferir e seguiu em frente.
Quando achava que a sessão de tortura estava no final, ela enfiou na minha boca algo semelhante a um esmeril, depois massa, novamente o esmeril. Me senti em uma oficina de funilaria e pintura. Só faltava o polimento. Após ela dizer que havia terminado, ainda ficou mais uns 10 minutos na cavocagem.
Quando ela mandou a VAP, disse:
Faz o bochechinho e cospe. Acabou.
Voltei a respirar aliviado. Havia sobrevivido. Saí da sala ainda anestesiado. Minha boca estava tão torta que ao me olhar no espelho vi o Silvester Stalone.
Os carrascos da idade média usavam capuz antes de executar o condenado a morte, mas no caso dos dentistas, não precisam, porque apagamos a imagem deles logo após pisarmos fora da sala de tortura que carinhosamente eles chamam de consultório .
Durante anos trabalhei prestando serviços para algumas produtoras, oras como diretor, oras como roteirista, como locutor, como ator* ou assumindo múltiplas tarefas para tentar garantir um cache melhor. É assim que atualmente nos mantemos no setor de produção audiovisual, onde o desenvolvimento crescente de novas tecnologias, transformou pré adolescentes em cineastas. Pelo menos é o que pensa e nisso se apegam alguns diretores de empresas no momento de análise do orçamento enviado para produção de um video.
Você apresenta seu REEL com alguns trabalhos de altíssima complexidade de produção e o cara diz: Meu filho fez algo parecido com isso…
Este ano, no meio do tsunami econômico que jogou 13 milhões de pessoas na busca por recolocação profissional (nome bacana para suavizar a palavra desempregado), passei a duras custas e contra minha vontade por um ano sabático. Trabalhando todos os sábados (rs)…domingos e feriados também! Mas não se iludam os desempregados dizendo “sorte sua”, pois não foi trabalho remunerado. Foram 12 meses de estudos e pesquisas para me adaptar as novas mídias e respectivos interesses do mercado digital.
Cheguei a conclusão que produção por si só perdeu valor, a não ser que esteja amarrada a uma ótima ideia que trará solução apresentando um conteúdo de qualidade. Baseado nesta afirmativa, desenvolvi um nicho de produção e agenciamento de influenciadores buscando ofertar mídias que pudessem alcançar bons resultados para marcas. Me associei a gente boa, gente talentosa e com estofo para gerar o tal do conteúdo de qualidade que pudesse atrair o interesse em diversos segmentos e para públicos diversos.
Pronto! Pensei comigo. Agora estou armado e apto para entrar no campo de batalha novamente.
Nada dissooo!
Quando você passa de freelancer à empresário, com CEP e tudo, novas incógnitas surgem!
Por exemplo:
Antigamente (palavra usada pelo povo vintage como eu) a prospecção era feita por telefone e ao falar diretamente com o responsável (sem trocentos filtros), conseguíamos – pelo tom da voz ou pelo andamento da conversa – sentir interesse e agendar imediatamente a data para apresentação detalhada de nosso negócio ou projeto. Agora, telefone virou invasivo. As pessoas preferem e-mails, mensagens de texto, e com isso inflacionam os custos dos pacotes de dados. Por mim, tudo bem contanto que o outro lado se lembre que não temos bola cristal e muito menos capacidade mediúnica, portanto uma resposta deste e-mail me parece evidente! Claro, que após alguns bons anos de experiência, quando esta resposta é praticamente monossilábica, do tipo – RECEBIDO – sabemos que deste mato não sairá coelho, quanto mais dinheiro.
Atual principal expertise do profissional de prospect: Ser Médium
Outra forma de prospecção pode ser feita através das mídias sociais profissionais, como o Linkedin ou pelas fanpage das empresas no Facebook. O que não entendo é, porque alguns profissionais lhe aceitam em suas network e ignoram sua tentativa de contato? Será que elas acreditam que fiz contato porque gostei da fotinho do avatar ou tenho admiração pelo cargo que atualmente ela exerce e serei um bonequinho para dar likes em seus posts como forma de aproximação? Para que aceitar a minha inclusão na sua rede de relacionamento? Talvez para aumentar o tamanho de sua Network que na prática irá usar quando estiver desempregado…ops…em busca recolocação profissional?
Dias atrás conversando com um amigo publicitário sobre a falta de ética de alguns profissionais, chegamos a conclusão que prospectar novos clientes competindo com os “Brothers” é quase impossível. Ele comentou sobre uma concorrência aberta após a troca de comando de uma empresa que atendia com muito sucesso há anos.
O novo todo poderoso, mesmo confrontado por sua equipe satisfeita, que lhe apresentara os resultados excepcionais da atual agência, insistiu que a concorrência iria acontecer.
O procedimento dava indícios de brasileridade com carta marcada, mas mesmo assim a agência cumpriu seu papel e se empenhou ao extremo para vencer o braço de ferro.
No dia marcado para concorrência das campanhas, durante a apresentação da agência em questão, que entusiasmava os presentes pelo brilhantismo da proposta, o Big Boss – fortalecendo as suspeitas – não se dava ao luxo de tirar os olhos de seu celular para sequer olhar de soslaio para pelo menos um dos slides. Discrição e respeito ZERO ! Ao final da apresentação, elogios quase unânime pela proposta apresentada, DEUS isolado, continuava brincando com seu smartphone e ignorava o furor a sua volta. Porém, um frase dita estratégicamente ao final do speach, fez com que levantasse os olhos na direção do proscênio, arregalasse os olhos e expressasse facialmente um “FUDEU” que quase o derrubou da cadeira: Custo zero! Fariam tudo de GRAÇA!
Aplausos! Gritaria! Euforia generalizada na sala!
BINGO! Adivinhem o que aconteceu? Eles perderam a concorrência do mesmo jeito.
Brother é brother. Esquema é esquema. Sacanagem é sacanagem. O resto é resto.
*Apesar de ter realizado meu último trabalho como ator em uma modesta participação no longa REAL – A História por trás do Plano (2017) – atuar virou prazer e não mais ofício, pois não existe no mundo profissão mais desequilibrada, cujos protagonistas não conseguem separar a busca pelos aplausos da relação comercial com valorização do trabalho lúdico, o que os transforma em eternos figurantes.
Após um ano batizado de “ressaca”, o mercado em alguns setores parecem dar sinais de melhoras. Parecem! Um pequeno respiro, mas o suficiente para ganhar oxigênio e tentar superar um 2018 que traz na bagagem uma copa do mundo e eleições.
A disputa nos gramados e os déspotas tentando se manterem no poder. Entre uma arena e outra, a copa do mundo de futebol geralmente é usada e lambuzada neste Brasil varonil para maquiar a sequência de falcatruas políticas lançadas nos momentos de euforia. Nosso país aparece novamente como forte candidato ao título. Preocupante, pois isso significa que enche de esperanças a corja de malfeitores preparados para abrirem a caixinha de maldades no momento do êxtase de um gol marcado. A cada gol, a cada grito de esperança doído na garganta de cada brasileiro honesto, abre espaço para um oportunista nos levar a carteira, atualmente recheada de débitos.
Este é o retrato do político brasileiro. Dos caras que na teoria deveriam trabalhar pelo povo e para o povo, mas ignoram a regra moral, e na prática surrupiam a palavra “povo” do dicionário do então candidato, no exato momento em que assentam as nádegas de suas bundegas na cadeira de comandante eleito.
Esta é a situação de um país de cultura limitada, presa ao umbigo de cada indivíduo. O meu, após a retirada de uma hérnia umbilical, mal aparece.
Trilhões são arrecadados em impostos e não é suficiente para pagar as contas do país cujo custo da máquina pública está ancorado em cabides de empregos amarrados a acordões políticos. Agora nossos larápios de plantão querem privatizar empresas estratégicas para controle do país, como energia por exemplo, ao invés de acabarem com mordomias de dar nojo as baratas.
Imaginem nossa energia nas mãos dos chineses ou dos americanos que manipulam nosso país como marionete. Ou você realmente acredita que nossos principais players (petróleo, construção civil e agronegócio) foram explodidos a toa? Claro que chegou a hora de limpar o beco e acabar com os ratos, mas o caos generalizado foi financiado pelo American Way of life para beneficiar os interesses econômicos do Tio Sam. Uma teoria da conspiração baseada em análise de situação, feita por “moi”. (mim em francês – pra ficar mais chic).
Nosso Papai Noel está mais magro, mas acomodará à todos sobre um enorme saco cheio.
Esses dias o metro de Londres que recebia seus usuários com um Welcome, ladies and gentlemen (Bem vindos senhoras e senhores), para garantir que todos os passageiros com toda a diversidade dos 31 gêneros* existentes (sim é isso mesmo, 31…por enquanto) se sintam bem vindos, mudou o speach para um descontraído Hello everyone (Olá a todos) e será aplicado em toda rede de transporte da capital Britânica.
“Queremos que todos se sintam bem-vindos em nossa rede de transporte – disse Mark Evers, diretor de estratégia de clientes da TfL, refletindo a grande diversidade de Londres”.
Acho bacana e apropriada a iniciativa, mas confesso que não entendo esta atual necessidade de criar nomenclatura pra tudo. A sociedade agora define gêneros onde pra mim, para não haver real discriminação, o ideal seria não criar nenhum tipo de distinção e evitar que surjam sommeliers de gênero! A categoria SER HUMANO, é suficiente pra mim.
Se já não bastasse as tais definições de raças onde caracterizam pessoas pela cor, agora catalogam os seres humanos por gêneros. Isso só é bom para pesquisas de algo no Google e que certamente irá enlouquecer os publicitários no refinamento de suas buscas pelo público alvo.
Imagine o briefing: Queremos atingir Pangender** entre 25 e 35 anos residentes na região sudeste, tatuados, pesando entre 70 e 80kg, com altura media de 1,80m, cabelos coloridos, classe AB com renda acima de 20K. Parece mais um personagem de Blade Runner (pra quem não conhece, trata-se de um filme da década de 80 dirigido por Ridley Scott e protagonizado por Harrison Ford).
Se isso cai na minha mão me enforco com a meia calça da minha filha.
Outra coisa descabida do mundo das nomenclaturas é essa coisa dos Cs usados no mercado corporativo para identificar os executivos de uma empresa. Como lá fora, em inglês, os principais executivos são chamados de “Chiefs” – CEO, CIO, CFO, COO, e outros “C´s”, e pra piorar convencionou-se que C–Level refere-se a executivos de alto nível, ou XEJA, quem manda na bagaça. É de cagar, nénão?
Até onde isso vai chegar eu não sei, mas está na hora de simplificar a vida que já é deveras complicada.
**Pangender: pessoa que sente que não pode ser rotulada como masculino ou feminino em relação a gênero e se identifica como gênero misto (tanto masculino como feminino), ou como um terceiro gênero
Parece papo de velho, mas depois de tanto tempo bailando com criativos de agências, diretores de marketing e RH e manda chuvas de grandes empresas, quando não existe alinhamento entre eles, a única certeza é: PROBLEMA .
A experiência me ensinou que ao sentar à mesa de reuniões para receber o “briefing”, duas perguntas devem ser feitas:
1) Vocês me permitem gravar o áudio de nossa reunião para que eu não perca nada do que for dito aqui?
2) Os responsáveis pela campanha e pela aprovação deste material estão todos presentes?
Porém, mesmo após receber dois SIMs, quase sempre tem enrosco. Ou o criador não consultou se sua proposta criativa estava de acordo com o desejo do seu cliente ou após a finalização surgirá das profundezas de uma tumba “tão tão distante” um superpoderoso que dirá: Não é nada disso!
A produção audiovisual é uma super ferramenta de comunicação que afeta de forma plena todo ser humano, pois trabalha com as 3 características associadas a neurolinguística : visual, auditiva e sinestésica! Traz imagem, som e emoção.
Porém, tudo deve ser pensado. Qual o objetivo deste material? O que, e para quem iremos comunicar? Com estas questões iniciais esclarecidas, pensamos na ação, no formato e na melhor forma de realiza-la, mas estas respostas DEVEM estar alinhadas entre TODOS os profissionais envolvidos! O que parece lógico na teoria, na prática não é.
Certa vez fui convidado para produzir um vídeo que apresentasse a empresa para os recém contratados. Como trabalho sempre me colocando na posição de expectador, procuro criar algo agradável, pois defendo que para a comunicação ser efetiva devemos apresentar algo informal, que aproxima as pessoas. Ao contrário do formal, que distancia. Repare nos telejornais ou programas de esportes e entretenimentos. Você se sente em uma sala de estar como se os apresentadores fossem seus amigos!
Bom, a ideia apresentada consistia em uma proposta lúdica onde um avô em uma sala com uma bela biblioteca, contava a história de sua passagem pela empresa para seu netinho e o quanto os valores daquela companhia foram responsáveis pela sua formação. Isso mesclado com imagens institucionais. Uma proposta para apresentar os valores da empresa para àqueles que chegavam para trabalhar na companhia. A ideia foi aprovada, o roteiro foi criado e na apresentação aplaudido (acreditem) pela diretoria até a vice-presidência. Todos presentes na apresentação.
Dois dias depois, já em pré-produção, recebo um telefonema de um dos integrantes daquela mesa, um dos fãs da nossa ideia, dizendo que o presidente (que não estava presente em nenhuma das reuniões de desenvolvimento) não queria que os Valores da empresa fossem ditos por um ator e que deveriam estar na boca de seus diretores.
Ou XEJA, o cara queria uma câmera na frente de um executivo sentado atrás de sua mesa, lendo um teleprompter com um daqueles textos capazes de fazer um rinoceronte dormir. Em um primeiro momento entrei em colapso, mas depois de respirar fundo dei meu parecer sem relembrar a pergunta de numero 2 que fiz na primeira reunião para não constranger meu interlocutor, mas sabia que ele lia meu pensamento. (rs)
Primeiro dei uma consultoria gratuita. Disse que para este tipo de formato ele não precisaria investir tanto dinheiro na produção e me predispus a indicar um cinegrafista para captar e um editor para finalizar o vídeo dentro do formato desejado pelo senhor presidente. Naquele momento nosso trabalho virou luxo e iria para o lixo.
Em um segundo momento questionei para quem enviaria a nota fiscal referente a criação do roteiro, cuja ideia fora aprovada com louvor, lembram? O pedido foi feito e foi entregue. Cabia à ele destinar o que fazer com o produto criado sobre medida para ele e rejeitado pelo divino, mas que a encomenda fora entregue, isso era fato.
Imagino também que ele lembrara da pergunta 1, pois sequer arriscou um “veja bem”. Se o fizesse alegando um mal entendido – isso ocorre quando o cara não quer assumir o erro – isso me obrigaria a enviar o áudio gravado de toda reunião de briefing e gerar um constrangimento ainda maior.
Não existem culpados, mas existem egos que superam e muito o desejo da maioria pelo poder do cargo. O resultado não poderia ser diferente: o parecer contrário do presidente não foi confrontado por nenhum dos membros da equipe e o vídeo obteve resultado ZERO de comunicação efetiva, pois soava como obrigatoriedade, quase como uma imposição em fazer com que assista na integra um programa político com pessoas sem a expressividade necessária de comunicação, sem emoção.
Esse foi apenas um dos exemplos vividos, mas existem outros com ideias boas, mas desalinhadas com o desejo de quem manda.
Quem paga por isso? Geralmente ninguém quer pagar e jogam a culpa para o acaso.
Quando alguém aplica uma palavra diferente que chama a atenção e a torna repetitiva e consequentemente insuportável.
Quantas vezes nestes últimos anos ouvimos as pessoas usando palavras “não usuais” de forma maçante e acreditem, fora do contexto por não saberem o exato significado da moçoila?
Atualmente a palavra da ponta da língua é EMPODERAMENTO feminino, mas outras mais simples ainda encabeçam os parágrafos institucionais como QUALIDADE, EXCELÊNCIA, PROFICIENTE, PRO-ATIVO, EFETIVAMENTE, TECNICIDADE, PROFISSIONAIS ALTAMENTE QUALIFICADOS, AGREGAR VALOR, APRENDIZADO, DEMANDA, ETC e TALS…sem esquecer das tais VISÃO, MISSÃO e VALORES e as siglas CEO, COO, SEO, afff!
Na linguagem do cotidiano as gírias substituem a ausência de vocabulário substituindo-as por palavras completamente fora do seu significado. 90% dos jovens usam a palavra “TIPO” repetidamente na mesma frase! Tipo: Hoje tipo, eu acordei com o pijama tipo furado e tipo só percebi tipo quando fui ao banheiro.
Pra piorar acrescentam “Véi” – velho – e MANO, que acredito provir de uma tradução chula do inglês Brother que na abreviação chulamente americanizada surgiu o Bro. Aqui nada se cria, tudo se copia, mesmo que seja Shit.
Aí a frase fica assim: Véi ! Hoje tipo acordei com o pijama furado mano e tipo só percebi véi, tipo quando fui no banheiro mano!
Imaginem um gringo que tenta aprender português e ouve uma frase como essa! Certamente pensará se tratar de um grupo de aborígenes ou de algum dialeto.
A vontade que tenho quando presencio cena similar, está associada às antigas máquinas de fliperama que quando ao sinal de TILT, dávamos uma safanão na danada na tentativa de recuperação da ficha perdida, ou XEJA, dar um tapa na orelha “tipo” presta atenção, pra ver se as ideias voltam ao lugar.
Palavras também são mudadas pelo marketing para dar requinte e sofisticação ou para criar CONCEITO (mais uma). Cor da pele agora é NUDE, Terno virou COSTUME ( ouvi dizer que costume é quando não se usa colete – uma resposta fashion pra não perder o costume), estar na moda é ser Fashion e ter Style.
Poderia esquentar minha memória e buscar uma série de palavras que perambulam pelas bocas dos repetidores, mas prefiro pedir para quem quiser postar aqui em comentários, quais as palavrinhas do momento que mais enchem os pacová de vocês de tanto ouvirem.
Aliás, comentário (comments), curtir (like) e share (compartilhar) também fazem parte da verborragia universal, ou seria VerBURROgia?
O mercado publicitário e o marketing ( o nome já ilustra) resolveram americanizar a língua brasileira.
Análise geral virou “over view”, público alvo virou “target”, reunião de criação é “Brainstorm”, aí vem “feedback”,“recall”, “brandings”, “branded content” e demais “expressions” que só fazem sentido se o cliente for gringo, mas sabe-se lá porque, criaram o publicitês. Talvez sonhassem em ganhar em dólar no Brasil, sei lá!
Outro dia recebi uma mensagem de uma agência que havia enviado um pedido de orçamento e me alertou por mensagem de texto com um ASAP! Na hora fiquei perdido e achei que o corretor do aplicativo tinha dado um gato na palavra e questionei com um interrogação. Resposta para ASAP: “As soon as possible”, ou XEJA, o mais breve possível.
AH! Vai TNC !
Isso tudo pra falar do tal do “Budget”, que nada mais é do que um orçamento!
Semana passada abordei em meu artigo sobre “briefing” e contei alguns “causos”, e hoje não será diferente.
Tempos atrás, quando nos reuníamos com o departamento de comunicação de alguma empresa ou com sua respectiva agência que necessitava produzir um vídeo ou um filme publicitário, sentávamos com os criativos e diretores de arte e estes nos apresentavam uma campanha amarrada a um conceito ou uma necessidade específica, e juntos buscávamos uma linguagem que adequasse a todo aquele estudo e se adequasse a verba destinada para isso.
Aí surgiu o youtube e com ele as “referências”. Meus amigos vocês não fazem ideia o tamanho da preguiça que este fato gerou em algumas cabeças criativas.
Os caras agora te mandam o“tal do briefing” (post anterior) com algumas referências do youtubiu e um pedido de orçamento. O problema é a imprecisão, pois a referência está mais ou menos próxima do real desejo do cidadão que novamente não sabe bem o que quer. No fundo ele assistiu a “tal da referência” (talvez o próximo post) e daí teve a brilhante ideia de adaptá-la para sua necessidade, se é que existia alguma, pois muitas vezes nossa vivência percebe não fazer o menor sentido o pedido em questão. Aí o cara te manda um filme produzido 100% em “stop motion” (mais uma palavrinha gringa), mas não quer que façamos nesta linguagem, compreende muchacho? Manda outra referência cuja fotografia é a bola da vez, com o tal do “flare” (mais uma) que é aquela luz frontal direta na lente da câmera para criar um efeito de brilho. (Tem dezenas de comerciais como este no ar, é a modinha do momento).
De cara sentimos que estas 2 referências juntas são no mínimo esdrúxulas.
Aí você pergunta: Posso ver o roteiro? E o cabra diz: Ainda não começamos a produzir.
Traduzindo: Não existe.
Nada se orça antes de analisar um roteiro!
Quando eu digo que para atuar em determinados mercados você precisa desenvolver sua mediunidade, ninguém acredita.
Outro probleminha é a tecnologia. Como hoje todo mundo tem um celular que filma com qualidade e edita em seus variados aplicativos, tudo parece muito fácil e isso nos proporciona ouvir pérolas enquanto apresentamos nosso “reel” (outra pro6 – edição de um portfólio): o meu filho fez algo assim no final de semana .
Certo dia recebi um telefonema do departamento de comunicação de uma empresa aparentemente interessados em produzir seu primeiro vídeo institucional . Eu costumo chamar de prostitucional, pois fazemos pelo dinheiro e não pelo prazer. Como tratava-se de um cliente virgem no audiovisual, a primeira coisa que perguntei foi sobre o “tal do budget”, pois é o valor disponível de investimento que nos orienta a criar um roteiro mais ou menos complexo.
Bom, segundo ele não existia um valor pré-definido e pediu que apresentássemos uma proposta. Como ele mensurou a necessidade de gravar em 3 plantas fabris localizadas em outras cidades, imaginei que a verba ou o “tal do budget” existia de fato. Não estou certo, mas na época chegamos ao valor de 60 mil reais estimando 4 diárias de captação.
Para se apresentar um orçamento, destinamos boas horas de trabalho entre pesquisas, discussão de proposta criativa, linguagem e por fim cálculos para chegarmos ao número.
Acreditem estava muito enxuto este orçamento. Enviei e logo em seguida liguei para discutir nossa proposta e sanar qualquer dúvida, pois o cidadão tinha urgência e experiência zero.
Ao dizer alô, ouvi: Você tá louco! Pensei em gastar 3 mil reais!Ou XEJA, ele tinha um valor em mente e se eu soubesse que era isso que ele pretendia investir, teria indicado o filho do meu vizinho de 10 anos para rodar com seu Iphone!
Respirei fundo e logo em seguida veio a segunda frase: O que posso fazer com 3 mil reais?
Briefing, em definição, corresponde a um conjunto de informações para o desenvolvimento de um trabalho que será executado por diversos profissionais envolvidos no processo.
Este é um termo muito usado no mercado publicitário e associado ao desenvolvimento criativo de uma campanha, seja impressa, digital ou audiovisual.
Para os leigos, seria como especificar ao Chefe de cozinha exatamente o que espera do prato solicitado: carne ao ponto, pouco condimentada, crocante, sem açúcar, pouco gelo, etc e tals. Informações fundamentais para que o resultado fique satisfatório.
Mas vamos a realidade: Saber pedir está ligado a Saber o que quer, mas atualmente nos deparamos com profissionais que não sabem o que querem e, portanto não sabem o que pedir. Batizamos este perfil de Engenheiros de obras Prontas, que são aqueles que se apropriam de uma ideia não desenvolvida por eles, mas que iniciam a palpitaria logo após a apresentação do primeiro escopo criado via mediunidade.
Como funciona isso? Vou explicar usando como referência o audiovisual, que é a área em que atuo: o cliente te chama para uma reunião, mas não sabe o que quer. Não faz a menor ideia porque desconhece totalmente o processo de produção e passa distante da criação*. Isso nos obriga a mergulhar na empresa contratante para entender o que ela faz, qual é o momento vivido, o que ela quer comunicar, para quem quer comunicar, para quando e qual o formato da apresentação (onde será exibido). Essas seriam as informações básicas para se compor um briefing.
Munidos dessas informações iniciamos uma proposta criativa e apresentamos um pré-roteiro, um escopo da NOSSA ideia. É aí que começa o problema. É como se o cliente caísse de paraquedas na Disney e resolvesse se divertir em todos os brinquedos ao mesmo tempo. O cara vira roteirista, ator, diretor, fotógrafo. Ele age como se fosse Steven Spielberg. Vira cineasta e esquece do propósito. Começa a dar palpites em tudo o que foi apresentado e acaba caindo na armadilha do “eu gosto mais de” e se esquece de que o material e a linguagem proposta não foi desenvolvida para o gosto dele, e sim para o cliente dele, para o público dele, para quem o material foi pensado!
É triste ouvir o cliente dizer: “Eu não gosto da trilha. Prefiro sertaneja”, sendo que o vídeo é para uma plateia Rock’n Roll, por exemplo. Isso nos obriga a abrir um parênteses e dizer com toda delicadeza do mundo para não melindrar o cliente: Mas meu amigo, este material não foi feito pra você e sim para um público totalmente diferente de você! Isso não nos pertence! (como diz sabiamente meu amigo Micka da Ideia House). Na maioria das vezes funciona. Em algumas assumimos o “isso não nos pertence” só para nós, e entregamos o que o cliente pede mesmo consciente de que o resultado não será atingido. É como temperar carne com açúcar.
Assim sendo, deixamos isso claro e formalizado para nos isentar desta responsabilidade. Algumas vezes, após nossa formalização, com palavras do tipo “nossa sugestão”, “nossa experiência”, “nosso parecer”… faz com que o ego seja colocado de lado e o cliente volte atrás respeitando a proposta.
Criação é outro tópico que foge um pouco da compreensão de alguns “João sem braço”, manja? O antigo “Migué” ?
*Certa vez participei da elaboração de uma proposta criativa para o desenvolvimento de um vídeo para uma marca nacional de cosméticos e fiquei pasmo com o que aconteceu? Após enviarmos nossa ideia anexada a um orçamento de produção, a urgência com que foi solicitada a proposta desapareceu no departamento em questão e nada da resposta de aprovação dentro do período pré-determinado. Mas o pior do desrespeito viria 3 meses depois. Nossa proposta criativa nos foi reenviada como briefing em uma concorrência com mais 5 produtoras para fazer orçamento!!! Como se a ideia não tivesse valor algum! Questionados sobre isso, quando alegamos que o custo da ideia fazia parte do nosso orçamento e que se fosse usada para uma concorrência deveriam nos pagar por isso, ouvimos um “como assim”? Num tô entendennnndo!!
Existem valores que deveriam virar matéria nas universidades. ÉTICA por exemplo.
Ao perceber que uma simples ideia foi capaz de resolver um grande problema, depois de criada e apresentada como solução, é muito fácil alegar o óbvio, porém no conflito este óbvio é invisível e cabe as pessoas criativas e inteligentes transforma-lo em palpável.
Briefings não caem do céu. São informações importantíssimas que deverão estar presentes no contexto em forma de solução de algum problema, conflito ou pura e simples comunicação que ganha maior ou menor representatividade de acordo com o formato e linguagem que será apresentada. Tudo muito pensado e trabalhado por uma equipe formada por diversos profissionais, portanto merece respeito.
Se você não sabe pedir, a chance de pedir o prato errado e ter que pagar caro por ele será de sua responsabilidade. Ou XEJA, faça sua lição de casa antes de contatar o profissional que irá criar e executar a ferramenta de soluções e lembre-se: Retrabalho custa mais caro.