Você é viciado em celular?

O que leva um ser humano (me desculpem os humanos de verdade) a se desconectar dos relacionamentos pessoais e mergulhar no mundo digital em busca de um enxoval de futilidades disponíveis nas redes sociais e também perder o equilíbrio racional que controla o discernimento do instinto de urgência e emergência que o leva abrir imediatamente o aplicativo de mensagens para visualizar algo que poderia esperar você acabar de se alimentar, de conversar com seus amigos, estacionar seu carro ou sua moto e diversas outras situações, porque se for urgente, um ser humano normal, liga pra você imediatamente.

Se o texto acima é complexo demais para o seu entendimento, segue uma tradução popular:

O que você tem na cabeça além de merda?

Já vi gente tropeçando em calçada, batendo cabeça em poste, trombando com pessoas sobre a faixa de segurança, sendo atropelada, atropelando, caindo de moto, batendo carro, perdendo filho pequeno em shopping…., mas o “mardito” do celular, esse ele não perde e surta se acabar a bateria!

Dia desses uma pessoa me ligou e ao invés de falar comigo disse:

  • Visualize a mensagem que te mandei!

Ou então:

  • Nossa! Você não viu no insta o que ela postou?
  • Não.
  • Ah! Não acredito! Tá lá! Você não segue ela?
  • Não.

Além de me olhar como se eu fosse o esquisitão!

Um celular sobre a mesa de jantar dá a leitura que ele é mais importante do que seus amigos que estão ao redor. Basta um piscar na tela e sua mão corre para o desbloqueio mesmo que seu amigo esteja contando algo importante que ele quis compartilhar com você.

Empresas e escolas adotam regras de uso na tentativa de evitar essa compulsividade que levam usuários das redes passarem horas desapercebidas assistindo vídeos que nada acrescentam de valor na vida das pessoas, mas geram prejuízos profissionais e pessoais monstruosos.

O resultado das escolas que adotaram esse procedimento de limitar o uso do celular durante o período de aulas foi um aprendizado acima da média do país.

Reconheço a excelente ferramenta de comunicação que temos em mãos, mas é uma ferramenta e não um órgão do nosso corpo.

A inteligência artificial chega ao mesmo tempo que o ser humano artificial.

De que lado você está? Do lado de fora ou do lado de dentro atrás da tela?

O PODER HIPNÓTICO NEGATIVO DO CELULAR

Quando surgiu o telefone celular exibidos como símbolos da modernidade pendurados na cintura como armas no coldre, retratava ali o futuro da comunicação que gerava conexão imediata entre as pessoas independente de sua localização. Claro que a expansão do sinal era limitada.

Atualmente a tecnologia evoluiu. Os smartphones vão além da possibilidade de fazer ligações telefônicas. São mini computadores com processadores poderosos e capacidade de armazenamento cada vez maiores. Design moderno, elegantes, servindo como uma ferramenta de comunicação rápida e efetiva na palma da mão.

Mas o que estes aparelhos fizeram com a cabeça das pessoas ao ponto de se transformarem em extensões de seus corpos e minimizar a capacidade de discernimento entre espaço púbico e privado?

Foi gerada uma necessidade de exposição da própria imagem com o estranho desejo de fazer parte de um núcleo seleto de influenciadores digitais, onde no mundo real convivemos com uma imensa massa que se deixa influenciar por qualquer bobagem que vai além do útil ou interessante, fatores que para mim seriam justificáveis dentro do universo individual do ser pensante.

Mas o que chama minha atenção é a capacidade que um smartphone possui de desconectar as pessoas do bom senso que todo ser humano comum, em teoria, deveria ter.

As pessoas preferem mensagens de texto do que ouvir a voz de um amigo. Dirigem seus carros ou motos ouvindo e mandando mensagens, mesmo sabendo sobre os perigos e o número de acidentes com vítimas causados por este tipo de atitude.

O ápice do absurdo que atinge a nota zero no quesito bom senso está na falta de sensibilidade em sentir que suas atitudes possam incomodar quem está ao seu lado.

Pessoas atendem o celular no ônibus e falam em uma altura como se a outra pessoa estivesse em outro planeta pra saber se o vizinho se curou da diarréia causada pela buchada comida no domingo, isso quando não atendem no teatro ou no cinema.

Neste momento, trabalhando em outra cidade, entre hospedagens e traslados de volta pra casa aos finais de semana, tenho vivido com frequência algumas experiiencias que fariam Freud se suicidar se ainda estivesse vivo.

Durante o café da manhã no hotel, momento em que gosto de me alimentar na paz do senhor e ler as notícias do dia, hóspedes sentam às mesas ao redor e assistem vídeos com volume que supera a TV. Ignoram a funcionalidade dos fones de ouvidos.

Presenciei também, na poltrona ao lado da minha no ônibus que me transportava para São Paulo, uma discussão entre marido e mulher em uma ligação por vídeo onde fui obrigado a conhecer detalhes de uma relação conturbada, isso durante a madrugada!

E o mais recente, no hotel em que estou hospedado, onde os quartos são todos voltados para um atrium a céu aberto, fui acordado por volta de meia noite por um cidadão que caminhava falando…ou melhor gritando em uma ligação com sabe lá quem, provavelmente com o Demônio, onde vociferava como se estivesse solo abandonado como sobrevivente de um naufrágil em uma ilha! O que não seria ruim. Mesmo “puto”, acreditem, respirei fundo e educadamente pedi com voz de anjo que fizesse a gentileza de falar mais baixo porque eu e os demais hóspedes precisavamos dormir.

Como resposta ouvi: Com quem você pensa que está falando? Respondi: com alguém mal educado.

Alguns segundos de silêncio e a porta do quarto deste quadrúpede é fechada violentamente abalando a estrutura física do hotel.

A que ponto chegamos e quais as novas surpresas comportamentais que virão é um mistério para os seres de bom senso que ainda habitam em nosso planetinha de grandes dimensões povoada por alguns imbecilóides.