DOMINE PRIMEIRO O CONTEÚDO E DEPOIS O FRIO NA BARRIGA

O nervosismo para se falar em público assombra a maioria das pessoas, porém é algo que se faz necessário para quem almeja evoluir profissionalmente. Não tem jeito. Ou vai ou VAI!

Como resolver isso?

Ficar nervoso ao subir em um palco e ser obrigado a encarar uma plateia lotada geralmente está associado ao medo de se expor. A loucura nos leva a pensar que aquelas pessoas estão ali torcendo para você errar, se perder ou uma meleca dessas qualquer, mas isso faz parte da insanidade vivida naquele momento de apreeensão. Auto-sabotagem.

Na minha teoria é o nervosismo que te mantém concentrado e devemos aprender a controla-lo. Posso dizer com propriedade, que mesmo com toda a experiência que tenho, onde encarei plateias com mais de mil pessoas, independente do número de expectadores, todas as vezes entrei em cena com o friozinho na barriga, que com a prática desaparece nos primeiros minutos. A única vez que entrei seguro demais, portanto desconcentrado, deu caca.

Minha dica para os iniciantes:

Tenha domínio TOTAL do conteúdo. Se prepare muito.

Se for usar slides de um power point, crie uma apresentação em tópicos que lhe darão apoio para não perder a sequencia de sua linha de raciocínio.

Evite textos imensos em uma tela, pois sua insegurança irá fazer com que você leia ao invés de raciocinar, transformando sua apresentação em uma chatice sem tamanho.

Respire fundo e solte lenta e profundamente o ar. Não tenha pressa.

Jamais de as costas para o público.

Se o microfone não estiver adequado para você, chame o tecnico responsável e peça para ajustar. Não se meta a besta em querer mexer em algo que desconhece o sistema. Isso pode aumentar ainda mais o seu nervosismo.

Não cole sua boca no microfone para evitar os “pufs”, aqueles estouros de vento que ampliam com a proximidade da sua boca e prejudica a clareza de sua fala.

Se estiver muito nervoso com a voz e todo corpo trêmulo, assuma isso em público. Todos sabem da dificuldade de estar ali e lhe darão a energia necessária para você se acalmar.

Saborei-e as palavras. O nervosismo faz com que engula as sílabas e termine as frases praticamente sem som.

Evite caminhar de um lado para o outro como um leão enjaulado, não cruze os braços ou coloque as mãos nos bolsos, isso demonstra negligência e falta de respeito com as pessoas que estão lhe assistindo.

Caso não consiga encarar o público, direcione o olhar por cima da cabeça das pessoas, pois elas não percebem para onde você está mirando seus olhos. Acredite. Ninguém vai perceber.

Mantenha um copo com água sem gelo proximo de você para evitar que a garganta seque e, se por um acaso, antes da sua apresentação, sentir um pigarro lhe provocando, tome um xícara de café com coca-cola quente. Isso mesmo. Aqueça 40 segundos no micro-ondas e beba como se fosse um espresso. Se isso desentope pia, um pigarrinho sai que é uma beleza. Receita de uma fonoaudióloga.

E por favor: não comece sua performance pedindo para o público gritar BOM DIAAAA! Você não está no circo.

O CONTEÚDO É MAIS IMPORTANTE QUE VOCÊ

Dia desses me deparei com 3 apresentadores de um programa de rádio iniciando o quadro anunciando seus endereços nas redes sociais como se isso fosse algo extremamente importante para o ouvinte. Fazendo uma análise baseada em comportamento, sinto que este tipo de atitude incentiva a busca por outra rádio porque o real interesse é outro, e vou explicar meu ponto de vista:

Ao nos conectar com uma mídia, seja ela qual for, buscamos por algo que nos gere interesse. Em uma rádio, a oferta pode estar associada ao universo musical, jornalismo, curiosidades, informação. Se esta entrega estiver adequada ao seu interesse, a audiência será mantida e um fiel ouvinte conquistado. É tudo o que um meio de comunicação necessita para sobreviver. Audiência.

Agora, na minha visão, inicialmente somos atraídos pela qualidade do conteúdo e não pelos apresentadores. Se a apresentação for boa, interessante ao ponto de acrescentar algo em nossas vidas, talvez você, de forma natural, possa se interessar pela linha de raciocínio, forma, simplicidade ou didática do apresentador ao ponto de querer segui-lo nas redes sociais pra saber um pouco mais sobre o que ele pensa sobre outros assuntos. Ninguém vai acessar suas redes sociais sem te conhecer!


Na TV, temos em mãos o poder de um controle remoto que nos oferece a busca rápida por um conteúdo do nosso interesse. Muitas vezes o conteúdo é bom, mas o apresentador está tão preocupado com a imagem dele, com a voz empostada, fazendo caras e bocas, tentando interpretar sem ser ator ou atriz, que deixa o programa insuportavelmente falso.

Paralelo a isso, temos os canais de streaming oferecendo uma programação on demand, que proporciona à você assistir o que quiser, na hora que quiser. Um grande equívoco na forma de se expressar como comunicador é colocar a sua vaidade à frente de um bom conteúdo. Para ficar conhecido, atraia seu público pela qualidade das informações e pesquise sobre o tema abordado para que faça sentido e acrescente algo para a maioria das pessoas. Conheça seu público. O conteúdo deve ser útil ou interessante.

Falar de você não é algo que conecta as pessoas, e se elas estiverem com um controle remoto na mão, um botão ou um mouse, você desaparece em apenas um clique. O conteúdo é mais importante do que você. Acredite!

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NÃO É PRECISO DESENHAR AQUILO QUE FALA

Naturalmente nosso corpo reage àquilo que expressamos em palavras, mas contanto que seja um gestual natural você passará por um ser humano normal. O problema é desacreditar no poder da palavra e forçar a barra usando as mãos para desenhar tudo aquilo que fala. Por que EU…e aponta para o peito..porque você…e aponta para câmera…porque o universo…e faz um movimento circular acima da cabeça…porque o carinho que sinto por você…e faz o coraçãozinho unindo as duas mãos! Digamos se tratar de pleonasmo corporal! Quando digo que algo é GRANDE, entende-se que é grande. Se subir o tom e prolongar as vogais…GRAAAANDEEE! Este algo vai parecer maior ainda! A palavra em si, nos dá a dica de como dize-la modulando de acordo com a nossa intenção. Na contrapartida, vejo profissionais da comunicação trabalhando em telejornais como repórter que adoram desenhar e dramatizar aquilo que estão falando. Por exemplo: certa vez vi um jornalista que, para falar de uma crise econômica, gravou dentro de um cofre só para concluir a matéria rodando aquela imensa trava do dito cujo. Pra que? hashtag#comunicação hashtag#falebem hashtag#dica hashtag#ficaadica hashtag#reflexão hashtag#falarempublico hashtag#palestra hashtag#video hashtag#tv hashtag#oratoria

4 expressões que tiram a credibilidade da sua apresentação

Meses atrás postei um vídeo falando sobre o hábito inconsciente do uso do EU ACHO pela maioria das pessoas-

https://lnkd.in/dFgJkreZ .

Apesar de usual, trata-se de uma expressão que demonstra emitir uma opinião sobre algo que não tem certeza, e assim deixando a sensação no ouvinte de falta de confiança no interlocutor. Imagine a seguinte situação: Você ouvir de um médico que você espera um diagnóstico preciso sobre os sintomas do seu filho(a) e ouvir repetidamente o DOUTOR dizendo EU ACHO. Ou de um engenheiro que diz : EU ACHO que a estrutura da casa em que você vive com a sua família está segura. Ou você sabe sobre o que está falando ou apenas ouça. Não somos obrigados a saber sobre tudo e muito menos emitir uma opinião. A segunda expressão muito usada é NA VERDADE. Quando você manda um “na verdade…” no meio de uma linha de raciocínio, deixa no ar que tudo o que disse anteriormente era MENTIRA? A terceira expressão é NA REALIDADE. Quer dizer que você passeava com a Alice no País da Maravilhas quando resolveu cair na real? A quarta expressão e talvez uma das mais capciosas usada por muita gente é o tal do VEJA BEM. Se você reparar, vai perceber que geralmente após um “veja bem…” virá uma justificativa de algo injustiticável, uma desculpa esfarrapada, uma mentira caprichada ou servindo de muleta como uma pausa onde o interlocutor está catando papel na ventania pra ver se encontra alguma saída para a saia justa que se meteu falando bobagens demais. Claro que são expressões casuais, mas que trazem um sentimento negativo para sua imagem. Portanto, preste atenção.

NÃO É HORA DE VOCÊ FICAR INTELIGENTE

NÃO É HORA DE VOCÊ FICAR INTELIGENTE.

Essa é a primeira frase que uso quando inicio a preparação dos diferentes perfis de profissionais com quem tenho a oportunidade de trabalhar para melhorar a performance ao falar em público ou vídeo. Existe uma tendência natural associada a nossa vaidade que é mostrar que somos inteligentes quando vemos uma câmera apontada pra gente. Isso nos leva muitas vezes a usar palavras que não fazem parte do nosso vocabulário do dia a dia e, consequentemente, gerar uma perda na linha de raciocínio deixando sua comunicação prolixa e sem sentido.

A linguagem formal, além de ser chata pra caramba, da sono e distancia as pessoas, enquanto que a informal aproxima, exatamente por trazer a sensação que estamos conversando entre amigos. Perceba a diferença: o NÓS vira A GENTE, o PARA vira PRA, o IRÁ vira VAI, o ESTÁ vira TÁ! A não ser que seja um filósofo ou professor de português, é assim que naturalmente falamos e é isso que dá credibilidade à sua imagem porque mostra quem você é de verdade. Repare que os apresentadores dos telejornais estão mais soltos e os programas vespertinos trazem cenários com cara de sala de estar, exatamente para dar a sensação que estamos conversando entre amigos. Seja sempre você e traga para a sua comunicação, através de uma câmera ou à frente de centenas de pessoas, busque o seu jeito natural de falar. É isso que gera conexão e retém a audiência. As pessoas precisam sentir quem você é de verdade e não um personagem que coloca a vaidade à frente do conteúdo, que é mais importante que você. Acredite.

Falar bem não significa falar bonito, floreado, formal. Na minha opinião é preciso gerar conexão para reter a atenção do seu público e ter a satisfação de olhar pra plateia e ver que não tem ninguém babando. Por muitos anos exerci com orgulho a profissão de ator. Fiz teatro, participações em novelas, series, longa metragens, centenas de videos institucionais, treinamentos, mas o que me rendeu um bom retorno financeiro foi a publicidade, na época em que se pagava bem, principalmente para os filmes de bancos que exigiam credibilidade.

Testes eram feitos nas produtoras entre mais de cem atores para elencar quem representaria determinado banco. Depois de alguns testes frustrados, comecei a imergir na pesquisa da construção do personagem.

Comecei a observar como o gerente da minha conta se comunicava com seus clientes e comigo, e percebi que ele simplesmente batia um papo oferecendo seus produtos como se fosse um conselho dado por um grande amigo que queria o seu bem.

Esse era o tom que usei na primeira oportunidade, teste na O2 Filmes para Itaú Flexprev, o plano de previdencia privada do Itaú. Foram realizados 3 testes entre 150 atores para escolher quem seria o protagonista da campanha. Fui escolhido. Deste dia em diante, após o vencimento de cada contrato, fui selecionado para representar outros bancos e ainda ser a imagem das comunicações internas destas instituições financeiras que, me sinto orgulhoso em dizer, gravei para TODOS os principais bancos do país e alguns de fora que entravam para concorrer no Brasil. Meu sobrenome virou BANCO. Isso chamou a atenção dos marqueteiros políticos de plantão que me convidaram para ancorar diversas campanhas políticas de prefeito à presidente da república, me permitindo assim, sem a fama novelesca, conseguir alcançar um certo sucesso nesta difícil arte da interpretação.

Hoje trabalho com comunicação e entretenimento. Sou roteirista e diretor de cinema no formato documentário e atuo também no mercado corporativo. Gosto de contar boas histórias. Gosto de gente. E por isso, uso da mesma técnica usada para dar credibilidade a imagem associada a uma marca para preparar executivos e quem mais acredita que falar em público ou por vídeo seja fundamental para seu crescimento profissional. Não ensino oratória. Lapido pessoas para que sejam elas mesmas. Quem olha pra você ao vivo sobre um palco ou através da lente de uma camera, precisa sentir que você é de verdade. A linguagem formal, rebuscada, aquela que a pessoa quer mostrar que é inteligente, usando palavras que não fazem parte do seu vocabulário usual, é chata pra caramba, dá sono e pode levar o comunicador a se perder em sua linha de raciocínio. Agora, a informal, aquela usada na roda de amigos, essa retém a atenção porque mostra quem você é de verdade. É autêntica. É isso que gera credibilidade a sua imagem e deixa sua apresentação leve e com gosto de quero mais. SAIBA MAIS: wladimircandini.com.br

COMPORTAMENTO

Vivemos um momento do copia e cola.

Talvez a alta disponibilidade de informações tem levado as pessoas a negligenciar sua capacidade cerebral deixando de lado um bem muito valioso chamado criatividade.

Nada se cria. Tudo se copia dentro do universo digital das referencias, ou seria da preguiça mental?

Isso nos leva ao desenvolvimento de pessoas subdesenvolvidas? Talvez.

Um público que não lê, assistem vídeos de até um minuto…Pessoas facilmente influenciáveis por tudo que veem ou ouvem sem checar a procedência e veracidade dos fatos. Dedicam seu tempo a selfies ou a divulgar seu prato de comida. Passam boa parte do tempo hipnotizadas pelas redes sociais!

Instantaneidade. Tudo na velocidade de um clique?

Foi baseado neste comportamento que pessoas de caráter duvidoso, porém inteligentes, criaram as famosas Fake News, popularmente conhecidas como mentiras, para manipular os preguiçosos de plantão e usa-los como marionetes de interesses escusos.

Seguindo a mesma linha de análise comportamental, alguém, em algum lugar do planeta, talvez o DEUS DA MODA, dita regras dizendo o que você deverá vestir alegando que a tendência para a próxima estação será usar determinada estampa com determinado corte, e a maioria das pessoas, aceita sem questionar se lhe cai bem ou é confortável para o seu biótipo.

Ninguém questiona de onde vem esta tendência ?

O resultado é similar a uma manada de zebras ou a um saco de salsichas. Tudo igual.

As pessoas ignoram sua própria identidade e personalidade. Digamos que a intelectualidade da coruja foi substituída pela língua do papagaio.

Isso pode ser visto na comunicação padrão adotada pelo mercado corporativo diferenciada por uma logomarca, pois o conteúdo é idêntico: Missão, visão e valores, na década passada, e agora atualizada em Propósito e Ações Sustentáveis.

É claro que com a destruição do meio ambiente as empresas precisam se posicionar de forma consciente seguindo o politicamente correto, mas para onde foi a originalidade? Algo que diferencia você dos demais!

Neste mesmo vagão chegaram os coachs que doutrinaram milhões de pessoas com sua linguagem de lavagem cerebral fazendo você acreditar que pode sair voando se pagar pelo segredo que ele irá compartilhar, permitindo que você fique milionário no dia seguinte e seja mais um Deus no Olimpo. Deus IDIOS, que em grego quer dizer IDIOTA.

Milionário ninguém fica além deles, mas você aprende palavrinhas como procrastinar, resignificar, repaginar, narrativa, jornada…

Talvez esta seja a razão do brutal investimento em inteligência artificial, porque a inteligência natural sucumbiu para um mundo que já é artificial.

PARE. PENSE. MUDE, e por favor não termine suas frases com GRATIDÃO.

O BRASIL É UMA FÁBRICA DE SALSICHAS

Se você prestar atenção, e não precisa se esforçar muito, vai perceber que a busca pela originalidade está escassa. Ou falta criatividade, ou sensibilidade e ousadia para expressar a forma com que as pessoas enxergam o mundo e para pensar nas razões de nossa existência.

As pessoas visualmente são como zebras. Se vestem iguais, os cortes de cabelo são iguais, todo mundo tatuadão, as mesmas gírias com seus TIPO – MANO – TÁ LIGADO – É NÓIS – COLA AÍ NA BALADA – BUGÔ – BOLADÃO, etc e tals!

Os urbanoides adoram as Duplas Sertanejas sem conhecer  vida no campo, mas eu confesso que não tenho um ouvido apurado para distinguir quem é quem nesta galáxia musical. O Tom de voz segue um padrão e as melodias sofríveis, idem. São tantas duplas que em breve será impossível criar novos nomes sem repetir e serão obrigadas a se identificar por números:

  • Agora com vocês a dupla 23 e 64!!!

Enfim, tribos ou ilustrando melhor, um pacote de salsichas!

No universo profissional corporativo que trafego chego a desanimar!

A internet trouxe a tal da “referencia” e com isso a preguiça mental. Para mim não existe coisa pior do que, ao invés de receber uma solicitação para criação de uma ferramenta audiovisual para sanar um problema (trabalho como roteirista também), recebo como briefing uma referencia de um vídeo com a descrição: É mais ou menos isso!

O mundo digital deu velocidade a informação e com isso potencializou a ansiedade e trouxe consigo  o imediatismo, a necessidade premente, como se o mundo fosse acabar em segundos. Tudo é para ontem! Processos são atropelados e muitas vezes engolidos. Os departamentos envolvidos não se falam. Os objetivos das áreas estão desconectados.

As palavras que tanto valorizam os idiomas viraram siglas ! Acreditaram que abreviar é a solução para dar ainda mais velocidade. Você virou VC, também virou TB, beijos virou Bjs, Abraços virou abs e o não menos importante TMJ, tamo junto! Isso sem falar nas siglas corporativas: CEO, COO, CFO, portanto deixo aqui o meu PQP que é bem popular e todos sabem o que significa.

O marketing brasileiro é americanizado desde sempre, começando pelo próprio nome! Uma reunião de briefing para fazer um over view da situação é o retrato fiel da Torre de Babel.

Nos falta personalidade verde-amarela!

Quando digo que o Brasil virou uma fábrica de salsichas, trago em minhas observações uma base de estudos voltada para o comportamental, que me empenho com a mesma velocidade em que o mundo é transformado pela volatilidade do ser humano e, em minha análise, sinto que existem INFLUENCIADORES por que existem um número monstruoso de pessoas perdidas em sua existência que se deixam influenciar – sabe lá Deus porque –  e seguem pessoas que ditam regrinhas copiadas de alguém. Um bando de papagaios regendo uma banda de maritacas que gritam sem fazer barulho, mas com olhos pregados na telinha do smartphone.

Vejam a moda por exemplo. Alguém das catacumbas dos ateliers mais profundos dita que as você deve usar determinado corte, determinada estampa, determinado modelo, determinando o que você DEVE fazer para ser parte do ESTAR NA MODA e ser classificado como ESTILOSO? Se você se deixa influenciar por alguém que você nem conhece, sinto em lhe dizer que você está fora de MODA e você está na MORDA. Entendeu o trocadilho, certo?

O Mundo passa por um momento onde tudo precisa ser rotulado. As novas gerações recebem nomes de acordo com seu ano de nascimento. O que antes era definido como criança, adolescente e adulto agora são Geração X, Y (Millennials), Z e Baby Boomers. No meu caso sou classificado como velho mesmo ou a caminho do cemitério para ser mais dramático, mesmo tendo ainda sob minha dependência um par de Millennials.

Uma geração que prefiro chamar simplesmente de jovens, e não faço aqui nenhuma crítica ou pré-julgamento, mas sim propor uma reflexão ou um exercício cerebral que me estimula a fazer uma analogia com uma fábula, onde ratinhos são hipnotizados pelo *mago da flauta – O Flautista de Hemelin (conto escrito pelos Irmãos Grimm que hipnotiza ratos que os seguem para um rio onde serão afogados), neste caso, o mago seria o influenciador e os ratinhos, a turma cega de influenciáveis que serão afogados em suas frustrações ao perceberem que tudo aquilo era blá-blá-blá.

Frustrações que podem explicar o aumento de suicídios no mundo.

A pergunta que faço é simples: você segue porque? O que você aprende que possa trazer algum aprendizado, algo que realmente trará melhorias em sua vida, ou como os coachs adoram dizer: agrega valor!

Aliás, neste universo de salsichas nasceram os coachs, psicanalistas do mundo corporativo que brotam como ervas daninhas matando o universo criativo. Com eles vejo os papagaios de plantão fazendo cara de conteúdo e usando as palavrinhas da moda como, resignificAR, repaginAR, procrastinAR, agregAR, verbos de tirar o AR. Não basta usar este vocabulário para se intitular coach e achar que pode vender mentorias que vão mudar o “mindset”(mais uma palavrinha gringa insuportável que fere a sensibilidade de meus tímpanos) e doutrinar as pessoas que podem ficar bilhardárias sem trabalhar pra caramba ou para alguns privilegiados, Herdarem fortunas de alguém que trabalhou pra caramba.

No meu ponto de vista, o que sugiro como reflexão para caminhar na direção de um autoconhecimento que irá clarear o caminho que você poderá seguir é :

Quem sou? De onde vim? Pra onde vou?

Uma rota iluminada facilita a chegada ao seu destino, isso se souber qual o destino almejado, única e exclusivamente por você e não pelos sabichões de plantão.

A evolução é individual. Acredite. Mas acredite em você e não em charlatões que querem vender o curso do curso.

ENGENHEIRO DE OBRA PRONTA

Atualmente no mercado corporativo, muito se fala em turnover, que nada mais é do que o fluxo de entrada e saída de funcionários dentro de uma empresa.

Este giro de colaboradores muitas vezes está associado a objetivos pessoais onde os profissionais procuram trabalhar em empresas que proporcionem um ambiente de trabalho baseado não somente em aumento de produtividade, lucro e afins, mas que tenham uma visão mais ampla da sociedade e do meio ambiente como um todo e que proporcionem a evolução profissional e pessoal também, afinal de contas todos queremos estar bem, nos sentir bem ao lado das pessoas que convivemos.

Um pensamento utópico, mas realista.

O que eu sinto, é que algumas empresas perdem bons colaboradores por má gestão de pessoas.

Trabalho com comunicação e pra mim tudo está ligado a uma análise comportamental relacionada as constantes transformações que a vida nos apresenta.

Pessoas são diferentes. Diferentes modos de pensar, de agir e de interpretar as coisas dentro do seu grau de conhecimento e vivências. Saber respeitar nossos limites e ter a sensibilidade para gerar novos caminhos, criar oportunidades que ajudem ou proporcionem a evolução individual,  reconhecer as virtudes que existem nas outras pessoas, certamente terá como reflexo direto o crescimento da empresa, porque TODOS ganham com isso.

Porém, alguns gestores com alto grau de miopia, agem com imposição de suas ideias, transformando seus funcionários em autômatos que seguem uma programação pré-determinada pelo chefe, limando a capacidade criativa de uma pessoa que poderia ter o poder de transformação se estivesse motivada, inspirada ao invés de amordaçada.

Com essa trava emocional, o gestor cego pela sua vaidade ou prepotência, vai ouvir de um colaborador muito promissor as frases clichês da despedida: Estou me desligando da empresa porque quero encarar novos desafios, alçar novos voos, alcançar novos patamares, blá blá blá…o que na legenda isso se traduz em “não quero trabalhar em uma empresa, ou com um gestor que me trata como se eu fosse um apertador de botões e não dá atenção para minhas iniciativas de melhoria, ou seja, que não me respeita como profissional e como pessoa.

Existe uma expressão conhecida como “Engenheiro de obra pronta”, usada quando outra pessoa se apropria de uma ideia que não lhe pertence, mas conduz o processo como se fosse o criador de um projeto que não foi gerado por ele. Isso é comum em empresas com profissionais centralizadores incapazes de delegar atribuições por falta de confiança na capacidade de seus funcionários e descrente de que uma boa ideia não poderia ter vindo de alguém que está em um cargo abaixo do dele.

Na minha modesta opinião de observador, já que nunca fui registrado com carteira assinada, para reduzir o tal do “turnover”, ouça ao invés de escutar, enxergue ao invés de ver, sinta ao invés de racionalizar e saiba que boas ideias estão disponíveis no universo para quem acessa-las primeiro.

Liderar não é mandar. Relacionamentos duradouros são construídos com base na valorização de virtudes e não de defeitos.

O JORNALISMO E O AUDIOVISUAL

A palavra audiovisual deixa claro se tratar da combinação de som e imagem, mas ainda percebo que muitos jornalistas em suas pautas externas possuem a necessidade de desenhar aquilo que estão falando na tentativa de integrar o ambiente, como se a imagem já não fizesse esta função.

EXEMPLO FICTÍCIO:

CENA – O jornalista aparece caminhando no meio da rua narrando um fato que teria acontecido na frente de um hospital. Ao invés de objetivar a informação, com ele em primeiro plano, fachada do hospital ao fundo e simplesmente dizer o que aconteceu naquele local, ele perde um tempo enorme para criar um drama sem ter a capacidade interpretativa de um ator, alcançando um resultado que chega a ser patético. A importância está no fato, pelo menos é assim que eu enxergo, mas a fala seria mais ou menos assim:

  • Eram 4 horas da manhã do dia primeiro de abril, em um país onde simbolicamente é reconhecido como o dia da mentira, mas o que aconteceu nesta fatídica madrugada ( A FACHADA DO HOSPITAL COMEÇA A APARECER NA TELA) na porta deste hospital (VIRA PARA TRÁS E APONTA PARA O HOSPITAL) não foi uma mentira e sim (PAUSA SEM SENTIDO) uma tragédia! Uma senhora de 70 anos escorregou em uma casca de banana e fraturou o fêmur. (COM A CASCA DE BANANA NAS MÃOS) Testemunhas alegam que esta casca de banana foi arremessada pela janela de um veículo que passava pelo local. Pasmem (NOVA PAUSA SENTIDO) O veículo pertencia ao neto desta senhora.

É claro que o que estou expondo aqui é uma situação ficcional irônica expondo o ponto de vista de quem trabalha no mercado audiovisual como redator publicitário, roteirista, diretor, ator e locutor e um incansável guerreiro que tenta explicar para os jornalistas, com quem tenho a oportunidade de trabalhar, que no audiovisual usamos a linguagem falada e não a escrita.

Qual a diferença? Simples, mas eles lutam contra. Pra você que é leigo, sinta se faz sentido pra você:

Na linguagem escrita, feita para a leitura, temos a necessidade de criar um ambiente e enriquecer com elementos que componham o imaginário do leitor, criar um cenário com riqueza de detalhes e neste formato é até permitido o uso de palavras mais “rebuscadas” digamos assim, mas dentro do ponto de vista publicitário, se possui o desejo de aumentar o alcance da informação, quanto mais popular, quanto mais simples for sua forma de expressão, maior será o público atingido, pela facilidade de entendimento. Portanto se você usar a linguagem dos deuses só alcançará o Olimpo, concorda?

No audiovisual, a imagem descreve o cenário e toda sua riqueza de detalhes, o que torna desnecessário o repórter, o apresentador ou seja lá quem estiver à frente da lente, dizer aquilo que a câmera já está registrando!

Não sei se é ego ou necessidade de preencher o tempo destinado para a apresentação da matéria que faz com que prolonguem demais uma informação que poderia ser dada de forma objetiva sem encher linguiça e perder a atenção do telespectador, e consequentemente não obter o resultado esperado com a notícia: audiência.

Com o poder nas mãos dados por um controle remoto, o cabra (no caso o chatonildo que aqui escreve) muda de canal antes de pegar no sono ou se irritar.

Outro argumento que o jornalista não entende é que o audiovisual permite a combinação de locução (texto falado), imagem, trilha sonora e texto escrito na tela (tecnicamente chamado de lettering). Nosso cérebro é capaz de absorver todos esses elementos ao mesmo tempo porque compõem a informação, e isso nos proporciona apresentar uma riqueza de detalhes em um tempo menor de exposição e ainda estar adaptado a um momento imediatista que quer receber a informação de um jeito rápido. Uma geração que trabalha com o poder da síntese. Textos enxutos, poucas palavras, vídeos curtos e ao mesmo tempo recheados de informação.

Escrevi tudo isso como desabafo após receber um  roteiro que havia escrito tempos atrás, onde apresentei o conteúdo necessário em 1’40”e agora recebo o retorno do jornalista responsável pela comunicação da entidade com um texto que bate em 10 minutos de locução usando palavras fora da embocadura natural de um tom amistoso.

A minha experiência diz que após o segundo minuto começa a dispersão, o cérebro se desconecta e passa a ouvir Melão, melão, melão. Para aqueles que ainda não entenderam que o poder da comunicação está baseado na conexão, após a exibição deste chato curta metragem a quem você sacrificou pessoas a assistirem, pergunte sobre detalhes do vídeo apresentado e perceba que o resultado, o objetivo do audiovisual deve estar à frente do seu ego de escritor.

Vídeo é ferramenta de comunicação. Roteirizar não é escrever um livro ou uma notícia que será impressa. Roteiro é pensado para o público e não para satisfazer quem escreve.

CORDEL DA VIDA

As vezes me pergunto: o que é que tô fazendo aqui?

Vivendo num mundo que basta um segundo pra você sumir

Com gente agressiva que fala de morte, vive dando peti

ao invés de simplesmente sorrir

Não questiono crença ou qualquer diferença

Somos todos seres humanos, gente que pensa

Que sonha acordado e também quem nem consegue sonhar

Que vê apenas problema por qualquer caminho que passar

Mas também vejo muita gente boa

Que jamais se magoa

Porque ao invés de tentar entender

Tem coração maior que irá compreender

Essa gente quero sempre ao meu lado

Que não enxerga o pecado

Um erro que pode ser perdoado

Porque tudo aqui é aprendizado

Tem gente que vive com pressa

Que trabalha a beça

E não encontra tempo pra ver

Um bonito amanhecer e a lua que faz um buraco no escuro ao anoitecer

A vida é um escola

Que não pede esmola porque tem muito pra dar

Com amor a tudo aquilo que o dinheiro não pode pagar

Pequenas grandes coisas que se distanciam do ter,

mas te aproximam do ser.