A CHATICE DO FUTEBOL PROFISSIONAL BRASILEIRO

Há muito tempo atrás éramos reconhecidos como o Brasil dos jogadores de futebol mais habilidosos do mundo! No gramado tínhamos verdadeiros lordes que não sabiam a cor da grama porque jogavam de cabeça erguida! A habilidade era tamanha que os adversários caçavam nossos craques, mas não os encontravam. Mesmo sobre pontapés, caíam e rapidamente se levantavam ignorando as agressões em nome do futebol arte e só paravam quando a bola estufasse as redes do adversário !

Era a beleza do futebol traduzida em gritos de gol em uma arquibancada que extravasava suas paixões!

Essa paixão chamou a atenção do marketing das grandes marcas e assim nossos craques foram exportados e a nossa magia se fora com eles. O dinheiro entrava em campo e a molecada que no passado sonhava em ser ídolo entre os torcedores, hoje, salvo raras exceções que trabalham para tirar a família do buraco, uma grande maioria sonha com a fama e a conta bancária milionária e seus bens expostos nas redes sociais. Funk da bola ostentação.

“Não quero ser craque, quero ser famosão! “

O estádio agora se chama arena com direito a “name right” pra quem pagar mais e o olhar do “atleta” que deveria estar concentrado na bola e na sequencia da jogada para se transformar em gol vibrado em alto e bom tom na garganta e reverberado no coração do torcedor foi substituído pelo contracheque e pela busca do estrelato e da popularidade fora dos campos de futebol.

Mas e o fã? O apaixonado pelo futebol que com muito sacrifício compra o ingresso pra prestigiar o time e em contrapartida só quer sorrir ao ver seu clube do coração ganhar? Como é que ele fica?

“Ah! Esse que se dane!”

O que está enterrando de vez a bolinha que estamos vendo rolar com dificuldade sobre o tapete verde, alguns artificiais pra combinar com o nosso futebol, é que agora alguns jogadores querem transformar este esporte em novela mexicana! Com algumas maldosas exceções, o contato físico natural deste esporte agora tenta ser transformado em agressão, onde uma mão no peito em uma disputa de bola faz com que o jogador se jogue no chão estrebuchando com as mãos levadas ao rosto como se tivesse levado um tiro na cara.

Simulação feita por atores ruins que usam deste artifício para esconder a mediocridade de um futebol decadente revelado em câmera lenta por poderosas câmeras que expõem a vergonha sentida por nós nessa representação triste do que restou do nosso saudoso futebol arte. Se jogam na área adversária como se tivessem sido atingidos por uma granada! E ainda levantam enfurecidos pedindo cartão amarelo ou vermelho para o zagueiro que acompanhou a cena com piedade cristã.

Parafraseando o grande e divertido locutor Milton Leite: “Que beleza! Agora eu se consagro!”

Sou fã de futebol e por essa razão acompanho sempre que posso a Premiere League e os grandes jogos da UEFA Champions League para verem brilhar astros como Messi, Cristiano Ronaldo, Pogba, Kanté, Salah, Mané, entre outros verdadeiros profissionais que valorizam mais o espetáculo da bola e respeitam o torcedor apaixonado por futebol. Enquanto aqueles que sonham em serem os melhores do mundo, esquecendo que são jogadores de futebol e não super astros de cinema, compartilho uma dica com uma modesta opinião caso ainda sonhem conquistar a chuteira de ouro: Humildade e foco na bola e não nas câmeras de Tv e de paparazzis de plantão.  Protagonize dentro das 4 linhas e não fora delas. Jogue futebol e deixe sua vaidade para seu próprio espelho. Seja notícia pela obra de arte que pinta em campo e não na arte que apronta fora dele. Seja famoso pelo seu trabalho e não pelas postagens que faz nas redes sociais ao lado de outros famosinhos ! Seja honesto em campo como um homem deve ser dentro e fora dele. Quem gosta de bola quer ver show de bola. Show de presepadas aos fãs de futebol é agressão e não nos interessa…falo por mim, claro.

Bola pra frente! Se for possível.

SENTANDO NO COLO DO PAPAI NOEL

Após um ano batizado de “ressaca”, o mercado em alguns setores parecem dar sinais de melhoras. Parecem! Um pequeno respiro, mas o suficiente para ganhar oxigênio e tentar superar um 2018 que traz na bagagem uma copa do mundo e eleições.

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A disputa nos gramados e os déspotas tentando se manterem no poder. Entre uma arena e outra, a copa do mundo de futebol geralmente é usada e lambuzada neste Brasil varonil para maquiar a sequência de falcatruas políticas lançadas nos momentos de euforia. Nosso país aparece novamente como forte candidato ao título. Preocupante, pois isso significa que enche de esperanças a corja de malfeitores preparados para abrirem a caixinha de maldades no momento do êxtase de um gol marcado. A cada gol, a cada grito de esperança doído na garganta de cada brasileiro honesto, abre espaço para um oportunista nos levar a carteira, atualmente recheada de débitos.

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Este é o retrato do político brasileiro. Dos caras que na teoria deveriam trabalhar pelo povo e para o povo, mas ignoram a regra moral, e na prática surrupiam a palavra “povo” do dicionário do então candidato, no exato momento em que assentam as nádegas de suas bundegas na cadeira de comandante eleito.

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Esta é a situação de um país de cultura limitada, presa ao umbigo de cada indivíduo. O meu, após a retirada de uma hérnia umbilical, mal aparece.

8f7c81d8_dc6d_4803_8cde_e9b985488025-6019Trilhões são arrecadados em impostos e não é suficiente para pagar as contas do país cujo custo da máquina pública está ancorado em cabides de empregos amarrados a acordões políticos. Agora nossos larápios de plantão querem privatizar empresas estratégicas para controle do país, como energia por exemplo, ao invés de acabarem com mordomias de dar nojo as baratas.

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tio-samImaginem nossa energia nas mãos dos chineses ou dos americanos que manipulam nosso país como marionete. Ou você realmente acredita que nossos principais players (petróleo, construção civil e agronegócio) foram explodidos a toa? Claro que chegou a hora de limpar o beco e acabar com os ratos, mas o caos generalizado foi financiado pelo American Way of life para beneficiar os interesses econômicos do Tio Sam. Uma teoria da conspiração baseada em análise de situação, feita por “moi”. (mim em francês – pra ficar mais chic).

 

Nosso Papai Noel está mais magro, mas acomodará à todos sobre um enorme saco cheio.

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A GRANDEZA DO FUTEBOL DE VÁRZEA

Várzea é um substantivo usado para se referir a um terreno plano e cultivado, geralmente próximo a rios, mas também usado de forma pejorativa para definir bagunça, desordem e confusão, talvez pelas condições de alguns terrenos após uma enchente, onde acumulam lixo e demais detritos trazidos após transbordar das águas dos rios.

Mas a palavra várzea e seu significado refletiu diretamente na história do futebol de muitos garotos que um dia sonharam em ser jogadores profissionais.

O futebol de várzea é aquele que pode ser praticado em terrenos não tão planos, adaptados com traves de madeira, com tuchos de gramas, terrão ou areia. Também na forma pejorativa, está associado a confusão, pois o juiz geralmente é o bom senso.

static2.squarespaceEu era bem garoto. A bola era nosso ícone. Durante a semana, estudava pela manhã e já no intervalo ou recreio como era chamado na época, 20 minutos que deveriam ser destinados a uma rápida alimentação, nosso lance era comer a bola, que na sua ausência, era substituída por papel, chumaço de pano, tampinha de garrafa ou qualquer outro objeto que pudesse ser chutado na direção do gol adversário, cujas traves eram formadas por sandálias de borracha ou pedras perdidas pela escola.

Santos, Brazil Takes Pride In Star Player Neymar's Local Rise

Mas, com a chegada da sexta feira, logo no período da tarde, os amigos se reuniam na vila, escolhíamos os times e o pau comia. Estar entre os primeiros escolhidos era sinal de habilidade e isso inflava nossos egos e criava a ambição de alcançar um dia o profissionalismo.

Aos poucos o sonho era incrementado. Os clubes de bairro abriam suas peneiras que, pra quem não sabe, é o processo de seleção para fazer parte do elenco do time. A categoria era chamada de “Dente de Leite”, atualmente rebatizada de sub 12, acho.

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Eram 7 horas da manhã de um domingo. Garoava forte quando os portões do clube 7 de Setembro da Água Rasa se abriram para um bando de moleques que carregavam a tiracolo suas sacolinhas de panos nas mais variadas estampas (sobras de tecidos) contendo um par de chuteiras (gaeta para os mais humildes e rainha para os um pouco melhores de grana), um par de faixas (não existiam tornozeleiras) e uma toalhinha para o banho. O vestiário era mal iluminado e com bancos de madeira alinhados às paredes. Apesar do ambiente escuro, os olhos da garotada brilhavam com a oportunidade de pisar pela primeira vez em um campo semi-oficial. Para mim que sempre joguei na rua ou nas quadras de cimento da escola, aquilo era a glória.

0056-500x319O senhor Joaquim, um homem gordo, muito simpático – que apesar do nome portugues tinha origem italiana – com imensa alegria distribuia com carinho os meiões sem elástico e os calções e camisas do clube já bem surradas pelo time principal. Isso mesmo. Fardamento de adulto. Era o que tínhamos e adorávamos aquilo. Usar o mesmo uniforme do time principal do 7 de Setembro da Água Rasa!

selecao-das-melhores-imagens-de-2013-da-copa-kaiser-do-fotografo-rodrigo-campos-1368470055264_615x300É claro que toda locomoção e habilidade ficava debilitada com nosso esqueletinho sambando dentro de uma camisolona e um calção largo, franzido pelo cordão e abaixo do joelho, mas esse não era nosso principal desafio. A Bola era também para adultos. Bola especial para idade eram um luxo encontrado nos clubes de ponta. O campo era de terra, que na chuva ficava mais apropriado para a prática de motocross do que para futebol. Mas o pior de tudo era a cruel combinação entre bola pesada e barro. A bola se transformava em um meteóro que ao cabecear-mos a bandida, tínhamos pedaços de pele da testa arrancados ao ponto de nos fazer parecer personagens saídos do seriado “Vikings”. Verdadeiros Guerreiros. Mas em contrapartida, o peso da bola proporcionou aos garotos da várzea chutes poderosos sentidos pelos adversários quando disponibilizavam – para o azar deles – a bola adequada para nossa idade. Éramos verdadeiros canhões. Fato que em futuro próximo nos levou a jogar em times mais expoentes.

Mas após esta verdadeira batalha, fui aprovado para fazer parte do meu primeiro time de futebol, onde iria participar de diversos torneios e aos poucos ganhar uma experiência de vida que trago comigo até hoje.

fotos-aereas-campos-de-futebol-de-varzea-07Situações como jogar no campo do Vera Cruz, localizado no meio da favela (atual comunidade) da Vila Prudente, cujo centro era marcado por um paralelepípedo e o time “dente de leite” composto por jogadores barbados com pernas cabeludas, nos davam 2 opções: Perder ou tomar um pau.

Um pouco mais velho, jogando na categoria “Dentão”, fui convidado para disputar a partida do mais esperado torneio do clube, o festival 7 de Setembro, realizado anualmente na mesma data para festejar o aniversário do clube, onde substituí um jogador contundido do time principal e atuei fora da minha posição, na lateral direita (jogava no meio campo) e ainda com a responsabilidade de marcar ninguém menos que Gazela. Um negro alto, liso como quiabo, considerado uma das maiores revelações da várzea e com fortes chances de ser profissional. Estes foram registros cravados na minha memória afetiva.

9910083_U0sl8Este último porém ficou marcado por alguns momentos de arrepiar. Casa cheia. Ao redor de todo alambrado não existia um espaço vazio. Eu, com 15 anos era um moleque atrevido e sabia que bem mais baixo que o Gazela, não poderia deixar o cara matar a bola. Tinha que antecipar todas. E assim foi por todo o primeiro tempo. O problema começou logo no início do segundo tempo quando, atacando agora para o lado oposto, a minha lateral tangenciava o bar onde se concentrava a torcida do time adversário, o “Sapopemba”. Me lembro de ouvir um pusta de um negrão usar de um jargão futebolístico da época: Acaba com este cabaço Gazela! Como disse, moleque e atrevido e agora com o brio chacoalhado, antecipei um passe destinado à estrela principal, joguei para o meio de campo e corri para a linha de fundo para receber um toque em profundidade, sob forte marcação do boleiro Gazela. Ameacei cruzar, mas senti que meu marcador de pernas longas se esticava para interceptar o cruzamento. Foi aí que ousei e meti a bola no meio das pernas do bonitão e servi de bandeja para o centroavante abrir o placar. Tudo muito lindo se o besta aqui não tivesse ido até o alambrado onde se encontrava o cidadão que ordenara meu massacre e usar das mesmas palavras educadas disparadas por uma língua felina típica de um adolescente cheio de merda na cabeça: Quem é o cabaço aqui?

images (7)Amigos, a recordação que tenho deste sublime momento, mais se parece com uma cena de filme do Tarantino. Em câmera lenta, o cidadão levantou a camisa e percebi que preso a cintura de pilão da criança descansava um cano brilhante de calibre gigante e que em segundos estaria empunhado e apontado para minha direção, porém corri mais que um leopardo para o outro lado do campo deixando um rastro de medo e poeira pela trilha percorrida. O acesso ao campo era feito por um único portão de ferro e lá estava meu algoz tentando passar pela muralha chamada Zulu, que após ter agradecido o moleque metido que o presenteara com o gol, em gratidão, o centroavante cruzou o campo para tomar a arma do meu pretendente funerário e ainda dar uns catiripapos no negrão. Era negrão contra negrão, mas o nosso era Phuds! Graças a Deus!

Bom, o tempo passou, joguei nas categorias de base do Juventus – onde pisei pela primeira vez em um campo gramado e calcei uma chuteira com travas de borracha –  e depois no Corinthians – onde aprendi as malícias do futebol – , mas como meu futebol era arroz com feijão comparado aos craques da época, achei prudente mudar o rumo de minha vida e estudar.

Naquela época jogador de futebol só jogava bola. Existia paixão pela camisa que defendia. Não eram garotos propaganda dando valor a marca que paga seu salário. Arrepiava quando o treinador arremessava a camisa de titular na sua direção. Hoje quando vejo jogador de futebol bancando o SuperStar, ganhando zilhões, colocando a fama acima da base humilde em que fôra criado, fazendo ceninha em campo ao menor esbarrão do adversário, deixando a perna solta no ar pra cavar o pênalti da incompetência, me faz pensar porque nossos jovens talentos não buscam inspiração nos craques estrangeiros que praticam a magia do futebol sem firulas que caracterizam os boleiros brasileiros. Hoje vejo alguns garotos preocupados em aprender o rolinho, a carretilha, embaixadinhas – que são muito úteis para quem quer faturar algum no farol – do que trabalharem o básico do bater na bola para um passe preciso, do posicionamento, da marcação, do chute com os 2 pés. Atualmente, Casemiro, brasileiro que defende o Real Madri e a seleção brasileira, é um jogador que merece meu respeito, pois ao ser transferido para a Espanha conseguiu enxergar isso e colocar em prática seu melhor futebol. O arroz com feijão bem feito ou o “eisbein” usado no inesquecível 7×1 alemão. Vejo Messi, Benzema, Bale, Riverri, jogadores que tomam chegadas fortes, caem e já se levantam para continuar a jogada em busca do gol.

Aqui nossos jovens talentos se inspiram nos artistas da bola que se contorcem,  querem briga, adoram reclamar com o juíz até ficarem de fora de próximo jogo (as vezes uma final de campeonato) e mesmo que o golpinho tenha atingido de raspão o cotovelo, levam a mão ao rosto na tentativa de expulsar de campo o colega de profissão. Que merda! Joga bola rapaz! O Neymar Jr, está saindo desta fase. Abandonou aqueles terríveis cortes de cabelo – cuja intenção era aparecer mais do que a bola – diminuiu e muito o “cai cai” e resolveu resgatar a alegria e a grandeza do futebol ofertada por Deus e que em breve o consagrará como o melhor do mundo. Ele já é, mas não digam isso pra ele para não adiar a festa brasileira.

Quando não se tem controle emocional, um elogio pode acabar com a vida do elogiado se ele realmente acreditar em palavras mortas.