O TAL DO BUDGET

O mercado publicitário e o marketing ( o nome já ilustra) resolveram americanizar a língua brasileira.

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Análise geral virou “over view”, público alvo virou “target”, reunião de criação é “Brainstorm”, aí vem “feedback”, “recall”, “brandings”, “branded content” e demais “expressions” que só fazem sentido  se o cliente for gringo, mas sabe-se lá porque, criaram o publicitês. Talvez sonhassem em ganhar em dólar no Brasil, sei lá!

Uso-de-palavras-estrangeiras-na-Publicidade-2-370x200Outro dia recebi uma mensagem de uma agência que havia enviado um pedido de orçamento e me alertou por mensagem de texto com um ASAP! Na hora fiquei perdido e achei que o corretor do aplicativo tinha dado um gato na palavra e questionei com um interrogação. Resposta para ASAP: “As soon as possible”, ou XEJA, o mais breve possível.

AH! Vai TNC !

Isso tudo pra falar do tal do “Budget”, que nada mais é do que um orçamento!

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Semana passada abordei em meu artigo sobre “briefing” e contei alguns “causos”, e hoje não será diferente.

 

 

Tempos atrás, quando nos reuníamos com o departamento de comunicação de alguma empresa ou com sua respectiva agência que necessitava produzir um vídeo ou um filme publicitário, sentávamos com os criativos e diretores de arte e estes nos apresentavam uma campanha amarrada a um conceito ou uma necessidade específica, e juntos buscávamos uma linguagem que adequasse a todo aquele estudo e se adequasse a verba destinada para isso.

Aí surgiu o youtube e com ele as “referências”. Meus amigos vocês não fazem ideia o tamanho da preguiça que este fato gerou em algumas cabeças criativas.

Os caras agora te mandam o “tal do briefing” (post anterior) com algumas referências do youtubiu e um pedido de orçamento. O problema é a imprecisão, pois a referência está mais ou menos próxima do real desejo do cidadão que novamente não sabe bem o que quer. No fundo ele assistiu a “tal da referência” (talvez o próximo post) e daí teve a brilhante ideia de adaptá-la para sua necessidade, se é que existia alguma, pois muitas vezes nossa vivência percebe não fazer o menor sentido o pedido em questão. Aí o cafotografia-flarera te manda um filme produzido 100% em “stop motion” (mais uma palavrinha gringa), mas não quer que façamos nesta linguagem, compreende muchacho? Manda outra referência cuja fotografia é a bola da vez, com o tal do “flare” (mais uma) que é aquela luz frontal direta na lente da câmera para criar um efeito de brilho. (Tem dezenas de comerciais como este no ar, é a modinha do momento).

De cara sentimos que estas 2 referências juntas são no mínimo esdrúxulas.

Aí você pergunta: Posso ver o roteiro? E o cabra diz: Ainda não começamos a produzir.

Traduzindo: Não existe.

Nada se orça antes de analisar um roteiro!

Quando eu digo que para atuar em determinados mercados você precisa desenvolver sua mediunidade, ninguém acredita.

Outro probleminha é a tecnologia. Como hoje todo mundo tem um celular que filma com qualidade e edita em seus variados aplicativos, tudo parece muito fácil e isso nos proporciona ouvir pérolas enquanto apresentamos nosso “reel” (outra pro6 – edição de um portfólio): o meu filho fez algo assim no final de semana .

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Certo dia recebi um telefonema do departamento de comunicação de uma empresa aparentemente interessados em produzir seu primeiro vídeo institucional . Eu costumo chamar de prostitucional, pois fazemos pelo dinheiro e não pelo prazer. Como tratava-se de um cliente virgem no audiovisual, a primeira coisa que perguntei foi sobre o “tal do budget”, pois é o valor disponível de investimento que nos orienta a criar um roteiro mais ou menos complexo.

Bom, segundo ele não existia um valor pré-definido e pediu que apresentássemos uma proposta. Como ele mensurou a necessidade de gravar em 3 plantas fabris localizadas em outras cidades, imaginei que a verba ou o “tal do budget” existia de fato. Não estou certo, mas na época chegamos ao valor de 60 mil reais estimando 4 diárias de captação.

Para se apresentar um orçamento, destinamos boas horas de trabalho entre pesquisas, discussão de proposta criativa, linguagem e por fim cálculos para chegarmos ao número.

Acreditem estava muito enxuto este orçamento. Enviei e logo em seguida liguei para discutir nossa proposta e sanar qualquer dúvida, pois o cidadão tinha urgência e experiência zero.

Ao dizer alô, ouvi1305: Você tá louco! Pensei em gastar 3 mil reais! Ou XEJA, ele tinha um valor em mente e se eu soubesse que era isso que ele pretendia investir, teria indicado o filho do meu vizinho de 10 anos para rodar com seu Iphone!

Respirei fundo e logo em seguida veio a segunda frase: O que posso fazer com 3 mil reais?

Resposta: UM MIOJO !

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PELOS PORQUE TÊ-LOS

Como as coisas mudam. Antigamente, pelos eram sinais de masculinidade, hoje as meninas fazem cara de nojo para os pelucios!

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Sean Conery, o maior representante da história dos James Bond , se fosse hoje seria depiladão para fazer o espião dos tempos modernos.

 

Atualmente todo mundo se depila! Até a floresta amazônica está sendo desmatada.

Carecas e não carecas, raspam a cabeça, as axilas e demais regiões. Economia, modinha ou preguiça de se pentear, o número de  “despelados” aumenta dia a dia.

Talvez seja essa a representação do futuro prevista em alguns livros e filmes de ficção científica que demonstram seres mais evoluídos ou mesmo ETs, lisinhos como ratos de laboratório. Você já viu ET peludo?

 

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Pior que tem e é famosão!

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Me lembro que quando menino perguntava a meu pai: Quando eu crescer, o meu peito vai ser cabeludo igual ao seu? E ele carinhoso respondia: Claro moleque. Todo homem tem o peito cabeludo. Os filmes dos anos 70, os galãs apareciam sempre com a camisa desabotoada para mostrar a cabeleira .

 

 

O tempo passou, as primeiras penugens surgiram no meio do peito em forma de cavanhaque de bode e aos poucos foram preenchendo minha caixa torácica. O que eu não previa é que este mesmo tempo derrubaria meus cabelos e novos pelos surgiriam em outros lugares em forma de tuchinhos.

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As costas viraram um pequeno pomar. Do nariz brotaram chumaços de salsinha e cebolinha e na orelha uma semi floresta bloqueia a entrada do cotonete. Alguns homens se transformam em verdadeiros lobisomens. Tony Ramos, por exemplo. Ramos mesmo. O papai urso, representante máster dos peludões foi proibido de tirar sua camisa em público para manter a audiência.

 

Os nadadores se depilam alegando melhora na hidrodinâmica. De qualquer forma o cara que limpa a piscina agradece. Jogadores de futebol, lutadores de MMA e demais atletas = Zero pelo.

images Pois bem, mas qual a função do pelo? Pra que serve esta merda? Se nascemos com eles, alguma função deve existir, afinal de contas nosso criador é perfeito! Certo?

Segundo o wikipedia: Também denominados “hastes queratinizadas”, os pelos têm origem epidérmica e são constituídos por queratina. São construídos pelo folículo piloso e possuem diversas funções, como por exemplo a de fornecer proteção mecânica e térmica.

Térmica eu entendi, mas depois que inventaram os casacos, nossas “hastes queratinizadas” perderam suas funções, mas o que quer dizer “proteção mecânica”? Os pelos evitam que alguma parte do corpo deixe de funcionar? Se for isso, depilar a virilha não parece uma boa ideia.

fotos-de-charles-darwinSeguindo a teoria evolutiva de Charles Darwin, as espécies ganham novas características através de suas necessidades e são transmitidas geneticamente. Talvez agora temos a justificativa para a previsão de que no futuro todos seremos lisinhos feitos cascas de melancia.

Piolhos, chatos e outras pragas tendem a limitar seu número de residências nos seres humanos.

Mesmo não querendo, fiquei careca por hereditariedade e entrei na modinha, mas o meu maior desafio é depilar as costas. Cera quente é usada por gente descerebrada em centros de tortura medieval, portanto devemos usar da tecnologia adquirindo as prolongas depilatórias (nem sabia que existia) ou fazemos contorcionismo circense para tentar minimizar o tamanhos dos “tuchinhos” com a maquininha elétrica –  correndo o risco de travar a coluna – ou para quem tem, aproveitar a boa vontade das filhas – o que é raro – para auxiliarem no serviço de jardinagem. No peito dou uma baixadinha no tamanho para evitar que se exibam por entre os botões da camisa. Visualmente deselegante. Concordo.

Enfim,  o mundo muda, mas é cíclico e tudo pode voltar. No caso dos pelos, acredito que a teoria de Darwin será aplicada e nossas “hastes queratinizadas” serão extintas pela evolução do homem.

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AS ENTRELINHAS DAS PALAVRAS MALDITAS OU MAL DITAS

Não sei de onde vieram alguns vícios de linguagem, mas para aqueles que gostam como eu de tentar entender o que não é para ser entendido, gostaria aqui de fazer uma pequena reflexão sobre algumas palavras ou frases empregadas pelo impulso de repetição no excesso de seu uso.

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Por exemplo:

Se vocês repararem, 99,99% dos youtubers começam seu vídeos com “FALA GALERA!” . Mas você sabe qual a origem da palavra “galera”? Galera era a área localizada nos porões das antigas embarcações movidas a grandes remos, onde escravos eram acorrentados e obrigados a doar toda sua força física para mover a nau. Não sei qual a relação, mas no futebol, a analogia foi feita para dar nomenclatura a torcida! Talvez pela aglomeração ou fanatismo que os transforma em escravos do time de coração? Talvez. Mas e no caso dos Youtubers? Escravos do belo conteúdo apresentado pela minoria? Sei lá!

Tem outras 2 palavrinhas que são comumente usadas em início de frases que para mim representam a abertura de uma pusta desculpa. Prestem atenção quando ouvi-las e reparem no que virá depois. Ei-la: VEJA BEM. Geralmente elas estão atreladas as entrevistas dadas por políticos quando encurralados pela imprensa. Significa que você tentará explicar o que é inexplicável, manja?

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Outra que representa uma baita contradição é: NA VERDADE… Pô, péra aí! Se após uma super tentativa de explicar algo você manda um “Na verdade…” significa que tudo que disse anteriormente era mentira?

file_54130a768724bO problema destes vícios de linguagem é que muita gente quando não entende direito ou não é chato o suficiente como eu, acaba cometendo deslizes criando verdadeiras pérolas de dar nó na cabeça de gringo que está tentando aprender nossa língua, cuja gramática sabemos ser extremamente complexa.

Certa vez estava eu sentado ao fundo do busão, quando ao meu lado um profeta disse ao seu “colégua”: Eu acho expecionante” as pessoas que perdem oportunidades. Se eu fosse ela, agarraria com as “unhas dos dentes”!

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Tem coisas que quando ditas e captadas por ouvidos demoníacos como os meus não passam despercebidas e preciso compartilhá-las pois retrata a falta de investimentos em educação no nosso país. Por outro lado, descobri um hobby que é anotar tudo no meu caderninho de maldades.

Que tal: “Exploradicamente”, “Feijão torpedo”, “Pudim de leite condenado”,Não adianta chorar sobre o leite desnatado”! Ou você morre de rir ou mata o infeliz ignorante na porrada! Coloco entre “aspas” para evitar que elas escapem e poluam sua HD.

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Faltou: Lagarto e não “Largato”

Haja capacidade para tanta “ingnorança” !

A língua portuguesa não é fácil e muda seus padrões de estado para estado. Quase um dialeto. Imaginem um turista alemão ou americano que se esforça para aprender nossa língua e chega no nordeste e escuta um “simbora mais eu” ! Ou no Rio de Janeiro onde o “O” tem som de “U”. Por exemplo: TUMATE. Caramba, se tomate é “tumate” quer dizer que a Xuxa é Xoxa?

Em Pernanbuco, a gente é “ARRENTE” e após uma pergunta feita a um cidadão local ele inicia a frase com “PRONTO” ! Qual seu nome? R: Pronto. João.

Pra nós brasileiros isso é maravilhoso pois retrata a diversidade cultural do nosso Brasil, mas para quem é de outro país tentando aprender nossa língua é de dar um nó no “célebro” e tudo é uma “questã” de “estendimento”, certo?

Preconceito linguistico

Maravilhoso? Será? humm