Meses atrás postei um vídeo falando sobre o hábito inconsciente do uso do EU ACHO pela maioria das pessoas-
https://lnkd.in/dFgJkreZ .
Apesar de usual, trata-se de uma expressão que demonstra emitir uma opinião sobre algo que não tem certeza, e assim deixando a sensação no ouvinte de falta de confiança no interlocutor. Imagine a seguinte situação: Você ouvir de um médico que você espera um diagnóstico preciso sobre os sintomas do seu filho(a) e ouvir repetidamente o DOUTOR dizendo EU ACHO. Ou de um engenheiro que diz : EU ACHO que a estrutura da casa em que você vive com a sua família está segura. Ou você sabe sobre o que está falando ou apenas ouça. Não somos obrigados a saber sobre tudo e muito menos emitir uma opinião. A segunda expressão muito usada é NA VERDADE. Quando você manda um “na verdade…” no meio de uma linha de raciocínio, deixa no ar que tudo o que disse anteriormente era MENTIRA? A terceira expressão é NA REALIDADE. Quer dizer que você passeava com a Alice no País da Maravilhas quando resolveu cair na real? A quarta expressão e talvez uma das mais capciosas usada por muita gente é o tal do VEJA BEM. Se você reparar, vai perceber que geralmente após um “veja bem…” virá uma justificativa de algo injustiticável, uma desculpa esfarrapada, uma mentira caprichada ou servindo de muleta como uma pausa onde o interlocutor está catando papel na ventania pra ver se encontra alguma saída para a saia justa que se meteu falando bobagens demais. Claro que são expressões casuais, mas que trazem um sentimento negativo para sua imagem. Portanto, preste atenção.
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NÃO É HORA DE VOCÊ FICAR INTELIGENTE
NÃO É HORA DE VOCÊ FICAR INTELIGENTE.
Essa é a primeira frase que uso quando inicio a preparação dos diferentes perfis de profissionais com quem tenho a oportunidade de trabalhar para melhorar a performance ao falar em público ou vídeo. Existe uma tendência natural associada a nossa vaidade que é mostrar que somos inteligentes quando vemos uma câmera apontada pra gente. Isso nos leva muitas vezes a usar palavras que não fazem parte do nosso vocabulário do dia a dia e, consequentemente, gerar uma perda na linha de raciocínio deixando sua comunicação prolixa e sem sentido.
A linguagem formal, além de ser chata pra caramba, da sono e distancia as pessoas, enquanto que a informal aproxima, exatamente por trazer a sensação que estamos conversando entre amigos. Perceba a diferença: o NÓS vira A GENTE, o PARA vira PRA, o IRÁ vira VAI, o ESTÁ vira TÁ! A não ser que seja um filósofo ou professor de português, é assim que naturalmente falamos e é isso que dá credibilidade à sua imagem porque mostra quem você é de verdade. Repare que os apresentadores dos telejornais estão mais soltos e os programas vespertinos trazem cenários com cara de sala de estar, exatamente para dar a sensação que estamos conversando entre amigos. Seja sempre você e traga para a sua comunicação, através de uma câmera ou à frente de centenas de pessoas, busque o seu jeito natural de falar. É isso que gera conexão e retém a audiência. As pessoas precisam sentir quem você é de verdade e não um personagem que coloca a vaidade à frente do conteúdo, que é mais importante que você. Acredite.
Falar bem não significa falar bonito, floreado, formal. Na minha opinião é preciso gerar conexão para reter a atenção do seu público e ter a satisfação de olhar pra plateia e ver que não tem ninguém babando. Por muitos anos exerci com orgulho a profissão de ator. Fiz teatro, participações em novelas, series, longa metragens, centenas de videos institucionais, treinamentos, mas o que me rendeu um bom retorno financeiro foi a publicidade, na época em que se pagava bem, principalmente para os filmes de bancos que exigiam credibilidade.
Testes eram feitos nas produtoras entre mais de cem atores para elencar quem representaria determinado banco. Depois de alguns testes frustrados, comecei a imergir na pesquisa da construção do personagem.
Comecei a observar como o gerente da minha conta se comunicava com seus clientes e comigo, e percebi que ele simplesmente batia um papo oferecendo seus produtos como se fosse um conselho dado por um grande amigo que queria o seu bem.
Esse era o tom que usei na primeira oportunidade, teste na O2 Filmes para Itaú Flexprev, o plano de previdencia privada do Itaú. Foram realizados 3 testes entre 150 atores para escolher quem seria o protagonista da campanha. Fui escolhido. Deste dia em diante, após o vencimento de cada contrato, fui selecionado para representar outros bancos e ainda ser a imagem das comunicações internas destas instituições financeiras que, me sinto orgulhoso em dizer, gravei para TODOS os principais bancos do país e alguns de fora que entravam para concorrer no Brasil. Meu sobrenome virou BANCO. Isso chamou a atenção dos marqueteiros políticos de plantão que me convidaram para ancorar diversas campanhas políticas de prefeito à presidente da república, me permitindo assim, sem a fama novelesca, conseguir alcançar um certo sucesso nesta difícil arte da interpretação.
Hoje trabalho com comunicação e entretenimento. Sou roteirista e diretor de cinema no formato documentário e atuo também no mercado corporativo. Gosto de contar boas histórias. Gosto de gente. E por isso, uso da mesma técnica usada para dar credibilidade a imagem associada a uma marca para preparar executivos e quem mais acredita que falar em público ou por vídeo seja fundamental para seu crescimento profissional. Não ensino oratória. Lapido pessoas para que sejam elas mesmas. Quem olha pra você ao vivo sobre um palco ou através da lente de uma camera, precisa sentir que você é de verdade. A linguagem formal, rebuscada, aquela que a pessoa quer mostrar que é inteligente, usando palavras que não fazem parte do seu vocabulário usual, é chata pra caramba, dá sono e pode levar o comunicador a se perder em sua linha de raciocínio. Agora, a informal, aquela usada na roda de amigos, essa retém a atenção porque mostra quem você é de verdade. É autêntica. É isso que gera credibilidade a sua imagem e deixa sua apresentação leve e com gosto de quero mais. SAIBA MAIS: wladimircandini.com.br
COMPORTAMENTO
Vivemos um momento do copia e cola.

Talvez a alta disponibilidade de informações tem levado as pessoas a negligenciar sua capacidade cerebral deixando de lado um bem muito valioso chamado criatividade.

Nada se cria. Tudo se copia dentro do universo digital das referencias, ou seria da preguiça mental?
Isso nos leva ao desenvolvimento de pessoas subdesenvolvidas? Talvez.

Um público que não lê, assistem vídeos de até um minuto…Pessoas facilmente influenciáveis por tudo que veem ou ouvem sem checar a procedência e veracidade dos fatos. Dedicam seu tempo a selfies ou a divulgar seu prato de comida. Passam boa parte do tempo hipnotizadas pelas redes sociais!
Instantaneidade. Tudo na velocidade de um clique?
Foi baseado neste comportamento que pessoas de caráter duvidoso, porém inteligentes, criaram as famosas Fake News, popularmente conhecidas como mentiras, para manipular os preguiçosos de plantão e usa-los como marionetes de interesses escusos.
Seguindo a mesma linha de análise comportamental, alguém, em algum lugar do planeta, talvez o DEUS DA MODA, dita regras dizendo o que você deverá vestir alegando que a tendência para a próxima estação será usar determinada estampa com determinado corte, e a maioria das pessoas, aceita sem questionar se lhe cai bem ou é confortável para o seu biótipo.

Ninguém questiona de onde vem esta tendência ?
O resultado é similar a uma manada de zebras ou a um saco de salsichas. Tudo igual.


As pessoas ignoram sua própria identidade e personalidade. Digamos que a intelectualidade da coruja foi substituída pela língua do papagaio.

Isso pode ser visto na comunicação padrão adotada pelo mercado corporativo diferenciada por uma logomarca, pois o conteúdo é idêntico: Missão, visão e valores, na década passada, e agora atualizada em Propósito e Ações Sustentáveis.

É claro que com a destruição do meio ambiente as empresas precisam se posicionar de forma consciente seguindo o politicamente correto, mas para onde foi a originalidade? Algo que diferencia você dos demais!
Neste mesmo vagão chegaram os coachs que doutrinaram milhões de pessoas com sua linguagem de lavagem cerebral fazendo você acreditar que pode sair voando se pagar pelo segredo que ele irá compartilhar, permitindo que você fique milionário no dia seguinte e seja mais um Deus no Olimpo. Deus IDIOS, que em grego quer dizer IDIOTA.

Milionário ninguém fica além deles, mas você aprende palavrinhas como procrastinar, resignificar, repaginar, narrativa, jornada…
Talvez esta seja a razão do brutal investimento em inteligência artificial, porque a inteligência natural sucumbiu para um mundo que já é artificial.
PARE. PENSE. MUDE, e por favor não termine suas frases com GRATIDÃO.
O BRASIL É UMA FÁBRICA DE SALSICHAS
Se você prestar atenção, e não precisa se esforçar muito, vai perceber que a busca pela originalidade está escassa. Ou falta criatividade, ou sensibilidade e ousadia para expressar a forma com que as pessoas enxergam o mundo e para pensar nas razões de nossa existência.
As pessoas visualmente são como zebras. Se vestem iguais, os cortes de cabelo são iguais, todo mundo tatuadão, as mesmas gírias com seus TIPO – MANO – TÁ LIGADO – É NÓIS – COLA AÍ NA BALADA – BUGÔ – BOLADÃO, etc e tals!

Os urbanoides adoram as Duplas Sertanejas sem conhecer vida no campo, mas eu confesso que não tenho um ouvido apurado para distinguir quem é quem nesta galáxia musical. O Tom de voz segue um padrão e as melodias sofríveis, idem. São tantas duplas que em breve será impossível criar novos nomes sem repetir e serão obrigadas a se identificar por números:
- Agora com vocês a dupla 23 e 64!!!
Enfim, tribos ou ilustrando melhor, um pacote de salsichas!
No universo profissional corporativo que trafego chego a desanimar!
A internet trouxe a tal da “referencia” e com isso a preguiça mental. Para mim não existe coisa pior do que, ao invés de receber uma solicitação para criação de uma ferramenta audiovisual para sanar um problema (trabalho como roteirista também), recebo como briefing uma referencia de um vídeo com a descrição: É mais ou menos isso!
O mundo digital deu velocidade a informação e com isso potencializou a ansiedade e trouxe consigo o imediatismo, a necessidade premente, como se o mundo fosse acabar em segundos. Tudo é para ontem! Processos são atropelados e muitas vezes engolidos. Os departamentos envolvidos não se falam. Os objetivos das áreas estão desconectados.
As palavras que tanto valorizam os idiomas viraram siglas ! Acreditaram que abreviar é a solução para dar ainda mais velocidade. Você virou VC, também virou TB, beijos virou Bjs, Abraços virou abs e o não menos importante TMJ, tamo junto! Isso sem falar nas siglas corporativas: CEO, COO, CFO, portanto deixo aqui o meu PQP que é bem popular e todos sabem o que significa.
O marketing brasileiro é americanizado desde sempre, começando pelo próprio nome! Uma reunião de briefing para fazer um over view da situação é o retrato fiel da Torre de Babel.
Nos falta personalidade verde-amarela!
Quando digo que o Brasil virou uma fábrica de salsichas, trago em minhas observações uma base de estudos voltada para o comportamental, que me empenho com a mesma velocidade em que o mundo é transformado pela volatilidade do ser humano e, em minha análise, sinto que existem INFLUENCIADORES por que existem um número monstruoso de pessoas perdidas em sua existência que se deixam influenciar – sabe lá Deus porque – e seguem pessoas que ditam regrinhas copiadas de alguém. Um bando de papagaios regendo uma banda de maritacas que gritam sem fazer barulho, mas com olhos pregados na telinha do smartphone.

Vejam a moda por exemplo. Alguém das catacumbas dos ateliers mais profundos dita que as você deve usar determinado corte, determinada estampa, determinado modelo, determinando o que você DEVE fazer para ser parte do ESTAR NA MODA e ser classificado como ESTILOSO? Se você se deixa influenciar por alguém que você nem conhece, sinto em lhe dizer que você está fora de MODA e você está na MORDA. Entendeu o trocadilho, certo?
O Mundo passa por um momento onde tudo precisa ser rotulado. As novas gerações recebem nomes de acordo com seu ano de nascimento. O que antes era definido como criança, adolescente e adulto agora são Geração X, Y (Millennials), Z e Baby Boomers. No meu caso sou classificado como velho mesmo ou a caminho do cemitério para ser mais dramático, mesmo tendo ainda sob minha dependência um par de Millennials.
Uma geração que prefiro chamar simplesmente de jovens, e não faço aqui nenhuma crítica ou pré-julgamento, mas sim propor uma reflexão ou um exercício cerebral que me estimula a fazer uma analogia com uma fábula, onde ratinhos são hipnotizados pelo *mago da flauta – O Flautista de Hemelin (conto escrito pelos Irmãos Grimm que hipnotiza ratos que os seguem para um rio onde serão afogados), neste caso, o mago seria o influenciador e os ratinhos, a turma cega de influenciáveis que serão afogados em suas frustrações ao perceberem que tudo aquilo era blá-blá-blá.
Frustrações que podem explicar o aumento de suicídios no mundo.
A pergunta que faço é simples: você segue porque? O que você aprende que possa trazer algum aprendizado, algo que realmente trará melhorias em sua vida, ou como os coachs adoram dizer: agrega valor!

Aliás, neste universo de salsichas nasceram os coachs, psicanalistas do mundo corporativo que brotam como ervas daninhas matando o universo criativo. Com eles vejo os papagaios de plantão fazendo cara de conteúdo e usando as palavrinhas da moda como, resignificAR, repaginAR, procrastinAR, agregAR, verbos de tirar o AR. Não basta usar este vocabulário para se intitular coach e achar que pode vender mentorias que vão mudar o “mindset”(mais uma palavrinha gringa insuportável que fere a sensibilidade de meus tímpanos) e doutrinar as pessoas que podem ficar bilhardárias sem trabalhar pra caramba ou para alguns privilegiados, Herdarem fortunas de alguém que trabalhou pra caramba.
No meu ponto de vista, o que sugiro como reflexão para caminhar na direção de um autoconhecimento que irá clarear o caminho que você poderá seguir é :
Quem sou? De onde vim? Pra onde vou?
Uma rota iluminada facilita a chegada ao seu destino, isso se souber qual o destino almejado, única e exclusivamente por você e não pelos sabichões de plantão.
A evolução é individual. Acredite. Mas acredite em você e não em charlatões que querem vender o curso do curso.
O JORNALISMO E O AUDIOVISUAL
A palavra audiovisual deixa claro se tratar da combinação de som e imagem, mas ainda percebo que muitos jornalistas em suas pautas externas possuem a necessidade de desenhar aquilo que estão falando na tentativa de integrar o ambiente, como se a imagem já não fizesse esta função.
EXEMPLO FICTÍCIO:
CENA – O jornalista aparece caminhando no meio da rua narrando um fato que teria acontecido na frente de um hospital. Ao invés de objetivar a informação, com ele em primeiro plano, fachada do hospital ao fundo e simplesmente dizer o que aconteceu naquele local, ele perde um tempo enorme para criar um drama sem ter a capacidade interpretativa de um ator, alcançando um resultado que chega a ser patético. A importância está no fato, pelo menos é assim que eu enxergo, mas a fala seria mais ou menos assim:
- Eram 4 horas da manhã do dia primeiro de abril, em um país onde simbolicamente é reconhecido como o dia da mentira, mas o que aconteceu nesta fatídica madrugada ( A FACHADA DO HOSPITAL COMEÇA A APARECER NA TELA) na porta deste hospital (VIRA PARA TRÁS E APONTA PARA O HOSPITAL) não foi uma mentira e sim (PAUSA SEM SENTIDO) uma tragédia! Uma senhora de 70 anos escorregou em uma casca de banana e fraturou o fêmur. (COM A CASCA DE BANANA NAS MÃOS) Testemunhas alegam que esta casca de banana foi arremessada pela janela de um veículo que passava pelo local. Pasmem (NOVA PAUSA SENTIDO) O veículo pertencia ao neto desta senhora.
É claro que o que estou expondo aqui é uma situação ficcional irônica expondo o ponto de vista de quem trabalha no mercado audiovisual como redator publicitário, roteirista, diretor, ator e locutor e um incansável guerreiro que tenta explicar para os jornalistas, com quem tenho a oportunidade de trabalhar, que no audiovisual usamos a linguagem falada e não a escrita.
Qual a diferença? Simples, mas eles lutam contra. Pra você que é leigo, sinta se faz sentido pra você:
Na linguagem escrita, feita para a leitura, temos a necessidade de criar um ambiente e enriquecer com elementos que componham o imaginário do leitor, criar um cenário com riqueza de detalhes e neste formato é até permitido o uso de palavras mais “rebuscadas” digamos assim, mas dentro do ponto de vista publicitário, se possui o desejo de aumentar o alcance da informação, quanto mais popular, quanto mais simples for sua forma de expressão, maior será o público atingido, pela facilidade de entendimento. Portanto se você usar a linguagem dos deuses só alcançará o Olimpo, concorda?
No audiovisual, a imagem descreve o cenário e toda sua riqueza de detalhes, o que torna desnecessário o repórter, o apresentador ou seja lá quem estiver à frente da lente, dizer aquilo que a câmera já está registrando!
Não sei se é ego ou necessidade de preencher o tempo destinado para a apresentação da matéria que faz com que prolonguem demais uma informação que poderia ser dada de forma objetiva sem encher linguiça e perder a atenção do telespectador, e consequentemente não obter o resultado esperado com a notícia: audiência.
Com o poder nas mãos dados por um controle remoto, o cabra (no caso o chatonildo que aqui escreve) muda de canal antes de pegar no sono ou se irritar.
Outro argumento que o jornalista não entende é que o audiovisual permite a combinação de locução (texto falado), imagem, trilha sonora e texto escrito na tela (tecnicamente chamado de lettering). Nosso cérebro é capaz de absorver todos esses elementos ao mesmo tempo porque compõem a informação, e isso nos proporciona apresentar uma riqueza de detalhes em um tempo menor de exposição e ainda estar adaptado a um momento imediatista que quer receber a informação de um jeito rápido. Uma geração que trabalha com o poder da síntese. Textos enxutos, poucas palavras, vídeos curtos e ao mesmo tempo recheados de informação.
Escrevi tudo isso como desabafo após receber um roteiro que havia escrito tempos atrás, onde apresentei o conteúdo necessário em 1’40”e agora recebo o retorno do jornalista responsável pela comunicação da entidade com um texto que bate em 10 minutos de locução usando palavras fora da embocadura natural de um tom amistoso.
A minha experiência diz que após o segundo minuto começa a dispersão, o cérebro se desconecta e passa a ouvir Melão, melão, melão. Para aqueles que ainda não entenderam que o poder da comunicação está baseado na conexão, após a exibição deste chato curta metragem a quem você sacrificou pessoas a assistirem, pergunte sobre detalhes do vídeo apresentado e perceba que o resultado, o objetivo do audiovisual deve estar à frente do seu ego de escritor.
Vídeo é ferramenta de comunicação. Roteirizar não é escrever um livro ou uma notícia que será impressa. Roteiro é pensado para o público e não para satisfazer quem escreve.
CORDEL DA VIDA
As vezes me pergunto: o que é que tô fazendo aqui?
Vivendo num mundo que basta um segundo pra você sumir
Com gente agressiva que fala de morte, vive dando peti
ao invés de simplesmente sorrir
Não questiono crença ou qualquer diferença
Somos todos seres humanos, gente que pensa
Que sonha acordado e também quem nem consegue sonhar
Que vê apenas problema por qualquer caminho que passar
Mas também vejo muita gente boa
Que jamais se magoa
Porque ao invés de tentar entender
Tem coração maior que irá compreender
Essa gente quero sempre ao meu lado
Que não enxerga o pecado
Um erro que pode ser perdoado
Porque tudo aqui é aprendizado
Tem gente que vive com pressa
Que trabalha a beça
E não encontra tempo pra ver
Um bonito amanhecer e a lua que faz um buraco no escuro ao anoitecer
A vida é um escola
Que não pede esmola porque tem muito pra dar
Com amor a tudo aquilo que o dinheiro não pode pagar
Pequenas grandes coisas que se distanciam do ter,
mas te aproximam do ser.
A Hora de prospectar
Durante anos trabalhei prestando serviços para algumas produtoras, oras como diretor, oras como roteirista, como locutor, como ator* ou assumindo múltiplas tarefas para tentar garantir um cache melhor. É assim que atualmente nos mantemos no setor de produção audiovisual, onde o desenvolvimento crescente de novas tecnologias, transformou pré adolescentes em cineastas. Pelo menos é o que pensa e nisso se apegam alguns diretores de empresas no momento de análise do orçamento enviado para produção de um video.
Você apresenta seu REEL com alguns trabalhos de altíssima complexidade de produção e o cara diz: Meu filho fez algo parecido com isso…

Este ano, no meio do tsunami econômico que jogou 13 milhões de pessoas na busca por recolocação profissional (nome bacana para suavizar a palavra desempregado), passei a duras custas e contra minha vontade por um ano sabático. Trabalhando todos os sábados (rs)…domingos e feriados também! Mas não se iludam os desempregados dizendo “sorte sua”, pois não foi trabalho remunerado. Foram 12 meses de estudos e pesquisas para me adaptar as novas mídias e respectivos interesses do mercado digital.
Cheguei a conclusão que produção por si só perdeu valor, a não ser que esteja amarrada a uma ótima ideia que trará solução apresentando um conteúdo de qualidade. Baseado nesta afirmativa, desenvolvi um nicho de produção e agenciamento de influenciadores buscando ofertar mídias que pudessem alcançar bons resultados para marcas. Me associei a gente boa, gente talentosa e com estofo para gerar o tal do conteúdo de qualidade que pudesse atrair o interesse em diversos segmentos e para públicos diversos.
Pronto! Pensei comigo. Agora estou armado e apto para entrar no campo de batalha novamente.
Nada dissooo!
Quando você passa de freelancer à empresário, com CEP e tudo, novas incógnitas surgem!
Por exemplo:
Antigamente (palavra usada pelo povo vintage como eu) a prospecção era feita por telefone e ao falar diretamente com o responsável (sem trocentos filtros), conseguíamos – pelo tom da voz ou pelo andamento da conversa – sentir interesse e agendar imediatamente a data para apresentação detalhada de nosso negócio ou projeto. Agora, telefone virou invasivo. As pessoas preferem e-mails, mensagens de texto, e com isso inflacionam os custos dos pacotes de dados. Por mim, tudo bem contanto que o outro lado se lembre que não temos bola cristal e muito menos capacidade mediúnica, portanto uma resposta deste e-mail me parece evidente! Claro, que após alguns bons anos de experiência, quando esta resposta é praticamente monossilábica, do tipo – RECEBIDO – sabemos que deste mato não sairá coelho, quanto mais dinheiro.

Atual principal expertise do profissional de prospect: Ser Médium
Outra forma de prospecção pode ser feita através das mídias sociais profissionais, como o Linkedin ou pelas fanpage das empresas no Facebook. O que não entendo é, porque alguns profissionais lhe aceitam em suas network e ignoram sua tentativa de contato? Será que elas acreditam que fiz contato porque gostei da fotinho do avatar ou tenho admiração pelo cargo que atualmente ela exerce e serei um bonequinho para dar likes em seus posts como forma de aproximação? Para que aceitar a minha inclusão na sua rede de relacionamento? Talvez para aumentar o tamanho de sua Network que na prática irá usar quando estiver desempregado…ops…em busca recolocação profissional?
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Dias atrás conversando com um amigo publicitário sobre a falta de ética de alguns profissionais, chegamos a conclusão que prospectar novos clientes competindo com os “Brothers” é quase impossível. Ele comentou sobre uma concorrência aberta após a troca de comando de uma empresa que atendia com muito sucesso há anos.
O novo todo poderoso, mesmo confrontado por sua equipe satisfeita, que lhe apresentara os resultados excepcionais da atual agência, insistiu que a concorrência iria acontecer.
O procedimento dava indícios de brasileridade com carta marcada, mas mesmo assim a agência cumpriu seu papel e se empenhou ao extremo para vencer o braço de ferro.

No dia marcado para concorrência das campanhas, durante a apresentação da agência em questão, que entusiasmava os presentes pelo brilhantismo da proposta, o Big Boss – fortalecendo as suspeitas – não se dava ao luxo de tirar os olhos de seu celular para sequer olhar de soslaio para pelo menos um dos slides. Discrição e respeito ZERO ! Ao final da apresentação, elogios quase unânime pela proposta apresentada, DEUS isolado, continuava brincando com seu smartphone e ignorava o furor a sua volta. Porém, um frase dita estratégicamente ao final do speach, fez com que levantasse os olhos na direção do proscênio, arregalasse os olhos e expressasse facialmente um “FUDEU” que quase o derrubou da cadeira: Custo zero! Fariam tudo de GRAÇA!
Aplausos! Gritaria! Euforia generalizada na sala!
BINGO! Adivinhem o que aconteceu? Eles perderam a concorrência do mesmo jeito.
Brother é brother. Esquema é esquema. Sacanagem é sacanagem. O resto é resto.
*Apesar de ter realizado meu último trabalho como ator em uma modesta participação no longa REAL – A História por trás do Plano (2017) – atuar virou prazer e não mais ofício, pois não existe no mundo profissão mais desequilibrada, cujos protagonistas não conseguem separar a busca pelos aplausos da relação comercial com valorização do trabalho lúdico, o que os transforma em eternos figurantes.

O TAL DO BUDGET
O mercado publicitário e o marketing ( o nome já ilustra) resolveram americanizar a língua brasileira.

Análise geral virou “over view”, público alvo virou “target”, reunião de criação é “Brainstorm”, aí vem “feedback”, “recall”, “brandings”, “branded content” e demais “expressions” que só fazem sentido se o cliente for gringo, mas sabe-se lá porque, criaram o publicitês. Talvez sonhassem em ganhar em dólar no Brasil, sei lá!
Outro dia recebi uma mensagem de uma agência que havia enviado um pedido de orçamento e me alertou por mensagem de texto com um ASAP! Na hora fiquei perdido e achei que o corretor do aplicativo tinha dado um gato na palavra e questionei com um interrogação. Resposta para ASAP: “As soon as possible”, ou XEJA, o mais breve possível.
AH! Vai TNC !
Isso tudo pra falar do tal do “Budget”, que nada mais é do que um orçamento!

Semana passada abordei em meu artigo sobre “briefing” e contei alguns “causos”, e hoje não será diferente.
Tempos atrás, quando nos reuníamos com o departamento de comunicação de alguma empresa ou com sua respectiva agência que necessitava produzir um vídeo ou um filme publicitário, sentávamos com os criativos e diretores de arte e estes nos apresentavam uma campanha amarrada a um conceito ou uma necessidade específica, e juntos buscávamos uma linguagem que adequasse a todo aquele estudo e se adequasse a verba destinada para isso.
Aí surgiu o youtube e com ele as “referências”. Meus amigos vocês não fazem ideia o tamanho da preguiça que este fato gerou em algumas cabeças criativas.
Os caras agora te mandam o “tal do briefing” (post anterior) com algumas referências do youtubiu e um pedido de orçamento. O problema é a imprecisão, pois a referência está mais ou menos próxima do real desejo do cidadão que novamente não sabe bem o que quer. No fundo ele assistiu a “tal da referência” (talvez o próximo post) e daí teve a brilhante ideia de adaptá-la para sua necessidade, se é que existia alguma, pois muitas vezes nossa vivência percebe não fazer o menor sentido o pedido em questão. Aí o ca
ra te manda um filme produzido 100% em “stop motion” (mais uma palavrinha gringa), mas não quer que façamos nesta linguagem, compreende muchacho? Manda outra referência cuja fotografia é a bola da vez, com o tal do “flare” (mais uma) que é aquela luz frontal direta na lente da câmera para criar um efeito de brilho. (Tem dezenas de comerciais como este no ar, é a modinha do momento).
De cara sentimos que estas 2 referências juntas são no mínimo esdrúxulas.
Aí você pergunta: Posso ver o roteiro? E o cabra diz: Ainda não começamos a produzir.
Traduzindo: Não existe.
Nada se orça antes de analisar um roteiro!
Quando eu digo que para atuar em determinados mercados você precisa desenvolver sua mediunidade, ninguém acredita.
Outro probleminha é a tecnologia. Como hoje todo mundo tem um celular que filma com qualidade e edita em seus variados aplicativos, tudo parece muito fácil e isso nos proporciona ouvir pérolas enquanto apresentamos nosso “reel” (outra pro6 – edição de um portfólio): o meu filho fez algo assim no final de semana .
Certo dia recebi um telefonema do departamento de comunicação de uma empresa aparentemente interessados em produzir seu primeiro vídeo institucional . Eu costumo chamar de prostitucional, pois fazemos pelo dinheiro e não pelo prazer. Como tratava-se de um cliente virgem no audiovisual, a primeira coisa que perguntei foi sobre o “tal do budget”, pois é o valor disponível de investimento que nos orienta a criar um roteiro mais ou menos complexo.
Bom, segundo ele não existia um valor pré-definido e pediu que apresentássemos uma proposta. Como ele mensurou a necessidade de gravar em 3 plantas fabris localizadas em outras cidades, imaginei que a verba ou o “tal do budget” existia de fato. Não estou certo, mas na época chegamos ao valor de 60 mil reais estimando 4 diárias de captação.
Para se apresentar um orçamento, destinamos boas horas de trabalho entre pesquisas, discussão de proposta criativa, linguagem e por fim cálculos para chegarmos ao número.
Acreditem estava muito enxuto este orçamento. Enviei e logo em seguida liguei para discutir nossa proposta e sanar qualquer dúvida, pois o cidadão tinha urgência e experiência zero.
Ao dizer alô, ouvi
: Você tá louco! Pensei em gastar 3 mil reais! Ou XEJA, ele tinha um valor em mente e se eu soubesse que era isso que ele pretendia investir, teria indicado o filho do meu vizinho de 10 anos para rodar com seu Iphone!
Respirei fundo e logo em seguida veio a segunda frase: O que posso fazer com 3 mil reais?
Resposta: UM MIOJO !

O Tal do Briefing
Briefing, em definição, corresponde a um conjunto de informações para o desenvolvimento de um trabalho que será executado por diversos profissionais envolvidos no processo. 
Este é um termo muito usado no mercado publicitário e associado ao desenvolvimento criativo de uma campanha, seja impressa, digital ou audiovisual.
Para os leigos, seria como especificar ao Chefe de cozinha exatamente o que espera do prato solicitado: carne ao ponto, pouco condimentada, crocante, sem açúcar, pouco gelo, etc e tals. Informações fundamentais para que o resultado fique satisfatório.
Mas vamos a realidade: Saber pedir está ligado a Saber o que quer, mas atualmente nos deparamos com profissionais que não sabem o que querem e, portanto não sabem o que pedir. Batizamos este perfil de Engenheiros de obras Prontas, que são aqueles que se apropriam de uma ideia não desenvolvida por eles, mas que iniciam a palpitaria logo após a apresentação do primeiro escopo criado via mediunidade.
Como funciona isso? Vou explicar usando como referência o audiovisual, que é a área em que atuo: o cliente te chama para uma reunião, mas não sabe o que quer. Não faz a menor ideia porque desconhece totalmente o processo de produção e passa distante da criação*. Isso nos obriga a mergulhar na empresa contratante para entender o que ela faz, qual é o momento vivido, o que ela quer comunicar, para quem quer comunicar, para quando e qual o formato da apresentação (onde será exibido). Essas seriam as informações básicas para se compor um briefing.

Munidos dessas informações iniciamos uma proposta criativa e apresentamos um pré-roteiro, um escopo da NOSSA ideia. É aí que começa o problema. É como se o cliente caísse de paraquedas na Disney e resolvesse se divertir em todos os brinquedos ao mesmo tempo. O cara vira roteirista, ator, diretor, fotógrafo. Ele age como se fosse Steven Spielberg. Vira cineasta e esquece do propósito. Começa a dar palpites em tudo o que foi apresentado e acaba caindo na armadilha do “eu gosto mais de” e se esquece de que o material e a linguagem proposta não foi desenvolvida para o gosto dele, e sim para o cliente dele, para o público dele, para quem o material foi pensado!
É triste ouvir o cliente dizer: “Eu não gosto da trilha. Prefiro sertaneja”, sendo que o vídeo é para uma plateia Rock’n Roll, por exemplo. Isso nos obriga a abrir um parênteses e dizer com toda delicadeza do mundo para não melind
rar o cliente: Mas meu amigo, este material não foi feito pra você e sim para um público totalmente diferente de você! Isso não nos pertence! (como diz sabiamente meu amigo Micka da Ideia House). Na maioria das vezes funciona. Em algumas assumimos o “isso não nos pertence” só para nós, e entregamos o que o cliente pede mesmo consciente de que o resultado não será atingido. É como temperar carne com açúcar.
Assim sendo, deixamos isso claro e formalizado para nos isentar desta responsabilidade. Algumas vezes, após nossa formalização, com palavras do tipo “nossa sugestão”, “nossa experiência”, “nosso parecer”… faz com que o ego seja colocado de lado e o cliente volte atrás respeitando a proposta.

Criação é outro tópico que foge um pouco da compreensão de alguns “João sem braço”, manja? O antigo “Migué” ?
*Certa vez participei da elaboração de uma proposta criativa para o desenvolvimento de um vídeo para uma marca nacional de cosméticos e fiquei pasmo com o que aconteceu? Após enviarmos nossa ideia anexada a um orçamento de produção, a urgência com que foi solicitada a proposta desapareceu no departamento em questão e nada da resposta de aprovação dentro do período pré-determinado. Mas o pior do desrespeito viria 3 meses depois. Nossa proposta criativa nos foi reenviada como briefing em uma concorrência com mais 5 produtoras para fazer orçamento!!! Como se a ideia não tivesse valor algum! Questionados sobre isso, quando alegamos que o custo da ideia fazia parte do nosso orçamento e que se fosse usada para uma concorrência deveriam nos pagar por isso, ouvimos um “como assim”? Num tô entendennnndo!!
Existem valores que deveriam virar matéria nas universidades. ÉTICA por exemplo.
Ao perceber que uma simples ideia foi capaz de resolver um grande problema, depois de criada e apresentada como solução, é muito fácil alegar o óbvio, porém no conflito este óbvio é invisível e cabe as pessoas criativas e inteligentes transforma-lo em palpável.
Briefings não caem do céu. São informações importantíssimas que deverão estar presentes no contexto em forma de solução de algum problema, conflito ou pura e simples comunicação que ganha maior ou menor representatividade de acordo com o formato e linguagem que será apresentada. Tudo muito pensado e trabalhado por uma equipe formada por diversos profissionais, portanto merece respeito.

Se você não sabe pedir, a chance de pedir o prato errado e ter que pagar caro por ele será de sua responsabilidade. Ou XEJA, faça sua lição de casa antes de contatar o profissional que irá criar e executar a ferramenta de soluções e lembre-se: Retrabalho custa mais caro.
ATORES E O MERCADO PUBLICITÁRIO
O fato de trabalhar com entretenimento e com algumas atuações no teatro, tv e cinema, há algum tempo fui convidado para participar de uma feira de profissões na escola de minhas filhas – quando ainda cursavam o colégio.

Fiquei feliz e orgulhoso pela oportunidade de poder falar sobre o difícil mercado de trabalho e ainda sentir o brilho no olhar dos jovens que ansiavam em viver de arte. Mas pra minha surpresa e decepção, percebi que a grande maioria dos alunos não faziam a menor ideia sobre o que representava ser ator, a observação, construir um personagem, a dramaturgia, e seus diversos tipos de linguagem e nuances.
A referência deles era o glamour (existente somente em Hollygrude) e o foco era a fama. Falavam em fazer Malhação, participar do Big Brother ou serem Youtubers, mas raros aqueles que questionavam o árduo caminho das pedras. Queriam simplesmente aparecer. Falavam do sonho em se transformar “celebrities” e cegos ao ponto de pedirem a receita para alguém que não é famoso! Um Zé Ruela feito “yo” que tira sangue de pedra pra manter vivo o padrão conquistado em minha vida de operário do vídeo.
Profissionalmente falando, foi este tipo de visão que estraçalhou o mercado de trabalho do ator na publicidade e me fez abrir o leque de aptidões a tempo de me manter respirando.
Gracias!
Comecei profissionalmente em 1986, porém como já era raríssimo encontrar profissionais não globais, casados e com filhos e que conseguiam viver de teatro, encontrei nos filmes publicitários uma boa forma de sobrevivência artística, afinal os cachês giravam em torno de 10 mil dólares e a veiculação para a TV – exclusivamente aberta – tinha prazo de apenas 3 meses no ar. Além disso recebíamos um bom valor para fazer os testes de VT solicitados pela agência de publicidade para selecionarem o protagonista do comercial. Como a publicidade off-line imperava em suas superproduções, fazer testes (às vezes mais de um por dia) era suficiente pra levar uma boa vida de solteiro.
A publicidade era realmente uma vitrine para os produtores de elenco das emissoras de tv. Talvez por isso, o mercado inchou e os novos atores cheg
avam com a filosofia de que era necessário mostrar a cara em comerciais para ficarem conhecidos, e assim abrirem as portas para novos formatos. O problema foi que aumentou demais a oferta e estes “trainees” ignoraram as práticas do mercado e iniciaram um verdadeiro leilão, cujos valores de seus cachês variavam de acordo com o número de contas à pagar que tinham em atraso. Como se isso fizesse diferença em orçamentos que ultrapassavam os 7 dígitos nos custos de produção e 8 dígitos nos investimentos em mídia. Para quem não sabe, 30” no horário nobre da rede globo pode chegar a 300 mil dinheiros por inserção.
Qualquer um que se submetia a reduzir o valor de seu cachê, inconscientemente estaria colocando seu portfólio na prateleira da mediocridade de onde nunca mais sairia. As agências de atores por sua vez, lidavam com o canibalismo no casting, pois se você não topa o cachê oferecido, existem vários outros colegas predispostos a aceitar até por menos. E com a desculpa de que “cada um sabe onde aperta o calo” a publicidade foi a leilão nas luzes da ribalta.
Naquela época a publicidade era riquíssima, mas a partilha dos valores de produção já começava a se diluir nas mãos de poderosos diretores de criação e donos de produtoras “parceiras” instaladas em megas edificações em zonas nobres de São Paulo.
Mesmo depois de Hollywood iniciar a produção de seus longas metragens em digital economizando 50% do orçamento de produção comparado ao processo artesanal de rodar em película, algumas agências de publicidade e respectivos criativos insistiram por muito tempo na produção em rolo de filme!!! Certa vez coloquei isso em discussão com um diretor de criação e ouvi o seguinte: Existem cenas (na época) que as linhas de fundo em um plano mais aberto “flicam” (tremem) no digital e só a película evita isso. Na Publicidade não podemos cometer erros! Bom, tecnicamente, pensando em estar oferecendo inteligência de produção, como se fosse o maior segredo do universo, questionei com olhar de cliente: Mas se for só por uma cena tenho 2 soluções: 1) adapta o roteiro e lima esta cena; 2) rode somente esta cena em película e posteriormente faça um “Tape to tape” (processo de digitalização que equaliza as imagens) que é infinitamente mais barato! Foi neste momento que percebi que acabara de dar um pusta tiro no pé. Pois senti que o que ele visava era exatamente o contrário de “economia”=<comissão. A economia ou a potencialização dos ganhos sairia do lado mais fraco.
Fazendo um comparativo, recebíamos em dinheiro de hoje aproximadamente 30 mil reais para ceder nossa imagem por 3 meses na TV aberta e atualmente chegam a oferecer 5 mil reais para veicular em toda mídia eletrônica, onde inclui-se, TV aberta, por assinatura, internet, site do cliente, site da agência, Youtube, Vimeo, eventos, espaços públicos, e todas as demais mídias que permitam a exibição do filme, e pra piorar ainda mais, o prazinho de tempo de veiculação aumentara para 12 meses ou mais!! Antes que algum leigo se manifeste alegando que 30K era muito dinheiro para se pagar de cachê para um ator não famoso, saiba que enquanto este filme estiver no ar, dependendo do volume de exposição, a imagem do protagonista associada ao produto em questão o impossibilita de gravar outro filme, concorrente ou não. Portanto, divida este valor por 12 meses que equivale ao tempo de veiculação e acrescente mais 6 meses no mínimo de desassociação da imagem do produto…se for possível.
Qual a sensação de ver o garoto propaganda da TRIVAGO.COM entrando em todos os intervalos da programação de todos os canais por assinatura? É insuportável!
Se este cara não assinou um bom contrato, certamente terá dificuldades para retornar à telinha com outro produto. O mesmo se aplica ao Fabiano (ator das Casas Bahia), Carlos Moreno (Bombril) e agora o querido Batata com a divertidíssima campanha dos postos Ipiranga.
Para vocês terem uma referência de postura e desrespeito aos atores que fazem publicidade aqui no Brasil, instituiu-se como direito conexo o uso da imagem do ator e estipulou-se corresponder a 70% do valor do cachê bruto oferecido, sendo que os demais 30% refere-se a diária(s) de trabalho não importando quantas vezes sua imagem será exposta nas diversas mídias existentes.

Não estou certo disso, mas compartilho da ideia: Em alguns países que dão valor ao uso de imagem, o que diferencia um ator celebrity de um ator standard (não famosão) é o valor da diária de trabalho, pois o direito conexo está associado ao volume na exposição da imagem que é proporcional ao investimento. Isso significa que quanto mais usarem a imagem do ator, mais ele receberá. Basta abrir o mapa de mídia da campanha! O cálculo é feito sobre um percentual do valor investido nas mídias em questão e é negociado diretamente com a agência responsável pela conta e com o cliente. Este percentual é na casa decimal, portanto não pensem que com um único filme o ator suba o nível de sua classe social. Seria o JUSTO, não acham?
Aqui geralmente o valor é elaborado em cima do que sobra do custo total da produção e jamais revelarão o mapa de mídia. Países desenvolvidos aplica-se a Lei da proporcionalidade e aqui a do oportunismo.
De quem é a culpa? Na minha opinião, dos atores que não se dão o devido valor e desrespeitam a classe.
Como saber se o valor ofertado é justo?
Dou aqui algumas dicas:
Analise o roteiro e veja se existe alguma complexidade? Tempo de exibição e praça de veiculação que estará atrelada ao contrato? Quem vai produzir? Top ou não? Quem vai dirigir e fotografar? Top ou não? A campanha se estenderá em mídia impressa, digital e rádio? Quantos produtos ficam atrelados ao comercial? Por exemplo: Comercial para alimentos pede exclusividade total no setor alimentício! Tudoooo!
Outro fator importante é o tipo de produto. Papel higiênico, remédio para dor de barriga, para gases, associarão a imagem do artista ao “cagão”! Cuidado! Se virar “meme” nas mídias sociais, já era mermão! Estes são produtos que cabem só para celebridades, caso contrário você literalmente vai pra merda.
Pense nisso: Quando um amigo lhe indica um produto que posteriormente você descobre ser uma porcaria, jamais você esquecerá desta dica horrorosa e principalmente do cara que te recomendou. Fazendo uma analogia, o ator que indiretamente indica um produto ruim ou associa sua imagem a ele, deixará milhões de pessoas com este mesmo sentimento. Sacou?

Certa vez fui consultado para fazer um comercial de Viagra e lembro de pedir 100 mil reais por 6 meses de contrato podendo ser renovado pela mesma fração e período mediante a pagamento de 100% do valor contratado. Fui chamado de louco, afinal nem estrela da globo eu era.
Minha defesa: Atualmente ganho meu arroz com feijão associando minha imagem a diversas instituições financeiras que me contratam como apresentador de seus institucionais e vídeos de treinamento. Se eu topar fazer um “Brocha” pelos 10 mil reais oferecidos significaria matar minha galinha dos ovos de ouro, pois brocha não tem credibilidade e é exatamente isso que represento para meus clientes!
Depois de alguns segundos de silêncio fúnebre, ouvi do produtor: Você tem razão.
Pior que isso é aceitar fazer campanha para o Maluf.
Este é o parâmetro que permitirá analisar se o valor ofertado faz parte de um orçamento previsto e planejado ou se foi o que restou no cofrinho. Agora cabe ao ator ter a coragem de agradecer o convite e dizer não. Isso caberia também a agência que representa o ator com o dever de preservar a carreira de seus profissionais. Mas se os mesmos pedem para serem consultados independente da mixaria oferecida, o que fazer?
A evolução é individual.
Com as novas tecnologias, crise econômica e um pouco de descaso, sinto que em breve os testes serão extintos e as produtoras de elenco serão pesquisadoras virtuais. Vejo produtores de elenco convocando e enviando briefings no modo econômico via mídias sociais e alguns solicitando vídeos testes enviados por zazap para pré seleção! (talvez para evitar o recall).
Pela baixa exigência e criatividade idem vista nos comerciais atuais, basta ser um bom “tipo” e “cara de pau” ou até um personagem virtual (Magazine Luiza) para encarar uma campanha. Aquilo que estudei sobre “tons”, “modulações”, “observação de comportamento”, “pausas”, “olhares” e diversos outros actings decodificados entre as palavras que deveriam ser ditas e de que forma devem ser ditas, não cabem na publicidade. Perderam valor e foram substituídos pelo novo conceito “pessoas de verdade”. Como se o ator fosse um robô.

Talvez tenham razão quanto ao direcionamento neste novo conceito, mas estou aqui como advogado de defesa de alguns inocentes que desconhecem ou ignoram no desespero que, associar sua imagem a qualquer produto à frente de milhões de pessoas, será o representante da marca naqueles 30”, falará em nome dela e isso já é o suficiente para receber um cachê justo. Se fizer uma pequena conta dividindo o valor do cachê pelo período de exibição da peça publicitária e o número de inserções em todas as mídias chegará aos centavos destinados ao ator. Triste realidade.
Como nunca permiti que minha imagem fosse a leilão e sempre respeitei a profissão do ator, preferi estudar o “behind the scene” e iniciei um novo caminho – não menos difícil – como roteirista, locutor, diretor cinematográfico e cena, e recentemente como produtor de conteúdo para que jamais me faltasse trabalho. Migrei de ator a camaleão multimídia para me defender dos predadores mirins, pois agora sou chamado de “old School”!
Ah vá TNC !
Para mim, ser ator é um trabalho como outro qualquer. Me intitulava como operário do vídeo, exatamente para quebrar essa visão glamourosa da profissão. Lembro de ouvir algumas pessoas dizendo:
Que bacana! Você é ator! Mas além de atuar você trabalha com o que?
É exatamente isso. Tem muita gente que acredita que Ator não é profissão, mas um hobby. Tudo bem que a gente se diverte trabalhando para entreter, aliás o mercado de entretenimento é um dos poucos que cresce em nosso país, mas o desgaste físico e emocional é gigante e merece respeito.
Como tudo na vida as oportunidades estão atreladas ao relacionamento, a sua network. Ganhar valor requer muito trabalho. Fama é para poucos e não deve ser objetivo e sim resultado de um bom trabalho (pusta clichê).
Então para você jovem que sonha em ser um profissional das artes cênicas e ainda constituir família e ter condições de ter dependentes, saiba que para construir um patrimônio vivendo somente desta arte vai precisar ser bom no que faz e ainda ter a sorte de se relacionar bem (empanelar-se sem puxar saco) para ser contratado por alguma emissora de TV e ainda cair nas graças do povo. Caso contrário prepare-se para viver em uma montanha russa com muita aventura pela frente.
Mais uma coisinha: saibam que acima de um produtor de elenco de uma emissora de Tv está o cara do financeiro que usa da “vitrine” que trabalha para lhe oferecer um suicídio econômico.
Malhação – nesta escola de preparação para jovens atores, me ofereceram um contrataço de 5 mil réis para ficar disponível 7 dias por semana e ainda sujeito a um desconto de 40% caso não tivesse gravação agendada no mês!
Ainda ouvi do raiz quadrada: Este trabalho vai te lançar!
Minha resposta: Quem precisa de lançamento é foguete! Eu preciso é de dinheiro pra sustentar minha família.
Qual a sensação de ver o garoto propaganda da TRIVAGO.COM entrando em todos os intervalos da programação de todos os canais por assinatura? É insuportável!