Respeito a opinião de todos, mas duvido que abriria um sorriso ao ver o muro de sua casa ou a fachada do seu prédio amanhecendo com símbolos, rabiscos, hieróglifos provindos das profundezas de uma mente digna de estudos.

Sou um grande admirador do grafite e realmente acredito ser um tipo de arte capaz de cobrir o cinza das grandes metrópoles e ainda trazer um pouco de alegria aos nossos olhos. Isso para mim é manifestação cultural e artística e que profissionais da arte como “OS GÊMEOS” – Otávio e Gustavo Pandolfo, “NINA” – Carina Pandolfo, “NUNCA” – Francisco Rodrigues, e “KOBRA” Eduardo Kobra, entre outros – https://youtu.be/7NpppZaGfJo – nos enchem de orgulho expondo seus trabalhos urbanos e recebendo merecido reconhecimento em países como Estados Unidos, Canadá, India, Portugal.
Esta semana virou polêmica a atitude do atual prefeito Dória com seu projeto “Cidade Linda”. O cara tomou pedrada de tudo que é lado com a decisão de acabar com a pichação, mas o problema é definir – para os cabeça de bagre que estão com a pistola de cimento em mãos – o que é arte grafitada e o que é picho!

Para mim é evidente a diferença e é possível senti-la. Se você olha para um mural, painel representado por um artista que usa o grafite como linguagem, o resultado é um “pusta sorriso” seguido de um “que lesgal, que bascana isso” !!! A diferença para o PICHO também fica evidente e também dá para sentir: suas sobrancelhas franzem o centro para baixo seguido de um “puta que pariu, que merda! Queria ver o cara que fez isso engolir a latinha de spray!”. To errado?
Encontrei este significado para o verbo PICHAR, porém, que nome damos para algo indecifrável – ou cifrável para tribos urbanas – cujo único objetivo é disputar o “pico” mais difícil para espirrar tinta em forma de…em forma de…me ajuda aeee! Que nome dou àqueles… símbolos? Que merda é aquilo? Alguém pode me ajudar?
Bom, na tentativa de encontrar algo a respeito que pudesse clarear meu conhecimento, fiz uma pequena pesquisa e encontrei um artigo que mensura o significado oculto das pichações – http://www.fatosdesconhecidos.com.br/conheca-o-significado-oculto-nas-pichacoes-feitas-em-muros/ – Faz sentido, mas não tenho como afirmar ser verdadeiro.
Uma característica que diferencia um Pichador de um Grafiteiro – ou de um ser humano bípede pensante – pode ser percebida neste comentário de um pós graduado nesta tipografia:

Impossível confundir um artista de um ser que tem o “célebro” amarrado a uma lata de tinta spray, que desconhecem o alfabeto, mas perdem tempo em criar o próprio.

Sou a favor de qualquer tipo de manifestação sadia que não traga prejuízo a ninguém e que respeita o espaço público, que como o próprio nome diz, é público, ou seja, não lhe pertence.
Aqui deixo uma pequena prévia do que considero uma verdadeira expressão artística que interage com a paisagem urbana de forma alegre, inteligente, expressiva e ainda dá cor a vida cinza da cidade.


Será que não basta pisar ao lado da faixa de pedestres para sentir que a pessoa precisa atravessar a rua ao invés de acelerar e fingir que não a viu?



Quando eu era moleque, e já tem um tempinho, nossa principal diversão era bater uma bolinha na rua e frequentemente, em algum momento mais caliente do jogo, surgia um estagiário da mediocridade que dizia: “A bola é minha! Acabou o jogo!” e saía fazendo biquinho típico do imperador da mediocridade com o ego do tamanho do planeta e o caráter do tamanho de uma bola de gude. Evidente que junto com sua bolinha, levava uma saraivada de bordoadas pra largar mão de ser besta, e juntos ríamos e resolvia-se o problema ali mesmo, entre amigos.




